Mostrando postagens com marcador Épico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Épico. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
O Rei (The King)
"O Rei" (2019) dirigido por David Michôd (Reino Animal - 2010, Flesh and Bone - 2015) é um drama épico livremente baseado em eventos históricos e adaptado da peça Henrique V, de Shakespeare. Uma produção poderosa que passa por intrigas de poder políticas e familiares com violência, beleza e questionamentos.
Após a morte de seu pai, Henrique V (Timothée Chalamet) é coroado rei, obrigado a comandar a Inglaterra. O governante precisa amadurecer rapidamente para manter o país consideravelmente seguro durante a Guerra dos 100 Anos, contra a França.
Uma ótima surpresa, tanto em seu visual como na condução, é um filme que enche os olhos, mas que também promove reflexões acerca de todo o emaranhado provocado pela ânsia de poder. Acompanhamos a decadência do rei (Ben Mendelsohn), uma figura cruel e do qual o filho que o sucederá rejeita, então o rei deixa claro que a coroa será do outro filho que possui o desejo de ascender de maneiras não tão inteligentes, mas acaba que depois da morte do rei e do filho mais novo Henry é coroado, este que antes vivia uma vida simples de boêmio junto de seu fiel amigo e antigo cavaleiro Falstaff (Joel Edgerton). Todos os personagens possuem características marcantes e se entrelaçam numa trama permeada de intrigas, negociações e artimanhas, Henry é completamente avesso aos planos de guerra e se distancia do pai justamente por isso, mas quando se torna rei se depara e é obrigado a pensar nessas questões e fica de frente a difíceis decisões e cujas pessoas que o rodeiam não são confiáveis, o jogo de poder vai acontecendo e seu processo de amadurecimento é confuso e solitário, sua posição não lhe permite amizades sinceras, em meio a tantas desconfianças ele nomeia Falstaff como seu marechal e na decorrência dos fatos vai se tornando numa pessoa dura e amarga, tão próximo da figura do pai que tanto detestava. O magnetismo de Chalamet impressiona e a ótima interação entre os personagens o torna um épico diferente em que o peso das escolhas tem muito mais ênfase do que qualquer ação e violência, apesar de que as sequências de embates são incríveis e denotam também grande carga dramática, não só a estética prevalece, há uma gama de questões envoltas.
Vale ressaltar a ótima participação de Robert Pattinson como Delfim, o príncipe herdeiro da França, sua personalidade excêntrica e vaidosa preenche a tela, assim como Sean Harris como o conselheiro do rei, Joel Edgerton como o único e leal amigo de Henry e até a pequena aparição de Lily-Rose Depp como Catarina, futura esposa do rei.
Vale ressaltar a ótima participação de Robert Pattinson como Delfim, o príncipe herdeiro da França, sua personalidade excêntrica e vaidosa preenche a tela, assim como Sean Harris como o conselheiro do rei, Joel Edgerton como o único e leal amigo de Henry e até a pequena aparição de Lily-Rose Depp como Catarina, futura esposa do rei.
O roteiro escrito pelo próprio diretor David Michôd em parceria com Joel Edgerton é bem estruturado e se revela como um poderoso thriller político juntamente com o amadurecimento de um jovem de ideais pacifistas que se vê obrigado a assumir a coroa e aconselhado a não se mostrar fraco inicia uma guerra desnecessária.
"O Rei" é um filme solene, retrata os bastidores do reino, as tramas, estratégias e negociações, a solidão e o tédio; a transformação. Todos os sentimentos são transmitidos pelo olhar de Henry, sempre pensativo e angustiado, as poucas cenas de embate são impecáveis e dolorosas, é rico na ambientação e inteligente no desenrolar.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
The King and the Clown (Wang-ui Namja)
"The King and the Clown" (2005) dirigido por Lee Jun-ik (Blades of Blood - 2010), um dos maiores sucessos de bilheteria na Coreia do Sul, é um filme elegante, sutil, porém ousado, e claro, belíssimo. Disserta sobre arte, amizade, amor, lealdade, loucura, poder e corrupção mesclando drama, comédia, ação, política e tragédia shakespeariana.
Baseado em fatos reais, a história se passa em plena dinastia Chosun – século 16, onde um grupo de artistas de rua, uma espécie de "trovadores", conseguem seu sustento entretendo as pessoas. Entre eles há um jovem, Gong Gil (Jun-ki Lee), cujos traços físicos e personalidade são extremamente femininos e por isso é vítima da luxúria de homens com poder. E por esse motivo seu grande amigo e protetor Jang Sang (Kam Woo-Sung), foge com ele para Seul. Ali conhecem mais três palhaços de rua e começam a satirizar o rei, até que um ministro vê e os leva presos ao palácio, sob pena de morte. Entretanto lhes é dado uma oportunidade: se com a sátira que faziam, conseguem fazer o rei sorrir, seriam libertados. Eles conseguem, mas o rei ordena que eles fiquem no palácio, para entretê-lo e cada vez mais o rei vai prestando atenção em Gong Gil.
Gong Gil e Jang-Sang se conhecem desde crianças, são inseparáveis, existe nesta relação uma afetividade e lealdade ímpar, os dois seguem fazendo números artísticos pelas aldeias, até que resolvem satirizar o rei Yeonsan (Jin-yeong Jeong). Eles criticam a exploração e a corrupção da corte e ao chegar aos ouvidos do rei são sentenciados à morte, mas por sorte aceitam o desafio proposto, apresentar o show ao próprio rei, satirizá-lo e conseguir que ele ria disso. Gong Gil, Jang Sang e mais os três palhaços fazem o que podem, mas só cometem deslizes de tão nervosos, quem salva a pele de todos é o excêntrico Gong Gil, que faz uma piada safada com seu colega e arranca risadas do rei maluco. Livres da morte, mas presos no palácio aos desejos do rei, Gong Gil acaba agradando e se aproximando do rei graças as suas feições femininas e histórias engraçadas. Ele é requisitado todas as noites pelo rei, o que ocasiona ciúmes em Jang Sang, que com o passar dos dias deseja sair de lá. Mas Gong Gil também sente algum afeto pelo rei, um triângulo amoroso se ergue, mas de modo sensível e velado.
A trupe encena todos os podres que acontecem no palácio, assuntos tensos do qual o rei nem sabe, mas que preocupam a corte, são revelações que podem abrir os olhos do rei mimado, então Jang Sang receoso com a situação planeja fugir, só que Gong Gil resiste por sentir pena do rei e agora ter uma vida longe da miséria e violência, isso tudo abala Jang Sang.
O filme traça a questão política da época magistralmente e traz o teatro como meio de evidenciar toda a mentira vivida dentro do reino e a calamidade em que o povo vivia, as encenações são primorosas, impossível não se encantar com os números. As atuações são sensíveis e gloriosas, a dupla Jun-ki Lee, que vive o andrógino Gong Gil e Kam Woo-sung como o amável Jang Sang passam todo o sentimento de amizade e lealdade com sutilezas e poesia. Destaque também para a forte atuação de Jin-yeong Jeong como o obcecado e louco rei Yeonsan.
"The King and the Clown" é visualmente deslumbrante, o figurino colorido e a ambientação fascinam, além de toda a teatralidade incorporada à história, a arte denunciando as falcatruas, revelando através do falso, a realidade. Uma obra bonita que mistura vários elementos, diverte, emociona, faz refletir e evidencia sentimentos puros com sensibilidade e originalidade. Filmaço!
quinta-feira, 30 de março de 2017
O Traidor (Gansin)
"O Traidor" (2015) dirigido por Min Kyu-Dong é um épico erótico coreano estonteante que passeia por temas interessantes e complexos, uma trama que traz política, loucura, prazer e vingança.
No início do século XVI, a Coreia está sob o domínio do rei Yeonsan (Kim Kang-woo), um déspota psicótico e manipulado que por pura crueldade mata os responsáveis pela morte de sua mãe. Ele aponta seu velho amigo Im Soong-Jae (Ju Ji-Hun) e seu pai para a posição de detentor. Eles são, então, pedidos para reunir belas mulheres de todas as partes do país para o prazer de Yeonsan. Mulheres são levadas independentemente do seu estado civil ou classe social, o que provoca uma revolta generalizada. Dan-Hee (Lim Ji Yeon) é uma mulher bonita, mas ela é uma açougueira de classe mais baixa. Ela salva Im Soong-Jae do perigo e, em seguida, pede-lhe para levá-la para o palácio. Im Soong-Jae recusa por suas próprias razões pessoais. No entanto, Dan-Hee logo entra no palácio. Im Soong-Jae se torna conflituoso e o rei cobiça a bela Dan-Hee.
Segue-se uma série extenuante de testes e competições entre as milhares de concubinas, tudo para que a ganhadora seja a melhor amante, são sequências bizarras onde as escravas sexuais fortalecem suas vaginas, ensaiam posições, comem comidas exóticas, etc. Enquanto isso algumas articulações são planejadas no reino, duas meninas são favoritas, Dan-Hee, a selvagem açougueira que guarda alguns segredos e Seol Joong-Mae (Lee Yoo-young).
Im Soong-Jae se apaixona por Dan-Hee e então ele começa a pensar e muda toda a sua maneira de agir, mas a garota tem outros interesses, planeja e aguarda seu momento com paciência. O filme contém cenas deslumbrantes e quebra todos os tabus sexuais, a perversão do rei é impressionante, aliás, Kim Kang-woo o interpreta com todo o extremismo necessário, debochado, violento e ao mesmo tempo com um quê de melancolia.
A luxúria e a perversidade estão muito presentes, mas o fato de ter um pano de fundo histórico acrescenta um maior peso ao filme, toda a questão política está envolvida, a corrupção em todos os níveis possíveis.
Esteticamente é deslumbrante, são quadros perfeitos, coloridos e atraentes, as cenas em que Dan-Hee dança com a espada são excepcionais. Várias tomadas ganham nossa atenção pelo visual, porém a narrativa por vezes tumultuada não deixa a desejar e cria situações cada vez mais insanas com cada personagem tendo seus próprios motivos.
"O Traidor" é extravagante, passeia por vários gêneros e cria-se um cenário caótico de prazer e loucura sem nenhum tipo de pudor, é depravado e terrível, além de carregar uma gama de questões políticas e morais. Filmaço!
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
Mimosas
"Mimosas" (2016) do diretor franco-espanhol Oliver Laxe (Todos São Capitães - 2010) é um épico místico impressionante, mesmo não o compreendendo por inteiro exerce um fascínio inexplicável, é difícil colocar em palavras a sensação causada.
Acompanhamos a jornada de um Sheikh idoso e moribundo que viaja através do Atlas marroquino em uma caravana, escoltado por dois bandidos, para cumprir o último desejo de sua vida. O caminho é tortuoso, pedregoso e no meio da caminhada o mestre sufi Sheikh acaba falecendo. Ahmed (Ahmes Hammoud) e seu amigo Said (Said Aagli) se oferecem para levar o corpo à cidade de Sijilmasa, claro que com intenções de tirar algo de valor. Em outro mundo além do espaço-tempo, Shakib (Shakib Ben Omar) recebe a missão para que encontre Ahmed e seu amigo com o corpo do Sheikh e os conduzir até o destino previsto, além de tentar restabelecer a fé de Ahmed. Mas, inúmeros contratempos surgem nesta empreitada e Shakib se vê desesperado e precisando tomar decisões.
O filme é dividido em três episódios intitulados com rituais de oração: Reverência, Elevação e Prostração. Shakib é uma espécie de anjo enviado do futuro para auxiliar a caravana a seguir sua jornada e chegar a seu destino, Ahmed estava acompanhando o Sheikh com intenções de roubar, porém com o passar dos dias entre tantas adversidades seus sentimentos são testados, ele é um homem sem fé que necessita de algum modo ultrapassar as barreiras do caminho, a força da natureza é filmada magistralmente.
O caminho é traiçoeiro e praticamente intransitável, entre terrenos montanhosos, desfiladeiros, muita neve e cursos de água torrenciais testam a todo o tempo a força desses homens, além disso, aparecem uns fanáticos atirando, uma mistura de situações que acabam resultando no processo místico de se restabelecer a fé, o que nada tem a ver com religião, pois é preciso ter fé para conseguir obter coragem e transpor seus limites, Shakib não esperava encontrar tantas dificuldades e por isso fica perdido, porém sempre se volta para sua fé e enxerga dentro de si o que precisa ser feito. Este é um personagem confuso, tem um quê de enigmático e pueril, a cena em que é apresentado ele está a falar sobre um conto curioso sobre Deus e o Diabo, deveras interessante observá-lo em toda a peregrinação e sua interação com os outros, principalmente com Ahmed.
É um filme intenso com muitas camadas e interpretações, talvez pela distância cultural o exotismo produza a fascinação, a paisagem é deslumbrante, o trabalho de fotografia de Mauro Herce é belíssimo e hipnotizante, o desenvolvimento é lento e por vezes embaralhado, mas é uma experiência cinematográfica única.
Os personagens enfrentam em meio a jornada dilemas morais, perguntas são feitas, vida e morte, fé e destino, porém nenhuma delas são respondidas. Imergimos dentro deste cenário, observamos os rostos cheios de dúvidas, ações estranhas advindas de situações inesperadas, outros personagens surgem dando mais significado à trama. O épico místico de Oliver Laxe tem um quê de faroeste, é um filme com uma narrativa sinuosa, cenas suntuosas e atores amadores com um desempenho surpreendente.
"Mimosas" é daquelas raras produções que conseguem causar efeitos duradouros, impossível não se encantar de algum modo, seja pela história, paisagem, personagens, ou a aventura mística pela cordilheira do Atlas marroquino.
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Michael Kohlhaas - Justiça e Honra (Michael Kohlhaas)
"Michael Kohlhaas" (2013) dirigido por Arnaud des Pallières (Parc - 2007) é uma adaptação da obra homônima, lançada em 1810, de Heinrich Von Kleist, onde aborda questões políticas da época, as injustiças cometidas pela nobreza e também pela igreja. O tema é a honra e retrata que a linha que separa a justiça da vingança é muito tênue, o bom cidadão na ânsia de reparar a sua dignidade não demora a ser corrompido pela maldade.
No século XVI, na região de Cévennes, no centro-sul da França, vive o vendedor de cavalos Michael Kohlhaas (Mads Mikkelsen). Ele tem uma vida tranquila e próspera, até sofrer uma grande injustiça de um nobre poderoso. Michael, homem religioso e íntegro, não vai medir esforços para conquistar novamente sua honra, mesmo que seja preciso iniciar uma guerra por todo o país.
O barão (Swann Arlaud) que diz ter permissão da rainha quer que Kohlhaas entregue a seus homens dois de seus melhores cavalos como garantia, já que ele não tem documentação para entrar nas terras, logo fica sabendo que foi enganado e que seu amigo Cesar (David Bennent) foi atacado pelos cães do barão, ao reaver seus animais os encontra em um estado deplorável, indignado recorre à justiça, mas o barão usa de sua influência e vence o caso, Kohlhaas sente a necessidade de ter sua honra restaurada e quando decide apelar para a rainha, sua esposa dá a ideia de que ela vá e peça, já que diante de uma outra mulher, talvez compreenderia a situação. Mas dá tudo errado e sua esposa é assassinada, aí Kohlhaas cego por todas as injustiças monta um exército e vai à guerra.
Por onde ele passa deixa rastros de morte, o que era para ser apenas a recuperação de seu sustento, desencadeia numa luta de classes. Em dado momento os homens de Kohlhaas não sabem mais porquê estão lutando, fica evidente que a exagerada vontade dele vencer é algo pessoal e não necessariamente tratar das representações de poder.
A violência chama a atenção da princesa que propõe anistia, mas com a condição de que cessem o caos. Desfaz o exército, porém o descontrole já havia sido instaurado e mais uma vez se vê envolto em intrigas e traições, quando menos espera é preso e o desfecho surge de maneira dúbia, conseguindo a tão almejada justiça para si e sua filha, a devolução de seus cavalos em estado impecável, mas ao mesmo tempo condenado à morte.
"Você vive tanto pelo amor como pelo medo que você inspira. Se inspirar apenas medo todo mundo despreza você. Só o amor, é sinal de fraqueza."
Mads Mikkelsen como Kohlhaas é magnífico, contido e ambíguo, uma figura imponente que desperta sentimentos variados. Friamente observamos as suas ações, honra e justiça acaba se tornando apenas vaidade.
A narrativa é lenta e tensa, as cenas enfatizam a beleza do local e mesmo sendo uma obra simples tem um quê de épico. Kohlhaas coloca tudo a perder em busca de vingança, um meio de acabar com as injustiças do império. O protagonista se vê em dúvida em muitos momentos sobre suas decisões e segue até o fim nessa dualidade.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
A Hora e a Vez de Augusto Matraga
"Sapo não pula por boniteza,
Mas porém por precisão." (provérbio capiau)
"A Hora e a Vez de Augusto Matraga" (2011) dirigido por Vinícius Coimbra (A Floresta Que se Move - 2015) é baseado no conto homônimo do livro "Sagarana", do escritor Guimarães Rosa, o filme narra a história de Augusto Matraga (João Miguel), fazendeiro mineiro valente e mulherengo, à beira da falência, que ao buscar vingança por sua mulher tê-lo trocado por Ovídio Moura (Werner Schunemann), quase morre após cair em uma emboscada armada pelos capangas do Major Consilva (Chico Anysio). "Renascido", depois de ter sido cuidado por um casal, Matraga dedica o resto da sua vida à sua fé e ao trabalho, esperando "sua hora e sua vez" chegar, até fazer amizade com o rei do sertão, Joãozinho Bem-Bem (José Wilker), e seu bando de jagunços.
A história já foi adaptada em 1965, dirigida por Roberto Santos, tanto essa primeira versão como a segunda são obras maravilhosas que evidenciam o povo sertanejo, a vivência rural, as lutas entre fazendeiros, a violência e o misticismo. Conhecido como Nhô Augusto e também como Augusto Matraga, João Miguel encarna perfeitamente um sujeito rude que é capaz de qualquer coisa, executa maldades por pura crueldade e não se importa com a sua fazenda que está arruinada e tão pouco com a mulher e a filha, haja vista a decadência do marido, dona Dionóra (Vanessa Gerbelli) decide ir embora com Ovídio Moura levando a filha Mimita, enquanto isso seus capangas colocam-se a serviço de seu inimigo Major Consilva Quim Recadeiro (Chico Anysio), restando o frouxo, mas fiel Quim (Irandhir Santos). Nhô Augusto sabendo disso resolve se vingar matando todos, no caminho é pego em uma emboscada pelos capangas do Major que o esfolam, mas no momento em que iam matá-lo se joga de um penhasco. Dado por morto, Quim inconsolável vai até a fazenda do Major buscar vingança, mas o coitado termina sendo morto. Contudo, Nhô Augusto é encontrado por um casal de negros velhos, a mãe Quitéria e o pai Serapião, que cuidam com paciência deste homem que aos poucos se recupera, mas agora ele é outro homem, aparentemente. Religioso, se submete ao trabalho duro, a penitências e a rezas, espera ser perdoado pelas suas crueldades e deseja ir para o céu encontrar com Deus. Nhô Augusto tem notícias de sua família, mas prefere ficar aonde está. Um dia, Nhô Augusto oferece estadia a Joãozinho Bem-Bem, jagunço de larga fama, acompanhado de seus capangas, faz tudo o que pode para agradá-los e vendo a destreza de Matraga, Joãozinho o convida para acompanhá-lo, mas ele recusa e prefere continuar só.
Recuperado, Augusto põe-se a viajar sem destino num jumento, ele sente que chegou a sua vez quando reencontra Joãozinho Bem-Bem e seu bando prestes a executar uma vingança contra um assassino que fugira. Neste momento ele opõe-se e começa a matar os capangas de Joãozinho, e no fim entra em um peculiar duelo.
"Sorte nunca é de um só, é de dois, é de todos…Sorte nasce cada manhã, e já está velha ao meio-dia…"
"A Hora e a Vez de Augusto Matraga" é um filme feito com minuciosidade, apuro e vigor, a estética é linda e captura nosso olhar a cada frame, a trilha sonora remete ao faroeste e complementa perfeitamente o clima da história. As magníficas interpretações de João Miguel e Irandhir Santos, este que o pouco que aparece se sobressaí, especialmente é de reverenciar, João se entrega e suas expressões nos conduzem a dualidade de sua alma, a transformação da qual passa é brusca, de um homem mal para religioso e passivo, ele é ambíguo, complexo. Brilha também José Wilker e Chico Anysio, ambos falecidos, foi o último trabalho deles no cinema. O filme ganhou diversos prêmios, mas teve alguns problemas burocráticos na distribuição e com alguns anos de atraso a produção chegou ao circuito comercial, mas sem grande visibilidade, infelizmente.
Fiel à prosa de Guimarães Rosa, é um deleite a sonoridade dos jogos com as palavras, o lúdico e mítico, os maneirismos expostos encantam e reverenciam a obra.
"A Hora e a Vez de Augusto Matraga" é irretocável, um belíssimo exemplar nacional que merecia ser exaltado pelo capricho que foi concebido.
"E tudo foi bem assim, porque tinha de ser, já que assim foi."
segunda-feira, 27 de junho de 2016
The Cut
"The Cut" (2014) dirigido por Fatih Akin (Do Outro Lado - 2007) é um filme intenso sobre o genocídio armênio, a saga do personagem em busca das filhas é penosa e melodramática.
Mardin, 1915: numa noite, a polícia turca vai atrás de todos os homens armênios na cidade, incluindo o jovem ferreiro Nazaret Manoogian, que acaba separado de sua família. Anos mais tarde, depois de ter conseguido sobreviver aos horrores do genocídio, ele ouve que suas duas filhas ainda estão vivas. Ele se fixa na ideia de encontrá-las e sai nessa missão. Sua busca o leva desde os desertos da Mesopotâmia e Havana até as pradarias áridas e desoladas da Dakota do Norte. Nesta odisseia, ele encontra uma gama de pessoas muito diferentes: personagens de bom coração, mas também o próprio diabo encarnado.
O filme faz um mergulho profundo no que foi esse capítulo da História turco-armênia, e que hoje em dia é um assunto considerado tabu na sociedade turca, o filme é um registro da crueldade e de todo o sofrimento desse povo, um trauma do qual precisa ser refletido.
Nazaret (Tahar Rahim) é um ferreiro que tem sua casa invadida em uma noite de 1915, deixando para trás a mulher e as duas filhas gêmeas. Junto com outros homens armênios, ele é obrigado a fazer trabalho pesado, construindo estradas como prisioneiro dos otomanos. Todos são tratados com violência e, quando a construção termina, sumariamente assassinados. O turco encarregado de cortar seu pescoço, condenado à prisão por roubo, consegue apenas romper suas cordas vocais, deixando-o mudo, então ele parte para sua jornada, é acolhido por um fabricante de sabão, encontra a cunhada à beira da morte em um campo de concentração e finalmente descobre que as suas filhas sobreviveram, e então vai atrás das duas em Cuba e depois nos Estados Unidos.
Tahar Rahim garante grande força a seu personagem, toda a sua expressão e carga emocional está explicitada em seus olhos, para ser entendido passa por inúmeras situações desagradáveis, mas também encontra seres humanos bondosos que o auxiliam na busca. O filme mescla História, drama, aventura e western com um ritmo bem regular, é dividido em capítulos que mencionam os períodos e locais envolvidos.
As cenas de violência sem dúvidas se sobressaem, o início do filme impacta, não que o desenrolar perca a força, mas o começo acaba impressionando e emocionando mais.
"The Cut" é didático, proporciona momentos visuais deslumbrantes e a trilha sonora composta por Alexander Hacke é marcante e condizente, principalmente a música que segue Nazaret o filme todo, além também de contar com a participação de Hindi Zahra no elenco, como a esposa de Nazaret, ela contribui com a bela canção "Everything To Get You Back".
O cinema de Fatih Akin é autoral, tem a característica de ultrapassar fronteiras geográficas e culturais. "The Cut" é a última parte de uma trilogia intitulada "amor, morte e diabo", a primeira parte é "Contra a Parede", 2004, a segunda, "Do Outro Lado", 2007. "The Cut" é um épico histórico/dramático muito bonito e importante, mas falha especialmente na confusão de idiomas, o protagonista fala em inglês quando está entre armênios, mas quando chega nos EUA não compreende a língua, mas não é algo que compromete o valor da obra. É um ótimo filme e fecha de forma magistral a trilogia de Fatih Akin.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
O Guerreiro Silencioso (Valhalla Rising)
"Valhalla Rising" de Nicolas Winding Refn (Drive - 2011) é um filme primoroso em todos os aspectos. Épico, hipnotizante e brutal.
A história se passa no século X. One Eye (Mads Mikkelsen) é um guerreiro mudo com forças sobrenaturais feito prisioneiro por Bardo (Alexander Morton), o cruel chefe de uma tribo. Tratado como um animal selvagem e mantido em condições deploráveis, ele é obrigado a participar em lutas mortais para diversão da população. Um dia, ajudado por Are (Maarten Stevenson), a criança que todos os dias lhe leva comida e água, mata os seus captores e escapa, levando Are consigo. Em fuga, os dois encontram Eirik (Ewan Stewart), o líder de um grupo de cruzados cristãos com destino a Jerusalém, que os acolhe. Durante a longa viagem pelos mares, em direção à Terra Santa, o navio onde seguem perde-se na neblina acabando por atracar num lugar sinistro. Ali, One Eye vai descobrir o mistério das suas origens e encontrar a redenção.
Dividido em seis capítulos, feito uma epopeia: Vingança, Guerreiro Silencioso, Homens de Deus, Terra Sagrada, Inferno e Sacrifício, é um longa para se apreciar cada detalhe, diferente dos épicos onde as batalhas são os grandes destaques, neste elas são rápidas e cruéis, o ar de mistério que envolve o protagonista causa fascínio ao espectador, o não saber nada sobre ele nos faz viajar em hipóteses, como por exemplo, pelas semelhanças, talvez seja Odin. É tudo rodeado por mistério, dúvida e medo do desconhecido, a mudança dos tempos é retratada de forma crua, gélida e silenciosa.
Mads Mikkelsen como One Eye carrega uma força, um poder assombroso sem dizer uma única palavra. É um guerreiro intrépido e invencível, sua aparência produz um efeito congelante e por muitas vezes vemos o como ele vê o mundo, sempre em tom vermelho, o que faz pensar no tanto de ódio que existe em si. Uma atuação impecável e muito diferente.
Não há muita ação, as cenas seguem lentamente e é preciso estar atento aos sinais, é um filme contemplativo, porém todas as vezes que a violência é inserida é de maneira brutal, selvagem. Destaque para a sequência em que os personagens se perdem rumo à terra santa, lugar que pensam ser deles por direito pelo fato de seguirem a cruz, a viagem parece interminável, as incertezas e o medo os engolem sob a forma de uma forte neblina, e quando finalmente chegam mais uma vez o desconhecido se faz presente. São atacados por uma tribo e pouco a pouco os personagens sucumbem.
"Valhalla Rising" é uma obra de arte, um deslumbre visual, onde há quadros perfeitos em que a natureza e o homem se encontram juntamente com um destino incerto.
Extremamente interpretativo, ele permite vários tipos de leitura, inclusive uma metáfora sobre o cristianismo. Nada é explicado e mastigado para quem o assiste. É preciso estar acostumado a este tipo de cinema e gostar do tema. O embate entre pagãos e cristãos, os conflitos entre as diversas etnias, a mitologia nórdica e todo o mistério que envolve a idade das trevas.
Deslumbrante em sua estética e interessante por sua abordagem,"Valhalla Rising" é para um nicho específico de espectadores. É para ser assistido mais de uma vez e se deparar com mais e mais simbolismos.
Um épico atípico e assombrosamente silencioso. É também uma amostra da versatilidade do talento de Mads Mikkelsen, ameaçador e destemido One Eye sem sombra de dúvidas é um de seus personagens mais intrigantes. E claro, mérito do diretor Nicolas Winding Refn, que sempre traz filmes diferenciados ao grande público.
"Valhalla Rising" tem elementos incríveis, mexe com o psicológico, principalmente pelas incertezas e o medo do desconhecido. Uma obra para ser vista com cuidado e com vontade!
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Deus Branco / White God / Fehér Isten
"Deus Branco" (2014) dirigido pelo húngaro Kornél Mundruczó (Delta - 2008) é um conto visionário entre uma espécie superior e os seus desgraçados inferiores... Privilegiando os cães de raça, uma nova lei impõe uma taxa pesada sobre as raças cruzadas. Os donos passam a abandonar seus cães e os refúgios ficam rapidamente superlotados. Lili (Zsófia Psotta), 13 anos, luta para proteger seu cão, Hagen, mas seu pai acaba abandonando o animal nas ruas. Hagen e a sua dona procuram desesperadamente um ao outro, até que Lili perde as esperanças. Lutando para sobreviver, Hagen percebe depressa que nem todo mundo é o melhor amigo do cão. Ele junta-se a um bando de cães errantes, mas é capturado e enviado para um canil. Mesmo sem esperanças de sobrevivência, os cães aproveitam as oportunidades para escapar e se revoltarem contra a humanidade. A sua vingança será implacável. Nesse cenário, Lili pode ser a única pessoa que pode pôr fim a esta guerra entre o homem e o cão.
O primeiro ponto a se destacar sem dúvida é o desempenho dos cães, principalmente do protagonista, sobra inteligência, sensibilidade e esperteza. O elenco canino está expressivamente perfeito. Todos vieram de uma sociedade protetora de animais e foram adotados pela equipe ao final do filme. O diretor usou dois labradores gêmeos, Luke e Body, para o papel de Hagen e vários treinadores ajudaram a ensaiar as cenas mais difíceis. O longa foge completamente dos clichês que envolvem histórias em que os animais são o foco, há alguns elementos parecidos, mas a mistura de gêneros prende o espectador, há drama, ação, aventura, pitadas de humor e suspense, mas o principal é a crítica embutida, o homem, o deus branco do título, que despreza as minorias por se julgar superior. Os cães são uma bela metáfora e representa todas essas minorias que também estão subordinadas ao poder do mais forte.
Vemos o mundo sob o olhar de Hagen que tem todo o amor e carinho por Lili, filha de pais divorciados e que de última hora precisa morar com o pai, um inspetor de matadouro. Ele é um homem mesquinho e que não aceita Hagen, ele é um cão mestiço e é preciso pagar uma taxa para a prefeitura. Todo o ressentimento que esse homem tem em si é descontado no cão, ele o abandona no meio da rua para o pavor de sua filha. Lili não desiste de seu amigo e inicia uma busca incansável que trará alguns problemas para sua vida. Daí em diante acompanhamos a trajetória de Hagen ao submundo, onde conhecerá o pior do ser humano. Enfrentando o medo, a multidão, veículos, à procura de alimento e constantemente o controle de agentes da zoonose, ele acaba encontrando um grupo de cães, do qual o acolhe. Mas não demora para que caia em mãos sedentas por dinheiro e violência. Aprisionado, Hagen é treinado para lutar em rinhas, e é aí que acontece uma grande mudança em sua personalidade, se torna cruel devido ao sofrimento que o homem o infligiu. A cena em que ele briga é tão violenta, tão forte, que o cão ao final parece refletir no que acabou se tornando.
Hagen acaba sendo capturado e enviado ao canil, onde o ápice de sua revolta acontece e a luta sangrenta dos cães contra os homens toma forma de fato, as ruas de Budapeste são tomadas por eles e até policiais de choque tentam contê-los. O complexo de superioridade do ser humano não tem limites, escravizam e excluem aqueles que julgam inferiores. O filme reflete essa questão de maneira interessante com cenas poderosas.
"Deus Branco" (alusão ao filme de Samuel Fuller, White Dog - 1982) é um filme corajoso ao retratar as mazelas da sociedade, desse humano que se julga o dono daqueles que não tem opção. Os cães foram uma ótima escolha, afinal o ser humano pensa que o animal é inferior, assim como faz com pessoas as classificando por características. Existe uma grande hierarquia, onde esse homem, o deus branco, está no topo e pensa ter o poder para dominar quem acredita estar abaixo.
É uma alegoria provocativa e reflexiva, uma obra singular e que tem em seu elenco canino uma força de expressão gigantesca, a revolta e a vingança contra o ser humano que domina e se julga superior foi bem representada por eles.
A mistura de gêneros, assim como a trilha sonora tem efeitos positivos, e destaque tanto para a cena de abertura quanto a que finaliza, são sublimes, majestosas.
Um filme que contém uma forte crítica ao ser humano que se julga um Deus e que por isso age cruelmente contra aqueles que pensa ser inferior.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
O Físico (Der Medicus)
"O Físico" (Der Medicus - 2013) é a adaptação do famoso livro de Noah Gordon, é uma excelente história que discute a medicina na idade média e todos os percalços de um jovem que em prol do conhecimento científico foi contra a religião. É um romance saboroso repleto de fatos sobre a medicina num cenário efervescente. Antes de colocar o meu parecer sobre o longa, quero enfatizar algo que se discute muito desde o lançamento do livro aqui no Brasil, que é a tradução do título. Pois bem, The Physician = O Médico, assim como Der Medicus, em alemão. Mas, creio que a tradução que não foi ao pé da letra não esteja errada, apenas utilizaram uma palavra anacrônica, no que cabe muito bem ao clima da história, na idade média os médicos eram chamados de físicos. Antigamente a medicina não era considerada uma profissão e a viam como algo espiritual, não havia o lado científico. Para muitos a dúvida sobre a tradução ainda continua, é interessante dar uma pesquisada sobre a medicina na idade média e a etimologia da palavra físico. Rob Cole, o grande personagem da história aos poucos foi descobrindo seu dom e o aperfeiçoando, ou seja, era algo que estava ínsito em seu ser.
É um livro muito difícil de se adaptar, existem várias fases, personagens e cenários, todos muito importantes para o contexto da obra. Não tem como a linguagem cinematográfica se aprofundar, talvez uma minissérie poderia colocar ênfase em todas as partes, vemos passar rápido a grande jornada, os aprendizados sobre o judaísmo e outras coisas mais, porém, ainda continua sendo interessante e satisfatório. Principalmente, para quem leu o livro é uma história muito vívida. Outro ponto positivo é que a adaptação não foi feita por Hollywood, o que nos poupou dos grandes vícios que rodeiam as adaptações literárias. O alemão Philipp Stölzl nos deu um épico luxuoso e muito suculento.
Rob J. Cole é um menino pobre com muitos irmãos, ele é mais velho e por isso cuida dos mais novos. Sua mãe está prestes a dar a luz novamente, certo dia sente as contrações, mas após o nascimento do bebê percebe que há algo errado, pois não consegue se restabelecer. Rob ao colocar as mãos em sua mãe capta que a vitalidade dela está indo embora. Esse é o primeiro indicio de seu dom. Aos nove anos Rob está sozinho no mundo, até que ele conhece Barber (Stellan Skarsgård), um Barbeiro-Cirurgião, do qual lhe dá abrigo e o leva para trabalhar consigo, entre espetáculos, a venda de elixires e a utilização de métodos médicos.
Rob aprende tudo muito rápido e logo deseja saber mais. Ao levar seu mestre em um médico judeu para operar a catarata, implora para que ele o ensine, mas o judeu se nega a ensinar alguém fora de sua religião. Ao perguntar onde ele conseguiu tais conhecimentos, o judeu lhe diz que foi na Pérsia, por um admirável homem chamado Ibn Sina, o médico dos médicos. Infelizmente para Rob, que era cristão, seria impossível sua admissão na Madrassa. Rob fica tão fascinado que decide partir, e aí acompanhamos sua jornada até a Pérsia, da qual enfrenta muitos males e transformações. O filme dá uma avançada nesta parte, acompanhamos ele já saindo de um navio após meses e o trajeto no deserto, onde conhece uma linda mulher, tudo parece terminar quando acontece uma tempestade de areia. Mas, logo seus sonhos começam a florescer de novo.
O romance entre ele e Rebecca (Emma Rigby), destoou bastante em relação ao do livro, particularmente achei sem sal nem açúcar. O que importa é a grandiosa parte em que ele se encontra com Ibn Sina (Ben Kingsley), e começa a estudar e desenvolver seu dom para a medicina.
Rob necessitava saber como era o corpo humano por dentro e clandestinamente o fez, a igreja, a mesma que matou milhares, via isso como uma difamação. A ciência teve que enfrentar muitos bloqueios da religião para poder crescer. Enquanto o Oriente possuía a intelectualidade e avanços, o ocidente em razão do cristianismo ficava cada vez mais pra trás. Hoje em dia ainda vemos grandes impasses, temos tecnologia e conhecimentos de sobra, porém ainda há dificuldades, um exemplo é o caso das células-tronco.
O filme dá asas à nossa imaginação, nos conta fatos históricos em boas doses de aventura. É uma história mágica que nos fisga pelos seus personagens e cenário. Interessante sua abordagem ao mostrar que para exercer a medicina precisa-se além de muito estudo, amor à profissão. É realmente um dom, é necessário sede de conhecimento e uma ampla visão.
Impecável, sedutor, uma história grandiosa e completa, para quem ainda não leu o livro de Noah Gordon sugiro que faça o quanto antes.
"O Físico" é um épico maravilhoso que abrange temas interessantes, é a velha briga entre ciência versus religião. Enriquece por sua narrativa e fascina por sua ambientação. Infelizmente o filme não teve destaque diante a abundância de lançamentos. É uma bela adaptação!
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
A Papisa Joana (Die Päpstin)
Baseado no best-seller escrito pela americana Donna Woolfolk Cross sobre a lendária história da única mulher que teria sido Papisa, entre os anos 885 e 858 DC.
Johanna von Ingelheim (Johanna Wokalek), nascida na pobreza numa época de trevas, onde ser mulher era quase uma maldição, usou de todos os esquemas para poder dar azo à sua sede de conhecimento: ensinada pelo irmão Matthew a ler com apenas seis anos, cedo acaba por ser escolhida pela escola religiosa na Catedral de Dorstadt, onde se torna a única menina estudante. Mais tarde conhece o afeto em Gerold (David Wenham), que a acolheu como filha em sua casa, mas cuja relação, com os anos se transforma em amor. Depois de ser obrigada a casar, acaba por fugir e, disfarçada de homem, entra para o mosteiro de Fulda, onde durante vários anos, esconde a sua verdadeira identidade, tornando-se Johannes Anglicus. Através dos seus grandes conhecimentos de medicina tradicional, conquista o respeito e confiança de todos e, assim seguindo caminho para Roma acaba por salvar a vida do papa (John Goodman), de quem se torna íntima e confidente. Guardando o terrível segredo sobre a sua verdadeira identidade, termina por ascender a pontífice máximo da igreja católica, mas o reencontro com Gerold ditará o seu trágico destino.
Se é fato ou lenda, pouco importa, o incrível do filme é mostrar a religião e o seu poder perante as pessoas, as intolerâncias e o machismo. E por mais que séculos se passem continuam a gerar burburinhos. No século IX não era tão incomum uma mulher se vestir de homem para poder adquirir conhecimento, ou apenas para aprender a ler e a escrever, já que as primeiras universidades eram administradas pelas igrejas, e estas barravam as mulheres. A história coincide com um período de grande confusão na diocese de Roma e Joana teria ocupado o cargo entre o Papa Leão IV e o Papa Bento II. Desde pequena Joana era muito curiosa, aprendeu latim com seu irmão, grego e filosofia com seu tutor, e com a mãe os nomes das ervas, no que mais adiante a ajudaria em medicina, pois foi posta para traduzir os livros de Hipócrates. Muito inteligente e astuta conseguiu se passar por Johannes Anglicus e residiu algum tempo em um mosteiro, onde seria descoberta por um bispo, e este a ajudado fugir.
Se estabelecendo em Roma depois de uma grande peregrinação, não demorou para que sua fama na arte de curar ficasse tão conhecida, deste modo foi chamada para tratar do papa Leão IV, que rapidamente se afeiçoou a Johannes, sua sinceridade e humildade o cativou e o nomeou como um porta-voz. Muitos estavam de olho e queriam o título de papa, e assim que ele morreu foi feita nova eleição, cada membro deu um nome, inclusive o de Johannes. O povo o escolheu, e devido a sua grande aproximação ficou conhecido como Papa Populi. Algum tempo depois acaba engravidando de Gerold, e apesar de ser fácil esconder a barriga por causa de suas vestimentas, foi diante a inúmeras pessoas, numa procissão, que sente as dores do parto, e seu segredo é revelado. Há algumas divergências sobre a descoberta e seu fim. Algumas versões dizem que foi apedrejada, e outras que morreu durante o parto enquanto o povo não acreditava no que via e alguns cardeais gritavam milagre.
Muitas coisas são questionáveis dentro da religião católica, várias histórias da bíblia podem se passar por meras ficções. Várias passagens são tão absurdas quanto surreais, não seria tão espantoso que uma mulher disfarçada de homem num período turbulento em Roma conseguisse conquistar o papado.
É um filme interessante e coloca em xeque várias questões que querendo ou não ainda continuam mesmo que mascaradas. O poder que a igreja detém sobre as pessoas e as obscuridades em torno.
"A Papisa Joana" segue em tons épicos com uma linda ambientação e um roteiro enxuto e competente. A personagem em todas as fases cativa, sendo assim se faz um longa curioso e muito questionador.
A Papisa foi imortalizada, no século XI, numa das cartas do Tarot de Marselha, representando a sabedoria, o conhecimento, a intuição e a chave dos grandes mistérios.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Vikings
"Vikings" é um seriado produzido pela History Channel, o tema já faz por merecer muitos créditos, e a abordagem dele no primeiro episódio apesar de rasa, sem muitas apresentações e dúvidas sobre as interpretações, já foi o suficiente para querer acompanhá-la. A série é desenvolvida por Michael First (The Tudors) e a ideia central é apresentar através de personagens fictícios o estilo de vida dos Vikings, suas conquistas, costumes, hábitos e misticismos.
Os Vikings eram bravos navegadores e guerreiros, hábeis artesãos e ousados comerciantes. Dedicavam-se à caça, ao comércio de peles, e sobretudo, à pirataria. Eram os melhores construtores de embarcações de toda a Europa da época. Seus navios, os drakkars, eram de madeira, com escudos pendurados nas armaduras e ornados na proa com carrancas de dragões ou serpentes, eram leves, velozes e fáceis de manobrar, sendo utilizados para o transporte, para o comércio e para a guerra. A causa principal das invasões era a escassez de alimentos, que forçava a busca de mais terras e novas fontes de renda, além disso, vários delitos eram punidos com o exílio. Os Vikings eram politeístas, sendo seus deuses ligados a natureza e relacionados a guerra, a agricultura e a fertilidade. Nas crenças Vikings não existiam dogmas, os ritos eram praticados na natureza, geralmente nos equinócios e solstícios, sem a necessidade de erigir templos. Destaca-se ao culto aos ancestrais e a magia. Sabendo de tudo isso é esperado que a série seja fiel a violência, a brutalidade e o espírito guerreiro desse povo. Podemos observar algumas cenas logo no início, mas sem muito impacto. É certo que é uma série interessante e com certeza prenderá a atenção de quem tem interesse pelo tema.
O personagem principal Ragnar (Travis Fimmel), um jovem que se considera descendente de Odin. Ele é um guerreiro e fazendeiro casado com Lagertha (Katheryn Winnick), uma mulher que fabrica escudos, com quem tem dois filhos pequenos. Visionário, ele sonha viver diversas aventuras e acredita que as riquezas estão além do mar Báltico (oeste).
O primeiro episódio "Ritual de Passagem" foca em Bjorn, filho de Ragnar, que está com idade suficiente para participar dos ritos. Bjorn deixa de ser um garoto para se tornar um homem e guerreiro. Para isso, ele deve passar um dia vivenciando acontecimentos importantes da região, como um julgamento que termina com uma decapitação. Ragnar tem o desejo de explorar o oeste contrariando as leis que sempre o mandam para o leste. Earl Haraldson (Gabriel Byrne), o cara que faz as leis do local não permite que Ragnar exponha suas ideias, mas ele e seu invejoso irmão Rollo (Clive Standen), decidem prosseguir com o plano e financiam a própria expedição, mas para isso precisam da ajuda de Floki, um excelente construtor de barcos.
Um dos pontos negativos é não ter usado o dialeto Viking, o início começa com um diálogo da língua local, mas logo é substituído pelo inglês com um sotaque forçado.
Os Vikings contribuíram muito para a inovação tecnológica, já no primeiro episódio é mostrado um instrumento que auxilia as viagens marítimas, uma espécie de relógio solar, esse instrumento funciona apenas quando o sol brilha no céu, mas quando ele não aparece a pedra do sol é utilizada, pois é capaz de detectar a luz, e assim continuar a navegar sem perder a direção. É por essas e outras tantas curiosidades que a série promete.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
O Egípcio, de Mika Waltari
"Falarei agora de Creta e do que vi acolá. Em parte alguma do mundo eu vi algo tão estranho e belo como Creta, por mais verdadeiro que seja haver eu viajado por todas as partes conhecidas. Assim como a espuma cintilante arrebenta na praia, como as bolhas fulguram em todas as cinco cores do arco-íris, como o reverso das conchas fulge expondo a madrepérola, assim Creta se ostentou diante dos meus olhos."
"O Egípcio" é uma excelente obra do escritor finlandês Mika Waltari, o livro nos conta sobre Sinuhe - médico do Faraó e narrador desta história. Abandonado quando criança, foi criado por pais adotivos. Tendo ingressado na corte do Faraó Amenhotep IV (Akhenaton), ele conhece uma mulher bela e ardilosa, por quem se apaixona de tal forma, que perde todos os seus bens e a própria dignidade, fugindo de seu país. Trava amizade com um dos comandantes do Faraó - Horemheb que dirige sua carruagem passando por cima das mulheres, crianças e velhos das terras conquistadas. Sinuhe se torna espião do exército egípcio, viajando então, para as terras da Babilônia, Creta e Síria. Desfilam inúmeros personagens descritos com perfeição, alguns dos quais dificilmente serão esquecidos: Nefer-nefer, com quem as modernas irmãs do pecado jamais poderiam competir, Minea, a virgem votada aos deuses, dançando nua diante dos touros sagrados, a rainha Nefertiti, cuja beleza física era perigosa em demasia por estar combinada com a malícia e a inteligência aguda, o escravo Kaptah Kaketamon, e a bela irmã do Faraó Akhenaton.
Intriga, morte, guerra, paixão, amor e luta religiosa são contados, enquanto Sinuhe vai revelando sua vida, ora radiante, ora desesperançada.
"O Egípcio" está repleto de segredos dos faraós e dos deuses. A política do Egito Antigo é desvendada nas seiscentas páginas desta incrível obra. A revelação da história real confunde-se com o romanesco, o que nos dá motivos de imaginar quase com perfeição como era e como vivia aquela misteriosa sociedade. É um livro completo em que as páginas nos transportam para algo riquíssimo.
Mika Waltari nos deslumbra ao retratar uma época tão distante. Vale a pena conferir seus outros títulos também: "O Etrusco", "O Anjo Negro", "O Aventureiro", "O Segredo do Reino" e "O Romano". Corrupção e valores humanos no Egito Antigo, este livro é uma joia rara!
Mika Waltari nasceu em Helsinki. Por muito tempo foi desconhecido fora da Finlândia, sua pátria, até o lançamento de "O Egípcio". Escreveu uma certa quantidade de peças teatrais, poemas e novelas, fazendo sucesso em seu país. Para fazer este livro ele empreendeu muitas pesquisas e, finalmente depois de 1945 ficou conhecido, sendo o livro traduzido em diversos idiomas.
terça-feira, 17 de julho de 2012
O Príncipe do Deserto (Black Gold)
"O Príncipe do Deserto" (2011) pode aparentar ser uma fábula fantasiosa devido ao título, mas não é bem assim, o título original "Black Gold" dá a deixa de uma história de ideologias e tradições. Não deixe esse filme passar despercebido.
Retratando a descoberta do petróleo em um tempo longínquo (o petróleo foi descoberto no Oriente Médio, área que mais contém o recurso disparadamente até hoje). Após terminar uma grande guerra, cuja Nassib (Antônio Banderas) acabou ganhando, ele aceita ficar com os filhos de Ammar (Mark Strong), até que a maioridade seja atingida a fim de selar um acordo de paz para que a ordem seja mantida. A única condição imposta foi que a terra chamada de "faixa amarela" entre os dois reinos não pertencentes a ninguém, continuasse daquela forma sem donos. O acordo então é selado. Anos se vão e o rei Nassib se vê em meio a uma epidemia de cólera e falta d'água, mas aí surge uma promessa de riqueza através do petróleo, só que este está na terra de ninguém, ou seja, justo na "faixa amarela".
Nassib aceitou que extraíssem petróleo, e daí começou a instabilidade com Ammar novamente. A briga entre eles é interessante, pois Nassib quer enriquecer seu povo, trazer alternativas mais modernas para a região, já Ammar se apega a suas tradições, dizendo que o dinheiro só traz desgraça e ambição ao ser humano. A religião islâmica é mostrada com respeito e de forma muito bonita, ao contrário do que vemos sempre, com seus fanatismos e fundamentalismos. Há um debate entre o novo e o velho, o que diz o Corão pode ser interpretado de diversas maneiras. Pode se enxergar a guerra, como também a paz, depende dos olhos e do coração de quem o lê.
Auda (Tahar Rahim) é o filho mais novo de Ammar deixado quando criança a Nassib como acordo. Inteligente, observador, sempre mergulhado em seus livros, se tornará um homem que liderará o futuro desta história. Suas mudanças em relação ao que acontece são bem naturais, revelando que há um líder dentro de si. Há também romance em meio a tudo isso, mas em nenhum momento torna o filme piegas ou melodramático. Antônio Banderas segura bem o seu personagem, ele é um revolucionário, tem ideias para o bem-estar de seu povo e com o lucro do petróleo consegue muitos benefícios, mas não se priva de comprar coisas para si. Não há vilões nesta história, apenas pontos de vista diferentes, não há o certo e o errado. Ammar interpretado pelo talentoso Mark Strong enfatiza o poder da tradição de seu povo, e cria bastante empatia, cheguei a concordar com vários aspectos citados por ele em algumas partes, sobre o capitalismo, o consumismo e toda a ambição criada pelo dinheiro.
"O Príncipe do Deserto" é um ótimo entretenimento e nos manda uma mensagem sobre lealdade, princípios, progresso, fé, e a tradição de um povo sempre visto como vilão.
"Se Alá não quisesse a prosperidade de nosso povo, porque então colocaria petróleo na nossa terra", esse é um dos questionamentos que Auda faz ao pai e ao povo que é contra as mudanças. Jean-Jacques Annaud nos traz um filme épico não convencional.
As mudanças depois da descoberta do "Ouro Negro", e os dogmas versus prosperidade, tudo isso contribui para ser um filme único, e também hipnotizante pela sua beleza paisagística, é incrível como o deserto pode ser fascinante e ao mesmo tempo tão cruel.
Retratando a descoberta do petróleo em um tempo longínquo (o petróleo foi descoberto no Oriente Médio, área que mais contém o recurso disparadamente até hoje). Após terminar uma grande guerra, cuja Nassib (Antônio Banderas) acabou ganhando, ele aceita ficar com os filhos de Ammar (Mark Strong), até que a maioridade seja atingida a fim de selar um acordo de paz para que a ordem seja mantida. A única condição imposta foi que a terra chamada de "faixa amarela" entre os dois reinos não pertencentes a ninguém, continuasse daquela forma sem donos. O acordo então é selado. Anos se vão e o rei Nassib se vê em meio a uma epidemia de cólera e falta d'água, mas aí surge uma promessa de riqueza através do petróleo, só que este está na terra de ninguém, ou seja, justo na "faixa amarela".
Nassib aceitou que extraíssem petróleo, e daí começou a instabilidade com Ammar novamente. A briga entre eles é interessante, pois Nassib quer enriquecer seu povo, trazer alternativas mais modernas para a região, já Ammar se apega a suas tradições, dizendo que o dinheiro só traz desgraça e ambição ao ser humano. A religião islâmica é mostrada com respeito e de forma muito bonita, ao contrário do que vemos sempre, com seus fanatismos e fundamentalismos. Há um debate entre o novo e o velho, o que diz o Corão pode ser interpretado de diversas maneiras. Pode se enxergar a guerra, como também a paz, depende dos olhos e do coração de quem o lê.
Auda (Tahar Rahim) é o filho mais novo de Ammar deixado quando criança a Nassib como acordo. Inteligente, observador, sempre mergulhado em seus livros, se tornará um homem que liderará o futuro desta história. Suas mudanças em relação ao que acontece são bem naturais, revelando que há um líder dentro de si. Há também romance em meio a tudo isso, mas em nenhum momento torna o filme piegas ou melodramático. Antônio Banderas segura bem o seu personagem, ele é um revolucionário, tem ideias para o bem-estar de seu povo e com o lucro do petróleo consegue muitos benefícios, mas não se priva de comprar coisas para si. Não há vilões nesta história, apenas pontos de vista diferentes, não há o certo e o errado. Ammar interpretado pelo talentoso Mark Strong enfatiza o poder da tradição de seu povo, e cria bastante empatia, cheguei a concordar com vários aspectos citados por ele em algumas partes, sobre o capitalismo, o consumismo e toda a ambição criada pelo dinheiro.
"O Príncipe do Deserto" é um ótimo entretenimento e nos manda uma mensagem sobre lealdade, princípios, progresso, fé, e a tradição de um povo sempre visto como vilão.
"Se Alá não quisesse a prosperidade de nosso povo, porque então colocaria petróleo na nossa terra", esse é um dos questionamentos que Auda faz ao pai e ao povo que é contra as mudanças. Jean-Jacques Annaud nos traz um filme épico não convencional.
As mudanças depois da descoberta do "Ouro Negro", e os dogmas versus prosperidade, tudo isso contribui para ser um filme único, e também hipnotizante pela sua beleza paisagística, é incrível como o deserto pode ser fascinante e ao mesmo tempo tão cruel.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Cavalo de Guerra (War Horse)
Baseado no romance War Horse do escritor britânico Michael Morpurgo, publicado em 1982, onde retrata a saga de um cavalo nascido em Devon, na Inglaterra, e vendido para lutar na primeira guerra mundial em 1914. Enviado a França contra à vontade de seu dono, um jovem inglês, fará de tudo para poder recuperá-lo novamente.
Um drama épico de um cavalo impetuoso, arrematado em um leilão por um homem simples, que reside em uma fazenda com sua esposa e filho. O garoto encantado pelo cavalo, propõem-se a domá-lo, e daí em diante nasce uma amizade leal, que seguirá até o final desta história.
O pai do garoto não tem como pagar a dívida e o aluguel da fazenda, então é obrigado a vender o cavalo às forças armadas inglesas, que está de partida para França.
O cavalo Joey nos emociona do inicio até o fim, e olha que são duas horas e meia de filme. A ideia de bravura que o cavalo passa durante o período da guerra, a inesquecível amizade que sente pelo seu carinhoso dono, e a vontade de retornar para sua casa, é o que torna tudo tão melodramático e extremamente bonito.
Amizade entre animais e humanos sempre nos comove, o final é tão bonito e singelo que é impossível não se emocionar.
Joey passa pelas mãos de diversas pessoas e ele encanta a maioria. Um dos episódios mais emotivos é quando ele sai correndo em busca de sua liberdade sem olhar para nada, na esperança de escapar do sofrimento da guerra sai arrastando os arames farpados contra o peito, e não suportando mais, se enrosca e cai. Os soldados veem algo se mexer no meio do nada, e identificam que é um cavalo, um homem corajoso levanta sua bandeira branca para poder ajudar, e quando chega lá, há um soldado rival que se propõe a ajudar também, colocando as diferenças de lado naquele momento os dois se unem pela compaixão por um animal.
Poderia citar outras partes, como quando o cavalo negro, que sempre esteve ao lado de Joey morre, e este não entendendo, coloca a pata em cima de seu amigo, por assim dizer, chamando-o. E quando seu dono cego pelo gás ouve que encontraram um cavalo, e o reencontro acontece, o reconhecimento de ambas as partes é de encher os olhos d'água.
Steven Spielberg é um mestre, e diferente de seus trabalhos anteriores, e já muito conhecidos, este não tem grandes efeitos especiais, se trata mais de uma produção que carrega em si uma grande carga emotiva.
Com um roteiro bem completo e desenvolvido, nos mostra que naquele cenário de guerra existiam pessoas que não partilhavam dos mesmos ideais, e através do animal os destinos daqueles homens se cruzaram, e a essência do ser humano veio à tona. Olhamos a história com os olhos do Joey, e vemos um belo conto de amizade e lealdade!
Assinar:
Postagens (Atom)






































