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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
A Incrível Aventura de Rick Baker (Hunt for the Wilderpeople)
"A Incrível Aventura de Rick Baker" (2016) dirigido pelo neozelandês Taika Waititi (O Que Fazemos nas Sombras - 2014) é um filme singelo e encantador, tem leveza ao abordar conceitos de família, vida, morte, natureza e liberdade, a jornada realmente é incrível, pois proporciona descobertas valiosas. O humor peculiar é um dos pontos fortes, é inteligente e sincero.
Baseado no livro "Wild Pork and Watercress" de Barry Crump, um casal de caçadores que vive numa remota fazenda na Nova Zelândia resolve depois de muitos anos de casados adotar um problemático garoto chamado Rick (Julian Dennison). Depois de um incidente na casa do casal, Rick decide se aventurar pela região, e para tal precisará da ajuda de seu tio / pai adotivo Hector (Sam Neill) para que sobreviva na mata.
Para Rick esta adoção é a última opção, se ele não se comportar o Estado toma a custódia e estará à deriva. Ele chega quieto e com a cara amarrada, mas Bella (Rima Te Wiata) é uma pessoa tão aconchegante que conquista o menino, aos poucos se sente em casa e vai expondo seu lado carente e pueril. Após a morte de Bella e ser supostamente rejeitado por Hector decide fugir para a floresta, o tio Hec apesar de ser ranzinza e não querer inicialmente criar vínculos com Rick vai atrás dele e os dois iniciam uma caminhada edificante cheia de obstáculos e descobertas. Enquanto eles fogem do serviço social encontram-se diante a liberdade. Esses dois personagens tão distintos desenvolvem uma forte relação, aos poucos e sem perceberem totalmente.
Alguns temas são expostos ao longo da trama, como aceitação e elos afetivos, simplesmente lindo o motivo de Bella querer adotar Rick. A liberdade que Rick encontrou junto a seu tio lhe abriu diversos horizontes, certamente uma evolução, pois quando chegou não havia perspectivas, mas nada como o amor, a compaixão e uma experiência em meio à natureza.
A aventura vivida por Rick Baker e seu tio é genuína e mesmo que seja surreal em algumas partes encanta e esbanja ternura, são personagens que despertam sentimentos bons e proporciona uma reavaliação de nossas próprias vidas, ao longo esquecemos de olhar com mais carinho para os outros e para nós mesmos, endurecemos perante acontecimentos ruins, por isso se permitir a uma jornada é sempre válido, ajuda a ressignificar a vida e valorizar o que importa de verdade. Nossa vida é tão curta e incerta. O filme delicadamente coloca em questão esses aspectos, as relações, as dificuldades, a superação, a vida, a morte, a aceitação de si mesmo, a reconexão com a natureza, e o amor e a compaixão.
A fotografia é esplendorosa, a beleza da Nova Zelândia é explorada nos detalhes e, portanto, garante uma fotografia de encher os olhos, os diálogos é outro ponto a se destacar, espertos e dotados de inteligência e sensibilidade.
Além dos protagonistas tem algumas aparições de personagens memoráveis, como a do próprio diretor interpretando um padre que faz um discurso excêntrico e outro é um maluco que eles encontram no caminho interpretado por Rhys Darby.
"A Incrível Aventura de Rick Baker" é um filme simples com uma aura leve, despretensiosa e um tom de comédia próprio de Taika Waititi, também carrega reflexões importantes sobre a vida e ainda nos presenteia com personagens encantadores e cenas inspiradíssimas.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Slow West
"Slow West" (2015) dirigido por John Maclean é um filme de faroeste atípico, começando pela sua beleza, a locação verdejante é extremamente linda, apesar da história se passar na América, tudo foi gravado na Nova Zelândia. A narrativa segue de forma lenta e a ação vem aos poucos, além do tom poético que permeia toda a trama.
Situada no século XIX, o misterioso cowboy Silas Selleck (Michael Fassbender), é contratado para proteger Jay (Kodi Smit-McPhee), membro da realeza escocesa, durante uma imprevisível jornada aos Estados Unidos em busca da amada do jovem. Jay é um apaixonado que se lança a um perigoso trajeto para encontrar Rose (Caren Pistorius), que fugiu da Europa para o Oeste Americano junto de seu pai (Rory McCann). No caminho Jay encontra diversos tipos e quase sempre com intenções duvidosas. Selleck aparece e Jay oferece dinheiro com a condição de que o leve até Rose, mas a verdade é que ele é um caçador de recompensas e sabe que Rose e seu pai estão sendo procurados. Ao longo seus sentimentos em relação ao garoto vão mudando, talvez por ele ter uma certa inocência e pureza sobre o amor. No percurso eles encontram bandidos, índios e outros caçadores de recompensa, dos quais Selleck conhece muito bem, Payne (Ben Mendelsohn) e seu bando começam a segui-los por saber que eles os levarão ao pote de ouro.
O filme tem um quê de poesia, Jay é aqueles românticos que não veem obstáculos e sem medo e por ingenuidade, segue percalços até o grande amor. É um longa que refresca o gênero e propõe ao espectador uma experiência ao mesmo tempo que dramática também bem-humorada, vários momentos são recheados de humor negro. John Maclean estreou brilhantemente e apesar da trama simples imprime personalidade ao gênero faroeste. As atuações estão perfeitas, Michael Fassbender é um sujeito solitário, seco, mas muito charmoso, Kodi Smit-McPhee interpreta um jovem perdido de amor e que aos poucos se infiltra no meio bang bang.
"Slow West" não tem grandes cenas de ação, tiroteios e perseguições, elas aparecem quando necessárias e carregam uma abordagem diferente, o clímax acontece ao final e fecha muito bem a história. Surpreende e agrada bastante.
Situada no século XIX, o misterioso cowboy Silas Selleck (Michael Fassbender), é contratado para proteger Jay (Kodi Smit-McPhee), membro da realeza escocesa, durante uma imprevisível jornada aos Estados Unidos em busca da amada do jovem. Jay é um apaixonado que se lança a um perigoso trajeto para encontrar Rose (Caren Pistorius), que fugiu da Europa para o Oeste Americano junto de seu pai (Rory McCann). No caminho Jay encontra diversos tipos e quase sempre com intenções duvidosas. Selleck aparece e Jay oferece dinheiro com a condição de que o leve até Rose, mas a verdade é que ele é um caçador de recompensas e sabe que Rose e seu pai estão sendo procurados. Ao longo seus sentimentos em relação ao garoto vão mudando, talvez por ele ter uma certa inocência e pureza sobre o amor. No percurso eles encontram bandidos, índios e outros caçadores de recompensa, dos quais Selleck conhece muito bem, Payne (Ben Mendelsohn) e seu bando começam a segui-los por saber que eles os levarão ao pote de ouro.
O filme tem um quê de poesia, Jay é aqueles românticos que não veem obstáculos e sem medo e por ingenuidade, segue percalços até o grande amor. É um longa que refresca o gênero e propõe ao espectador uma experiência ao mesmo tempo que dramática também bem-humorada, vários momentos são recheados de humor negro. John Maclean estreou brilhantemente e apesar da trama simples imprime personalidade ao gênero faroeste. As atuações estão perfeitas, Michael Fassbender é um sujeito solitário, seco, mas muito charmoso, Kodi Smit-McPhee interpreta um jovem perdido de amor e que aos poucos se infiltra no meio bang bang.
"Slow West" não tem grandes cenas de ação, tiroteios e perseguições, elas aparecem quando necessárias e carregam uma abordagem diferente, o clímax acontece ao final e fecha muito bem a história. Surpreende e agrada bastante.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
O Orador (O Le Tulafale)
"O Orador" (2012) de Tusi Tamasese reflete sobre tradições fincadas nos princípios do amor e do respeito, é um curioso retrato sobre a cultura samoana.
O filme conta a história do agricultor Saili e sua família que procuram viver em paz, e para isso evitam, ao máximo, o contato com outras pessoas de sua vila. Porém, diversos acontecimentos o obrigarão a assumir seu papel de líder. Quando uma tragédia se abate sobre sua família, Saili deve superar suas dificuldades físicas e sociais e impor-se, rompendo sua invisibilidade social e conquistando o respeito de sua comunidade.
As ilhas Samoa fica no sudoeste do oceano pacífico, a meio caminho entre o Havaí e a Nova Zelândia, definitivamente um pontinho perdido no meio do oceano pacífico, e sem dúvidas um lugar belíssimo por sua natureza e interessante por suas tradições. É o primeiro longa-metragem vindo de lá e uma ótima oportunidade de conhecer a cultura local, assim como as suas belezas. Falado no idioma samoano o longa é um drama contemporâneo sobre honra, coragem e questões de superação. Saili (Fa'afiaula Sanote) é um anão agricultor casado com uma mulher que foi banida da família, ela não pode frequentar os lugares e portanto se mantém afastada em um casebre isolado da aldeia juntamente com sua filha Litia (Salamasina Mataia), uma adolescente como qualquer outra a descobrir as novidades da vida. Em dado momento ela se envolve com um homem casado e termina por engravidar. Vaaiga (Tausili Pushparaj) é uma mulher calma e que está muito doente, o tempo todo a vemos fazendo artesanatos.
A terra é muito importante para eles, é passada de geração em geração, e a morte é algo que não existe, os seus parentes são enterrados no quintal de casa para que continuem de algum modo ainda vê-los. Os antepassados tem grande peso sobre a família, há muito respeito por aqueles que se foram. A religião é muito cultivada e todos seguem corretamente os horários de cada oração. O perdão é outra coisa abordada no longa, existe um ritual em que a pessoa se ajoelha na frente da casa coberta por um manto até que seja perdoada.
Há muita ternura no personagem, um lado quase inocente em percorrer pela vida. A simplicidade rege o seu caminho, mas a coragem vai crescendo dentro dele devido as circunstâncias. Saili precisa arranjar forças quando sua esposa morre, pois o irmão leva o corpo a fim de enterrá-la com os seus, mas isso é injusto e Saili necessita ganhar voz e se tornar um orador, o que só o chefe da aldeia pode conceder, e assim poder ir formalmente em nome de sua comunidade até a família de Vaaiga e conseguir a permissão para ficar com o corpo dela. Uma das cenas mais emocionantes é quando Saili cava o buraco no quintal de sua casa do qual enterrará sua mulher e acaba por ficar preso lá sob uma pesada chuva, quem o salva é Litia, que até então não gostava dele, também é ela que o segue quando ele se torna orador, aliás a única. Esse momento é sublime e demonstra amor, honra e coragem.
"O Orador" é um filme tranquilo, silencioso e que traduz muito bem a cultura da Samoa. As coisas são ditas quando precisam ser ditas, não há desperdício de palavras, tem até um diálogo entre mãe e filha que diz assim: "Uma pedra pode apodrecer, mas as palavras não. As pessoas falam muito." Isso exemplifica o quanto de valor eles dão para o que se é dito, por isso existem os rituais de perdão e de oratória, para que se aprenda a usar o dom da fala de maneira adequada.
Refletindo valores, cultura e tradições, é uma linda obra vinda desse paraíso perdido!
quarta-feira, 28 de março de 2012
Meu Monstro de Estimação (The Water Horse - Legend of the Deep)
Um filme de fantasia infantil dirigido por Jay Russel, é uma adaptação do livro de Dick King-Smith, autor inglês (Babe - O Porquinho Atrapalhado), este sabe como equilibrar um bom drama com uma comédia agradável sem soar patético.
A história conta sobre uma amizade entre um menino e um monstro, até pode parecer clichê, porém consegue trazer detalhes incríveis, gera simpatia pela amizade tão mágica, além de ter uma fotografia deslumbrante.
Ambientada na Escócia de 1930, Angus (Alex Etel) é um garoto solitário, que passa os dias sonhando com a volta do pai, que está servindo a marinha. Ele encontra um ovo misterioso, que revela a lenda sobre o monstro do lago Ness. O menino leva o ovo para casa e resolve criá-lo, dando o nome de Crusoé. Logo se vê em encrencas, pois o animal cresce descontroladamente. O novo empregado da casa, Lewis Mowbray (Ben Chaplin) reconhece que o estranho animal é o lendário cavalo do lago, uma criatura mágica. Para completar um pelotão do exército está acampado na propriedade de sua família, é a segunda guerra mundial, e estão caçando submarinos alemães.
O filme é bem infantil, embora agrade os adultos também, as cenas de aventuras são engraçadas, o monstro Crusoé cativa e entramos no reino da fantasia. Leve, interessante e muito bonito, "Meu Monstro de Estimação" nos faz voltar a ser criança e a sonhar novamente com um mundo imaginário. Angus é um personagem bem profundo e sensível, ele sofre pela ausência do pai, e seu amadurecimento acontece de forma inocente em meio a um ambiente cruel.
Em tempos tão difíceis em que fantasia é mera bobagem, essa é uma ótima opção, a pureza da história faz desse filme um diferencial.
O pequeno Alex Etel dá vida ao personagem Angus de um modo muito particular, de uma inocência que parece não mais existir nas crianças de hoje em dia. É muito bom ver uma criança atuando com tanta segurança, mas sem perder a essência do universo infantil.
"Meu Monstro de Estimação" é um filme criativo, belo e que emociona ao mesmo tempo que diverte. Vale ver!
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