Mostrando postagens com marcador 2006. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2006. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Khadak
"Khadak" (2006) dirigido por Jessica Hope Woodworth e Peter Brosens (A Quinta Estação - 2012, O Rei dos Belgas - 2016) é um filme singular, um drama místico hipnotizante e que possui uma boa dose de crítica, esplêndido em suas imagens, magnânimo em sua estrutura, ambientado nas estepes da Mongólia a história gira em torno do conflito do mundo globalizado versus a cultura ancestral, a beleza de repente dá lugar a um cenário devastador e observamos a paisagem sendo agredida e os nômades sendo iludidos e engolidos pelo sistema. Em meio a isso ainda há espaço para tomadas de sonhos e delírios que se misturam a uma revolução juvenil.
Esta é a mística história de Bagi(Batzul Khayankhyarvaa), um jovem de 17 anos que cuida de um rebanho na Mongólia. Ele possui um dom, e seu destino é ser um sacerdote. Quando uma praga ataca sua região, todos os animais são mortos, e os nômades são obrigados a viver em pequenas escavações. Mas Bagi descobre que a praga é uma mentira para erradicar os nômades. Com a ajuda de Zotzaya (Tsetsegee Byamba), uma bonita ladra de carvão, ele provoca uma revolução.
O filme é poético e detalhista em suas imagens, deslumbrante o cenário desértico e o mistério que carrega, acompanhamos Bagi, um jovem que possui seu destino traçado, um dia será um xamã, ele tem ataques que o deixam desacordado e por isso acreditam que tem um dom, num dia chegam dizendo que existe uma praga que está matando as ovelhas e por isso precisam deixar o local, os animais são confiscados e eles levados para uma vila operária, onde funciona uma terrível mina de carvão. Todos são usados como peões e quem se mete a roubar é castigado, entre visões que dão lucidez ao garoto ele conhece Zotzaya, uma ladra que sabe que a história da praga é mentira e que planejam exterminar os nômades, junto dela Bagi tenta alertar as pessoas, mas ninguém lhe dá ouvidos e é internado em um espaço para loucos, lá a médica diz que tem epilepsia.
Com uma aura enigmática e fascinante vemos tanto a beleza do vasto cenário das estepes com um ou outro objeto solto, como o lenço azul, e por outro lado a destruidora mina de carvão agredindo a paisagem e escravizando os nômades que acreditaram na história da praga e um possível apocalipse, há diálogos que refletem o passado e que premeditam um futuro, reflexões interessantes que acontecem em sonhos e que se misturam à realidade.
Com uma aura enigmática e fascinante vemos tanto a beleza do vasto cenário das estepes com um ou outro objeto solto, como o lenço azul, e por outro lado a destruidora mina de carvão agredindo a paisagem e escravizando os nômades que acreditaram na história da praga e um possível apocalipse, há diálogos que refletem o passado e que premeditam um futuro, reflexões interessantes que acontecem em sonhos e que se misturam à realidade.
"Houve uma época, quando o homem queria demais, o deserto se moveu e extinguiu a vida. O deserto sempre irá vencer."
A peculiaridade do longa é chamativa e em nenhum momento perde-se o interesse, o mistério envolto e sua narrativa instiga, nos leva para um universo diferente. Impressiona pela poesia das cenas e destaque também para a trilha sonora que denota a cultura, há uma lindíssima cena lá pelo final onde acontece um número musical, uma espécie de manifestação poderosa que antecede a revolução.
"Khadak" é um drama étnico, retrata os nômades da Mongólia e os conflitos entre mundo moderno e cultura ancestral, o despojamento de suas raízes e então o retorno ao espírito impetuoso, a conexão com a terra é realmente algo intenso. O filme abraça questões socioambientais importantes em uma trama carregada de espiritualidade.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
O Grande Bazar
"O Grande Bazar" (2006) dirigido por Licínio Azevedo (Comboio de Sal e Açúcar - 2016) exibe com muita pureza a realidade de um garoto pobre no Moçambique. Aos olhos acostumados com estéticas rebuscadas pode soar um tanto incômodo, mas a beleza está justamente na simplicidade de sua composição e história.
O filme centra-se na figura de Paíto, um moçambicano de 12 anos que, após ter sido roubado por um bando de rapazes, decide não voltar para casa enquanto não recuperar o que perdeu. Paíto passa a viver num mercado da capital moçambicana onde conhece Xano, um pequeno ladrão com o qual forja amizade e partilha aventuras. Vendedores, clientes, ladrões e a vida insólita do bazar constituem o pano de fundo. Pelos olhos do jovem Paíto percebemos bem de perto o que significa (sobre)viver numa cidade no sul de África. O filme aprecia com vagar ambientes e cenas comovedoras, transmitindo um olhar sem disfarce sobre o cotidiano.
O recorte social é sincero e em qualquer parte do mundo em que a miséria impera a criatividade em se ganhar dinheiro surge, claro que há a parte que prefere roubar, mas nosso pequeno protagonista faz parte daquela que se vira como dá, cria um jeito aqui e ali, ele vende na porta de sua casa uma espécie de biscoito feito de farinha de trigo, sua mãe pede que ele vá comprar mais, só que chegando lá a farinha acabou e precisa esperar, vendo o pessoal indo comprar cigarro se anima e compra com o dinheiro da farinha um maço e vende os cigarros separadamente a fim de dobrar a quantia que tinha, mas é pego desprevenido por uma gangue local que a maioria teme, sem saber o que fazer e com medo de voltar para casa pega o trem e desce na capital, mais precisamente no grande mercado, lá conhece Xano, um garoto praticamente abandonado que comete pequenos delitos, que no caso Paíto não gosta, mas acabam se ajudando e formando um laço de amizade, além dele conhece um fotógrafo que possui em seu dedo mindinho uma unha com um buraco do qual faz o seu foco e também um vendedor de sapatos que sempre divide sua comida com ele. Com leveza e bom humor seguimos esses meninos pelo grande bazar a tentar ganhar algumas moedas, seja ajudando os turistas ou criando novos meios que agucem a clientela, Paíto é observador, muito simpático e detém grande criatividade, ao ver o preço do alho ao invés de receber uma moeda pelo serviço prestado pede uma cabeça de alho e assim vende os dentes separadamente na feira. São jeitinhos que ele encontra para poder voltar pra casa com a farinha, mas toda vez acontece algo ruim ou é roubado. Nisso a amizade ganha formas ao mesmo tempo em que não concordam, realmente os meninos encantam pela espontaneidade em frente a câmera, eles estão vivendo suas próprias vidas, a câmera passeia pelos cantos do bazar e retrata um pouco dessa realidade pobre e dessas pessoas que criativamente se viram para ganhar dinheiro.
É um filme curto, uma média-metragem na verdade, e retrata os desafios cotidianos e a capacidade das pessoas ultrapassarem desafios para a própria sobrevivência, se por um lado há uma gangue denominada "ninjas" que roubam alimentos, dinheiro, ameaçam e até batem nos pequenos, por outro lado Paíto mantém sua ética e ingenuidade, para ele o certo é voltar para casa apenas quando conseguir dinheiro e comprar a farinha pedida pela mãe. Esses dias perambulando pelo mercado e enfrentando todo tipo de adversidade termina por ser um degrau a mais para sua maturidade e na amizade construída obter seu reconhecimento. Lindo o que o amigo faz por ele ao fim.
Paíto é o retrato sincero da luta pela sobrevivência, de se manter forte perante tantas coisas tristes e traiçoeiras, seu sorriso em conseguir seu próprio negócio fecha o filme com esperança, é um tanto bem-humorado, por exemplo os objetos que se vendem na feira, guarda-chuva com poucos furos ou panela de pressão sem tampa, e é justamente dessa forma leve que o diretor constrói e demonstra a vulnerabilidade e a desigualdade social na sociedade moçambicana.
quinta-feira, 24 de maio de 2018
O Tempo e o Vento (Bes Vakit)
"O Tempo e o Vento" (2006) dirigido por Reha Erdem (Kosmos - 2010, Jîn - 2013) é um retrato duro e poético sobre o rito de passagem de três crianças numa pequena aldeia do noroeste da Turquia, escondidas entre montanhas e colinas elas vão se confrontando cada vez mais com uma realidade preestabelecida, assim como o ciclo da passagem das estações e a alternância entre noite e dia, o amadurecimento e a transformação vêm com peso e responsabilidade de repetir o mesmo trajeto das gerações anteriores.
Em um pequeno vilarejo do interior da Turquia, um grupo de crianças tenta sobreviver às dificuldades do cotidiano por meio da imaginação e da integração com a natureza e suas estações do ano. A história é bastante fluída, não há exatamente algo específico, simplesmente o cotidiano tedioso do local sendo exposto com lirismo e a natureza se mesclando à mudança das crianças, talvez o personagem que mais se destaque seja Ömer (Özkan Özen), que a maior parte do tempo dá asas a sua imaginação e cria planos para matar seu pai, o imã da aldeia, o motivo seria por causa que o pai destine todo seu carinho e admiração ao irmão mais novo, que sempre está com um sorriso no rosto respondendo as perguntas do pai, ele passa os dias andando e subindo as montanhas com seu amigo Yakup (Ali Bey Kayali), este que nutre uma paixão secreta por sua professora, ele é aplicado e sempre está às voltas dela, Yakup com o decorrer vai percebendo seu pai e o tratamento humilhante que recebe do avô, isso reflete no respeito que sentia por ele. Yildiz (Elit Iscan) é apegada mais ao pai e não entende o porquê a mãe nunca fica do seu lado, ela fica confusa e brava quando escuta os pais fazendo sexo, pois isso pode gerar mais responsabilidade, um novo bebê para ela cuidar, a obrigação surge ao mesmo tempo que eles amadurecem, não há espaço para desejos pessoais, o ciclo geracional está entranhado. Exemplificando de maneira poética surgem as paisagens naturais que se fundem perfeitamente ao rito de passagem, há cenas em que as crianças são mostradas deitadas imóveis junto a folhas e galhos ou cobertas de terra, pode-se pensar que elas estão apenas dormindo ou que o tédio as domine, mas pode-se deduzir que seja um tipo de metamorfose para a chegada da vida adulta, conforme vão percebendo que estão andando nos mesmos caminhos tortuosos dos pais que também foram percorridos por gerações anteriores, vão aderindo as mesmas dores e frustrações, percebem que por mais que estudem e que a modernidade seja chamativa, nada realmente muda ali, uma certa melancolia invade as crianças por terem noção que seus pais estão reproduzindo o que seus pais lhe fizeram e que foi sempre assim.
O ambiente árido também conversa com o tipo de tratamento que os pais oferecem aos filhos, poucas são as demonstrações de afeto, a autoridade para impôr respeito é o que determina tudo, Yakup em dado momento observa seu pai sendo humilhado pelo avô, que diz que é um inútil e que não serve nem para levantar um muro, Yakup o vê chorando e toda a imagem que tinha dele se desfaz, é a tristeza de perceber que o pai reproduziu exatamente o mesmo com ele. O amadurecimento vem repleto de fardos e um amontoado de gerações sobre as costas. Tudo se repete.
Encantador como a natureza nos filmes de Reha Erdem é filmada se tornando personagem, um misto de fascinação e angústia, neste a natureza é majestosa e apesar da amplitude e infinitude a sensação é de aprisionamento e opressão. A trilha sonora imponente de Arvo Pärt eleva e hipnotiza, reflete-se variadas coisas, principalmente se é possível quebrar ciclos geracionais permeados de fortes tradições e cultura religiosa.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
15 Filmes sobre Sonhos (15 Dream Movies)
Segue uma lista que explora o universo dos sonhos, suas camadas, seus mistérios, suas belezas, o onírico se mesclando à realidade, são diversas as obras que passeiam por essas características, portanto, os listados são apenas uma pequena amostra do quão fascinante é quando inconsciente e consciente se unem.
Cesar (Eduardo Noriega) é jovem, rico e bonito. Em torno dele, duas mulheres (Penélope Cruz e Najwa Ninri), mas uma armadilha do destino vai fazer com que ele viva um pesadelo terrível. Tudo começa com um acidente, em que sua namorada morreu e seu rosto foi desfigurado e, para piorar as coisas, ele foi acusado de assassinato e condenado. Ainda na prisão, se submete a várias cirurgias e consegue recuperar seu belo rosto. Mas começa a apresentar um comportamento estranho, que intriga o psiquiatra local.
14- "Sonhando Acordado" (La Science des Rêves - 2006) de Michel Gondry
Stephane Miroux (Gael García Bernal) vê seus sonhos invadirem constantemente a vida real. Quando dorme, se transforma no carismático apresentador do programa "Stephane TV", explicando sua "ciência dos sonhos" na frente das câmeras de papelão. Na vida real, tem um trabalho chato numa editora de calendários em Paris. Ele flerta com a vizinha Stephanie (Charlotte Gainsbourg), mas a moça não está disposta a encarar alguém como ele. Guy (Alain Chabat), colega de trabalho de Stephane, até tenta ajudá-lo na conquista, mas nada funciona. Incapaz de chegar ao coração de Stephanie na vida real, Stephane procurará as respostas em seus sonhos.
13- "Ladrão de Sonhos" (La Cité des Enfants Perdus - 1995) de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro
Krank (Daniel Emilfork) envelhece numa nebulosa torre aquática por não poder sonhar e tenta resolver a sua limitação sequestrando as crianças das cidades vizinhas para lhes roubar os sonhos. One (Ron Perlman), um caçador de baleias, forte como um cavalo, sai em busca de Denree, seu irmão mais novo que fora sequestrado pelos homens de Krank. Com a ajuda da menina Miette (Judith Vittet), logo eles chegam na cidade das crianças perdidas.
12- "Rabbits" (2002) de David Lynch
É assustador, estranho e até mesmo engraçado. Rabbits é a mãe e o pai de todos os pesadelos. A atuação, os movimentos, as luzes e as câmeras nos levam ao pavoroso e indecifrável mundo do subconsciente, do qual nunca mais iremos querer acordar.
11- "Alice" (Neco z Alenky - 1988) de Jan Svankmajer
Quando Alice seguiu o Coelho Branco no País das Maravilhas, iniciou-se assim uma surpreendente e perigosa aventura onírica pelo mundo infanto-juvenil. O animador tcheco Jan Svankmajer criou uma obra-prima, interpretando de maneira mais surreal e absurda possível o clássico conto de Lewis Caroll. Combinando técnicas de animação e atores reais, ele deu uma nova e fascinante dimensão para uma das melhores fantasias já escritas.
10- "Dream" (Bi-Mong - 2008) de Ki-duk Kim
Jin acorda depois de ter sonhado com um acidente de trânsito ao estar seguindo sua ex-namorada. Guiado pelo sonho, chega até o lugar dos fatos e ali se encontra com o acidente, que realmente aconteceu, e que aconteceu exatamente igual ao seu sonho. Ele segue a polícia até a casa da suspeita, Ran, e alí é testemunha de como ela nega a acusação de atropelamento e fuga, já que declara ter dormindo toda a noite. Jin explica seu sonho aos policiais e pede que acusem ele no lugar dela. A polícia o vê como um louco e prende Ran. Jin logo percebe que, cada vez que ele sonha, Ran, sonâmbula, representa inconscientemente seu sonhos na vida real.
09- "O Congresso Futurista" (The Congress - 2013) de Ari Folman
Uma atriz em fim de carreira (Robin Wright) decide aceitar uma proposta ousada, mas muito bem paga, para ter melhores condições de cuidar de seu filho, portador de deficiência física. Segundo o acordo, ela deve colaborar com uma empresa que vai fazer uma versão digital de sua imagem, criando assim uma atriz virtual idêntica à ela mesma. Enquanto a empresa pode utilizar essa imagem virtual para os fins que desejar, a atriz real será proibida de atuar até o resto de sua vida. Aos poucos, ela começa a perceber as consequências catastróficas da atitude que tomou.
08- "A História de Marie e Julien" (Histoire de Marie et Julien - 2003) de Jacques Rivette
Julien (Jerzy Radziwilowicz) é um relojoeiro frustrado de 40 anos, que está chantageando Madame X (Anne Brochet): ele sabe de coisas misteriosas que a envolvem no tráfico de objetos antigos, mas desconhece a ligação entre ela e a sublime Marie (Emmanuelle Béart), por quem Julien havia se apaixonado perdidamente cerca de um ano antes. Tendo reencontrado a amada, ele percebe que algo mudou no seu comportamento: apesar do seu crescente amor por Julien, Marie parece incapaz de encontrar a sensação das coisas. Julien fará o que puder para ajudar Marie a se liberar desse estado.
07- "Cidade dos Sonhos" (Mulholland Dr. - 2001) de David Lynch
Um acidente automobilístico na estrada Mulholland Drive, em Los Angeles, dá início a uma complexa trama que envolve diversos personagens. Rita (Laura Harring) escapa da colisão, mas perde a memória e sai do local rastejando para se esconder em um edifício residencial que é administrado por Coco (Ann Miller). É nesse mesmo prédio que vai morar Betty (Naomi Watts), uma aspirante a atriz recém-chegada à cidade que conhece Rita e tenta ajudar a nova amiga a descobrir sua identidade. Em outra parte da cidade o cineasta Adam Kesher (Justin Theroux), após ser espancado pelo amante da esposa, é roubado pelos sinistros irmãos Castigliane.
06- "Corpo e Alma" (Testről és Lélekről - 2017) de Ildikó Enyedi
Uma história de amor que começou em sonho, literalmente. Numa dualidade entre o dormir e o acordar, duas pessoas que não se conhecem têm sonhos exatamente iguais, e acabam se encontrando diariamente todas as noites nesse mundo paralelo de fantasia. Quando chega a hora de se encontrarem de verdade, a situação se mostra ainda mais complexa. Saiba+
05- "Paprika" (Papurika - 2006) de Satoshi Kon
Num futuro próximo, o Dr. Tokita (Tôru Furuya) inventa um poderoso aparelho chamado DC-Mini, que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Sua colega, a Dra. Atsuko Chiba (Megumi Hayashibara), psicoterapeuta e pesquisadora de ponta, desenvolve um tratamento psiquiátrico revolucionário a partir do aparelho. Mas, antes de seu uso ser sancionado pelo governo, o DC-Mini é roubado. Quando vários dos pesquisadores do laboratório começam a enlouquecer e a sonhar em estado de vigília, Atsuko assume seu alter-ego, Paprika, a bela "detetive de sonhos", para mergulhar no mundo do inconsciente e descobrir quem está por trás da tragédia.
04- "Sereia" (Rusalka - 2007) de Anna Melikyan
Era uma vez, uma garota chamada Alisa, que morava numa cidade litorânea, cantava no coral, sonhava em ser bailarina e tinha um dom: transformar desejos em realidade. Aos seis anos, ela parou subitamente de falar e passou a frequentar uma escola especial. Aos 17 anos, se mudou para Moscou e o destino a levou a conhecer um homem com um profundo desejo de ser salvo e protegido. Alisa decidiu ajudá-lo, sem saber que sua vida mudaria para sempre. Saiba+
03- "O Fantasma da Sícilia" (Sicilian Ghost Story - 2017) de Antonio Piazza e Fabio Grassadonia
Giuseppe (Gaetano Fernandez) é um corajoso garoto de 13 anos de idade, que desapareceu nas mediações de uma misteriosa floresta localizada na pequena aldeia em que vivia. A única pessoa que parece não se conformar com o sumiço dele é a pequena Luna (Julia Jedlikowska), que está disposta a enfrentar todos os perigos para resgatar seu amigo. Saiba+
02- "Acordar para a Vida" (Waking Life - 2001) de Richard Linklater
Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas.
01- "Sonhos" (Dreams - 1990) de Akira Kurosawa
"Sonhos" é uma obra baseada em sonhos verdadeiros que Kurosawa teve ao longo de sua vida, dividido em oito segmentos destaca-se alguns temas bem recorrentes, como a morte e a guerra. Somos contemplados por tradições e passeamos pela cultura japonesa. Por mais que se fale deste filme nunca será o suficiente, é daqueles que toda vez que é assistido tira-se algo de novo. Saiba+
terça-feira, 13 de junho de 2017
Vanaja
"Vanaja" (2006) dirigido por Rajnesh Domalpalli é um belo filme indiano que retrata a cultura com naturalidade e sem efeitos melodramáticos, uma pérola a ser descoberta. Rajnesh Domalpalli é um diretor brilhante em sua simplicidade, orquestrou com gentileza um elenco de não profissionais durante dois anos, e este é seu primeiro filme, um extraordinário trabalho de conclusão para a sua faculdade em Columbia.
Filmado no sul rural da Índia, a menina de 15 anos de idade Vanaja vai trabalhar para a senhoria local com a esperança de aprender a dança Kuchipudi. A química inocente com o filho da senhoria fica difícil, lançando ela em uma batalha de casta e alma.
Vanaja (Mamatha Bhukya), a filha de 15 anos de um pescador com dificuldades financeiras vai trabalhar na casa da senhoria local na esperança de aprender a dança Kuchipudi. Tudo corre bem, mas quando o filho da proprietária Rama Devi (Urmila Dammannagari) retorna dos EUA, começa uma química sexual inocente que se torna complicada, terminando em um estupro. Situada no sul da Índia rural, um lugar onde as barreiras sociais são construídas mais fortemente do que as antigas muralhas, a história explora o abismo que divide as classes e como uma jovem se esforça para atingir a maioridade.
Vanaja é sonhadora e quer muito se tornar uma dançarina, a senhora a ensina, pois também tem interesses envolvidos, a menina logo aprende e somos absorvidos pela beleza dos movimentos, há cenas hipnotizantes, a beleza do simples é algo fabuloso. O cotidiano dela muda quando o filho da proprietária da casa retorna da América para se tornar um político, ele se aproxima da garota que nutre curiosidade por sua figura máscula, não é difícil imaginar o que se segue. Vanaja é estuprada e engravida, como é de uma casta inferior o casamento está fora de cogitação, o aborto é sugerido, mas ela foge e com a ajuda de sua amiga, que inclusive é umas das coisas mais lindas retratadas, ela dá à luz. O pai cada vez mais afundado na bebida e muito doente acaba sendo um problema para a senhora, que depois tenta negociar com Vanaja, lhe diz que cuida da criança, mas que ela teria que se afastar, já que as pessoas estavam comentando sobre o ocorrido, o casamento nunca seria a opção. A situação é muito triste, não existe uma saída. A força e a sensibilidade que o filme exprime é gigantesca, uma delicadeza exuberante que também conquista por suas cores que transmitem esperança.
A cultura rica e profunda é exposta por meio das músicas e a dança Kuchipudi, tão clássica e espiritual, também exibe como crítica a questão das castas, religião e poder, que infelizmente ainda faz parte de muitas regiões da Índia. O filme é honesto e não utiliza artifícios para comover ou engrandecer a história, ele apenas é.
Mamatha Bhukya encanta com sua naturalidade, seus olhos brilhantes e sua personalidade genuína, uma fortaleza. Ao diretor Rajnesh Domalpalli só resta agradecer por esta belíssima e sensível obra que ao mesmo tempo mostra as belezas culturais e também o outro lado, o sistema de castas que inferioriza e humilha, difícil encontrar filmes indianos com essa coragem e autenticidade. O diretor não teve apoio, inclusive de seu próprio país, mas recebeu prêmios mundo afora e conseguiu dar destaque a esse primoroso trabalho na Internet. Está disponível no próprio canal de Youtube do diretor: Vanaja.
*Vanaja - lírio d’água, cujas raízes estão fundamentadas em meio à lama e que aos poucos vai subindo à superfície para florescer com notável beleza. O simbolismo está especialmente nesta capacidade de enfrentar a escuridão e florescer limpa e pura.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Dez Canoas (Ten Canoes)
"Eu venho de uma poça desta terra que Yurlumggur criou, eu era como um pequeno peixe no meu charco, então meu pai cercou o meu charco, perguntei-lhe por minha mãe. Eu queria nascer. Meu pai apontou a uma de suas esposas: "Aquela é tua mãe", me disse. Esperei o momento oportuno, e sem mais entrei em sua vagina, então meu pai teve um sonho, esse sonho o fez saber que tinha um pequenino em seu interior. Esse pequenino era eu. Quando eu morrer voltarei pro meu charco e esperarei ali como um peixinho, esperando renascer. No meu povo acontece sempre assim."
"Dez Canoas" (2006) dirigido por Peter Djigirr e Rolf de Heer (Charlie's Country - 2014) é um filme inusitado e divertido. É um conto primitivo interessante, uma abordagem sobre o mundo aborígene, onde ensinamentos são passados para que os mais jovens compreendam as tradições de seu povo.
Na Austrália, quando havia somente as tribos aborígenes, dez homens vão ao pântano coletar ovos de gumang, uma espécie de ganso. Dayindi, um jovem guerreiro, corteja a mulher mais nova de seu irmão mais velho. Para que ele aprenda os costumes corretos, contam a ele a lenda de um passado mítico. Baseado em lendas aborígenes, o filme é assinado oficialmente como ''um filme de Rolf de Heer e dos habitantes de Ramingining'', região onde foi filmado. Os diálogos são falados no dialeto ganalbingu, pela primeira vez captado num filme de ficção.
Somos apresentados à história com uma narração lúdica e irônica do ator David Gulpilil, para nos explicar que o que vem a seguir é algo completamente diferente do nosso mundo. O jovem Dayindi (Jamie Gulpilil - filho do grande David Gulpilil, Walkabout - 1971, Geração Roubada -2002) se apaixona pela mulher mais nova de seu irmão, só que ele deve aprender que em seu povo existe uma série de tradições, para isso somos inseridos em um passado mais distante ainda que narra a trajetória de Yeeralparil (Jamie Gulpilil). Minygululu (Peter Minygululu) diz sobre um guerreiro, Ridjimiraril (Crusoe Kurddal) que suspeita de um estranho visitante ter sequestrado sua segunda esposa, sem querer ele mata um homem da tribo estranha e acaba tendo que se sujeitar a um ritual de vingança em que consiste em atirar lanças até que alguém seja atingido. Os aborígenes têm as suas regras e eles as cumprem com honra e coragem.
A história do presente é em preto e branco e a do passado é colorida, o roteiro é bem delineado e não fica nada pendente, a narração ajuda nesse ponto, tudo está na tela. A fotografia exuberante faz nossos olhos brilharem diante a natureza que se apresenta como personagem.
"Dez Canoas" acerta por mostrar os aborígenes e suas tradições e cultura sem uma exotização, tudo nele é natural e por isso cativa. Os vemos proseando, comendo, caçando, etc. A vida selvagem é amplamente mostrada e a câmera foca bastante nos rostos e nos corpos.
Na Austrália, quando havia somente as tribos aborígenes, dez homens vão ao pântano coletar ovos de gumang, uma espécie de ganso. Dayindi, um jovem guerreiro, corteja a mulher mais nova de seu irmão mais velho. Para que ele aprenda os costumes corretos, contam a ele a lenda de um passado mítico. Baseado em lendas aborígenes, o filme é assinado oficialmente como ''um filme de Rolf de Heer e dos habitantes de Ramingining'', região onde foi filmado. Os diálogos são falados no dialeto ganalbingu, pela primeira vez captado num filme de ficção.
Somos apresentados à história com uma narração lúdica e irônica do ator David Gulpilil, para nos explicar que o que vem a seguir é algo completamente diferente do nosso mundo. O jovem Dayindi (Jamie Gulpilil - filho do grande David Gulpilil, Walkabout - 1971, Geração Roubada -2002) se apaixona pela mulher mais nova de seu irmão, só que ele deve aprender que em seu povo existe uma série de tradições, para isso somos inseridos em um passado mais distante ainda que narra a trajetória de Yeeralparil (Jamie Gulpilil). Minygululu (Peter Minygululu) diz sobre um guerreiro, Ridjimiraril (Crusoe Kurddal) que suspeita de um estranho visitante ter sequestrado sua segunda esposa, sem querer ele mata um homem da tribo estranha e acaba tendo que se sujeitar a um ritual de vingança em que consiste em atirar lanças até que alguém seja atingido. Os aborígenes têm as suas regras e eles as cumprem com honra e coragem.
A história do presente é em preto e branco e a do passado é colorida, o roteiro é bem delineado e não fica nada pendente, a narração ajuda nesse ponto, tudo está na tela. A fotografia exuberante faz nossos olhos brilharem diante a natureza que se apresenta como personagem.
"Dez Canoas" acerta por mostrar os aborígenes e suas tradições e cultura sem uma exotização, tudo nele é natural e por isso cativa. Os vemos proseando, comendo, caçando, etc. A vida selvagem é amplamente mostrada e a câmera foca bastante nos rostos e nos corpos.
Lindo é como os aborígenes são ligados à natureza, eles se veem como parte dela e respeitam, porque se algo for destruído, eles também por consequência se destruirão. A maneira que eles contam como cada coisa foi criada é especial, isso indica o quão estamos distanciados da natureza e que realmente o meio em que vivemos não entende que nada pode continuar se não compartilharmos com ela. E eles utilizam lanças, bastões feitos de madeira, ossos e pedra, dificilmente estão sem algo parecido e confeccionam suas canoas com cascas de árvores, e um fato interessante é que os aborígenes não são guerreiros, eles recorrem à guerras em raras ocasiões, como forma de justiça. Sem dúvidas, o filme se torna um pouco didático, mas carrega uma delicadeza e leveza poucas vezes vista sobre o tema.
"Dez Canoas" é um conto inusitado, divertido e gracioso, o tom descontraído é o diferencial. Somos inseridos em uma cultura incrível que traz mensagens de honra, justiça, preservação de tradições, amor e morte.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Hamaca Paraguaya
"Hamaca Paraguaya" (2006) dirigido por Paz Encina é um marco do cinema paraguaio, já que desde 1978 não se produziu nada no país, sendo o último filme feito "Cerro Cora", de Guillermo Vera. É um filme que exige o máximo de atenção do espectador, pois a narrativa e a estética foge completamente dos padrões. Cinema autoral da melhor qualidade e rica experiência para quem aprecia cinema.
Em 1935, num lugar remoto do Paraguai, o casal de idosos Cândida e Ramón espera pelo filho que foi lutar na Guerra do Chaco. Faz muito calor, e eles também anseiam por chuva, que foi anunciada, mas nunca chega, assim como também o vento, que nunca sopra. Ele corta cana, ela cuida da casa, e o cachorro nunca para de latir. Eles continuam esperando por tempos melhores. Ramón é otimista, Cândida acredita que o filho já esteja morto. As cenas repetem-se monotonamente a cada dia.
Falado em guarani "Hamaca Paraguaya" retrata a inércia e a monotonia, são longos planos em câmera fixa e quase sempre distantes e diálogos que nada tem a ver com o que se passa em cena, como quando Ramón corta cana sozinho e o diálogo que acontece é do filho se despedindo para ir à guerra do Chaco (Guerra entre Paraguai e Bolívia).
O som ambiente ajuda na extrema naturalidade, o ruído dos pássaros que nunca são enxergados por Ramón devido as nuvens carregadas, os trovões que anunciam a chuva que nunca vem e os latidos incessantes do cachorro. A hamaca (rede) foi o símbolo que a diretora usou para metaforizar a paralisia do país e do povo paraguaio, a constante espera de algo e a acomodação por causa medo.
O filme disserta sobre o tempo, a velhice, o amor. Uma obra impressionante e poética. Amargo e doce ao mesmo tempo, assim como a vida. O casal de idosos sofrem pela partida do filho, pela espera, pela quase certeza de não vê-lo mais, mas apesar do tom pessimista do longa, há uma ponta de esperança, como a chuva ao final representando dias melhores. Pouco acontece, quase sempre estão reclamando, seja da rede estar velha, do vento que não sopra, do cachorro que ora late demais, ora está quieto demais, e especialmente do calor.
A repetição das cenas e das conversas dão uma certa angústia, assim como a lentidão com que os personagens exercem suas poucas atividades e no como conduzem as conversas, o cansaço, o tédio, a espera.
É um filme em que o som é tão importante quanto a imagem, e é ele que conta a história, evocando memórias, nos colocando de frente ao presente e deduzindo um futuro. Não é um filme fácil, mas sem dúvidas é daquelas obras que precisamos conhecer, pela sua importância em evidenciar o cinema paraguaio e para saber mais da cultura e História do país.
Palavras da diretora Paz Encina: "Quando concebi a estética temporal para "Hamaca Paraguaya", decidi que cada imagem duraria todo o tempo que fosse necessário para expressar-se e não o tempo para que os outros o vissem. Em cada plano, os pequenos atos são mostrados de principio a fim: um suspiro que termina, um leque que se abana e acaba por refrescar o ambiente, o canto de uma cigarra, alguém que descasca e come uma laranja em tempo real. O que me interessa é que cada imagem capture não somente a beleza exata das coisas, senão também os momentos precisos que evocam um detalhe perfeito de cada um destes atos, que se observam na totalidade de seu desenvolvimento."
Que o futuro seja generoso e nos traga mais filmes vindos do Paraguai, registrando a realidade do país e do seu povo. Um bom exemplo recente é o "7 Caixas" (2014), criativo e genuíno.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Exuberante Deserto (Adama Meshuga'at)
"Exuberante Deserto" (2006) conta a história de Dvir, um garoto que está prestes a completar 13 anos, idade em que se celebra o Bar Mitzvah, vivendo em uma comunidade judaica, o Kibutz, ele enfrenta as dificuldades e as transformações que acontece consigo e ainda lida com Miri, sua mãe depressiva, também vive com eles o irmão mais velho que logo entrará para o exército, o seu pai morreu há alguns anos, mas a causa nunca é revelada a Dvir.
A comunidade aceita receber o namorado de Miri, um suíço não-judeu, Stephan é bem mais velho e isso faz com que todos do Kibutz olhem de forma estranha quando chega, mas a mãe de Dvir está contente com a chegada do novo amor e com todo carinho que ele lhe dá. A convivência não é tão fácil e não demora para que se envolva num conflito e seja expulso da comunidade. Dvir sente pela partida, pois estava vendo a melhora da mãe e a esperança de uma família, com toda essa confusão ela entra num estado cada vez pior, se afunda em uma tristeza absoluta. Dvir faz de tudo para ajudá-la, mas sem resultados. O garoto precisa se preparar para o seu Bar Mitzvah, pois é uma fase complicada, ele é uma criança que de repente se vê adulto tendo grandes responsabilidades.
Dirigido por Dror Shaul que faz de Dvir seu alter ego nos deparamos com a opressão de se viver em conjunto num Kibutz nos anos 70, localizado em meio a um deserto. Kibutz é uma comunidade criada em Israel baseada no socialismo e no sionismo. É considerado por muitos uma das melhores experiências de vida comunitária já ocorrida na história, e é tido como a base da, hoje reconhecida, força da comunidade israelita por seus preceitos e senso de ajuda mútua.
Todos ajudam e as tarefas são distribuídas de forma igualitária, mas é óbvio que quando algo sai fora do eixo começam a se incomodar, Miri, por exemplo, por conta de suas alternâncias de humor deixa de executar sua função, o que faz com que os membros discutam sobre ela entre outras coisas numa espécie de conselho.
Viver em comunidade exige-se perder a individualidade, e é isso o que "Exuberante Deserto" nos mostra. Miri começa a duvidar do caráter daquelas pessoas, será que elas são tão boas a ponto de decidir as questões alheias? Logo no começo vemos um homem que sempre comanda as discussões em um ato horroroso, Dvir acaba vendo a tal cena, mas fica calado, o fato é que a pessoa não se transforma num alguém melhor por viver em conjunto, quanto mais fechada for, mais satisfações terão que ser dadas, a privacidade deixa de existir.
"Exuberante Deserto" é dividido em quatro capítulos, cada um deles representando uma estação do ano. Interessante pois o filme nos é passado pelo olhar do garoto que amadurece bem antes do que devia acontecer naturalmente, também tem a questão do primeiro amor, há uma cena lindíssima de primeiro beijo. É uma oportunidade de conhecer hábitos dos quais desconhecemos, além de nos proporcionar uma trilha sonora maravilhosa.
O drama de Miri se acentua e o convívio com os demais se torna impossível depois da celebração do Bar Mitzvah, o que assusta Dvir, mas ao final ela o incentiva a sair de lá e procurar algo melhor para si, principalmente no que diz respeito a sua liberdade.
É um filme crítico e com certeza nos faz pensar sobre o conceito de se viver em comunidade, pois ela dá impressão de liberdade, quando na verdade é um fechamento. Por mais que se distribuam em partes iguais funções e etc, as pessoas são diferentes entre si, umas são mais frágeis, outras tem tendência em liderar, outras instintos violentos e por aí vai... Não é um filme grandioso, mas emociona e é muito eficaz em sua mensagem.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Eu Sou Um Cyborg, Mas Tudo Bem (Ssa-i-bo-geu-ji-man-gwen-chan-a)
"Eu Sou um Cyborg, Mas Tudo Bem" (2006) de Park Chan-wook é uma comédia romântica incrivelmente original. É necessário ter um certo desprendimento para poder curti-lo. O longa conta a história de dois pacientes de um hospital psiquiátrico que se apaixonam. Cha Young-goon foi criada pela avó que sofria de esquizofrenia e que pensava ser um rato, a menina cresce apresentando algumas excentricidades, até que tenta o suicídio na fábrica onde trabalha, Young-goon segue uma voz que somente ela escuta, corta os punhos, coloca um fio em cada e liga na rede elétrica. Enquanto está caída no chão o restante continua trabalhando. Após esse fato é hospitalizada em uma clínica psiquiátrica e lá conhece outros internos tão peculiares quanto ela, um deles é Park Il-sun, campeão de ping pong que usa uma máscara de coelho e tem o hábito de roubar as habilidades dos outros pacientes.
Young-goon sofre por ser uma máquina sem manual de instruções e não conhecer o propósito de sua vida, ao contrário de outras máquinas com funções determinadas, como a de refrigerante, por exemplo. A garota não desgruda da dentadura da sua avó, e crê que lamber pilhas e baterias faz com que mantenha sua energia. Comer nem pensar, pois na mente dela isso a danificará. Young-goon não sabe qual o propósito de sua existência, ela acredita que sua avó tem a resposta e conversando com a luz que fica em cima de sua cama descobre que precisa matar todos os enfermeiros do hospital para poder fugir e devolver a dentadura de sua avó, e dessa forma descobrir a missão de sua vida.
A amizade entre Cha Young-goon e Park Il-sun acontece sutilmente, e logo ele se afeiçoa e tenta ajudá-la, principalmente tentando fazê-la comer. O jovem tem uma imaginação muito fértil e inventa uma cápsula (Megatron) que transforma arroz em energia, ele a convence que dará certo e instala em suas costas.
Ao mesmo tempo que o filme soa estranho, ele carrega uma doçura. O personagem Park Il-sun faz de tudo para ajudar Young-goon, e é aí que está todo o encanto do filme. Há cenas esquisitíssimas, como quando Young-goon se transforma numa metralhadora e sai matando todos os enfermeiros do sanatório. É para fugir mesmo dos clichês!
O romance que nasce entre os jovens acontece da forma mais pura e humana possível. O filme em todos os aspectos se torna interessante, desde a fotografia belíssima, os personagens excêntricos, a trilha sonora, os diálogos e as cenas que mesclam realidade e imaginação. Essa mistura criativa e peculiar faz desta obra algo para se ver com um carinho especial. Por detrás da bizarrice, há solidão, medos, traumas, conflitos internos, e sobretudo, amor. Todos têm sua loucura particular, mas há diversas maneiras de ajudar alguém, basta entender e com certeza teremos algo para compartilhar.
Park Chan-wook é cultuado pela "Trilogia da Vingança", mas é válido conhecer seus outros filmes, como "Sede de Sangue", que trata de um tema tão batido, como o vampirismo e o transforma numa obra original e reflexiva.
"Eu Sou um Cyborg, Mas Tudo Bem" é de uma delicadeza sem tamanho, chega a ter um tom lúdico, mas também é um romance leve e diferenciado com pitadas de um humor irônico.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Depois do Casamento (Efter Brylluppet)
"Depois do Casamento" (2006) é dirigido e roteirizado por Susanne Bier, que ficou conhecida pelo filme "Brodre" (2004), do qual ganhou um remake americano chamado "Entre Irmãos" (2009), e também pelo "Hævnen" (2010) que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011. Seus filmes são dramas densos cheios de conflitos pessoais, mas de maneira alguma cai num melodrama sensacionalista.
A trama deste nos conta a história de Jacob Petersen (Mads Mikkelsen), que luta para manter em funcionamento um orfanato localizado numa das regiões mais pobres da Índia. A instituição corre o risco de fechar, até que Jacob é chamado de volta à Dinamarca para falar com Jorgen (Rolf Lassgard), um rico empresário, que deseja fazer uma doação para o local. É difícil para Jacob voltar e deixar suas crianças, principalmente Pramod, que cria desde bebê, mas não pode perder a oportunidade de conseguir melhorar a situação do lugar. Esse aspecto sócio-político com que o filme começa nos fisga de cara, mas a história nos surpreende ao colocar o foco em outro ponto que se desenvolve a partir disso.
A maior sacada é que com toda essa apresentação de personagens nós automaticamente os estereotipamos e os julgamos. Por exemplo: Jacob é uma pessoa bondosa com ideais que ajuda os mais pobres, e Jorgen, o empresário bilionário, um ser egoísta e ambicioso. Fazemos isso com todos os outros personagens, pois as diferenças são drásticas, enquanto na Índia a pobreza é latente, o visual é colorido e bagunçado, na Dinamarca o universo de riqueza predomina e o ambiente é clean. Tudo isso é de propósito, mais tarde nos damos conta do quanto somos condicionados a julgar sem conhecer. Não considero spoiler contar o que vem a seguir porque acontece super rápido, Jacob é convidado por Jorgen a ir ao casamento de sua filha, ele pressionado pela situação de conseguir o dinheiro para o orfanato decide ir, já que o empresário resolverá os trâmites só depois do casamento. Jorgen tem uma família perfeita, é um pai devotado, marido carinhoso e um empresário que sempre esboça atitude. No casamento percebemos que Jacob conhece a mulher de Jorgen, os olhares entre eles revelam isso, aliás os olhares são evidenciados o tempo todo. Uma revelação acontece, a noiva agradece a família e principalmente ao pai que mesmo não sendo legítimo a criou maravilhosamente. A tensão toma conta e Jacob não demora para entender que ela é sua filha.
Aos poucos vamos conhecendo mais profundamente os personagens, e o que pensamos ser não é, as aparências enganam e muito. Há cenas exacerbadamente emocionais, os personagens são mostrados em closes extremos, olhares tristes, desesperados e ansiosos.
É um filme honesto em que mostra que errar faz parte da vida, seja por imaturidade ou escolhas próprias que acabam atingindo alguém próximo, mas estes erros podem ser corrigidos e redimidos se houver uma oportunidade.
Dentre todas as cenas destaco a de Jorgen lá pelo final do filme, é dilacerante. Mads Mikkelsen é perfeito atuando (como sempre), mas quem rouba a cena é Rolf Lassgard, acredito que pela situação e o posicionamento dele em relação a tudo.
É um filme que vai crescendo, os personagens vão se descaracterizando e inevitavelmente as emoções vêm à tona. É mais um belo exemplar de como Susanne Bier sabe construir dramas com conflitos intensos sem parecer uma novela melodramática.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Takva - O Temor de um Homem de Deus
"Takva" é uma produção da Turquia juntamente com a Alemanha. A palavra numa tradução literal seria temor a Deus. Por isso nem vou utilizar o subtítulo brasileiro "A Fuga de Deus", acho mais conveniente usar o traduzido ao pé da letra, "O Temor de um Homem de Deus".
"Takva" mostra o quanto a fé pode ser cruel a um homem que vive afim de não cometer pecados e desapontar o seu Deus. Viver fora de sua fé é se sujeitar a um mundo do qual designam mundano. Se sujeitar a um Deus que tudo vê e que no menor deslize pune, a própria consciência se torna o seu Deus, impossibilitando de ter uma vida social. Apesar de achar muito bonito teoricamente a maneira como os islãs oram para seu Deus e todos os rituais de conexão, as palavras que se tornam quase um portal para essa fé, não consigo crer em um Deus tão rude e punitivo, talvez pela visão ocidental em ter a fé não vinculada com a religião, por exemplo, posso ter fé na vida, em mim e nas pessoas que me rodeiam, sem necessariamente louvar um Deus a todo momento. A fé é diferente de crença. Mas numa religião tão castradora como é o Islamismo, Alá é o único que pode salvar e absolver.
Na história Muharrem é um homem humilde e introvertido que vive de forma limitada e solitária. Adere de forma rígida a doutrina islâmica, inclusive a abstinência sexual. Sua extraordinária devoção atrai a atenção do líder de um rico e poderoso grupo islâmico de Istambul que oferece um cargo de coletor de renda das suas inúmeras propriedades. Emprego novo, Muharrem, lança-se ao mundo moderno, o mesmo que ele evitara com sucesso durante toda sua vida. Logo começam a surgir os conflitos pessoais. Ele se torna orgulhoso, dominador e desonesto. Para piorar a situação, sua paz interior está abalada pela imagem de uma mulher sedutora que o atormenta nos seus sonhos. Agora sua devoção está virada, o medo de Deus começa a dominar seus sentidos. Fechar os olhos pro mundo que nos cerca e unicamente fazer da vida devotada a Deus, é um passo para a loucura e é isso que acontece ao nosso personagem. Ao lidar com pessoas diferentes, dinheiro, começa sem querer se questionar e entrar em parafuso, os desejos começam a aflorar, a ganância, o sexo, e tudo isso o atordoa, pois ele é um homem de Deus, que ao menor erro, sente medo do que pode acarretar se desobedecê-lo.
Metade do filme é exposto todo o seu fervor a Alá, somos puxados para seu mundo. A outra metade é a mudança que ocorre em seu íntimo e a confusão que o toma. O filme trata de um segmento da religião islã. Designados como Sufis, os islãs místicos. É uma série de conceitos e práticas que passam pela pobreza, reclusão, ilusão, privação da alma, cantar e dançar; é baseado em uma mistura de muitas religiões e filosofias diferentes.
O profeta Muhammad diz: "Aquele que fizer um ato que não está de acordo com meus comandos deve ser rejeitado" - Ou seja, a desobediência a Deus e a seus princípios está fora de questão. O medo de um religioso fervoroso diante a um mundo diferente deste é bem compreensível. O ritual de conexão é muito instigante, são rezas proferidas em uníssonos que crescem de acordo com uma dança hipnótica. Realmente um deleite visual que o filme propõe. É um longa particular e para quem o assiste é necessário se despir de visões pré-definidas e preconceitos religiosos, é um olhar diferente do qual estamos habituados.
A tal da submissão é exposta, a abdicação da vida dos prazeres tem seu preço e se não conseguir ser fiel a sua crença o final disto pode ser cruel, e assim nos mostrou Muharrem. É preciso respeitar todas as crenças, mesmo que isso vá contra as suas ideias de vida. Cada um encontra seu Deus de uma forma e o nome que se dá, é irrelevante. No caso dos islãs é uma tradição impenetrável e acima de tudo uma cultura que a nós parece absurda. O homem tende a distorcer as coisas e não seria diferente com a religião.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Quatro Minutos (Vier Minuten)
Traude Krüger (Monica Bleibtreu) trabalha há anos como professora de piano em uma penitenciária. Ao reconhecer o talento musical de Jenny (Hannah Herzsprung), uma jovem violenta e indisciplinada, presa e condenada por assassinato, resolve se tornar sua tutora e inscrevê-la num concurso de piano. A relação das duas se desenvolve quando a professora de piano também se revela autoritária e intransigente, possuindo interesses pessoais na vitória de Jenny no concurso. Jenny é uma mulher cuja vida acabou. Presa por assassinato em uma penitenciária feminina, ela não demonstra qualquer remorso. Mas por trás de sua fachada impenetrável, esconde-se um surpreendente talento musical.
Drama de superação é um grande problema, por mais lindo que seja sempre acaba caindo em clichês e melodramas, mas o diferencial de "Quatro Minutos" é a trajetória das personagens, o pessoal de cada uma, tanto da professora presa em si mesma pelos anos em que sofreu por conta do nazismo, e Jenny que aos poucos vai deixando seu interior calejado dar lugar a um talento imensurável, que explode justamente na última cena, cujo título exemplifica, são quatro minutos de redenção e libertação.
O drama alemão dirigido por Chris Kraus ganhou inúmeros prêmios, mas mesmo assim não se tornou comercial, foi uma enorme surpresa e um prazer conhecê-lo, é emocionante e capaz de nos arrancar lágrimas e sorrisos ao mesmo tempo. Jenny e Traude são pessoas frias, sofridas, uma totalmente reclusa, a outra explosiva e violenta. Com o desenrolar percebemos que as duas na verdade não são tão diferentes assim.
O conflito do novo e velho aparece na forma de música, Traude ensina Schumann, bem tradicional, por sua vez Jenny toca "música de negros", segundo a rígida professora.
Ao longo do filme entendemos o porquê Traude é tão endurecida, esse aspecto é visível em seu rosto e na sua postura corporal, o passado e a culpa a atormenta. Jenny sempre teve muito talento musical, mas foi muito pressionada pelo pai, seu caminho tornou-se incerto e ao final restou-lhe a prisão.
O concurso que dá a Jenny um novo rumo acaba por não ser tão fácil assim, as outras presas invejam a detenta pianista, e junto com o carcereiro que um dia Jenny agrediu tentam boicotar queimando sua mão enquanto dorme. Para Jenny conseguir se apresentar Traude é capaz de muitas coisas, inclusive ajudá-la a fugir da prisão. E então, eis que surge o grand finale repleto de significados.
Geralmente filmes que abordam o tema música e que envolvem concertos têm finais extasiantes, só que em "Quatro Minutos" é muito mais que uma apresentação rica musicalmente, ele abrange todo o sentimento que ficou incubado na personagem, é uma explosão de si mesma, de gritar através de sua música seus conflitos e todo o seu talento. Isso acontece também a Traude que reluta ao assisti-la por sua descompostura diante a platéia, mas ela acaba a entendendo e sente orgulho finalmente, e Jenny em sua reverência final demonstra que a respeita também.
As atuações são impecáveis, de uma densidade incrível, tanto Jenny com toda sua violência, e Traude com a sua rigidez. Muitas críticas afirmaram que o longa vale mesmo só pelos quatro minutos finais, discordo totalmente, a cena final não teria tanta força se não fosse pelo desenvolvimento de suas personagens.
Drama de superação é um grande problema, por mais lindo que seja sempre acaba caindo em clichês e melodramas, mas o diferencial de "Quatro Minutos" é a trajetória das personagens, o pessoal de cada uma, tanto da professora presa em si mesma pelos anos em que sofreu por conta do nazismo, e Jenny que aos poucos vai deixando seu interior calejado dar lugar a um talento imensurável, que explode justamente na última cena, cujo título exemplifica, são quatro minutos de redenção e libertação.
O drama alemão dirigido por Chris Kraus ganhou inúmeros prêmios, mas mesmo assim não se tornou comercial, foi uma enorme surpresa e um prazer conhecê-lo, é emocionante e capaz de nos arrancar lágrimas e sorrisos ao mesmo tempo. Jenny e Traude são pessoas frias, sofridas, uma totalmente reclusa, a outra explosiva e violenta. Com o desenrolar percebemos que as duas na verdade não são tão diferentes assim.
O conflito do novo e velho aparece na forma de música, Traude ensina Schumann, bem tradicional, por sua vez Jenny toca "música de negros", segundo a rígida professora.
Ao longo do filme entendemos o porquê Traude é tão endurecida, esse aspecto é visível em seu rosto e na sua postura corporal, o passado e a culpa a atormenta. Jenny sempre teve muito talento musical, mas foi muito pressionada pelo pai, seu caminho tornou-se incerto e ao final restou-lhe a prisão.
O concurso que dá a Jenny um novo rumo acaba por não ser tão fácil assim, as outras presas invejam a detenta pianista, e junto com o carcereiro que um dia Jenny agrediu tentam boicotar queimando sua mão enquanto dorme. Para Jenny conseguir se apresentar Traude é capaz de muitas coisas, inclusive ajudá-la a fugir da prisão. E então, eis que surge o grand finale repleto de significados.
Geralmente filmes que abordam o tema música e que envolvem concertos têm finais extasiantes, só que em "Quatro Minutos" é muito mais que uma apresentação rica musicalmente, ele abrange todo o sentimento que ficou incubado na personagem, é uma explosão de si mesma, de gritar através de sua música seus conflitos e todo o seu talento. Isso acontece também a Traude que reluta ao assisti-la por sua descompostura diante a platéia, mas ela acaba a entendendo e sente orgulho finalmente, e Jenny em sua reverência final demonstra que a respeita também.
As atuações são impecáveis, de uma densidade incrível, tanto Jenny com toda sua violência, e Traude com a sua rigidez. Muitas críticas afirmaram que o longa vale mesmo só pelos quatro minutos finais, discordo totalmente, a cena final não teria tanta força se não fosse pelo desenvolvimento de suas personagens.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Transylvania
O diretor Tony Gatlif (Exílios - 2004) é adorado por seus filmes alternativos em torno do mundo cigano, e "Transylvania" (2006) é mais um dos que focam nessa imensidão cultural. Apesar de ser um drama ele é completamente contagiante devido a trilha sonora, que é espetacular.
Zingarina (Asia Argento) está grávida e junto de sua amiga Marie (Amira Casar) viaja rumo à Transylvania, na Romênia. Ela está à procura do homem que ama, Milan (Marco Castoldi), que conheceu na França, mas que foi embora sem qualquer explicação. Ao reencontrá-lo, Milan rejeita Zingarina. Sua vida apenas melhora quando conhece Tchangalo (Birol Ünel), um homem solitário que, assim como ela, é livre. Zingarina é uma mulher em busca do amor, ela deseja ser amada e para isso não existe fronteiras ou obstáculos. No início acompanhamos a sua busca pelo amado em toda Transylvania, e conforme as coisas acontecem o lugar de algum modo a prende lá. Desconsolada pelo fora que levou do cara que procurava, sai pelas ruas chorando e encontra Tchangalo, um cigano que dá golpes em velhinhas.
Interessante como o filme é sedutor, a vida nômade que aparentemente pode soar desconfortável se revela fascinante. Tanto no personagem de Tchangalo que é um homem rude, mas cuja beleza exótica arrebata, como Zingarina, uma mulher perdida que não sabe o que irá fazer a partir do momento em que foi deixada e assume a identidade cigana. A música é outro personagem, as pessoas daquele lugar respiram música e a todo instante vemos violinos, sanfonas e danças acompanhando a história.
Tony Gatlif nascido na Argélia e filho de pais ciganos coloca em seus filmes a riqueza cultural de seu povo, que é visto muitas vezes com maus olhos. Tony faz cinema para quebrar esteriótipos mostrando a autenticidade de seu povo.
"Transylvania" é um filme delicioso, pois incorpora o drama ao ritmo frenético das músicas com um toque de romance pouco convencional. Zingarina e Tchangalo se juntam e saem por aí, ela encontra de certa forma um ombro amigo e para ele que também é só, uma mulher não é uma má companhia.
A personagem de Asia Argento tem explosões durante todo o filme, mas nada se compara com a cena em que ela sai do carro de Tchangalo, corre pela floresta gritando e se joga no chão desesperada agarrando as folhas e a terra.
O filme tem uma diversidade cultural incrível, e o cigano nada mais é que essa avalanche de tudo, pessoas que não se enquadram no sistema e que foram marginalizadas.
A trilha sonora pitoresca é o ponto forte do filme, é deslumbrante a junção de todos os elementos, a vida cigana retratada encanta. "Transylvania" seduz completamente, pois a liberdade é algo que todos nós almejamos, assim como o amor.
Assinar:
Postagens (Atom)














































