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sábado, 24 de fevereiro de 2018

15 Filmes sobre Sonhos (15 Dream Movies)

Segue uma lista que explora o universo dos sonhos, suas camadas, seus mistérios, suas belezas, o onírico se mesclando à realidade, são diversas as obras que passeiam por essas características, portanto, os listados são apenas uma pequena amostra do quão fascinante é quando inconsciente e consciente se unem. 

15- "Preso na Escuridão" (Abre los Ojos - 1997) de Alejandro Amenábar
Cesar (Eduardo Noriega) é jovem, rico e bonito. Em torno dele, duas mulheres (Penélope Cruz e Najwa Ninri), mas uma armadilha do destino vai fazer com que ele viva um pesadelo terrível. Tudo começa com um acidente, em que sua namorada morreu e seu rosto foi desfigurado e, para piorar as coisas, ele foi acusado de assassinato e condenado. Ainda na prisão, se submete a várias cirurgias e consegue recuperar seu belo rosto. Mas começa a apresentar um comportamento estranho, que intriga o psiquiatra local.

14- "Sonhando Acordado" (La Science des Rêves - 2006) de Michel Gondry
Stephane Miroux (Gael García Bernal) vê seus sonhos invadirem constantemente a vida real. Quando dorme, se transforma no carismático apresentador do programa "Stephane TV", explicando sua "ciência dos sonhos" na frente das câmeras de papelão. Na vida real, tem um trabalho chato numa editora de calendários em Paris. Ele flerta com a vizinha Stephanie (Charlotte Gainsbourg), mas a moça não está disposta a encarar alguém como ele. Guy (Alain Chabat), colega de trabalho de Stephane, até tenta ajudá-lo na conquista, mas nada funciona. Incapaz de chegar ao coração de Stephanie na vida real, Stephane procurará as respostas em seus sonhos.

13- "Ladrão de Sonhos" (La Cité des Enfants Perdus - 1995) de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro
Krank (Daniel Emilfork) envelhece numa nebulosa torre aquática por não poder sonhar e tenta resolver a sua limitação sequestrando as crianças das cidades vizinhas para lhes roubar os sonhos. One (Ron Perlman), um caçador de baleias, forte como um cavalo, sai em busca de Denree, seu irmão mais novo que fora sequestrado pelos homens de Krank. Com a ajuda da menina Miette (Judith Vittet), logo eles chegam na cidade das crianças perdidas.

12- "Rabbits" (2002) de David Lynch
É assustador, estranho e até mesmo engraçado. Rabbits é a mãe e o pai de todos os pesadelos. A atuação, os movimentos, as luzes e as câmeras nos levam ao pavoroso e indecifrável mundo do subconsciente, do qual nunca mais iremos querer acordar.

11- "Alice" (Neco z Alenky - 1988) de Jan Svankmajer


Quando Alice seguiu o Coelho Branco no País das Maravilhas, iniciou-se assim uma surpreendente e perigosa aventura onírica pelo mundo infanto-juvenil. O animador tcheco Jan Svankmajer criou uma obra-prima, interpretando de maneira mais surreal e absurda possível o clássico conto de Lewis Caroll. Combinando técnicas de animação e atores reais, ele deu uma nova e fascinante dimensão para uma das melhores fantasias já escritas.

10- "Dream" (Bi-Mong - 2008) de Ki-duk Kim
Jin acorda depois de ter sonhado com um acidente de trânsito ao estar seguindo sua ex-namorada. Guiado pelo sonho, chega até o lugar dos fatos e ali se encontra com o acidente, que realmente aconteceu, e que aconteceu exatamente igual ao seu sonho. Ele segue a polícia até a casa da suspeita, Ran, e alí é testemunha de como ela nega a acusação de atropelamento e fuga, já que declara ter dormindo toda a noite. Jin explica seu sonho aos policiais e pede que acusem ele no lugar dela. A polícia o vê como um louco e prende Ran. Jin logo percebe que, cada vez que ele sonha, Ran, sonâmbula, representa inconscientemente seu sonhos na vida real.

09- "O Congresso Futurista" (The Congress - 2013) de Ari Folman
Uma atriz em fim de carreira (Robin Wright) decide aceitar uma proposta ousada, mas muito bem paga, para ter melhores condições de cuidar de seu filho, portador de deficiência física. Segundo o acordo, ela deve colaborar com uma empresa que vai fazer uma versão digital de sua imagem, criando assim uma atriz virtual idêntica à ela mesma. Enquanto a empresa pode utilizar essa imagem virtual para os fins que desejar, a atriz real será proibida de atuar até o resto de sua vida. Aos poucos, ela começa a perceber as consequências catastróficas da atitude que tomou.

08- "A História de Marie e Julien" (Histoire de Marie et Julien - 2003) de Jacques Rivette
Julien (Jerzy Radziwilowicz) é um relojoeiro frustrado de 40 anos, que está chantageando Madame X (Anne Brochet): ele sabe de coisas misteriosas que a envolvem no tráfico de objetos antigos, mas desconhece a ligação entre ela e a sublime Marie (Emmanuelle Béart), por quem Julien havia se apaixonado perdidamente cerca de um ano antes. Tendo reencontrado a amada, ele percebe que algo mudou no seu comportamento: apesar do seu crescente amor por Julien, Marie parece incapaz de encontrar a sensação das coisas. Julien fará o que puder para ajudar Marie a se liberar desse estado.

07- "Cidade dos Sonhos" (Mulholland Dr. - 2001) de David Lynch 
Um acidente automobilístico na estrada Mulholland Drive, em Los Angeles, dá início a uma complexa trama que envolve diversos personagens. Rita (Laura Harring) escapa da colisão, mas perde a memória e sai do local rastejando para se esconder em um edifício residencial que é administrado por Coco (Ann Miller). É nesse mesmo prédio que vai morar Betty (Naomi Watts), uma aspirante a atriz recém-chegada à cidade que conhece Rita e tenta ajudar a nova amiga a descobrir sua identidade. Em outra parte da cidade o cineasta Adam Kesher (Justin Theroux), após ser espancado pelo amante da esposa, é roubado pelos sinistros irmãos Castigliane.

06- "Corpo e Alma" (Testről és Lélekről - 2017) de Ildikó Enyedi
Uma história de amor que começou em sonho, literalmente. Numa dualidade entre o dormir e o acordar, duas pessoas que não se conhecem têm sonhos exatamente iguais, e acabam se encontrando diariamente todas as noites nesse mundo paralelo de fantasia. Quando chega a hora de se encontrarem de verdade, a situação se mostra ainda mais complexa. Saiba+

05- "Paprika" (Papurika - 2006) de Satoshi Kon
Num futuro próximo, o Dr. Tokita (Tôru Furuya) inventa um poderoso aparelho chamado DC-Mini, que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Sua colega, a Dra. Atsuko Chiba (Megumi Hayashibara), psicoterapeuta e pesquisadora de ponta, desenvolve um tratamento psiquiátrico revolucionário a partir do aparelho. Mas, antes de seu uso ser sancionado pelo governo, o DC-Mini é roubado. Quando vários dos pesquisadores do laboratório começam a enlouquecer e a sonhar em estado de vigília, Atsuko assume seu alter-ego, Paprika, a bela "detetive de sonhos", para mergulhar no mundo do inconsciente e descobrir quem está por trás da tragédia.

04- "Sereia" (Rusalka - 2007) de Anna Melikyan
Era uma vez, uma garota chamada Alisa, que morava numa cidade litorânea, cantava no coral, sonhava em ser bailarina e tinha um dom: transformar desejos em realidade. Aos seis anos, ela parou subitamente de falar e passou a frequentar uma escola especial. Aos 17 anos, se mudou para Moscou e o destino a levou a conhecer um homem com um profundo desejo de ser salvo e protegido. Alisa decidiu ajudá-lo, sem saber que sua vida mudaria para sempre. Saiba+

03- "O Fantasma da Sícilia" (Sicilian Ghost Story - 2017) de Antonio Piazza e Fabio Grassadonia
Giuseppe (Gaetano Fernandez) é um corajoso garoto de 13 anos de idade, que desapareceu nas mediações de uma misteriosa floresta localizada na pequena aldeia em que vivia. A única pessoa que parece não se conformar com o sumiço dele é a pequena Luna (Julia Jedlikowska), que está disposta a enfrentar todos os perigos para resgatar seu amigo. Saiba+

02- "Acordar para a Vida" (Waking Life - 2001) de Richard Linklater
Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas.

01- "Sonhos" (Dreams - 1990) de Akira Kurosawa
"Sonhos" é uma obra baseada em sonhos verdadeiros que Kurosawa teve ao longo de sua vida, dividido em oito segmentos destaca-se alguns temas bem recorrentes, como a morte e a guerra. Somos contemplados por tradições e passeamos pela cultura japonesa. Por mais que se fale deste filme nunca será o suficiente, é daqueles que toda vez que é assistido tira-se algo de novo. Saiba+

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A Excêntrica Família de Antonia (Antonia)

"Assim como essa crônica nada se conclui."

"Antonia" (1995) dirigido pela holandesa Marleen Gorris (O Último Lance - 2000) é um filme de personagens grandiosas que exemplificam o empoderamento feminino, a obra disserta sobre o tempo e de forma poética e leve aborda diversos assuntos.
Definido como uma celebração da vida e da morte conta a história de uma encantadora geração de mulheres. Comandada por Antonia, a saga familiar atravessa várias gerações, falando de força, de beleza e de escolhas que desafiam o tempo. Nesse universo conhecemos curiosos personagens, como o filósofo pessimista, a netinha superdotada, a filha lésbica, a avó louca, o padre herege, a amiga que adora procriar, a vizinha que sofre abusos sexuais e os muitos amigos que são acolhidos por sua generosidade.
Antonia (Willeke van Ammelrooy) retorna ao vilarejo que nasceu e cresceu ao lado de sua filha Danielle (Els Dottermans) para visitar a sua mãe, que está para morrer. A partir de então, Antonia começa a reviver com os vizinhos e as recordações. Ela é uma mulher diferente e encara a vida com outros olhos, é forte e generosa, mas como ela própria diz foi acolhida no lugar "como uma colheita ruim, uma criança deformada, ou um manifesto da onipresença divina". Antonia é uma matriarca e a sua família vai se constituindo na base do amor e respeito, e ela ainda coloca debaixo de suas asas as mais diferentes pessoas, desde a menina com deficiência que foi estuprada pelo irmão, mas que acaba encontrando seu amor, que Antonia também protege, a mulher que uiva para a lua, a parideira e o filósofo pessimista.
O filme quebra paradigmas e mostra uma liberdade de ser, Antonia, por exemplo, nega o pedido de casamento de seu vizinho, que diz que seus filhos precisam de uma mãe, mas Antonia completa de que ela não precisa dos filhos dele. Mais tarde ela aceita ser amante apenas. Em dado momento Danielle decide querer ter um filho, só que não deseja passar por todas as convencionalidades, pulando as "etapas", vai com sua mãe à cidade e transa com o irmão de Letta, a personagem que adora procriar. São temas pertinentes e que empolgam o espectador, como a hipocrisia da igreja, os discursos moralistas e machistas, além do sentido da vida e morte.
Thérèse, a filha de Danielle é extremamente inteligente e precisa que a professora dê atenção extra a ela, já que a sala de aula a entedia. É aí que Danielle se apaixona e a professora integra também a comunidade de Antonia. Thérèse está sempre às voltas do filósofo Kromme Vinger, eles discutem vários assuntos e adoram citar Nietzsche e Schopenhauer, o tempo passa e Thérèse engravida, Kromme Vinger aconselha ela não ter a criança, pois o mundo está uma calamidade, porém ela dá à luz a Sarah.

"Antonia" representa toda a complexidade e diversidade que existe na sociedade humana, mas como a personagem principal demonstra, quando se há respeito pela liberdade do outro, tudo flui. Também mostra um viés pessimista, de que a vida é feita de sofrimentos e tragédias, mas por outro lado feita de pequenos momentos que engrandecem nossa existência. A filosofia de Schopenhauer permeia toda a trama e a frase "Quem não tem medo da vida também não tem medo da morte" é uma das tantas que se encaixa perfeitamente à história.
Sara, bisneta de Antonia certa vez lhe diz: "Não é triste que nada exista?" E Antonia responde: "Por isso há tanto." 

"Nada morre para sempre. Alguma coisa sempre fica de onde outra nasce. Assim a vida começa, sem saber de onde veio ou por que existe[...] a vida quer viver."

Um filme lindo, filosófico, feminista, que coloca em destaque a passagem do tempo e passeia por inúmeros temas importantes, é sensível, poético e proporciona grandes momentos de reflexão. 
O tempo é implacável, chega sem se importar, mas como Antonia diz à bisneta que a questiona se existe um céu: "esta é a única dança que dançamos."

"As estações se repetiam, o tempo trouxe a vida de novo... e com completa satisfação produziu nada além de si mesmo."

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Jardim (Zahrada)

"Zahrada" (1995) produção eslovaca de Martin Sulík (Panorama - Krajinka - 2000) é um filme que passeia pela surrealidade e o transcendentalismo. Tudo começa quando Jakub (Roman Luknár) é expulso de casa pelo seu pai depois que ele é pego fazendo amor com uma mulher casada. Ele resolve sair da cidade e dar um tempo no campo. Na antiga casa de seu avô - mais exatamente no jardim. Lá, Jakub lentamente deixa a realidade para trás. Pessoas fora do comum o visitam e coisas estranhas começam a acontecer, algumas delas parecem milagres. Entretanto, Jakub descobre o verdadeiro amor com Helena (Zuzana Sulajová), que o ensina a apreciar os delicados mistérios da vida.
Muitos simbolismos são apresentados nesta obra naturalista que expõe as relações pessoais, os desejos, as escolhas, dentre tantas outras questões que afligem os seres humanos. Da forma mais leve possível acompanhamos o personagem Jakub em suas descobertas. A linguagem do filme é poética, se distancia das narrativas convencionais e é fácil ficar confuso, por vezes as situações são aleatórias, mas aos poucos entramos na aura do filme e percebemos que a delicada abordagem é para nos proporcionar sentimentos dos quais estão se extinguindo com o atual modo de vida.
Jakub é professor, mas há algum tempo deixou de lecionar, morando com o pai alfaiate se relaciona com uma mulher casada, após serem pegos resolve ir morar na antiga casa de seu avô, do qual possui um jardim com macieiras e ameixeiras, a casa está velha, mas é um lugar aconchegante que vai propiciando a Jakub experiências novas, lá ele conhece uma moça de atitudes estranhas, mas muito apaixonante por ser tão espontânea.

Está cada vez mais difícil viver em sociedade, há sempre muitos obstáculos, modos de se portar, regras a seguir, meios de se comunicar que a naturalidade de simplesmente ser o que se é fica impossível, além de que há muita competição e comparação, viver de acordo com o que brota dentro de seu ser é inviável, é preciso estar sempre a frente, saber e ter muito. Diante disso resta espaço para viver, essencialmente? Descobrir simplicidades, pequenas poesias, ouvir, aprender e ser gentil? Uma das coisas mais bonitas em Jakub é o seu olhar perante os outros, várias personagens aparecem em seu jardim em diversas situações e ele sempre escuta, pega para si e de certo modo vai se transformando. E assim, o amor por Helena vai crescendo e sua relação com o pai vai ganhando contornos interessantes, diferentes do início do filme.

"Zahrada" é filme para rever, é sensível e subjetivo. Filmes assim deviam ser mais conhecidos, mas infelizmente o que predomina é o mais do mesmo fazendo com que a grande maioria adquira um gosto padrão, e aí fica complicado aceitar algo com uma linguagem mais poética. Compartilho com carinho este filme e espero que muitas pessoas o consigam assistir para se inebriarem com tamanha beleza. O imenso jardim coberto de maçãs dificilmente será esquecido.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cortina de Fumaça (Smoke)

Em NY no ano de 1990, Auggie Wren (Harvey Keitel) é o dono de uma tabacaria frequentada por diversos personagens, entre eles o escritor Paul Benjamin (William Hurt), que após a morte da esposa não mais conseguiu lançar um livro. A vida de Paul muda quando é salvo por Rashid Cole (Harold Perrineau Jr.) antes de ser atropelado. O fato dá início a uma relação de amizade entre o escritor e o jovem que pretende conhecer o pai, Cyrus (Forest Whitaker) que é dono de uma decadente oficina mecânica. A vida de Auggie também muda quando reaparece em sua vida a ex-namorada Ruby (Stockard Channing), alegando que eles tem uma filha (Ashley Judd) que é viciada em drogas. O diretor Wayne Wang se juntou ao escritor Paul Auster para filmar o roteiro deste filme sobre pessoas comuns que convivem ao redor de um local, a tabacaria de Auggie, onde praticamente todos os personagens fumam e tentam resolver seus problemas da melhor forma possível.
Um filme feito para ser visto diversas vezes. Uma obra-prima que expõe dramas humanos de uma maneira impecável. Tudo é extraordinário, começando pelo roteiro completamente envolvente e eficaz, o elenco com uma dose de humanidade extra, com suas personalidades únicas. Há profundidade em cada um, há valores esquecidos, como a generosidade e a amizade. E isso tudo em meio há muita fumaça e conversas magníficas.
Inspirado no maravilhoso "O Conto de Natal de Auggie Wren", de Paul Auster. O cenário é uma tabacaria, localizada numa esquina qualquer do Brooklyn, numa esquina que é o mundo. Auggie é um ser humano comum, que fuma seus charutos e que todos os dias tira uma foto do mesmo lugar, da fachada do seu estabelecimento, sempre com o mesmo enquadramento. Este homem é sábio, para ele todos os dias são iguais e ao mesmo tempo diferentes. A melhor cena é a que mostra seu álbum de fotografias a Paul, e este rapidamente o folheia alegando que todas são iguais, mas Auggie diz que se ele prestar atenção verá que cada uma é diferente, apesar de parecerem iguais. As estações do ano mudam, as pessoas também, às vezes a rua estava vazia, outras repletas de pessoas, e olhando mais devagar Paul se depara com a sua mulher falecida no retrato e se emociona. Esta cena consegue captar a essência da vida, o quanto estamos absortos, não nos damos conta das pequenas mudanças que ocorrem conosco, porque estamos habituados a pensar que tudo está como antes.
As histórias se entrelaçam, a amizade de Paul e Thomas é maravilhosa, um garoto mentiroso que quer encontrar e estabelecer um relacionamento com seu pai, este surge na pobre oficina de seu pai e sem saber que aquele garoto é seu filho, acaba dando um trabalho, mais tarde tudo vem à tona e a descoberta é muito emocionante. O final fecha maravilhosamente com a voz inigualável de Tom Waits, a sua figura combina perfeitamente com o ambiente do filme. Sua voz rouca embala a cena do conto de Auggie reproduzida em imagens. O conto explica como Auggie conseguiu a câmera fotográfica que utiliza todos os dias religiosamente.

Uma obra admirável e de sensibilidade única, indispensável para os cinéfilos. Auggie e Paul fazem uma dupla e tanto. Juntos experimentam a sensação de uma boa amizade. Assim como Paul e o garoto Thomas que vive um estágio em que dúvidas surgem e a esperança de reencontrar seu pai e ser amado é o que o domina. O filme tem aquele ar de reencontro consigo mesmo e de redescobertas interiores. É filme para ver, rever e rever de novo!