Mostrando postagens com marcador Finlândia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Finlândia. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
The Innocents (De Uskyldige)
"The Innocents" (2021) dirigido por Eskil Vogt (Blind - 2014) é um filme profundo repleto de nuances que retrata a maldade entrando aos poucos na vida de algumas crianças, entre a ociosidade e a solidão do dia a dia, elas descobrem que possuem poderes e isso é retratado com potência e sem ponderações, não há limites quando o mal é permeado pela inocência, e por isso é tão assustador e perturbador. Vale ressaltar o brilhantismo do elenco infantil, os sentimentos estão à flor da pele, os olhares lançados, os silêncios, as descobertas. Visceral define. Também vale dizer que Eskil Vogt é um exímio roteirista, sua criatividade explode na tela, lembrando sua parceria com Joachim Trier, entre eles: "Oslo, 31 de Agosto" - 2011 e "Thelma" - 2017.
Acompanhamos Ida, uma menina de nove anos que se muda com a família para os arredores de Oslo, Noruega, durante o verão. Junto com sua irmã Anna, que possui autismo, a menina tenta se ajustar ao novo ambiente e faz amizade com duas outras crianças. Quando estão longe dos adultos, esses quatro amigos descobrem que possuem poderes sobrenaturais. O que começa como uma inocente brincadeira, logo se transforma em um jogo sombrio e perigoso.
Acompanhamos a adaptação e as experiências geradas a partir da amizade que nasce entre Ida, Ben (Sam Ashraf) e Aisha (Mina Yasmin Bremseth Asheim), todos de alguma forma desajustados e solitários, os pais de Ida dão mais atenção a sua irmã Anna (Alva Brynsmo Ramstad), por conta do autismo, são pais que não veem os filhos, não sabem o que se passa e todo o tempo das crianças dispensado nos arredores do prédio surgem ideias de brincadeiras que quando executadas desencadeiam reações diferentes em cada, além disso, descobrem que possuem poderes, Ben consegue mover objetos, Aisha consegue ler pensamentos, e esta cria um laço com Anna, que desenvolve-se a partir dessa conexão. Esse elo de certa forma alimenta Ida e ela vai se modificando, entendendo a empatia, ao contrário de Ben, que utiliza seu poder para cometer maldades para aqueles que lhe fizeram alguma coisa. O desenvolvimento da história é interessante, misteriosa e pende para reflexões diversas, principalmente sobre a moralidade na infância, que a partir das experiências e observações vai se formando e quando um adulto não dá suporte se transforma num caos interno, isso é muito explícito em Ben, ele não tem a bússola moral ainda, é desprovido de afeto e não sabe lidar com críticas e brincadeiras, seu instinto é revidar e tendo um poder que aumenta junto com sua raiva não tem como se desenvolver de forma sadia, mas não podemos julgá-lo malvado justamente por ele não ter essa consciência. Já Aisha é uma menina mais sensível e observadora, a empatia já está instalada nela, perceba que se importa com os outros ao redor e quer unir forças para dar um fim no que Ben começou. E, Ida, que antes não se importava com Anna e se sentia excluída percebe a mãe e os outros de forma diferente. Seu olhar se amplia e outras nuances aparecem.
"The Innocents" é um filme magnífico que mesmo tendo cenas pesadas e incômodas não perde a sutileza nem a humanidade das crianças em meio a um cenário frio e desesperançoso. Com atuações impecáveis, o elenco infantil cria perfeitamente a sensação de tensão e angústia devido o descontrole que vem através de seus poderes. Especialmente a pequena Ida - Rakel Lenora Fløttum, que contracena com sua mãe Ellen Dorrit Petersen, consegue expressar uma gama de sentimentos complexos que ora revira o estômago, como na cena do gato, e ora encanta, como na cena final, que é um belo exemplo de um despertar de união de forças.
O filme é um misto de terror/suspense/drama que combina elementos perturbadores e reflexivos na mesma proporção, lento em seu desenvolvimento, mas uma experiência cinematográfica incrível, que certamente não irá sumir após algum tempo, é um filme marcante, intenso e que exemplifica de maneira incômoda a falta de moralidade na infância.
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Perdrix / Aurora / Microhabitat
Segue a resenha de três filmes numa única postagem por eles terem características bem parecidas e também porque particularmente foram muito especiais e merecem um lugar no blog. Ultimamente por tantas coisas acontecendo me falta ânimo para atualizar esse espaço, mas espero que aquela vontade e empenho que tinha volte. Confira:
"Perdrix" (2019) dirigido por Erwan Le Duc é uma comédia dramática francesa peculiar que flerta com absurdos, mas que também consegue despertar emoções vívidas e graciosas, tem aquele elemento especial que nos faz ficar de coração preenchido e sorrir.
Desde que a enigmática Juliette Webb (Maud Wyler) entrou em sua vida, Pierre Perdrix (Swann Arlaud) não tem sido mais o mesmo. Atingindo a sua rotina e modificando os seus dias como um meteorito emocional, a presença da moça fez com que, indiretamente, toda a família Perdrix repensasse suas vidas.
Acompanhamos a pacata e disciplinada rotina do policial Pierre na cidadezinha na belíssima região montanhosa dos Vosges, ele mora com sua mãe (Fanny Ardant), que possui um programa de rádio que fala sobre amor, seu irmão (Nicolas Maury), que ensina a importância das minhocas a um grupo de crianças, e sua sobrinha (Patience Munchenbach), isolada e sempre desejando ir embora do local, essa família um tanto estranha é repleta de coisas não resolvidas e preferem não expô-las e continuar vivendo sob um véu de ilusão confortável, Pierre literalmente cuida de todos e segue a risca sua rotina, até que Juliette aparece quando seu carro é roubado por nudistas anarquistas que vivem em meio a floresta, impaciente com os protocolos decide agir e gruda em Pierre desnorteando toda a sua maneira de pensar. Essa mulher peculiar não pensa para falar e ao se inserir na vida da família de Pierre balança a frágil estrutura, mas ela também tem seus medos e vemos isso através da angústia em perder suas lembranças, que estão todas anotadas em cadernos, dos quais se encontram no carro roubado, são dois opostos, enquanto um não quer experimentar e viver, como diz: "O cotidiano é a única coisa que não decepciona", já ela por sua vez, prova a si mesma que viveu anotando tudo como se assim tivesse a certeza de que não perderia nada da vida. O relacionamento cresce de uma forma orgânica e muito poética, lentamente os dois terminam se complementando.
"Perdrix" é um longa aconchegante e interessante, além de seus cenários naturais serem um encanto, e também os atores que elevam o nível de peculiaridade, Swann Arlaud e Maud Wyler garantem momentos curiosos e bonitos.
"Aurora" (2019) dirigido por Miia Tervo é um drama finlandês sensível, bonito e que possui passagens memoráveis e uma protagonista que brilha aos nossos olhos, nos encantamos por Aurora e torcemos para que ela supere os problemas, a empatia e identificação é inevitável.
Sempre com medo de se comprometer seriamente a qualquer pessoa, Aurora (Mimosa Willamo) é fanática por festas, mas percebe que essa prática está desgastando-a com o tempo. Depois de esbarrar com um rapaz que tem fobia da morte, ela percebe que eles dois podem aprender a superar seus traumas juntos de maneiras diferentes.
Aurora segue sua vida de maneira incerta, trabalha como manicure e vive em festas, tem sérios problemas com álcool e tudo se agrava quando é despejada e seu pai alcoólatra é internado, ela sonha em se mudar da Finlândia, mas a falta de dinheiro e oportunidade a afasta desse sonho, tentando se virar arranja um emprego cuidando de uma senhora bem engraçada e de mente aberta, desse modo vamos juntos de Aurora que se afunda cada vez mais e não enxergando de fato seu problema com a bebida, seu escape é um grande monstro a engoli-la. Nesse entremeio há o personagem Darian (Amir Escandari) e sua filha de nove anos que sonham em poder morar legalmente no país, eles moram numa casa que acolhe temporariamente imigrantes, numa noite Darian conhece Aurora numa lanchonete, ela lhe paga o restante que faltava para o lanche e numa conversa aleatória a pede em casamento para obter o visto, mas obviamente recusa, só que mais tarde ela oferece uma outra ideia, que por três mil euros arranjaria uma esposa finlandesa. A vemos muito perambular pelas ruas, no frio congelante, bebendo e cambaleando de salto alto na neve, dando festa na casa da senhora que cuida, se expondo a situações perigosas e travando meios que talvez a tirem desse buraco, Darian surge como um alívio em sua vida, mas é lentamente que essa relação toma forma e Aurora se dá conta da paixão, é realmente muito orgânico e sensível. O filme mesmo carregando momentos pesados tem uma leveza especial, terna e empática, não é difícil se identificar em muitas partes e torcer pela personagem, aliás uma composição linda e potente de Mimosa Willamo, uma tour de force que destrói o psicológico, mas também possui tons de humor que são um tanto curiosos, talvez pela expressão cultural do país.
"Aurora" é um filme apaixonante, carregado de questões interessantes, como os estereótipos que se cria em cima de imigrantes, o alcoolismo e o processo do entendimento desse problema, a sensação de inquietação pela falta de oportunidades, perdas e a solidão.
"Microhabitat" (2017) dirigido por Jeon Go-Woon é um filme sul-coreano simples, mas imenso, retrata pequenas grandes paixões que nos movem, no cotidiano chato e cada vez mais competitivo encontrar alívio nessas coisas que amamos, sem dúvidas, é o que dá sentido à vida. São coisas particulares a cada um e que podem parecer errado e desprezível a muitos. A protagonista é gigante em cena, aliás o filme propõe o exercício da quebra de julgamentos, até porque todos temos nossos pequenos vícios, esses que somente a nós cabe decidir se nos faz bem. Mais uma vez uma personagem de fácil identificação e que amplia nossos horizontes de pensamentos. Melancólico e extremamente sensível acompanhamos a rotina de Mi-So (Esom), que trabalhou como doméstica nos últimos 3 anos e ganhou 45 mil won (US$ 40) por dia. Mi-So adora beber Whisky e fumar cigarros. Seu namorado é Han-Sol (Ahn Jae-Hong) e ele quer se tornar um escritor de webtoons. Mesmo que Mi-So seja pobre, ela está feliz enquanto tem Whisky, cigarros e seu namorado. Infelizmente, os preços dos cigarros aumentam no primeiro dia do novo ano. Mi-So tem que dar algo e ela decide desistir de seu apartamento. Então, inicia-se uma peregrinação, ela contata antigos amigos, dos quais formavam uma banda, ela dorme um tempo na casa de cada um, mas aos poucos percebe que é um incômodo e que todos mudaram sua personalidade, aderiram ao sistema e estão infelizes, a cada porta que bate tem uma surpresa e é tratada de variadas formas, desde desprezo, julgamentos e falsa simpatia. Mi-So dispõe ainda de uns trocados e tenta arranjar uma casa bem longe da cidade, mas o preço exorbitante a desanima e mesmo os piores lugares, como cubículos sujos são caros, desse modo decide gastar com o que faz sentido para si, mas com o aumento do cigarro e Whisky e a partida do seu namorado em busca de uma melhoria financeira se entristece e se torna ainda mais marginalizada, vemos que ela seguiu pelo caminho que lhe falava o coração e foi fiel a sua personalidade, não se vendeu e modificou para agradar e se inserir num processo que capitaliza absolutamente tudo. É muito fácil julgar o caminho dos outros, especialmente àquele que se torna à margem de tudo, mas se faz sentido para si é o que importa, afinal o que resta a cada um é esses pequenos prazeres, como no caso de Mi-So, cigarro e Whisky.
"Microhabitat" é uma obra singela que mostra uma personagem que não tem vergonha de seus vícios e de suas escolhas, que segue ignorando o julgamento alheio até porque entende que a pessoa que julga decepou inúmeras particularidades para se tornar algo que quase sempre não escolheu. É o retrato da desigualdade e o impacto da cultura do consumo, da naturalização do ter e não do ser. Filme simples, mas que carrega em si um gigantesco significado. Lindo!
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Kyrsyä - Tuftland
"Kyrsyä - Tuftland" (2017) dirigido por Roope Olenius é um filme de terror finlandês que trabalha o mistério e o bizarro de forma primorosa, sua atmosfera estranha e enigmática segue por todo o desenrolar e não tem como reclamar de clichês, visto que a cada instante há novas camadas sinistras e desdobramentos perturbadores.
Irina (Veera W. Vilo), uma estudante teimosa tenta superar seus problemas aceitando um emprego de verão em um estranho e isolado vilarejo chamado Kyrsyä. Acompanhamos a angústia de Irina em sua rotina, na faculdade está sempre insatisfeita e seu único desejo é sair de sua cidade para esquecer os problemas, ela tenta se inscrever em trabalhos de verão, mas nada dá certo, até que inesperadamente recebe uma carta indicando um trabalho numa distante aldeia, Kyrsyä, na área têxtil de uma fábrica, que é o que Irina está estudando. Sem pensar muito o como a carta foi parar lá decide embarcar, em paralelo vemos um esquisito a seguir ela, morador da aldeia e que enviou a tal carta, Perti (Miikka J. Anttila), em determinado ponto ele a acompanha até o local inóspito rodeado somente pela natureza, chegando ela se depara com pessoas muito simples e que dão valor a outras coisas, o mundo moderno não os interessa e fazem tudo manualmente auxiliados pela natureza, o respeito e a devoção é aos poucos delineada e Irina se encanta de início, aproveita seus dias olhando ao redor e passeando pelas trilhas na floresta, mas sem nunca deixar também de se sentir deslocada e impressionada com as ações dessa "família". A forma simples e naturalista acaba tornando-se numa espécie de adoração à natureza e os laços que os unem se revelam abomináveis. Irina começa a questionar sobre a produção que nunca começa e sobre outras coisas, especula com Maaria (Saara Elina), a mais jovem dessa aldeia, ela possui características peculiares e insanas. Então começam a produzir manualmente pompons, o que deixa Irina muito brava e daí decide ir embora, mas os habitantes a seguram e a querem lá para sempre, inclusive arranjando-lhe um marido, a ideia de procriação é o que domina e ainda há um humano selvagem que fica preso o tempo todo pela sua alta libido, a surrealidade também dás as caras com o aparecimento de uma menina fantasma, e o enigma paira no ar, qual a utilidade da confecção de pompons?
Inicialmente Irina abraça a vida simples e rústica e releva os comentários severos, como os da avó, mas com o passar do tempo o ar sinistro toma conta, eles agem de forma estranha, os homens caçando entoando vocalizações, as mulheres e seus afazeres domésticos, os urros que ouve, sinais da natureza, Perti e suas visões, e então um possível culto. É bastante particular a narrativa e em nenhum momento podemos imaginar seu desfecho.
Inicialmente Irina abraça a vida simples e rústica e releva os comentários severos, como os da avó, mas com o passar do tempo o ar sinistro toma conta, eles agem de forma estranha, os homens caçando entoando vocalizações, as mulheres e seus afazeres domésticos, os urros que ouve, sinais da natureza, Perti e suas visões, e então um possível culto. É bastante particular a narrativa e em nenhum momento podemos imaginar seu desfecho.
Vale ressaltar a maravilhosa atmosfera criada principalmente nas locações naturais, os caminhos da floresta, as pistas espalhadas pelo solo, os ruídos. O mistério envolvendo a coexistência dessas pessoas e a natureza intriga bastante, e outro ponto que ajuda criar tensão é sua trilha sonora que gera a sensação de uma fábula sombria, além também de seu humor nada convencional e bizarro.
"Kyrsyä - Tuftland" levá-nos para um lugar rústico e assombroso, onde o que predomina são pensamentos e atitudes ultrapassadas e que unem à selvageria de um culto pela vida simples sem a intromissão do mundo industrializado e moderno. Um conto de terror escandinavo interessante e que surpreende pela beleza e, principalmente, pela excentricidade.
quarta-feira, 22 de maio de 2019
Heavy Trip (Hevi Reissu)
"Heavy Trip" (2018) dirigido por Jukka Vidgren e Juuso Laatio é um filme que traz o que mais representa a Finlândia, o metal, e o que se destaca são as variáveis de humor que vai desde o absurdo e seco ao bobo e surreal, além da trilha sonora que é um deleite e traz canções originais concebidas pelo diretor Juuso e o integrante da banda Mors Subita, conta também com outras bandas finlandesas, como Mokoma e Diablo. O filme traz a aura musical do país e coloca de forma divertida todas as características e estereótipos envolvendo o gênero.
Um jovem está tentando superar seus medos liderando a banda de heavy metal mais desconhecida para o festival de metal mais famoso da Noruega. A jornada inclui heavy metal, roubo de túmulos, um paraíso viking e um conflito armado entre a Finlândia e a Noruega.
Numa pacata cidadezinha rural no norte da Finlândia acompanhamos o jovem desajustado Turo (Johannes Holopainen) que trabalha em um hospital psiquiátrico como faxineiro, ele e seus três amigos Pasi (Max Ovaska), Lotvonen (Samuli Jaskio) e Jyrki (Antti Heikkinen) cansados de tocar covers decidem compôr algo original, mas não é algo simples e fácil, já que tudo que começam a fazer se parece com outras coisas, ainda mais que Pasi é uma enciclopédia do metal e reconhece riffs sem esforço, aliás esse personagem encarna perfeitamente o estereótipo envolvendo o metal, desde o codinome, o corpse paint e a vibe melancólica e trevosa, já o baterista Jyrki é animado e sempre encara as situações como oportunidade, ele dá a maioria das ideias, mas é o baixista Lotvonen que tem o insight da música quando no matadouro de renas de seu pai escuta o estraçalhar do animal passando pela máquina. A obra-prima então é composta, "Flooding Secrations", aí gravam uma demo e numa chance que aparece do nada e muito loucamente a dão para Frank (Rune Temte), o organizador de um festival na Noruega, o sonho de tocar lá parece que irá se realizar e a fofoca se espalha pela cidadezinha e todos começam a bajulá-los, os meninos ficam famosos entre os habitantes e até desbancam o cantor pop mais famoso do local, Jouni Tulkku (Ville Tiihonen), eles são convidados a abrir o show para ele, só que Turo é muito inseguro e vomita, o que acaba sendo depois sua marca registrada. A banda é nomeada "Impaled Rektum" e o estilo é denominado como "metal sinfônico pós-apocalíptico de trituração de renas e guerra pagã extrema abusadora de Cristo", uma clara sátira aos tantos subgêneros dentro do metal, e é isso o tempo todo, uma história divertida e movimentada sobre uma banda de uma cidade caipira que sonha tocar num festival na Noruega e para isso enfrentam as mais absurdas situações.
Numa pacata cidadezinha rural no norte da Finlândia acompanhamos o jovem desajustado Turo (Johannes Holopainen) que trabalha em um hospital psiquiátrico como faxineiro, ele e seus três amigos Pasi (Max Ovaska), Lotvonen (Samuli Jaskio) e Jyrki (Antti Heikkinen) cansados de tocar covers decidem compôr algo original, mas não é algo simples e fácil, já que tudo que começam a fazer se parece com outras coisas, ainda mais que Pasi é uma enciclopédia do metal e reconhece riffs sem esforço, aliás esse personagem encarna perfeitamente o estereótipo envolvendo o metal, desde o codinome, o corpse paint e a vibe melancólica e trevosa, já o baterista Jyrki é animado e sempre encara as situações como oportunidade, ele dá a maioria das ideias, mas é o baixista Lotvonen que tem o insight da música quando no matadouro de renas de seu pai escuta o estraçalhar do animal passando pela máquina. A obra-prima então é composta, "Flooding Secrations", aí gravam uma demo e numa chance que aparece do nada e muito loucamente a dão para Frank (Rune Temte), o organizador de um festival na Noruega, o sonho de tocar lá parece que irá se realizar e a fofoca se espalha pela cidadezinha e todos começam a bajulá-los, os meninos ficam famosos entre os habitantes e até desbancam o cantor pop mais famoso do local, Jouni Tulkku (Ville Tiihonen), eles são convidados a abrir o show para ele, só que Turo é muito inseguro e vomita, o que acaba sendo depois sua marca registrada. A banda é nomeada "Impaled Rektum" e o estilo é denominado como "metal sinfônico pós-apocalíptico de trituração de renas e guerra pagã extrema abusadora de Cristo", uma clara sátira aos tantos subgêneros dentro do metal, e é isso o tempo todo, uma história divertida e movimentada sobre uma banda de uma cidade caipira que sonha tocar num festival na Noruega e para isso enfrentam as mais absurdas situações.
Chega um ponto em que eles precisam pegar a estrada e tentar de todas as maneiras chegar à Noruega mesmo não sabendo se poderão tocar, depois de muitas loucuras e inesperados acontecimentos, como o maluco do hospital psiquiátrico que Turo trabalha no lugar de Jyrki, eles roubam a van de Jouni e partem, no caminho passam por episódios absurdos incluindo explosões e terminam a viagem num barco viking. Claro que o grand finale é o show e a surpreendente apresentação. É uma viagem em todos os sentidos e a história garante ação, diversão e uma enorme dose de metal, para apreciação do todo com certeza é necessário ter o gosto pela cultura do heavy metal.
"Heavy Trip" tem um enredo divertido e todos os personagens possuem características simpáticas e até ingênuas, e o lado maldito que acompanha o metal se torna engraçado, uma surpresa agradável vinda da Finlândia, país famoso pela exportação de inúmeras bandas e também pelo grande apoio e amor à música pesada. Que venham mais filmes destinados ao metal!
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Eutanásia (Armomurhaaja)
"Eutanásia" (2017) dirigido por Teemu Nikki (Lovemilla - 2015) é um filme finlandês não só perturbador pelo que aborda, a eutanásia em animais, mas também pelas ações dos seus personagens e, principalmente, pelo seu tom com um humor obscuro e incômodo. Aos mais sensíveis, assim como eu em relação ao assunto gera desconforto, mas não deixa de ser interessante e seu andamento vai modificando a maneira com que enxergamos o protagonista, reflexões acerca de justiça, carma, violência, solidão e a relação de humanos e animais surgem em doses bem amargas.
O ganha-pão de Veijo (Matti Onnismaa) é um bocado peculiar: em uma região pobre e insalubre, seu trabalho é executar animais de rua indesejáveis ou bichos de estimação cujos donos não conseguem custear mais os devidos cuidados. Contudo, o sigilo de sua rotina e de seus quase religiosos rituais de eutanásia são ameaçados quando ele conhece uma jovem enfermeira e um mecânico com inclinações neonazistas. Petri Kettu tem um problema com seu cachorro e tenta matá-lo, porém, não consegue e contrata Veijo para fazer o serviço. O único problema é que Veijo não mata cães saudáveis.
Antes de Veijo aceitar o trabalho precisa ter a certeza que o animal está sofrendo de alguma doença, ele faz tipo um raio-x no dono e o interpreta no mesmo momento em que entra em sua oficina, ele possui uma conexão intrigante com os animais e consegue entender como foi a estadia até ali com o seu dono, Veijo julga e então parte para a ação, claro que é triste ver essa situação, porém os humanos são egoístas e o filme faz questão de exemplificar de um jeito cru e simples. A história tem um peso, um drama duro e o tom um tanto singular de humor faz com que isso se amplifique e um certo negativismo impere diante do ser humano.
Veijo é atormentado por seu passado e prefere agir conforme as suas próprias regras dentro de uma sociedade corrupta e desumana, é difícil ficar do seu lado, mas conforme o desenrolar percebemos que ele é o único que realmente pensa. Outro personagem que se sobressai nessa trama é Petri - interpretação potente de Jari Virman - ele é desprezível, insano, covarde e ignorante, está para ser aceito em um grupo neonazista e para isso precisa provar que possui realmente ódio dentro de si e cometer atos violentos, cansado de sua cadela por ela ser vira-lata decide por um fim nela, mas não consegue e a leva para Veijo, que identifica que está saudável, mas ainda sim fica com ela porque Petri certamente não é o dono ideal para uma cadela tão amável e companheira.
Veijo sente aversão às pessoas e acredita no carma e que o sofrimento precisa ser bem administrado, quando alguém aparece para sacrificar seu animal ele fala exatamente o que a pessoa não quer ouvir nesse momento, traça o perfil e o como foi a vida daquele animal. Ele também se desentende com a veterinária que só está afim de dinheiro e nada faz para os que precisam. Muitas pessoas adotam e compram animais imaginando que eles os divertirão quando quiserem, que ficarão quietinhos quando quiserem, que preencherão algum tipo de deficiência emocional, esquecem-se de respeitar as necessidades da espécie e, principalmente, de não ignorá-los quando precisarem, é triste essa relação de tê-los como brinquedos e preenchedores de vazio. Veijo entende isso e não suporta o ser humano, toda vez que alguém vai apelar para ele de algum modo incute o sofrimento para que compreendam que para toda ação existem consequências.
Outra personagem que ganha forma é a enfermeira Lotta (Hannamaija Nikander), que cuida do pai de Veijo, que para ele está cumprindo seu carma por algo ruim que fez no passado e então prefere vê-lo na cama do hospital num sofrimento agudo, Lotta se interessa por Veijo, sua forma de encarar as coisas e por estar ligado à morte a deixa confortável para que um fetiche seu venha à tona. A construção desse relacionamento é estranho, ela é mais uma pessoa solitária e perturbada que busca nesse fetiche uma maneira de se sentir viva.
"Eutanásia" é brutal, mas também tem seu lado cômico, retrata atitudes repugnantes e relações doentias, o senso de moral do protagonista é questionável e a sensação que fica é de dor e desesperança. Particularmente o filme me atingiu, suas qualidades são inegáveis, mas foi certamente uma experiência conturbada.
terça-feira, 17 de abril de 2018
Girls Lost (Pojkarna)
"Girls Lost" (2015) dirigido por Alexandra Therese Keining (Kyss Mig - 2011) é uma adaptação do romance sueco homônimo de Jessica Schiefuer, que traz o despertar da adolescência de uma forma inusitada e poética, a fantasia é uma bela aliada para nos inserir em variados temas que rodeiam o universo das três garotas que passam por transformações e autoconhecimento, o amadurecimento surge com pitadas de deslumbramento e o clima sombrio caracteriza a dor que cada uma sente para se encontrar e se aceitar. A obra enche os olhos tanto visualmente como em sua narrativa que capta a essência de todas as questões do desabrochar.
Kim (Tuva Jagell), Bella (Wilma Holmén) e Momo (Louise Nyvall) são três amigas inseparáveis muito incomodadas pelos seus colegas de classe. Uma noite, após outro dia ruim na escola, elas ficam bêbadas e decidem provar do misterioso néctar que escorre de uma flor. Após passarem mal logo ao inserirem o líquido, elas acordam horas depois como meninos. Intrigadas com a mudança de seus corpos elas decidem explorar o mundo dos homens e desenvolvem autoconfiança. Porém, as emoções se transformam em perigo à medida que uma das três desenvolve uma forte ligação com sua nova identidade e inesperados sentimentos surgem.
Numa pacata cidade da Suécia três meninas estão se descobrindo enquanto lidam com o bullying na escola porque seus colegas acreditam que elas sejam lésbicas, são alvos de chacota e violência todos os dias e isso faz com que cada vez mais se unam, um dia Bella recebe uma planta, ela possui um lindo jardim em sua casa e adora estudá-las, mas essa é especial e floresce do dia para a noite, encantadas bebem do néctar que as fazem se transformarem em meninos. Em corpos masculinos usufruem da liberdade e saem, se juntam a outros garotos, jogam bola, e Kim, especialmente, se sente atraído por Tony (Mandus Berg), que é totalmente desconectado e vive de modo perigoso. Esse acontecimento mágico deu a Kim uma nova percepção de si e quando passou o efeito da planta percebeu que precisava voltar a sentir aquilo, ao contrário de Momo e Bella que encarou somente como uma aventura, a situação de Kim fica bastante preocupante, pois além de lidar com a confusão de não saber o que se passa consigo mesma, parte para uma vida sombria e arriscada perto de Tony, que ao lado de Kim percebe algo diferente e como não consegue encarar age com desprezo e violência. São variados os temas que o longa aborda, abarca o universo juvenil perfeitamente e expõe os conflitos de uma forma pontual, a amizade, o bullying, o despertar sexual, a identidade de gênero, o amadurecimento e a aceitação de si próprio.
Numa pacata cidade da Suécia três meninas estão se descobrindo enquanto lidam com o bullying na escola porque seus colegas acreditam que elas sejam lésbicas, são alvos de chacota e violência todos os dias e isso faz com que cada vez mais se unam, um dia Bella recebe uma planta, ela possui um lindo jardim em sua casa e adora estudá-las, mas essa é especial e floresce do dia para a noite, encantadas bebem do néctar que as fazem se transformarem em meninos. Em corpos masculinos usufruem da liberdade e saem, se juntam a outros garotos, jogam bola, e Kim, especialmente, se sente atraído por Tony (Mandus Berg), que é totalmente desconectado e vive de modo perigoso. Esse acontecimento mágico deu a Kim uma nova percepção de si e quando passou o efeito da planta percebeu que precisava voltar a sentir aquilo, ao contrário de Momo e Bella que encarou somente como uma aventura, a situação de Kim fica bastante preocupante, pois além de lidar com a confusão de não saber o que se passa consigo mesma, parte para uma vida sombria e arriscada perto de Tony, que ao lado de Kim percebe algo diferente e como não consegue encarar age com desprezo e violência. São variados os temas que o longa aborda, abarca o universo juvenil perfeitamente e expõe os conflitos de uma forma pontual, a amizade, o bullying, o despertar sexual, a identidade de gênero, o amadurecimento e a aceitação de si próprio.
Kim fica dependente do néctar, ela se identifica como menino e quando volta para a "realidade" como menina se sente fraca e padece com a figura que se mostra ao espelho, Bella cuida da flor que adoece e, Momo, que é apaixonada por Kim faz de tudo para acalmar a amiga, ela vai atrás de Kim quando percebe que está se perdendo ao seguir Tony, um garoto perigoso e que não sabe lidar nem um pouco com os seus desejos e usa da violência como escape. A elucidação sobre identidade de gênero é maravilhosa e recorre a elementos e diálogos belíssimos, que mesmo cercados por uma aura de fantasia são claros e precisos, os efeitos utilizados na transformação corporal das meninas hipnotizam, assim como o clima sombrio e sua trilha sonora que segue esse tom, como as canções de Fever Ray, "Keep The Streets Empty For Me" e "Now's The Only Time I Know".
"Às vezes sinto que tenho um zíper. Se fosse valente o bastante para abrir haveria outra pessoa por baixo. Meu verdadeiro eu."
"Girls Lost" é uma obra sensível que retrata com primor o despertar da adolescência e com originalidade disserta sobre orientação sexual, e principalmente, identidade de gênero - a dificuldade de se aceitar e lidar com a própria imagem, a agonia de se olhar no espelho e não se reconhecer e a árdua tarefa de lidar com as pessoas ao redor. O sofrimento até atingir a autoconfiança e, por conseguinte, a liberdade de si é um caminho longo e doloroso. Criativo na abordagem, é um filme que surpreende em todos os quesitos, essencial a todos!
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
O Outro Lado da Esperança (Toivon Tuolla Puolen)
"O Outro Lado da Esperança" (2017) dirigido por Aki Kaurismäki (O Porto - 2011) tem estilo único e é rico em elementos, a mescla de drama, comédia e música dá muito certo e marca pela sinceridade e sensibilidade, sempre com temas atuais e frágeis da sociedade, a maneira que seu roteiro se desenrola, as situações e as reações das pessoas, tudo com um toque de humor irônico e muita música, e que bom gosto musical tem esse diretor! O filme não foge do peso do tema, refugiados que pedem asilo na Europa, e demonstra apuro e inteligência mostrando os lados, estereótipos e identidade. É simples, despojado e transfere uma sensação de melancolia e acolhimento.
Khaled (Sherwan Haji) fugiu da guerra na Síria e foi buscar asilo na Europa. Depois de percorrer vários países, solicita a permissão de estadia na Finlândia. Enquanto espera pela resposta, busca pela irmã desaparecida, e consegue a ajuda de um pequeno comerciante, Wisktröm (Sakari Kuosmanen), que aceita empregá-lo em seu pequeno restaurante.
Khaled fugiu do caos que assola seu país, a Síria, após muito percorrer pelos mais diversos países acaba desembarcando sem querer na Finlândia, o humor é um grande aliado do roteiro e os personagens tem tons caricatos e frios, mas isso é mais que positivo, encaixa-se perfeitamente, só que o clima melancólico permeia também a narrativa, o personagem perdeu toda a sua família e procura pela única irmã, determinado Khaled busca ajuda e asilo ao país, cujo tem fama de ser igualitário. As cenas de entrevista são ótimas e demonstram perfeitamente a situação calamitosa dos refugiados, enquanto o outro lado escuta e anota friamente sem estabelecer qualquer vínculo. Khaled não conhece outro sentimento a não ser dor e tristeza, vive de forma apática e quando o colega do abrigo lhe diz que precisa ser mais simpático não entende o que ele quer dizer, ou quando diz não entender piadas, os intervalos musicais refletem a solidão de Khaled e do outro lado, apesar de distantes compartilhando do mesmo sentimento está o carrancudo Wisktröm, que no decorrer demonstra afeição e humanidade. Wisktröm sem uma palavra arruma suas coisas e larga sua esposa bêbada, em um jogo de poker ganha uma boa quantia e compra um restaurante, uma nova vida está a caminho, mas não é fácil manter os clientes, para isso recebe a ajuda de seus três funcionários, as mudanças constantes de fachadas e identidade culinária são extremamente irônicas e marcam a confusão e o problema de adequação. Depois de delinear esses dois personagens tão diferentes, mas próximos em seus sentimentos o encontro se dá de forma até bruta, porém Wisktröm se rende e cria empatia por Khaled. Wisktröm escolhe se isolar dos demais, já Khaled é refém do isolamento, a situação parece improvável e até forçada, só que a mistura dos elementos e a forma que os personagens reagem e conduzem as situações transforma o filme em algo especial, há candura em meio a tanta dor e solidão.
Somente um diretor como Kaurismäki consegue equilibrar comédia e drama com fineza, um tema tão pesado narrado com tanta despretensiosidade e carinho. É agridoce, denso, irônico, crítico e esteticamente peculiar, sem deixar de mencionar a trilha sonora diegética que cria e insere emoção, os diálogos pontiagudos que refletem a atualidade, a questão de se sentir refém das escolhas dos outros, de não pertencer a nenhum lugar, de não darem o devido valor a sua história, de ser apenas mais um, tudo contribuindo para a desistência e a nulidade. O olhar de Khaled invade nosso ser, por detrás de toda a sua languidez existe um oceano de tristeza, mas também de gentileza e amor.
"O Outro Lado da Esperança" é direto em sua abordagem e retrata os absurdos dos mecanismos da sociedade, Khaled é impassível ao fazer o relato de sua situação, ele conta os detalhes das atrocidades e da confusão de não saber quem ataca quem e porquê, a sua peregrinação, a violência de todos os lados, grupos anti-imigração, neonazistas e etc, a busca pela irmã e enquanto isso espera miseravelmente a possível aprovação de estadia, e entre muitos percalços conhece Wisktröm, que lhe fornece abrigo, trabalho e como não há outra forma, a ilegalidade. Pode parecer ingênuo acreditar que no meio de tanta violência, barreiras e rótulos haja um pouco de compaixão, acolhimento e dignidade, mas sabe-se que em algum lugar reside a esperança, senão do que vale estar vivo e persistir com tanta coragem como Khaled?
domingo, 31 de dezembro de 2017
10 Melhores Filmes de 2017
As listas dos melhores do ano estão pipocando por aí e muitos filmes são unanimidades entre elas, mas sempre um ou outro fica de fora, a quantidade de longas com qualidade lançados esse ano foi grande e infelizmente não dá para assistir todos, então garimpando os filmes que vi desse ano selecionei 10 que merecem o posto na lista, são obras primorosas e que garantem satisfação ao espectador. A lista foi concebida por puro gosto e experiência pessoal e está em forma de Ranking.
10- "Em Ritmo de Fuga" (Baby Driver, de Edgar Wright) EUA
O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: ele precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Mesmo assim, o rapaz revela-se um motorista excelente, e começa a trabalhar para uma gangue de criminosos. Quando um assalto a banco não sai como planejado, ele cai na estrada em fuga.
"Baby Driver" já nasceu cult, um filme estiloso cheio de referências e que passeia entre a ação, romance e muita música, tecnicamente impecável e atores inspirados, super empolgante!
09- Mãe! (Mother!, de Darren Aronofsky) EUA
Um casal vive recolhido no meio de um campo em um imenso casarão de estilo vitoriano. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.
"Mother!" não é um simples suspense ou terror psicológico, é um filme complexo de muitas camadas que passeia por diversas metáforas e alegorias. Um obra grandiosa que disserta sobre religião, culto aos ídolos, moralismo, narcisismo, natureza, feminilidade e tantos outros temas que se desnovelam ao decorrer e que cada espectador sentirá, absorverá e interpretará de uma forma, as questões são amplas e isso é algo maravilhoso, o poder de reflexão é imenso.
08- "Peles" (Pieles, de Eduardo Casanova) Espanha
Em uma sociedade extremamente tomada pela cultura do visual, pessoas com diferenças físicas curiosas são forçados a se esconder, se tornando reclusas entre elas. Dentre elas estão Samantha, uma mulher com o sistema digestivo de cabeça para baixo, Laura, uma menina sem olhos e Ana, que possui o rosto deformado. Juntas, esforçam-se para se encontrar em uma sociedade que só entende uma forma física e maltrata o diferente.
"Pieles" é original, desconcertante, poético, interessantíssimo e provoca o espectador o tempo inteiro ao colocar protagonistas com deficiências físicas e emocionais. É um drama social sombrio com pessoas deformadas e desfiguradas que precisam encontrar maneiras de esconder suas diferenças e lidar com o resto da sociedade. Uma obra sincera que desconstrói e atinge pelo bizarro, nada mais que um espelho da realidade.
07- "O Sacrifício do Cervo Sagrado" (The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos) EUA/UK
Steven (Colin Farrell) é um cardiologista conceituado que é casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos: Kim (Raffey Cassidy) e Bob (Sunny Suljic). Já há algum tempo ele mantém contato frequente com Martin (Barry Keoghan), um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven. Ele gosta bastante do garoto, tanto que lhe dá presentes e decide apresentá-lo à família. Entretanto, quando o jovem não recebe mais a atenção de antigamente, decide elaborar um plano de vingança.
"The Killing of a Sacred Deer" desconcerta e intriga tanto em sua estética fria e robotizada, quanto em seu roteiro com desenrolar lento e repleto de pontas, é uma experiência única assistir os filmes de Lanthimos, que mesmo produzindo fora de seu país continua com suas estranhas características, quanto mais se pensa no filme mais coisas surgem e mais interessante fica. E que interpretação de Barry Keoghan!! Desconcertante!
06- "Bom Comportamento" (Good time, de Ben e Josh Safdie) EUA
Após um malsucedido assalto a banco, Constantine Nikas (Robert Pattinson) vê seu irmão mais novo (Bennie Safdie) sendo preso e embarca em uma odisseia no submundo da cidade em que vive, numa tentativa cada vez mais desesperada e perigosa para tirar seu irmão da prisão. Ao longo de uma noite repleta de adrenalina, Constantine encontra-se em uma onda de violência e caos enquanto ele corre contra o relógio para salvar seu irmão e ele mesmo, sabendo que suas vidas estão por um fio.
"Good Time" é um filme que consegue transmitir toda a ansiedade e loucura para o espectador, o protagonista interpretado maravilhosamente por Robert Pattinson nos instiga a percorrer junto dele por uma alucinante noite e sentir todas as vibrações que advém de uma série de situações-limite. Grande surpresa!
05- "A Ghost Story", de David Lowery - EUA
Um rapaz C (Casey Affleck) recentemente morto retorna para o seu lar em forma de um fantasma de pano branco para tentar se reconectar com sua esposa M (Rooney Mara) ainda viva.
"A Ghost Story" é uma obra indie de baixo orçamento (cerca de 100 mil dólares) melancólica, intimista, complexa e extremamente bela. Seu formato com enquadramento 4:3 e bordas arredondadas compõe as sutilezas desta história que disserta sobre o tempo. O ritmo pausado com planos fixos e longos, os movimentos delicados da câmera, o clima imersivo, tudo soa profundo e reflexivo. Contemplativo, sensorial e hipnotizante, disserta sobre nossa permanência no tempo com muita melancolia.
04- "The Square", de Ruben Östlund - Suécia
Um gerente de museu está usando de todas as armas possíveis para promover o sucesso de uma nova instalação. Entre as tentativas para isso, ele decide contratar uma empresa de relações públicas para fazer barulho em torno do assunto na mídia em geral. Mas, inesperadamente, isso acaba gerando diversas consequências infelizes e um grande embaraço.
"The Square" expõe uma perspectiva crítica à elite cultural europeia, em especial, a sueca, e disserta o como a arte vem sido repelida ao invés de provocar curiosidade, questões como os limites e o vazio das obras, há uma crise dentro desse universo e mesmo que a história gire em torno da sociedade europeia, percebemos que o sentido da arte contemporânea anda sendo questionado no mundo todo, além disso coloca em ênfase a contradição, enquanto uma obra em exposição sugere solidariedade, colaboração e empatia, os atos são completamente opostos, onde retrata uma população solitária, vazia e sem qualquer traço de cuidado com o outro.
03- "O Outro Lado da Esperança" (The Other Side of Hope, de Aki Kaurismäki) Finlândia
Khaled (Sherwan Haji) fugiu da guerra na Síria e foi buscar asilo na Europa. Depois de percorrer vários países, solicita a permissão de estadia na Finlândia. Enquanto espera pela resposta, busca pela irmã, desaparecida, e consegue a ajuda de um pequeno comerciante, Wisktröm (Sakari Kuosmanen), que aceita empregá-lo em seu pequeno restaurante.
"The Other Side of Hope" é um filme simples, despojado e que transfere uma sensação de melancolia e acolhimento, o estilo de Kaurismäki é único, sempre com temas atuais e frágeis da sociedade, a maneira que seu roteiro se desenrola, as situações e as reações das pessoas, tudo com um toque de humor irônico e muita música, e que bom gosto musical tem esse diretor!
02- "O Fantasma da Sicília" (Sicilian Ghost Story, de Antonio Piazza e Fabio Grassadonia) Itália
Giuseppe (Gaetano Fernandez) é um corajoso garoto de 13 anos de idade, que desapareceu nas mediações de uma misteriosa floresta localizada na pequena aldeia em que vivia. A única pessoa que parece não se conformar com o sumiço dele é a pequena Luna (Julia Jedlikowska), que está disposta a enfrentar todos os perigos para resgatar seu amigo.
"Sicilian Ghost Story" é um filme belíssimo em que imagens traduzem sentimentos, extremamente poético se desenrola de forma sutil, porém avassaladora, trata com cuidado um tema tão pesado e nos leva para uma atmosfera tensa e imaginativa, sua aura de sonho contamina e impregna na pele, totalmente imersivo!
01- "Loveless" (Nelyubov, de Andrei Zvyagintsev) Rússia
Boris (Alexey Rozin) e Zhenya (Maryana Spivak) estão se divorciando. Depois de anos juntos, os dois se preparam para suas novas vidas: ele com sua nova namorada, que está grávida, e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho Alyosha (Matvey Novikov), que acaba desaparecendo misteriosamente.
"Loveless" é um filme sombrio que retrata as consequências de se viver em desamor, essa ausência de afeto está tanto dentro do seio familiar, como na sociedade que apequena o ser humano tornando-o preocupado e obcecado com regras e dinheiro. Zvyagintsev filma o desencanto que envolve a sociedade russa, o ambiente é um grande personagem também, o frio congelante que devasta os bosques é o reflexo da languidez e indiferença humana, o apuro da câmera ao atravessar esses lugares destruídos logo no início é um prenúncio de que algo muito ruim irá acontecer, e assim se dá e o vácuo que se instaura machuca o espectador. Filmaço!
sábado, 26 de agosto de 2017
20 Filmes de Vingança
Segue a lista de filmes que tem como tema a vingança, onde as histórias primam por roteiros intrigantes, inúmeros filmes ficaram de fora, pois quis evidenciar os menos conhecidos ou glorificados.
"A vingança agrada a todos os corações ofendidos; (...) uns preferem-na cruel, outros generosa". (Pierre Marivaux)
A natureza em cena. Verão tardio. Um pequeno lago na floresta. Nenhuma pessoa. Silêncio. Não muito longe, a recém-construída casa habitada pelo casal Robert e Susanne. Vivem uma vida comum como outras pessoas. Enquanto isso, em Viena. Vida noturna, luzes vermelhas no bairro, mundo de prostituição. Ali, o dinheiro é lei. Muitas pessoas têm trabalhos que claramente as deixam em dificuldades. Como Alex e Tâmara. Ela é uma prostituta vinda da Ucrânia. Ele, o chefe que ganha dinheiro do jeito errado. São amantes, mas têm um segredo. Como empregados não têm direito de se envolver afetivamente, esperam escapar e para isso precisam de dinheiro. Alex planeja um roubo a banco numa pequena cidade do campo. Tudo acontece conforme o planejado, até que o policial Robert aparece. Ele dispara alguns tiros e acerta a jovem mulher. Desesperado, Alex deixa o corpo numa clareira da floresta.
A fotografia é lindíssima, vemos tudo acontecer em meio aos troncos de árvores, desde a chegada de Alex ao lugarejo em que seu avô mora, quando ele resolve se vingar de Robert, e logo após suas descobertas externas e internas. Saiba+
A fotografia é lindíssima, vemos tudo acontecer em meio aos troncos de árvores, desde a chegada de Alex ao lugarejo em que seu avô mora, quando ele resolve se vingar de Robert, e logo após suas descobertas externas e internas. Saiba+
19- "The Dressmaker" (2015) Austrália
Uma atraente mulher (Kate Winslet) retorna à sua cidade natal na Austrália rural. Com sua máquina de costura e estilo haute couture, ela transforma as mulheres e demanda a doce vingança de quem não acreditou em seus feitos. Acompanhamos o retorno de Myrtle "Tilly" Dunnage a sua peculiar aldeia em algum lugar do deserto australiano, o ano é de 1951, e ela volta com a intenção de mostrar para aquelas pessoas que conseguiu vencer na vida e que eles ainda continuam com suas vidinhas miseráveis. Saiba+
18- "O Cidadão do Ano" (Kraftidioten - 2014) Dinamarca/Noruega/Suécia
Nils vive em Beitostølen, é casado com Gudrun e tem um filho chamado Ingvar, que acaba de começar a estudar em Oslo. Ele é um homem feliz aos 45 anos de idade, e trabalha como motorista de arado, responsável por manter a estrada do condado sobre Valdresflya livre de neve. Ele foi recentemente escolhido como Cidadão do Ano da cidade e está ansioso para a aposentadoria e para ter netos, o que seria uma vida totalmente despreocupada. Um dia ele recebe um telefonema dizendo que seu filho morrera de overdose. O luto pela perda de Ingvar se transforma em escuridão e vingança, e de repente Nils se coloca no meio de uma guerra contra as drogas. O paraíso bonito e calmo do inverno de Beitostølen é transformado em uma zona de guerra de fogo.
17- "Haider" (2014) Índia
Um jovem retorna à Caxemira após o desaparecimento de seu pai para vingar-se do tio, o homem que teve um papel essencial no destino de seu pai.
Versão indiana de "Hamlet", a adaptação é inovadora e ousada, os diversos gêneros dão a possibilidade de vermos a história por vários ângulos. Haider ao chegar em sua terra natal para procurar seu pai está quieto, retraído, mas ao ver sua mãe e seu tio em uma cena suspeita ele se revolta e enlouquece, e ao descobrir mais e mais coisas a sua sede de vingança vai aumentando. Saiba+
16- "The Salvation" (2014) Dinamarca
Na América de 1870, um pacífico colono americano mata o culpado por assassinar sua família, o que desperta a fúria do líder de uma famosa gangue local. Os covardes moradores da cidade traem sua confiança e delatam sua localização e plano para o bandido. Sozinho, ele é forçado a caçar a gangue com as próprias mãos. A trama é simples e não há rodeios, ela gira em torno da vingança que Jon (Mads Mikkelsen) deseja executar. Saiba+
15- "Os Lobos Maus" (Big Bad Wolves - 2013) Israel
Uma série de assassinatos brutais coloca as vidas de três homens em rota de colisão: O pai da vítima mais recente agora em busca de vingança, um detetive da polícia que trabalha fora dos limites da lei, e o principal suspeito dos assassinatos - um professor de estudos religiosos preso e liberado devido a um erro técnico da polícia.
Cumpre o papel de ser um thriller e alivia dando o tom de humor negro, a vingança vai desde a marteladas nos dedos, unhas dos pés arrancadas e queimaduras de maçarico. Vai-se intercalando cenas desconfortáveis com doses engraçadas e absurdas. Saiba+
Cumpre o papel de ser um thriller e alivia dando o tom de humor negro, a vingança vai desde a marteladas nos dedos, unhas dos pés arrancadas e queimaduras de maçarico. Vai-se intercalando cenas desconfortáveis com doses engraçadas e absurdas. Saiba+
14- "Eu Vi o Diabo" (Akmareul Boatda - 2010) Coreia do Sul
A noiva de um agente secreto é morta por um serial killer. Cego pela fúria, ele começa a investigar os possíveis suspeitos do crime, até finalmente identificar o culpado. Mas, ao invés de matá-lo, resolve pôr em prática uma terrível e lenta vingança.
A história de vingança é brutal, sangrenta, mas completamente justa. O diretor Jee-woon Kim nos dá duas longas horas e meia de cenas impressionantes e avassaladoras. Saiba+
A história de vingança é brutal, sangrenta, mas completamente justa. O diretor Jee-woon Kim nos dá duas longas horas e meia de cenas impressionantes e avassaladoras. Saiba+
13- "Bedevilled" (Kim Bok-nam Salinsageonui Jeonmal - 2010) Coreia do Sul
Hae-Won, trintona da cidade que após ter vivido várias complicações na sua vida cotidiana, decide retirar-se por um tempo na ilha remota onde costumava passar férias em criança com os seus avós. Uma vez chegada ao destino, reencontra Bok-Nam, uma mulher com quem teve uma amizade de infância. Mas Hae-Won rapidamente percebe que Bok-Nam vive um autêntico pesadelo na ilha.
12- "Pieta" (2012) Coreia do Sul
Kang-do trabalha cobrando empréstimos devidos a agiotas. Sem família, ele vive um cotidiano brutal e solitário, empregando métodos violentos para extorquir suas vítimas. Tudo muda quando ele é abordado por uma mulher que afirma ser sua mãe.
"Pieta" dirigido pelo mestre Kim Ki-Duk faz alusão à escultura mais conhecida de Michelangelo, onde Jesus morto está nos braços da Virgem Maria. O diretor, conhecido por seus filmes em que o silêncio é o grande protagonista, nos traz dessa vez uma história cruel, de vingança, em que o filho é o alvo principal. Saiba+
11- "O Mundo de Kanako" (Kawaki - 2014) Japão
Quando o romance de Fukamachi tornou-se um best-seller em 2004, muitos no Japão o consideraram muito lúgubre para uma adaptação no cinema. Mas o diretor Nakashima não ficou facilmente assustado com o conteúdo perturbador da misteriosa e sangrenta história que envolve a investigação de um ex-policial em desgraça e sobre o desaparecimento de sua distante filha. A primeira vista Kanako era uma menina exemplar, porém o pai descobre que ela possuía uma vida secreta e obscura.
10- "Confissões" (Kokuhaku - 2010) Japão
No último dia de aula em uma escola, a professora se despede dos alunos e diz que não mais voltará a lecionar. Ela ainda faz uma afirmação: sua filha de apenas quatro anos de idade, que supostamente morreu afogada na piscina da própria escola, na verdade foi assassinada por dois estudantes daquela classe. Antes mesmo de alguém se pronunciar, sem meias palavras a professora anuncia que está prestes a se vingar.
O que se vê é a transformação de uma pessoa calma e passiva numa mulher de sangue frio. Um thriller surpreendente tecido através, como sugere o título, de confissões feitas pelos personagens que pouco a pouco vão nos dando informações necessárias para entendermos o que, de fato, está acontecendo. Saiba+
O que se vê é a transformação de uma pessoa calma e passiva numa mulher de sangue frio. Um thriller surpreendente tecido através, como sugere o título, de confissões feitas pelos personagens que pouco a pouco vão nos dando informações necessárias para entendermos o que, de fato, está acontecendo. Saiba+
09- "A Garota da Fábrica de Fósforos" (Tulitikkutehtaan Tyttö - 1990) Finlândia
Uma moça que trabalha em uma fábrica de fósforos leva uma vida frustrante em uma casa com a mãe e o padrasto que ou a ignoram ou abusam emocional e fisicamente dela. Ela acredita que sua vida está prestes a mudar quando encontra um homem bem-sucedido e se apaixona por ele, mas o relacionamento dos dois não será nem perto do que ela esperava.08- "A Hora e a Vez de Augusto Matraga" (2015) Brasil
Baseado no conto homônimo do livro "Sagarana", do escritor Guimarães Rosa, o filme narra a história de Augusto Matraga (João Miguel), fazendeiro mineiro valente e mulherengo, à beira da falência, que ao buscar vingança por sua mulher tê-lo trocado por Ouvídio Moura (Werner Schunemann), quase morre após cair em uma emboscada armada pelos capangas do Major Consilva (Chico Anysio). "Renascido", depois de ter sido cuidado por um casal, Matraga dedica o resto da sua vida à sua fé e ao trabalho, esperando "sua hora e sua vez" chegar, até fazer amizade com o rei do sertão, Joãozinho Bem-Bem (José Wilker), e seu bando de jagunços. Saiba+
07- "O Lobo Atrás da Porta" (2013) Brasil
Numa delegacia, um homem (Milhem Cortaz), sua mulher (Fabíula Nascimento) e a amante dele (Leandra Leal) são interrogados. Arrancados pacientemente pelo detetive (Juliano Cazarré), um após o outro, seus depoimentos vão tecendo uma trama de amor passional, obsessão e mentiras que levará a um final completamente inesperado.
A complexidade da natureza humana é gigante, assim como a maneira de agir em certas ocasiões, principalmente quando envolve desejo, frustração e traição. Entender o que move o ser humano a tomar atitudes drásticas continua sendo uma incógnita. Saiba+
A complexidade da natureza humana é gigante, assim como a maneira de agir em certas ocasiões, principalmente quando envolve desejo, frustração e traição. Entender o que move o ser humano a tomar atitudes drásticas continua sendo uma incógnita. Saiba+
06- "Lady Snowblood" (Shurayukihime - 1973) Japão
Yuki, nasce dentro de uma prisão, e, desde seu primeiro minuto de vida, herda um legado obsessivo de vingança dos quatro malfeitores que mataram seu pai e estupraram sua mãe. Desde cedo ela é treinada em artes marciais, já crescida, sai em sua missão de vingança, armada com uma lâmina escondida no seu guarda-chuva.
05- "7 Dias" (Les 7 Jours du Talion - 2010) Canadá
Bruno Hamel é um cirurgião de 38 anos. Ele mora em Drummondville com a sua esposa Sylvie, e a sua filhinha Jasmine de 8 anos. Como muitas pessoas felizes, ele vive uma vida normal e cotidiana até um fim de tarde, quando sua filha é estuprada e assassinada. Daí em diante o mundo da família Hamel desmorona. Quando o assassino é preso, uma terrível ideia surge na mente perturbada de Bruno. Ele planeja capturar o "monstro" e fazê-lo pagar por esse crime. No dia que o assassino aparece no tribunal, Hamel, que havia preparado o plano em detalhes, sequestra o monstro e logo após, envia à polícia uma breve mensagem dizendo que o estuprador e assassino de sua filha seria torturado por 7 dias e então executado. Após concluída a sua missão, ele então se entregaria.
04- "O Presente" (The Gift - 2015) EUA
Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) casaram há pouco tempo e estão muito felizes até o dia em que ele reencontra Gordo (Joel Edgerton), um colega de escola. Um segredo do passado dos dois vem à tona e Robyn se sente cada vez mais insegura perto do companheiro.
Um filme estimulante, muito bem construído e com ótimas pitadas de sarcasmo. Ele trata de bullying, ganância, arrogância, mentiras e vingança. O suspense se mantém durante todo o filme e surpreende em seu final. Saiba+
Um filme estimulante, muito bem construído e com ótimas pitadas de sarcasmo. Ele trata de bullying, ganância, arrogância, mentiras e vingança. O suspense se mantém durante todo o filme e surpreende em seu final. Saiba+
03- "Relatos Selvagens" (Relatos Salvajes - 2014) Argentina
Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. São seis episódios com pessoas vivendo situações-limite e respondendo violenta e inesperadamente a elas: uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.
As seis crônicas urbanas são recheadas de vingança, humor negro, e há muita paixão no modo com que são expostas. Não tem como ficar indiferente a elas, mesmo que uma ou outra seja menos interessante ou impactante, a fórmula utilizada é sem dúvidas envolvente e o filme realmente merece muitos elogios. Como o título sugere a trama oferece relatos de selvageria humana, explosões de raiva, desejo de vingança, ações um tanto questionáveis permeadas por um humor cáustico. Saiba+
As seis crônicas urbanas são recheadas de vingança, humor negro, e há muita paixão no modo com que são expostas. Não tem como ficar indiferente a elas, mesmo que uma ou outra seja menos interessante ou impactante, a fórmula utilizada é sem dúvidas envolvente e o filme realmente merece muitos elogios. Como o título sugere a trama oferece relatos de selvageria humana, explosões de raiva, desejo de vingança, ações um tanto questionáveis permeadas por um humor cáustico. Saiba+
02- "Tudo por Justiça" (Out of the Furnace - 2013) EUA
Russell Baze (Christian Bale) trabalha em uma usina e mora com o pai (Bingo O. Malley), que enfrenta sérios problemas de saúde, e o irmão mais novo, Rodney (Casey Affleck), que lutou na Guerra do Iraque. Um dia, Russell se envolve em um acidente de carro onde uma criança acaba falecendo, o que faz com que seja preso. Ao sair ele retoma a vida de antes, trabalhando novamente na usina. Entretanto, Rodney se recusa a levar a mesma vida do irmão e do pai. Querendo ganhar dinheiro, ele passa a fazer lutas clandestinas e acaba se envolvendo com um homem violento e bastante perigoso: Harlan DeGroat (Woody Harrelson). Um longa que prima por uma história simples e direta.
01- "White God" (Fehér Isten - 2014) Hungria
Um conto visionário entre uma espécie superior e os seus desgraçados inferiores… Privilegiando os cães de raça, uma nova lei impõe uma taxa pesada sobre as raças cruzadas. Os donos passam a abandonar seus cães e os refúgios ficam rapidamente superlotados. Lili, 13 anos, luta para proteger o seu cão, Hagen, mas seu pai acaba abandonando o animal nas ruas. Hagen e a sua dona procuram desesperadamente um ao outro, até que Lili perde as esperanças. Lutando para sobreviver, Hagen percebe depressa que nem todo mundo é o melhor amigo do cão. Ele junta-se a um bando de cães errantes, mas é capturado e enviado para um canil. Mesmo sem esperança de sobrevivência, os cães aproveitam as oportunidades para escapar e se revoltarem contra a humanidade. A sua vingança será implacável. Nesse cenário, Lili pode ser a única pessoa que pode pôr fim a esta guerra inesperada entre o homem e o cão.
É uma alegoria provocativa e reflexiva, uma obra singular e que tem em seu elenco canino uma força de expressão gigantesca, a revolta e a vingança contra o ser humano que domina e se julga superior foi bem representada por eles. Saiba+
É uma alegoria provocativa e reflexiva, uma obra singular e que tem em seu elenco canino uma força de expressão gigantesca, a revolta e a vingança contra o ser humano que domina e se julga superior foi bem representada por eles. Saiba+
Assinar:
Postagens (Atom)

















































