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terça-feira, 28 de julho de 2020
Arkansas / The Gentlemen (Magnatas do Crime)
Segue dois filmes que tratam de um tema em comum, o tráfico de drogas, mas que são construídos de forma única, os dois com seus diferenciais são sem dúvidas exemplares maravilhosos que merecem mais reconhecimento. Confira:
"Arkansas" (2020) marca a estreia na direção do comediante Clark Duke, que também corroteirizou e atuou no longa, é uma história que vai ligando os pontos aos poucos, dividida em cinco capítulos acompanhamos a ascensão dos personagens no tráfico de drogas no sul dos EUA, que assim como o narrador e protagonista do filme revela não é tão organizado e que não existe códigos de honra igual a mafia italiana e mexicana.
Kyle (Liam Hemsworth) e Swin (Clark Duke) entram por acaso no tráfico de drogas. Eles trabalham num esquema de sucesso no sul dos Estados Unidos, recebendo ordens de Frog (Vince Vaughn), um chefe que nunca encontraram pessoalmente. Quando uma das entregas leva a um assassinato involuntário, os dois precisam se proteger das represálias que virão.
Tudo começa quando a dupla conhece Bright (John Malkovich), o chefe deles em Arkansas, mas acaba acontecendo um mal-entendido e os dois decidem agir por conta própria alavancando o negócio, daí a trama vai nos colocando a par da vida de Frog, desde a sua entrada no tráfico até o momento em que se põe como o mandante de tudo, o interessante é a maneira que esses personagens se conectam em um emaranhado de situações perigosas, mas o que deixa ainda mais enérgico é o como cada um encara, Kyle, nosso narrador é um homem frio e que diz não ser ambicioso, no decorrer vemos ele lidar com uma possível transformação onde a falta de lealdade e a ganância são o caminho mais fácil, já Swim com seus trejeitos engraçados beirando ao caricato traz um certo respiro para a rotina deles que é permeada de tensão e violência. O humor cínico e as pequenas reviravoltas dão ao longa uma característica única e que surpreende muito em relação ao tema tráfico de drogas.
"Arkansas" é um exemplar que mescla cinismo, violência e apesar de ter bastante energia caminha num ritmo mais lento, seu clima introspectivo é justamente o que gera o magnetismo e aflição. Ótimo!
"Magnatas do Crime" (2019) escrito e dirigido por Guy Ritchie (Snatch: Porcos e Diamantes - 2000) é um filme que chama a atenção de primeira pelo elenco, um show de atuações que ganhamos enquanto viajamos pela ousada trama, o jeito enérgico e envolvente do diretor dá as caras novamente e que primor de narrativa que mescla sensações diversas em menos de um minuto.
O norte-americano Mickey Pearson (Matthew McConaughey) chega a Londres decidido a vender o seu negócio milionário e viver despreocupadamente de rendimentos, ao lado de Rosalind (Michelle Dockery), a sua belíssima esposa. Contudo, por ser bastante cobiçado e estar relacionado com drogas ilegais, o negócio em questão vai envolver criminosos de toda a espécie e grau, desencadeando intrigas, chantagens, conspirações e assassinatos.
É um filme de gângster estiloso, super elegante e recheado de tramas fascinantes, os personagens são excêntricos e geram antipatia, principalmente Mickey, desprezível até o âmago. Acompanhamos uma bela introdução que se revelará em determinado ponto em suas inúmeras reviravoltas doidas, mas temos como fio condutor Fletcher (Hugh Grant), um jornalista que deseja chantagear Mickey e seu capanga Ray (Charlie Hunnam), Mickey está vendendo sua secreta e moderna plantação a Matthew (Jeremy Strong), que não está satisfeito com o preço, nesse meio entra uma quadrilha de chineses e o jogo entre eles fica confuso, onde um tenta dar um passo a frente pensando estar dando uma jogada de mestre, só que este já pensou nesta cartada e está mais a frente ainda, além de que muitas situações são essencialmente sorte. Para completar Ray conta com a ajuda do treinador de boxe interpretado por Colin Farrell, que diz não se envolver em questões criminosas, porém executa os pedidos de Ray, aleatoriamente termina por completar esse time de malucos. Sarcástico, violento, repleto de viradas com diálogos inteligentes e sacadas diferenciadas, cenas de ações vibrantes, além da trilha sonora que é simplesmente a perfeição!
"Magnatas do Crime" é uma obra estilosa, ácida e que trapaceia, feita com asseio em seus mínimos detalhes, como o figurino e acessórios dos personagens que ajudam a criar personalidades marcantes e delinear traços específicos, além dos prazerosos jogos de diálogos intricados e o desencadeamento das ações que é o que conduzem realmente a história. Baita filme, um dos melhores do ano!
terça-feira, 23 de junho de 2020
Pequenos Delitos (Small Crimes) / Sem Perdão (Shot Caller)
Segue dois filmes disponíveis no catálogo da Netflix que retratam o mesmo tema com o mesmo ator e ambos produzidos no mesmo ano. São obras realistas, sombrias e que se debruçam no caráter de seus protagonistas. Confira:
"Pequenos Delitos" (2017) dirigido por E.L. Katz é um filme que possui uma narrativa interessante que avança com tons de humor ácido para uma violência gradativa, o protagonista carrega o caos para onde quer que vá, destrói tudo que o cerca. Uma composição maravilhosa de Nikolaj Coster-Waldau, intérprete do icônico Jaime Lannister.
Acompanhamos Joe Denton, um ex-policial corrupto que após cumprir seis anos de prisão volta para a casa dos pais a fim de reconstruir a vida, mas logo de cara percebemos que seu passado e sua personalidade intempestiva não o deixará atingir seus desejos. Ele quer se reconectar com a filha, assumir o controle da vida, mas aos poucos se dá conta que ninguém quer contato com ele e que nunca vai ser perdoado pelo crime cometido, as pessoas ao redor não admitirão a sua reintegração à sociedade e somado a isso tudo vem uma sucessão de problemas não resolvidos que acabam atingindo os mais próximos, o personagem se molda de uma maneira decadente, o desenrolar vai o desconstruindo e apesar de gerar empatia no início suas atitudes vão causando repulsa, uma incrível composição de Nicolaj que só pela sua postura já demonstra sua personalidade instável. O filme captura nossa atenção e mexe bastante com nossos nervos ao passar por tons de sarcasmo e obscuridade atingindo um ápice memorável!
"Sem Perdão" (2017) dirigido por Ric Roman Waugh é um filme intenso que nos insere na vida de Jacob/Money, vivido magnificamente por Nikolaj Coster-Waldau, um empresário de colarinho branco que acaba se envolvendo em um acidente e vai parar na cadeia, lá desolado pela situação aprende a sobreviver e entra para uma gangue extremamente perigosa, a narrativa é pontuada por flashbacks que demonstram alguns motivos pelos quais entrou para o mundo do crime e sua ascensão através da violência.
Impressionante a construção do personagem, ele realmente muda muito durante o desenrolar, não só fisicamente, mas também sua postura e modo de enxergar a vida, na prisão cada vez mais se envolve em esquemas que o leva a se afundar e assim não o favorecendo a obter sua liberdade, mas em compensação sua fama e poder lhe fornece respeito de todos os detentos e de muitos agentes penitenciários. É uma onda que o engole e o joga para longe do que foi sua vida anterior, ele se insere até rapidamente na gangue e se alia aos mais fortes, incluindo Frank (Jon Bernthal) e Bottles (Jeffrey Donovan), mas seu processo de transformação é marcante pela aceitação da violência, e se tem uma coisa que esse filme faz é retratar as ações violentas de modo realista e seco, outro ponto é não entregar os possíveis desfechos, o que importa realmente é acompanhar a complexidade do personagem nessa trajetória pelo sistema penitenciário, onde ele experimenta altas doses de fúria e sofrimento.
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
20 Filmes de Sobrevivência (20 Survival Movies)
Segue uma lista com intensos e impressionantes filmes com o tema sobrevivência. Deserto, mar, gelo, floresta, espaço, apocalipse, guerras e situações-limite que fazem o ser humano se desafiar e tentar vencer as extremas dificuldades. Confira:
20- "No Deserto" (Al Desierto - 2017) Argentina
Cobertos de poeira, encurralados pela sede, vestidos com suas melhores roupas, Julia e Armando atravessam o deserto da Patagônia. Caçam, fazem fogo e dormem sob o céu aberto. Lentamente, o cativeiro ao ar livre foi transformado em um teste de sobrevivência. Por que esta vida inesperada seria menos desejável do que dias atrás, quando Julia estava trabalhando como garçonete no cassino de uma cidade do petróleo?
Um grupo de fugitivos de um campo de concentração na Sibéria durante a 2ª Guerra Mundial planeja chegar até a Índia. Em 1940, pegos pelo regime stalinista, sete prisioneiros aproveitam-se da nevasca para fugir de Gulag Soviético. A liberdade desses homens tem um preço: eles têm poucas chances de chegarem a um lugar seguro sem serem pegos novamente e correm risco de morte.
18- "Kursk" (2018) França/Bélgica
Baseado em fatos reais. A tragédia do Kursk, o submarino nuclear russo que naufragou em 12 de Agosto de 2000. Os tripulantes precisam sobreviver às águas geladas do Mar de Barents enquanto esperam por um resgate que pode não chegar por causa do descaso das autoridades.
17- "Styx" (2018) Alemanha
A transformação de uma forte mulher em seu belo mundo durante uma viagem de vela. Quando se torna a única pessoa a vir em auxílio de um grupo de refugiados naufragados no alto mar, ela vê os limites de sua importância e da empatia de seu ambiente cultural. Ela é deixada escorregar impotente de um pesadelo para o outro, e no final é forçada a reconhecer que não há maneira de combater as crueldades da vida real. Só o acaso pode salvá-la.
16- "O Túnel" (Teo-neol - 2016) Coreia do Sul
Jung-su dirige para casa. No caminho, algo inacreditável acontece: um túnel despenca, deixando-o preso entre os escombros. O episódio gera um frenesi na mídia local e um repórter consegue fazer uma entrevista com Jung-su por celular. Em poucos dias uma série de erros primários no resgate colocam-no em uma situação ainda mais complicada, deixando-o sem comida, sem água e incomunicável. Os dias passam, as buscas não progridem e todos começam a perder as esperanças, enquanto sua família é forçada a tomar uma difícil decisão, sem saber se Jung-su está vivo ou morto.
15- "Trapped" (2017) Índia
Shaurya se apaixona por uma colega de trabalho, mas o problema é que depois de se envolverem Shaurya fica sabendo que Noorie está com um casamento arranjado. Ele, que mora em um pequeno apartamento com mais quatro amigos, precisa encontrar outro lugar para viver, pois em 24 horas terá a chance de cancelar o contrato de casamento dela. Shaurya não consegue achar nenhum lugar pra alugar até que de repente um homem desconhecido oferece a ele um apartamento acima do vigésimo andar em um prédio que foi embargado durante a construção e está em alguma disputa judicial. Numa sequência de azar Shaurya fica preso no apartamento sem água, eletricidade e comunicação, travando uma angustiante batalha pela vida.
14- "Selva" (Jungle - 2017) Austrália/Colômbia
Baseado em fatos reais, "Jungle" conta a história do mochileiro israelense Yossi Ghinsberg (Daniel Radcliffe) que, acompanhado de dois amigos, viaja até a cidade de La Paz na Bolívia para o que seria uma aventura inesquecível. Guiados pelos caminhos desconhecidos da Amazônia por um austríaco que mora no local há anos, os amigos embarcam numa viagem pela selva que se transforma em um pesadelo de onde nem todos voltarão com vida. O filme exibe momentos de muita tensão e o cansaço do personagem transpassa a tela, uma ótima e crível interpretação de Radcliffe que em todos os instantes captura nossa atenção, seja na ansiedade e impulsividade de querer adentrar a Amazônia, no receio quando percebe que as coisas não saíram como previsto e depois abandonado na selva buscando sobreviver e manter a mente sã. A entrega do ator se deu através do físico também, a fragilidade humana perante à natureza é impressionante. Saiba+
13- "Geração Roubada" (Rabbit-Proof Fence - 2002) Austrália
Molly Craig (Everlyn Sampi) é uma jovem australiana de 14 anos que, em 1931, ao lado de sua irmã Daisy (Tianna Sansbury), de 10 anos, e sua prima Gracie (Laura Monaghan), de 8 anos, foge de um campo do governo britânico da Austrália, criado para treinar mulheres aborígenes para serem empregadas domésticas. Molly guia as meninas por quase três mil quilômetros através do interior do país, em busca da cerca que o divide e que a permitiria voltar para sua aldeia de origem, de onde foram tiradas dos braços de suas mães. Na jornada elas são perseguidas pelos homens do terrível governador A. O. Neville (Kenneth Branagh), o qual não admite que as meninas não estejam de acordo com o ditado pela sabedoria branca e cristã.
12- "A Tartaruga Vermelha" (La Tortue Rouge - 2016) Bélgica/França/Japão
Após sobreviver a um naufrágio, um homem se vê em uma ilha completamente deserta. Lá ele consegue se manter, através da pesca, e tenta construir uma jangada que lhe permita deixar o local. Só que, sempre que ele parte com a embarcação, ela é destruída por um ser misterioso. Logo ele descobre que a causa é uma imensa tartaruga vermelha, com quem manterá uma relação inusitada.
11- "River" (2015) Canadá/EUA
Em Laos, um médico voluntário americano torna-se fugitivo depois de ajudar uma jovem brutalmente atacada. Quando o corpo do agressor aparece à beira do Rio Mekong, as coisas rapidamente ganham proporções inesperadas.
10- "Náufrago" (Cast Away - 2000) EUA
Chuck Noland (Tom Hanks) - um engenheiro de sistemas da FedEx obcecado pela extrema pontualidade - tem sua vida abruptamente mudada quando um acidente de avião o leva a uma ilha remota e isolada. Enquanto luta para sobreviver, ele descobre que sua jornada pessoal está apenas começando. Clássico absoluto! Wilsonnnn.
09- "A Luz no Fim do Mundo" (Light of My Life - 2019) EUA
Em uma realidade pós-apocalíptica, onde quase toda a população feminina foi devastada, um pai (Casey Affleck) precisa proteger sua filha (Anna Pniowsky) do caos que se espalhou pela sociedade. Ela é a única menina sobrevivente de que se tem notícia e, mesmo dez anos após a pandemia que tirou a vida de todas as mulheres, incluindo sua mãe (Elisabeth Moss), Rag e seu pai ainda precisam lutar diariamente por sobrevivência.
08- "Compra-me um Revólver" (Cómprame un Revolver - 2018) México
Em um México atemporal onde as mulheres estão desaparecendo, uma garota chamada Huck usa uma máscara para esconder seu gênero. Ela ajuda seu pai, um viciado atormentado, a cuidar de um campo de beisebol abandonado, onde os narcotraficantes se reúnem para brincar. O pai tenta protegê-la como ele pode. Com a ajuda de seus amigos, um grupo de garotos perdidos que têm a habilidade de se camuflar no deserto ventoso, Huck tem que lutar para superar sua realidade e derrotar o chefe da máfia local.
07- "Matança Necessária" (Essential Killing - 2010) França/Polônia/Hungria/Irlanda
Um guerreiro afegão é capturado, interrogado, torturado e transportado para uma destinação desconhecida na Europa, numa imensa paisagem coberta de neve. Aproveitando-se de um acidente, escapa e se vê livre, mas perdido num ambiente hostil. Inicia-se uma perseguição com helicópteros, soldados e cães pela floresta. Sem água ou comida, ele enfrenta uma árdua jornada para sobreviver e permanecer livre. Mostra a luta de um homem pela sobrevivência em seu estado mais animal. O personagem de Vincent Gallo não solta uma palavra, mas sabemos que é um afegão chamado Mohammed. Capturado pelo exército dos EUA é torturado e interrogado e depois é conduzido para a prisão. Na viagem acontece um acidente com o comboio, um deles capota e Mohammed consegue fugir. Depois disso começa o martírio em que Mohammed luta para não ser recapturado, além de tentar encontrar algo para comer a fim de manter-se vivo. Saiba+
06- "Arctic" (2019) Islândia
Um homem fica perdido no Ártico e está prestes a ser socorrido. Contudo, um acidente trágico faz com que ele perca sua aguardada oportunidade de resgate. É aí que ele precisa decidir entre ficar relativamente seguro em seu acampamento ou seguir numa jornada incerta para escapar.
05- "Utoya - 22 de Julho" (Utoya 22. Juli - 2018) Noruega
No pior dia da história norueguesa moderna, Kaja (Andrea Berntzen) se diverte com sua irmã mais nova Emilie (Elli Rhiannon Müller Osbourne), doze minutos antes da primeira bomba chegar ao acampamento de verão na ilha Utøya. Foi o segundo ataque terrorista de Anders Behring Breivik, em menos de duas horas, e matou 69 pessoas. Kaja representa o pânico, medo e desespero dos 500 jovens enquanto busca sua irmã na floresta. É um excelente trabalho em que a veracidade dos acontecimentos machuca o espectador, o desespero domina a cada som de tiro juntamente com o semblante apavorado dos jovens. Saiba+
04- "Sibéria, Meu Amor" (Sibir, Monamour - 2011) Rússia
Monamour é um vilarejo isolado em meio à floresta boreal da Sibéria. O lugar é cercado por cães selvagens que devoram quem ousa se aproximar. É lá onde moram o menino Leshka e seu avô, Ivan. Leshka toma um dos cães como seu melhor amigo e vive na esperança de que seu pai retorne, depois de dois anos de ausência. De tempos em tempos, seu tio Yuri traz comida e suprimentos para lá. Mas este é atacado pelos cães e desaparece, e Leshka e Ivan se veem isolados do mundo. Ao ver o avô atirar no seu cachorro, o menino foge e cai num poço. Agora,o avô precisa achar ajuda.
03- "Jîn" (2013) Turquia
No sopé dos territórios curdos da Turquia, Jin (Deniz Hasgüler), uma jovem rebelde de 17 anos, foge de seu grupo de guerrilha para tentar voltar à sua família e à vida normal. Se escondendo de seus companheiros, a quem ela é agora uma traidora, e o exército turco, que a vê como uma terrorista, Jin, uma espécie de Chapeuzinho Vermelho, se refugia com os animais da floresta, que estão lutando a sua própria maneira na brutalidade da guerra. Andando sozinha pelas montanhas e pela floresta o caminho se mostra cruel, as explosões de bombas são constantes e as perseguições incansáveis. Saiba+
02- "High Life" (2018) UK/França/Alemanha/Polônia
Um grupo de criminosos aceita um acordo para trocar suas penas pela participação em uma missão espacial à procura de energias alternativas, mas a viagem toma rumos inesperados quando uma tempestade de raios cósmicos atinge a nave. Acompanhamos Monte (Robert Pattinson), sozinho em uma nave espacial rodeado apenas por uma desolação assustadora e um silêncio profundo, ele cuida de sua bebê, Willow, enquanto mantém uma rotina para dominar o desespero, a narrativa inicial intriga com seus mistérios e aos poucos a história vai se descortinando, a linha do tempo se quebra a todo instante para que compreendamos os motivos de Monte estar solitário na nave. A tripulação desta nave, todos condenados à pena de morte, tiveram a escolha de poder participar de uma experiência espacial cuja missão era encontrar o buraco negro mais próximo da Terra, na esperança de obterem liberdade se deparam com um imenso vazio cruel e bizarro. Saiba+
01- "Para Sama" (For Sama - 2019) UK/Síria
Uma mulher jovem luta contra a guerra com amor e maternidade, ao longo de cinco anos na Síria. Uma jornada íntima e épica para a experiência feminina da guerra. Uma carta de amor de uma jovem mãe para sua filha, o filme conta a história da vida de Waad al-Kateab através de cinco anos da revolta em Aleppo, como ela se apaixona, se casa e dá à luz Sama, enquanto o cataclísmico conflito se ergue em volta dela.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Bacurau
"Bacurau" (2019) dirigido por Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho (Aquarius - 2016) é um filme instigante e essencial, sua mescla de gêneros aguça nossa curiosidade e imprime força a cada cena e diálogo, traz a representatividade nordestina, a cultura de um povo forte que jamais cede ou retrocede, a palavra que mais o resume é resistência.
Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.
O filme aos poucos revela seus personagens, não há protagonismo, todos possuem seu espaço e importância, assim como o próprio lugar, Bacurau, cujo nome vem de um pássaro noturno, de repente, a cidade não se encontra mais no mapa e o único jeito de ensinar as crianças é utilizando um mapa confeccionado por eles próprios, algumas coisas estranhas vão acontecendo e a população já acostumada com a vida difícil como a questão da água acabam dando seu jeito, pois não há qualquer amparo do governo, unidas seguem suas vidas rejeitando o prefeito que quando aparece fazem questão de deixá-lo falando sozinho.
O clima do filme é de puro suspense e se desenvolve para um faroeste à la cangaço, além de flertar com a ficção científica, uma distopia nem tão distópica assim já que muito do que é mostrado revela não só da atualidade em que vivemos, mas sobre o como sempre foi com seu ciclo de injustiças, corrupção e violência, onde se aniquila o mais pobre e o considerado ignorante, as mazelas expostas são realistas e explícitas e, por isso, tão incômodas; o caos é familiar. Potente em sua mensagem e certeiro como entretenimento, um longa completo e brilhante em todos os sentidos, uma história que representa o país, há símbolos e metáforas pelo decorrer que vamos descobrindo juntamente com nuances de surrealismo, possui diálogos que enfrentam e marcam, certamente Bacurau veio na hora certa para nos fazer refletir o Brasil como um todo e tentar entendê-lo sem referências externas e preconceitos.
O clima do filme é de puro suspense e se desenvolve para um faroeste à la cangaço, além de flertar com a ficção científica, uma distopia nem tão distópica assim já que muito do que é mostrado revela não só da atualidade em que vivemos, mas sobre o como sempre foi com seu ciclo de injustiças, corrupção e violência, onde se aniquila o mais pobre e o considerado ignorante, as mazelas expostas são realistas e explícitas e, por isso, tão incômodas; o caos é familiar. Potente em sua mensagem e certeiro como entretenimento, um longa completo e brilhante em todos os sentidos, uma história que representa o país, há símbolos e metáforas pelo decorrer que vamos descobrindo juntamente com nuances de surrealismo, possui diálogos que enfrentam e marcam, certamente Bacurau veio na hora certa para nos fazer refletir o Brasil como um todo e tentar entendê-lo sem referências externas e preconceitos.
É um filme com um imenso poder de despertar pensamentos, mas isso não quer dizer que seja difícil de assistir, ao contrário, é um ótimo entretenimento, conversa e brinca conosco o tempo todo, os alívios cômicos são espontâneos e provocantes, inúmeras vezes se coloca em evidência clichês utilizados pelo brasileiro, por exemplo, que por morar em determinada parte do país se considere quase um europeu e despreza quem vive em regiões menos favorecidas, subestimam o diferente, uma clara falta de conhecimento em não saber da própria história, além de querer que o país copie o modelo estrangeiro enquanto eles riem, usufruem, apoderam-se e aniquilam.
O levante da população, a união em preservar a cultura e pelo embate começar de dentro da escola se faz intenso e impactante, quem não se arrepiar pela força e coragem dos habitantes de Bacurau está morto por dentro, é imensamente essencial para cada vez mais trabalharmos nossa lucidez nesses tempos tão obscuros e de estreitamento de ideias.
"Bacurau" pulsa resistência e representatividade, é força e emoção, uma obra bonita, provocante e alegórica.
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Em Busca de Watership Down (Watership Down) Minissérie
"Em Busca de Watership Down" (2018) dirigido por Noam Murro é uma minissérie animada coproduzida pela BBC e Netflix. Baseada no clássico romance homônimo de 1972 de Richard Adams essa adaptação optou por uma abordagem amena para que atinja mais público, com certeza a violência fez falta, mas a história é tão grandiosa e tão cheia de camadas que é impossível não se hipnotizar pelas aventuras das quais o bando de coelhos enfrenta. O livro é uma obra-prima pela sua profundidade em exibir a vida selvagem dos coelhos com todos os obstáculos e inimigos, muitos temas estão envoltos e mesmo sem querer faz incríveis alegorias. O filme de 1978 também é marcante por recriar esse universo sem floreios expondo cenas violentas e de melancolia, um clássico absoluto, assim como o livro que se faz necessário para qualquer leitor.
Confira a resenha de ambos aqui.
Situada numa idílica paisagem rural do sul da Inglaterra, a aventura baseada no romance de Richard Adams acompanha a jornada de um bando de coelhos por um novo lar após a destruição de seu habitat. Liderados por um par de irmãos valentes, eles saem de sua terra nativa em Sandleford Warren e enfrentam provações angustiantes, bem como predadores e outros adversários, em rumo a uma terra prometida, com uma sociedade perfeita.
Com uma abordagem mais leve em questão da agressividade e até o tom de medo que permeia a obra acaba sendo mais palatável e consegue abranger todos os públicos, mas isso não tira o mérito da produção que organizou a história muito bem, claro que condensada, pois o livro é imensamente detalhista, porém não tem o que dizer sobre a fidelidade do enredo e sobre a personalidade dos personagens, o desenvolvimento dos principais, como Hazel (James McAvoy), Fiver (Nicholas Hoult), Bigwig (John Boyega), Holly (Freddie Fox), Clover (Gemma Arterton), Hyzenthlay (Anne-Marie Duff), consegue traduzir boa parte das sensações que cada um sente, os receios, a coragem, o instinto e a união. Os demais não são tão explorados e outro que fica de lado é a gaivota Kehaar, que tem bastante importância na trama e que dá um tom sarcástico e que revela uma amizade inesperada. Outro ponto a ser referido é a computação gráfica que não é das melhores, a estética realista deixa a desejar, só que o roteiro é tão poderoso que isso soa pequeno e insignificante, a jornada dos coelhos começa quando Fiver prevê a destruição da coelheira, ele e seu irmão conseguem juntar mais alguns coelhos para começar a procurar um lugar seguro, a mitologia envolvendo a criação da espécie é colocada em um rápido prólogo e durante alguns pontos da narrativa surgem mínimas referências tanto a El-Ahrairah como o Coelho Negro, Hazel sofre por ter que liderar o grupo e inspirar confiança, já que o destino é incerto e muito perigoso, com o passar do tempo Fiver vai tendo novas visões que indicam o caminho para Watership Down, mas inúmeras situações se passam que tanto servem para fortalecer a amizade como para surgir mais medo e desconfianças, eles encontram um viveiro com coelhos conformados pelo fim que os espera e a terrível Efrafa comandada pelo General Woundwort (Ben Kingsley), um enorme coelho que domina um exército e mantém um outro grande número aprisionados.
Há muitos temas envoltos, como hierarquia social, confiança, companheirismo, religião, sacrifício, amizade, destruição da natureza, assim metáforas e simbolismos acabam se formando e, por consequência, grandes reflexões surgem. Crítica social, política, ambiental e religiosa em uma animação de aventura hipnotizante em que a vida selvagem é explorada sob um ponto de vista cru e melancólico. Há um ar de tristeza e indecisão, o medo é recorrente e a natureza é quase sempre opressiva.
"Talvez alguns humanos entendam que todas as coisas vivas sofrem e merecem respeito"
"Em Busca de Watership Down" consegue conservar a essência da história mesmo com uma abordagem branda, aqui não há sangue e pedaços de orelhas sendo arrancadas, mas há sempre a tensão no ar e a sugestão da violência, a jornada dos coelhos é repleta de emoção, imergimos e ficamos apreensivos a cada aventura, uma produção que apesar de carecer de um visual melhor possui um roteiro que se sustenta, uma obra imprescindível e atemporal que merece sempre ser revisitada.
Não deixe de conferir, está disponível na Netflix!
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Mandy
"Mandy" (2018) dirigido por Panos Cosmatos (Além do Arco-Íris Negro - 2011) é um filme lisérgico, insano, trash, maníaco, sangrento e cheio de referências, é uma jornada de vingança estilizada. Muito se fala da volta triunfal de Nicolas Cage, certo que ele faz tempo que desandou na escolha dos papéis e que ultimamente um ou outro se salva, cito aqui o dramático "Joe" (2013), o tarantinesco "Dog Eat Dog" (2016) e o surtado "Mom and Dad" (2017), mas ele é um grande ator e aqui demonstra a sua versão alucinante ampliada.
Noroeste Pacífico. 1983 d.C. Forasteiros, Red Miller (Nicolas Cage) e Mandy Bloom (Andrea Riseborough) levam uma amorosa e pacífica vida. Quando seu refúgio é selvagemente destruído por um culto liderado pelo sádico Jeremiah Sand (Linus Roache), Red é arremessado para uma jornada fantasmagórica repleta de vingança sangrenta e entrelaçada com fogo.
O filme começa mostrando a vida idílica do apaixonado casal Red e Mandy, a estranheza permeia a obra desde o começo com uma atmosfera de sonho, a psicodelia vai tomando conta à medida que o culto liderado por Jeremiah (Linus Roache) surge. Jeremiah é um louco que fica obcecado por Mandy e convoca seu séquito para raptá-la, só que Mandy não sucumbe ao charme do ex-cantor de rock e ainda por cima ri da cara dele, o que o deixa irritado e a mata enquanto torturam Red. Os membros por descuido ou burrice deixam Red vivo e assim desvairado de dor e raiva começa a planejar sua vingança, com direito a uma besta e uma arma forjada por ele mesmo - que é inspirada no "F" do logo da banda Celtic Frost. A sua transformação acontece entre gritos, choro e bastante raiva, sua descida ao inferno é retratada com exagero e estilo, o vemos enlouquecido no ácido matando criaturas satânicas com muito sangue no olho, literalmente.
O filme tem uma mistura fantástica de elementos que nos leva aos aclamados filmes B dos anos 80, é um trash estilizado, suas imagens amolecidas garantem uma viagem alucinógena ao espectador, assim como sua potente e sinistra trilha sonora composta por Jóhann Jóhannsson (falecido em fevereiro deste ano) que contém uma aura permeada pelo metal extremo. É realmente hipnotizante!
O filme tem uma mistura fantástica de elementos que nos leva aos aclamados filmes B dos anos 80, é um trash estilizado, suas imagens amolecidas garantem uma viagem alucinógena ao espectador, assim como sua potente e sinistra trilha sonora composta por Jóhann Jóhannsson (falecido em fevereiro deste ano) que contém uma aura permeada pelo metal extremo. É realmente hipnotizante!
A seita perturbada à la Charles Manson denominada como Black Skulls tem desde o líder, um músico falido exibido totalmente maluco à uma gangue de motociclistas da noite à la cenobitas, e Red se infiltra nesse antro e vai matando um por um com muito furor, em uma cena há uma briga com serras elétricas antológica, o personagem de Cage bebe vodca, cheira um pó e viaja no ácido, uma delícia acompanhar a sua alucinante vingança.
"Você é um floquinho de neve cruel"
"Mandy" é um filme que já nasceu cult, para os adoradores do terror e slasher dos anos 80 é um baita presente, claro que o diretor entre tantas referências imprime suas características e o faz delirantemente com muito estilo.
terça-feira, 25 de setembro de 2018
Maktub
"Maktub" (2017) dirigido por Oded Raz é uma comédia israelense que mescla momentos afetuosos e violentos, é um olhar leve sobre os costumes e brinca com estereótipos, como religião e terrorismo, a dupla de protagonistas esbanja carisma e é impossível não se encantar com o desenrolar da história, que apesar de ter ações violentas e maneiras de se agir duvidosas o que prevalece ao fim é o sentimento de amizade e lealdade.
A palavra título dá alma ao filme, Maktub, que significa "já estava escrito", toda vez que um contratempo aparece tem significação de que tudo já estava predeterminado pelo destino, e daí por diante as escolhas precisam ser mais cuidadas. O peixe que cai de uma janela que é considerado má sorte é seguido logo após por um ato terrorista no restaurante, que é encarado como um aviso de que precisam mudar suas vidas. Steve (Hanan Savyon) e Chuma (Guy Amir), dois criminosos, são os únicos sobreviventes de um ataque terrorista em um restaurante em Jerusalém. Esse acontecimento inspirou neles uma mudança de vida, decidindo ajudar o próximo. Eles passam a realizar os pedidos deixados entre as pedras do Muro das Lamentações.
Steve e Chuma são capangas de um mafioso em Jerusalém, que cobram dívidas dos comerciantes de restaurante enquanto degustam e opinam sobre o cardápio, são praticamente especialistas nas mais diversas receitas e dizem com o quê e como devem ser servidos os pratos, um dia uma bomba explode destruindo o restaurante onde almoçavam, apenas os dois sobrevivem porquê estavam no banheiro no momento, quando saem se chocam e fogem com a mala cheia de dinheiro destinada ao chefe. Claro que falam que o dinheiro não estava com eles e sim com o estrangeiro que presta serviço também ao mafioso, Steve diz que não querem mais trabalhar devido o trauma, mas o chefe apenas diz para tirarem umas férias, ao mesmo tempo em que o chefe procura o estrangeiro com a mala de dinheiro, Steve e Chuma decidem mudar de vida e vão até o Muro das Lamentações, local sagrado em que as pessoas depositam seus pedidos, por um acaso Steve retira um papel do muro para escrever algo para Chuma, que ficou surdo após o ataque e, de repente, se veem ajudando as pessoas, retirando os papeizinhos do muro e realizando seus desejos a fim de agradecer o milagre de sobreviverem.
Os personagens são imensamente cativantes, principalmente Chuma que possui afeto pelo filho de Steve, este que não quer nem que fale sobre o assunto, o menino deseja que o pai se aproxime, mas quem é que se preocupa de fato é Chuma, Steve é mulherengo e irresponsável, mas mesmo assim consegue fazer com que gostemos dele. A química entre a dupla é o que faz com que a história se desenrole de forma agradável e engraçada. É até ingênua e por vezes brega, mas traz traços interessantes da cultura e costumes do país, além de usar os estereótipos a seu favor, a mistura de gêneros também é um ponto a favor, vai desde o drama do filho que quer ter um pai e o pai que rejeita o filho, da ação que envolve mafiosos e seus esquemas e a comédia que permeia a mudança que aos poucos ocorre nos personagens, após o ataque terrorista Chuma principalmente, sente necessidade de fazer ações boas para que de certa forma compense a sorte que teve, Steve por amizade vai na onda. São cenas hilárias e recheadas de diálogos incríveis, a fotografia enche os olhos com a Jerusalém retratada com seus subúrbios e o Muro das Lamentações, que não é nada fora da realidade.
"Maktub" é um longa que preenche o coração com sentimentos bons, traz a amizade e a lealdade, a empatia e o amor pelo outro, além das questões paternais que afloram, ao fim o choro e o riso vêm junto com a certeza de que o que emanamos para o universo uma hora volta para nós mesmos.
Disponível no catálogo da Netflix!
sexta-feira, 25 de maio de 2018
Vingança (Revenge)
"Vingança" (2017) dirigido e roteirizado pela estreante Coralie Fargeat é um thriller sangrento que evoca o clássico "A Vingança de Jennifer" (1978), o renascimento e o acerto de contas da protagonista é estonteante e imensamente satisfatório, traz com muito pulso firme a discussão da cultura do estupro, só que abordado pelo viés exploitation, o que é algo arriscado e subversivo, mas acaba acertando em cheio e é impossível não se conectar com o rumo que a história toma, a tensão e a vibração seguem por todo o desenvolvimento e o espectador se deleita com a enxurrada de sangue exibida.
Jen (Matilda Lutz) chega de helicóptero com seu amante bem-sucedido Richard (Kevin Janssens) em uma região desértica para um final de semana, a sensual Jen é o desejo de qualquer hétero, corpo escultural e imensamente provocante, ela está ali para curtir e se esbaldar, no dia seguinte chega dois amigos de caça de Richard, Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchede), logo de cara começam a comer a garota com os olhos, o pensamento que ela seja uma puta pela situação em que se encontra é nítido, a noite todos bebem e se divertem, Jen dança com Stan e isso dá impulso para ele chegar nela sem nenhum escrúpulo, na manhã enquanto Richard vai resolver problemas dos passaportes, Stan chega nela e investe, quando a moça o repele fica nervoso e termina a estuprando, Dimitri chega no quarto e consente e simplesmente aumenta o volume da TV para abafar os gritos e vai nadar. Quando Richard volta eles contam o acontecido e Jen está devastada, só que aí Richard preocupado que Jen conte algo e desmanche sua imagem e casamento decide se livrar dela, Jen desesperada começa a correr pelo deserto e para diante de um penhasco, Richard tenta convencê-la de que tudo se ajeitará e quando chega próximo a empurra e ela cai espetada em um galho, antes deles chegarem no local para se desfazer do corpo, Jen consegue escapar, se rasteja deixando um grande rastro de sangue, é aflitivo acompanhar o seu renascimento, mas vai ficando maravilhoso à medida que ela ganha forças para se vingar de seus agressores.
Jen é vista apenas como um objeto sexual, é caracterizada como uma puta que com certeza está a mercê de qualquer um, para Stan é incompreensível ela não querê-lo, é inadmissível uma mulher linda e exuberante recusar um homem, uma mulher não pode querer se divertir com seu amante do mesmo modo que ele se diverte com ela, pois é considerada vadia ao modo que o homem é considerado pegador. Ela é tão descartável que depois que a violentam a jogam penhasco abaixo, mas eles não contavam que ela sobreviveria e que muito menos ainda provocasse a morte deles de maneira tão brutal. Jen renasce e adquire instinto de sobrevivência, por conta do estilo do filme joga-se qualquer tipo de explicação ou se seria possível isso ou aquilo, o interessante aqui é a inversão que ocorre quando Jen começa a persegui-los, de predadores se tornam presas, os machões se desfazem e expelem medo por todos os poros, e como é gratificante vê-los nesta situação. O sangue é jorrado em demasia e a dor no rosto é sempre evidenciada, a cena em que Jen se recupera numa caverna é altamente alucinante e tantas outras causam desassossego, como a do vidro sendo retirado do pé de um deles.
"Vingança" é um filme estilizado e promove um acerto de contas catártico, Matilda Lutz está impecável em sua transformação, o foco do filme está em colocar os homens numa posição de fragilidade e objetificação, inverte-se os papéis quando Jen os persegue e os expõe de maneira constrangedora, a violência e o sangue é o que impera. Um ótimo exemplar de cinema exploitation moderno!
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Selva (Jungle)
"Selva" (2017) dirigido por Greg McLean (Wolf Creek - 2005) é baseado no livro "Jungle: A Harrowing True Story of Survival", onde conta as memórias e experiências do mochileiro israelense Yossi Ghinsberg, que aconteceu em 1981. O filme exibe momentos de muita tensão e o cansaço do personagem transpassa a tela, uma ótima e crível interpretação de Radcliffe que em todos os instantes captura nossa atenção, seja na ansiedade e impulsividade de querer adentrar a Amazônia, no receio quando percebe que as coisas não saíram como previsto e depois abandonado na selva buscando sobreviver e manter a mente sã. A entrega do ator se deu através do físico também, a fragilidade humana perante à natureza é impressionante.
Yossi Ghinsberg (Daniel Radcliffe) que, acompanhado de dois amigos, viaja até a cidade de La Paz na Bolívia para o que seria uma aventura inesquecível. Guiados pelos caminhos desconhecidos da Amazônia por um austríaco que mora no local há anos, os amigos embarcam numa viagem pela selva que se transforma em um pesadelo de onde nem todos voltarão com vida.
Acompanhamos um jovem com sede de desbravar novos lugares, mas não os pontos turísticos tão frequentados, ele está disposto a ir onde ninguém foi, e por sorte, ou não, encontra Karl (Thomas Kretschmann), um sujeito que quer realizar uma expedição em busca de ouro numa tribo que habita uma parte remota da floresta amazônica, passando confiança e experiência Yossi se fascina com a ideia e convence Marcus (Joel Jackson), um cara alto-astral que conheceu em La Paz e o amigo dele, o fotógrafo e mochileiro veterano Kevin (Alex Russell). Super animados entram nesta jornada, mas não imaginavam que enfrentariam tantos problemas e se deparariam com situações extremas. Marcus é o primeiro a senti-las, seus pés ficam totalmente machucados e o impedem de seguir mais rápido, quanto mais se fica na floresta mais pesada se torna, tanto para o físico quanto para o psicológico. De repente, Karl parece não ser um expedicionário experiente e isso irrita Kevin, principalmente quando precisam seguir pelo rio por conta de Marcus, o rio é traiçoeiro e pode ser fatal. Decisões devem ser tomadas, então Marcus segue com Karl a pé até a aldeia mais próxima e Yossi e Kevin seguem pelo rio, e é aí que tudo dá errado e os dois se separam, Yossi se encontra sozinho e com o passar do tempo com pouco para se manter e nutrir esperanças seu corpo e sua mente vão minguando.
A tensão, o medo e as incertezas pelas quais o personagem sofre são passadas ao espectador de maneira emocionante ainda que o filme tenha um andamento monótono e a luta pela sobrevivência não ter tantos momentos de ação, toda a trajetória é detalhada e a beleza da natureza selvagem é exposta com esmero, há uma cena belíssima quando o personagem completamente destruído depois de suportar tempestades, se deparar com animais perigosos, andar em círculos e sobreviver à areia movediça, encontra um local seguro e simplesmente se deita e sorri, estar ali é um misto de angústia e fascinação. São belos planos dentro da selva e chega um ponto que sua mente se esvai, começa a alucinar e daí alguns flashbacks acontecem, por exemplo, o pai não compreender seu desejo de explorar.
"Selva" é um bom filme de espírito aventureiro e sobrevivência, prende a atenção e surpreende pela ótima interpretação de Radcliffe.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Bom Comportamento (Good Time)
"Bom Comportamento" (2017) dirigido pelos irmãos Safdie (Amor, Drogas e Nova York - 2014) é um filme que consegue transmitir toda a ansiedade e loucura para o espectador, o protagonista interpretado maravilhosamente por Robert Pattinson nos instiga a percorrer junto dele por uma alucinante noite e sentir todas as vibrações que advém de uma série de situações-limite.
Após um malsucedido assalto a banco, Constantine Nikas (Robert Pattinson) vê seu irmão mais novo (Bennie Safdie) sendo preso e embarca em uma odisseia no submundo da cidade em que vive, numa tentativa cada vez mais desesperada e perigosa para tirar seu irmão da prisão. Ao longo de uma noite repleta de adrenalina, Constantine encontra-se em uma onda de violência e caos enquanto ele corre contra o relógio para salvar seu irmão e ele mesmo, sabendo que suas vidas estão por um fio.
O filme inicia-se com uma consulta psicológica em que Nick, interpretado por um dos diretores, Ben Safdie, vai colocando pra fora seus traumas, claramente ele sofre de algum problema mental, mas Constantine não gosta que tratem ele como uma criança e interrompe a consulta violentamente e promete um futuro bem melhor a seu irmão, seu plano é roubar um banco disfarçados, e é aí que o ritmo frenético entra em cena e persiste até o final. Nick acaba sendo preso e Constantine entra numa fissura de tentar de todas as maneiras livrá-lo, o que se sucede é um emaranhado de coisas que só pioram tudo. Constantine vai agindo impulsivamente com decisões equivocadas arrastando para o abismo todos que se aproximam dele.
O estilo alucinante conversa com a trilha sonora eletrônica de Oneohtrix Point Never, assim como a fotografia escurecida e brilhante do neon criando uma atmosfera tensa e suja. Robert Pattinson como Constantine impressiona, o desespero e a confusão o cerca o tempo todo e por muitas vezes ele manifesta uma frieza que se faz necessária para que escape da situação, Constantine é só um cara que apostou suas fichas num assalto e perdeu, com o desejo de "salvar" o irmão e se dar bem entra numa espiral de acontecimentos que o fará deixar a moral de quando em quando de lado, mas em nenhum momento julga-se o personagem, ele está apenas sem rumo e tentando acertar com os poucos recursos que têm, suas escolhas refletem o meio decadente em que vive.
A composição do personagem é algo a se destacar, a câmera enfatiza o tempo todo os trejeitos, o olhar vidrado e perdido e o como ele conduz o que vai lhe acontecendo numa sufocante corrida contra o tempo, essa sua saga vai arrastando tudo ao redor e nos transporta também por essa nebulosa noite.
"Bom Comportamento" é visceral e extasiante, com um roteiro bem amarrado e final coeso, sem dúvida, uma grande surpresa.
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