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quarta-feira, 20 de novembro de 2019
O Rei (The King)
"O Rei" (2019) dirigido por David Michôd (Reino Animal - 2010, Flesh and Bone - 2015) é um drama épico livremente baseado em eventos históricos e adaptado da peça Henrique V, de Shakespeare. Uma produção poderosa que passa por intrigas de poder políticas e familiares com violência, beleza e questionamentos.
Após a morte de seu pai, Henrique V (Timothée Chalamet) é coroado rei, obrigado a comandar a Inglaterra. O governante precisa amadurecer rapidamente para manter o país consideravelmente seguro durante a Guerra dos 100 Anos, contra a França.
Uma ótima surpresa, tanto em seu visual como na condução, é um filme que enche os olhos, mas que também promove reflexões acerca de todo o emaranhado provocado pela ânsia de poder. Acompanhamos a decadência do rei (Ben Mendelsohn), uma figura cruel e do qual o filho que o sucederá rejeita, então o rei deixa claro que a coroa será do outro filho que possui o desejo de ascender de maneiras não tão inteligentes, mas acaba que depois da morte do rei e do filho mais novo Henry é coroado, este que antes vivia uma vida simples de boêmio junto de seu fiel amigo e antigo cavaleiro Falstaff (Joel Edgerton). Todos os personagens possuem características marcantes e se entrelaçam numa trama permeada de intrigas, negociações e artimanhas, Henry é completamente avesso aos planos de guerra e se distancia do pai justamente por isso, mas quando se torna rei se depara e é obrigado a pensar nessas questões e fica de frente a difíceis decisões e cujas pessoas que o rodeiam não são confiáveis, o jogo de poder vai acontecendo e seu processo de amadurecimento é confuso e solitário, sua posição não lhe permite amizades sinceras, em meio a tantas desconfianças ele nomeia Falstaff como seu marechal e na decorrência dos fatos vai se tornando numa pessoa dura e amarga, tão próximo da figura do pai que tanto detestava. O magnetismo de Chalamet impressiona e a ótima interação entre os personagens o torna um épico diferente em que o peso das escolhas tem muito mais ênfase do que qualquer ação e violência, apesar de que as sequências de embates são incríveis e denotam também grande carga dramática, não só a estética prevalece, há uma gama de questões envoltas.
Vale ressaltar a ótima participação de Robert Pattinson como Delfim, o príncipe herdeiro da França, sua personalidade excêntrica e vaidosa preenche a tela, assim como Sean Harris como o conselheiro do rei, Joel Edgerton como o único e leal amigo de Henry e até a pequena aparição de Lily-Rose Depp como Catarina, futura esposa do rei.
Vale ressaltar a ótima participação de Robert Pattinson como Delfim, o príncipe herdeiro da França, sua personalidade excêntrica e vaidosa preenche a tela, assim como Sean Harris como o conselheiro do rei, Joel Edgerton como o único e leal amigo de Henry e até a pequena aparição de Lily-Rose Depp como Catarina, futura esposa do rei.
O roteiro escrito pelo próprio diretor David Michôd em parceria com Joel Edgerton é bem estruturado e se revela como um poderoso thriller político juntamente com o amadurecimento de um jovem de ideais pacifistas que se vê obrigado a assumir a coroa e aconselhado a não se mostrar fraco inicia uma guerra desnecessária.
"O Rei" é um filme solene, retrata os bastidores do reino, as tramas, estratégias e negociações, a solidão e o tédio; a transformação. Todos os sentimentos são transmitidos pelo olhar de Henry, sempre pensativo e angustiado, as poucas cenas de embate são impecáveis e dolorosas, é rico na ambientação e inteligente no desenrolar.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
O Tradutor (Un Traductor)
"O Tradutor" (2018) dirigido por Sebastián Barriuso e Rodrigo Barriuso conta a história real do professor universitário cubano Malin, na verdade, Manuel Barriuso Andino, que vê sua vida transformada quando é designado para ser o tradutor numa ala infantil de um hospital destinado às vitimas do desastre nuclear de Chernobyl. Ambientado em 1989, as primeiras imagens são de Fidel Castro recebendo Gorbachev, Cuba necessita muito da ajuda da URSS, mas devido ao colapso e, por conseguinte, à sua ruína, as coisas começam a mudar no país, inicialmente as aulas de literatura russa são canceladas e novas funções são designadas aos professores, Malin vivido visceralmente por Rodrigo Santoro se vê obrigado a trabalhar num hospital que recebe vítimas do desastre de Chernobyl, especificamente a ala infantil, o sofrimento acaba sendo uma constante em sua vida ao ponto de sugar toda a sua energia, o sistema de saúde de Cuba reconhecido como um dos melhores do mundo recebia essas crianças para o tratamento, mas a comunicação era difícil e, portanto, Malin com ordem do governo inicia esse trabalho.
Acompanhamos todo o cenário político da época e as suas transformações juntamente com as transformações pessoais do protagonista, sua vida até então boa e sem preocupações passa a ser um fardo, pois o peso de conviver com crianças em estados críticos e terminais deprime e o significado das coisas se modificam, por conta desse dia a dia o casamento se desfaz, não há diálogos e tudo parece pequeno para Malin, sua esposa é curadora de uma galeria de arte e por causa de sua experiência com as crianças que lutam pela vida não consegue entender os problemas dela em relação ao trabalho e as responsabilidades de resolver sozinha as situações cotidianas, grávida do segundo filho resolve deixar a casa e ir morar por uns tempos com seus pais, Malin também se distancia da vida do filho e vemos o como o pequeno é afetado por essa ausência, não é fácil a rotina no hospital, ter que ser o interlocutor de notícias desagradáveis aos pais das crianças, nesse ambiente sufocante ele então inicia formas de suavizar, ou seja, introduz histórias e interação uns com os outros, ouve e percebe o como cada um se sente, o carinho e a compreensão faz total diferença e é aí que o filme nos toca profundamente, é bonito ver o como Malin se dedica a amenizar o sofrimento promovendo leitura, aprendizado e diálogo, o completo oposto em sua casa, mas ali ele faz o possível para o lugar ser menos pesado. A enfermeira Gladys (Maricel Álvarez), ajuda nesse processo, pois possui empatia e sua dedicação também impressiona.
O filme não se aprofunda nas questões políticas, mas a realidade do país socialista é retratada de acordo com as vivências de Malin, observamos vários eventos importantes, como a queda do muro de Berlim e a crise econômica que assolou Cuba devido o colapso da União Soviética, são cenas marcantes e em sua maioria emocionantes, destaque para a ambientação com todos os detalhes que nos transportam para a época. E, claro, a linda dedicação de Rodrigo Santoro ao personagem, percebe-se que deu alma e muita vida para interpretá-lo, brilhante execução.
"O Tradutor" é uma obra que emociona, mas não apela em momento algum para excessos, o desenvolvimento e a transformação vem de forma natural, as vivências do protagonista inspiram muitas reflexões sobre as alternativas de se ajudar os outros em situações críticas, diz como a educação sempre é o melhor caminho fortalecendo assim a empatia, o afeto e olhares diversos, além de colocar tudo em paralelo com o conturbado cenário político.
*O filme foi dirigido pelos filhos de Malin, que na realidade se chama Manuel Barriuso Andino.
*O russo impecável de Santoro se deu por uma imersão na língua durante quatro semanas, estudou e tomou aulas para acertar o ritmo e trabalhou na memorização não apenas de suas falas, mas na de seus colegas de elenco também.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Verão (Leto)
"Verão" (2018) dirigido por Kirill Serebrennikov (O Estudante - 2016) é um filme interessante e original sobre o cenário efervescente do Rock and Roll nos anos 80 em plena União Soviética, os artistas celebravam a cultura considerada inimiga e adaptavam canções clássicas para um formato aceito pela censura, assim acontecia também com as originais que precisavam passar por um crivo rígido, a juventude apesar de rebelde possuía cautela na hora de compor e com inteligência inseriam metáforas para dizer o que queriam, o tom se encaixava na comédia e dessa maneira se livravam da terrível censura que julgava tudo ofensivo ou até traição à pátria.
No verão de 1981, o rock underground chegava na Rússia Soviética, mais precisamente em Leningrado, onde hoje localiza-se a cidade de St. Petersburg. Sob a influência de artistas internacionais, como Led Zeppelin e David Bowie, o rock vibrava na cidade, marcando o nascimento de uma nova geração de artistas independentes. O jovem Viktor Tsoi (Teo Yoo) ganhou fama internacional e tornou-se o primeiro grande representante russo do gênero, foi o fundador e líder da banda Kino. Além da música, ele também ficou conhecido pelas polêmicas relacionadas a sua vida pessoal, como o triângulo amoroso que viveu junto com o seu mentor musical, Mike (Roman Bilyk), vocalista da banda Zoopark e a esposa dele, Natasha (Irina Starshenbaum).
Somos absorvidos por uma realidade contagiante e por vezes fantasiosa, a imersão nesse passado não muito distante é repleto de estilo e captura com excelência toda a aura opressiva e ao mesmo tempo borbulhante dessa época, certamente o que mais chama a atenção são as inserções musicais que possuem humor e excentricidade, nesses momentos surge uma espécie de narrador que com placas indica: "isto não aconteceu", são devaneios que contrastam com o quanto os artistas eram podados e que para criar era necessário moldar ou esconder muitas coisas, os ídolos do ocidente, David Bowie, Iggy Pop, Talking Heads, Lou Reed faziam a cabeça da juventude, mas as versões das músicas famosas e as composições não pareciam rock e a necessidade de mudar era cada vez mais intensa, porém a realidade não permitia e tudo o que tinham era a amizade e o mesmo sonho que os unia, assim foi com Viktor e Mike, personagens centrais da trama, e tantos outros que se destacaram na cena do rock soviético. Em meio a isso ainda acontece um triângulo amoroso vivido por Natasha, Mike e Viktor, uma intensa e complexa relação, eram unidos pela admiração e os desejos em comum.
É um filme cheio de ironias e provocações, um ótimo exemplar para conhecer artistas que driblaram o regime autoritário e conseguiram se inspirar em grandes músicos, como Lou Reed, e mesmo com tantas restrições compunham e se apresentavam, a busca pela liberdade nesse ambiente tão castrador só acontecia por conta da união deles e na maioria das cenas é destacado essa integração e o desejo de fazer acontecer, era a necessidade de dar voz mesmo que em formas adaptadas.
"Verão" é surpreendente, belo visualmente e imersivo em sua ambientação, traz com humor e acidez perspectivas interessantes da realidade musical na Rússia do período do regime comunista, por exemplo, ao retratar o como a plateia deveria se comportar durante um show ou as inúmeras restrições que os músicos deveriam seguir para subir ao palco, e certamente o ponto de mais destaque são as intervenções musicais que têm o propósito de quebrar a rigidez e lançar um pouco de cor à história.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Skin
"Skin" (2018) roteirizado e dirigido por Guy Nattiv, também criador do curta de mesmo nome lançado no mesmo ano, Skin - 2018, cuja violência é a grande protagonista, traz neste a biografia de Bryon Widner, um neo-nazista que decide mudar de vida depois que experimenta o amor verdadeiro.
Bryon Widner (Jamie Bell) é um jovem homem que foi criado por skinheads notórios na comunidade de supremacia branca. Decidido em mudar sua vida, ele vira as costas para todo o ódio e a violência que foi ensinado, com a ajuda de um ativista de direitos negros.
Acompanhamos Bryon e sua violenta gangue que considera sua família, pois o líder o tirou da sarjeta e lhe deu casa e comida, há uma hierarquia rígida e todos obedecem Fred (Bill Camp) e todos têm a proteção e o amor distorcido da mãe, Shareen (Vera Farmiga). É angustiante assistir os diversos ataques brutais contra as mais diversas etnias, a violência escorre pelos poros do personagem e suas tatuagens faciais simbolizam o ódio e a cada novo ataque vai ganhando mais e mais desenhos, ele mesmo é um excelente tatuador, porém só exerce entre os seus, a montanha-russa de sentimentos destrutivos o atravessa dia após dia e desconta nas drogas, no sexo e através da violência, as cenas não poupam em retratar com crueza atos cruéis e exemplificam com intensidade a maneira de pensar e agir dessas pessoas que não suportam o diferente, as ideias distorcidas e a lavagem cerebral que os mais velhos fazem para agregar os mais novos, geralmente são adolescentes abandonados com famílias disfuncionais que passam fome e perambulam pelas ruas, eles oferecem casa, comida, proteção e os transformam em extremistas intolerantes capazes das mais diversas atrocidades.
As coisas começam a mudar quando Bryon conhece Julie (Danielle Macdonald), uma mãe solteira que também já fez parte desse mundo violento, mas por conta de suas três filhas mudou, sua maneira espontânea e corajosa desperta em Bryon algo inédito, principalmente também após ele pensar no último ato cometido contra um adolescente negro, com o passar dos dias ele se corrói e entra numa crise de consciência, a convivência com as crianças de Julie o desperta para o amor e sua postura naturalmente vai mudando, só que a sua "família" não permite que saia de casa e a cada novo ataque Bryon começa a ficar de lado e não promove mais a violência, o que o caracteriza em um traidor. Ele é ameaçado e tanto Julie como suas filhas sofrem as consequências. Nessa parte a aflição aumenta graças a intensa performance de Jamie Bell que incorpora com potência o personagem e nos fornece uma história de redenção consistente e envolvente.
As coisas começam a mudar quando Bryon conhece Julie (Danielle Macdonald), uma mãe solteira que também já fez parte desse mundo violento, mas por conta de suas três filhas mudou, sua maneira espontânea e corajosa desperta em Bryon algo inédito, principalmente também após ele pensar no último ato cometido contra um adolescente negro, com o passar dos dias ele se corrói e entra numa crise de consciência, a convivência com as crianças de Julie o desperta para o amor e sua postura naturalmente vai mudando, só que a sua "família" não permite que saia de casa e a cada novo ataque Bryon começa a ficar de lado e não promove mais a violência, o que o caracteriza em um traidor. Ele é ameaçado e tanto Julie como suas filhas sofrem as consequências. Nessa parte a aflição aumenta graças a intensa performance de Jamie Bell que incorpora com potência o personagem e nos fornece uma história de redenção consistente e envolvente.
Bryon conta com a ajuda de um ativista negro (Mike Colter), ele acredita na mudança dessas pessoas e se dedica de coração nessa missão já que ele próprio fez parte de uma gangue e teve a oportunidade de mudar. Decidido a realmente largar tudo Bryon auxilia a polícia a encontrar os membros e pelo ato de bondade de uma anônima começa a remoção de suas tatuagens, um dolorido processo, mas que simboliza que é possível mudar e se livrar de pensamentos e sentimentos que destroem.
"Skin" é um filme intenso tanto na exposição da violência como na sensibilidade que floresce, impacta e gera esperanças na mudança, é tanto ódio e intolerância sendo semeados que realmente cega quem sempre viveu dentro desse sistema, quando Bryon enxerga além de seu meio e percebe que aquilo não era família sente necessidade de mudar e essa transformação acontece de forma lenta com um penoso processo de autoconhecimento.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
O Anjo (El Ángel)
"O Anjo" (2018) dirigido por Luis Ortega e produzido por Pedro Almodóvar é baseado na história real de Carlos Robledo Puch, que assassinou 11 pessoas e ficou conhecido como "o anjo da morte" na década de 70 - atualmente ele ainda está preso, sendo o encarcerado mais longo da Argentina. O filme retrata a adolescência do rebelde Carlitos que tem a mania de roubar objetos e levar para casa dando a desculpa de que são emprestados por amigos, os pais se fingem de bobos e assim levam a vida até que ele encontra Ramón e se apaixona tanto por ele quanto pela vida criminosa.
Desde a adolescência, Carlos (Lorenzo Ferro) tem o hábito de invadir casas alheias, pelo simples prazer que o ato lhe dá. Às vezes ele leva algo para casa mas jamais para ganhar dinheiro, apenas para curtir o momento. Ao conhecer Ramón (Chino Darín - filho de Ricardo Darín) em sua nova escola, ele logo é apresentado a um universo mais profissional de crimes, já que o pai de Ramón é veterano da área. Carlos logo se destaca pela ousadia nos crimes que comete, impulsionado pela atração que sente por Ramón. Com o tempo, a displicência com os demais faz com que cometa onze assassinatos e se torne um dos criminosos mais procurados da Argentina.
Cheio de cores e estilo a história fisga pelo charme envolvendo o personagem e sua personalidade fria que ao longo vai se tornando perturbadora, o pai de Ramón, ladrão profissional que já foi preso vê nesse garoto potencial e o aproveitam ao máximo, quando decidem roubar uma loja de armas surpreendem-se e aí inicia-se uma série de outros roubos em que Carlitos nunca satisfeito sempre pretende mais, quando experimenta atirar e matar sua frieza e audácia se eleva. Ele é um garoto bonito e que jamais seria visto como um bandido, portanto se beneficia dessa situação e comete as piores atrocidades. Em dado momento Carlitos e Ramón se autodenominam como "Eva e Perón" e o tempo todo existe uma enorme tensão sexual entre eles, Carlitos está se descobrindo sexualmente e a liberdade que existe na casa de Ramón o deixa confortável, Ramón claramente é próximo dele por ambição, mas há uma química perfeita entre eles, o modo que Carlitos busca sua liberdade é desumana e distorcida, quando ele diz sobre o porquê rouba e a maneira que lida com as mortes é dissimulada e debochada.
"Eu sou um ladrão de nascença. Eu não acredito em isso é seu, e isso é meu".
A reprodução da época é genuína, a fotografia é deslumbrante, sua trilha sonora é cheia de movimento, vide a cena de Carlitos dançando ao som de "El Extraño Del Pelo Largo", da La Joven Guardia, e a narrativa cativa e é bem fechada, além das incríveis atuações, o jovem Lorenzo Ferro faz sua estreia com espontaneidade e firmeza, a dupla que faz com Chino enriquece bastante a obra, existe uma gama de sentimentos entre eles, a paixão que pulsa, o encantamento com a liberdade de ser do outro, a ambição desenfreada e os desejos que se confrontam. Carlitos entra numa espiral de violência e ele ama essa sua loucura. Seus pais não sabem o que fazer, ele aparece quando quer e até o último momento fecham os olhos para a realidade, só no último instante é que encaram, pois a mídia sensacionalista entra em cena e a polícia está a sua procura, então a mãe resolve agir e denunciar o filho. A história não tem surpresas, até porque é baseada em fatos e o que puxa mesmo a atenção é sua beleza estética e charme nas tomadas e seus close-ups.
"O Anjo" traz um personagem cínico e com uma frieza que seduz e até cria-se uma empatia, o que incomoda, o filme segue pela direção do entretenimento e há muita jocosidade na maneira que os crimes são encenados, no final mesmo gostando do longa, pois é inegável suas qualidades, acaba promovendo uma culpa e surge a reflexão sobre a necessidade dessas cinebiografias que transformam assassinos em atração cinematográfica. É um ótimo filme, mas a romantização e a caricatura em torno é de se questionar.
quarta-feira, 17 de abril de 2019
The Dirt - Confissões do Mötley Crüe (The Dirt)
"The Dirt - Confissões do Mötley Crue" (2019) dirigido por Jeff Tremaine, criador do famoso "Jackass", traz uma cinebiografia descolada que retrata o surgimento da banda com todos seus altos e baixos e suas doideiras ao longo dos anos, além de seu fim e ressurgimento e então seu último show misturando cenas da banda verdadeira. Cumpre com o papel de expor as características de cada integrante, sejam elas legais ou escrotas e imergimos diretamente no universo dos anos 80 com a ascensão do glam rock e cujos estereótipos do lema sexo drogas e rock'n roll são levados ao extremo.
Considerada uma das mais importantes bandas da história do glam metal, Mötley Crüe foi responsável por dar rosto a uma vertente do rock que, até então, não era muito bem vista pelo público em geral. Vivendo no ápice do estrelato nas décadas de 80 e 90, seus membros vivenciaram todo o glamour de ser um rockstar - até nos momentos mais improváveis.
Entre as cinebiografias de bandas que têm surgido esta sem dúvidas ganha todos os pontos por ser fiel, claro que alguns fatos foram modificados, mas ao todo é um baita filme tanto para os fãs como para aqueles que nem a conheciam, pois possui ótimos elementos, como a caracterização, enredo e o tom completamente divertido. Esse longa marca de vez a era das biografias de bandas, e tomara que as que virão sejam tão boas quanto, a escolha do diretor foi um acerto e a não romantização fez toda a diferença.
Acompanhamos o surgimento da banda com o baixista Nikki Sixx, que sim mudou mesmo seu nome e que devido a relação conturbada com a mãe saiu de casa e foi para Los Angeles por conta própria, e aí fundou o Mötley Crüe ao conhecer o baterista Tommy Lee, o guitarrista Mick Mars que encontraram num anúncio de jornal e por intermédio de Tommy Lee decidiram colocar como vocalista Vince Neil, que tinha um grande apelo com as mulheres. Motivados a fazer algo diferente dentro do cenário da época começaram a aderir influências do glam metal, roupas extravagantes, maquiagem e madeixas volumosas, o que deixavam a mulherada louca, e cuja fama que chegava rápida os deixavam cada vez mais estúpidos e sem limites. O filme não poupa os momentos bizarros e pesados de cada um, há o episódio do acidente envolvendo Vince Neil que acabou matando o baterista da banda Hanoi Rocks, o vício em heroína de Nikki Sixx, os problemas de saúde e a dificuldade de Mick Mars em vários momentos e como sendo o mais velho se portava sempre de maneira mais reservada e misteriosa, e Tommy Lee, o bitolado que andava sempre com suas baquetas e também descontrolado em suas atitudes, algumas passagens de sua vida não estão, como o casamento com Pamela Anderson, mas devido a tantas confusões era esperado que não faria parte. No todo coloca em evidência as personalidades de cada sem florear e todo o cenário da época que borbulhava
A caracterização dos atores está muito boa, não reconheci o ator Iwan Rheon por trás de Mick Mars, o insano Ramsay Bolton de "Game of Thromes", os demais também estão ótimos, Douglas Booth como o baixista Nikki Sixx, Daniel Webber como o vocalista Vince Neil e o rapper Machine Gun Kelly como o baterista Tommy Lee, além da incrível participação de Tony Cavalero interpretando o Ozzy numa das passagens mais doidas de sua vida, que inclui cheirar formigas e lamber o próprio xixi do chão.
O filme surpreende por explorar o contexto da época e todos os seus estereótipos sem querer romantizar ou esconder fatos, é um verdadeiro exemplar do lema: sexo, drogas e rock'n roll.
"The Dirt - Confissões do Mötley Crüe" retrata a ascensão da banda e todos os excessos e absurdos de suas atitudes, e também a eletricidade e o caos que permeava a atmosfera da época. Uma biografia que faz jus ao título de rockstars e que vem na contramão das que pretendem enganar ou esconder do público as partes infames desses artistas que marcaram época.
quarta-feira, 27 de março de 2019
Lords of Chaos
"Este filme é baseado em verdades, mentiras, e no que realmente aconteceu."
"Lords of Chaos" (2018) dirigido por Jonas Åkerlund (Polar - 2019) é um filme baseado no livro "Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Underground" e inspirado numa história real em torno do surgimento do cenário black metal norueguês, Euronymous motivado pela banda Venom acaba criando sua própria banda com um som único e morbidamente fascinante, entre um curto período segue-se diversos conflitos e a obscuridade vai tomando conta da vida real, como a queima de igrejas e assassinatos, como descrito em seu início há verdades, mentiras e fatos que realmente ocorreram, mas que não se prendem à seriedade, pois é um filme de ficção e não um documentário, e propõe apenas um recorte da história e um olhar de desconstrução em torno dessas figuras e os demonstra como simplesmente adolescentes problemáticos e maldosos dominados pelo tédio e com uma criatividade pulsante e extrema, o sarcasmo é muito bem-vindo, assim como a caracterização dos principais personagens e a questão de ser poser ou true ganha tons de deboche. Jonas Åkerlund, conhecido pela direção de clipes musicais tem propriedade para falar do assunto, viveu na época, inclusive sendo um dos bateristas da banda Bathory. Então para os fãs mais ardorosos acalmem esses nervos e curtam o filme e agradeçam que alguém teve a ousadia de colocar um pouco da história desse gênero tão infame e tão arrebatador em um filme de ficção, aliás deixo como dica o islandês "Metalhead" (2014). Para quem quiser conhecer mais a fundo e ir de encontro com a ascensão da cultura do gênero na Noruega com toda a violência, profanação e a mística do mal existem documentários, tal como, "True Norwegian Black Metal" (2007), "Once Upon a Time in Norway - The History of Mayhem" (2007), "Black Metal Satanica" (2008) e "Until the Light Takes Us" (2008).
Noruega, anos 90. Euronymous (Rory Culkin), um adolescente precoce, pretende espalhar o mal, caos e black metal de verdade com sua banda, Mayhem. Quando ele convida Varg (Emory Cohen), um misterioso solitário, a participar de seu "Círculo Negro", uma rivalidade se dá início, levando a inesperadas consequências.
Acompanhamos o jovem Euronymous com todos os seus ideais em torno da sonoridade agressiva, procurando um novo vocalista para sua banda Mayhem, surge "Dead", Per Yngve Ohlin (Jack Kilmer) vindo da Suécia, depressivo mutilava-se nos shows e apreciava a atmosfera da morte, enterrava suas roupas e depois as usava e inalava o cheiro putrefato de corvos mortos, também foi quem difundiu a utilização do corpse paint, inspiração vinda da banda brasileira "Sarcófago". Sua morte precoce cometida através de um suicídio brutal, pulsos cortados e um tiro de espingarda na cabeça resultou na capa do álbum "Dawn of the Black Hearts", de 1995, Euronymous ao encontrá-lo correu para comprar uma câmera e alterou um pouco a cena a fim de a tornar mais chocante, além de ter criado lendas, como ter comido uma parte de seu cérebro e conceber colares a partir de seu crânio, o que fazia parte de um marketing e acabava gerando curiosidade não só entre os adoradores. Vale ressaltar que Jack Kilmer como Dead está incrível e particularmente encarei como a melhor caracterização, absorveu com excelência a atmosfera e sua performance é brilhante.
Euronymous abre uma loja de discos e também gravadora e é líder de um grupo chamado "Inner Circle", onde somente os verdadeiros apreciadores do som poderiam entrar, além de ter toda uma aura de maldade, acaba que toda essa contestação contra o cristianismo, ideias de propagar o mal ganha formas reais quando um jovem tímido se aproxima de Euronymous e lhe apresenta sua banda, o Burzum, um som caótico, agressivo e hipnotizante concebido por apenas uma pessoa, o extremista e talentoso Varg Virkenes, esse jovem decide colocar em prática seus ideais e começa a queimar igrejas se sobressaindo no círculo e deflagrando uma onda satanista, surge aí conflitos de poder entre os jovens e atitudes cada vez mais violentas para se afirmarem no grupo, ou somente por pura maldade, como o caso de Faust (Valter Skarsgård), ao assassinar brutalmente um gay dando 37 facadas para sentir como era. Euronymous é retratado como um adolescente que dissipava ideias e usava essas polêmicas como marketing, Varg, um imbecil, inclusive rendeu altas críticas pelo próprio, reclamando da interpretação "daquele ator gordo judeu", então o filme promove não a humanização destas figuras, mas uma demonstração de adolescentes que tinham absolutamente tudo, mas mergulhados no tédio e prontos para confrontar e conceber algo novo. Por conta dessas atrocidades e polêmicas e a grande expressividade do gênero a Noruega acabou ganhando o título do berço do black metal.
O filme tem uma ótima ambientação e faz recriações excelentes, como das fotografias, as cenas violentas e o gore são muito bem feitas, os esfaqueamentos são perturbadores e toda a atmosfera pesada se faz presente apesar do tom de sarcasmo que permeia a obra, a trilha sonora além das músicas do estilo ousou na criatividade colocando algo oposto, como Dead Can Dance e Sigur Rós.
"Lords of Chaos" cumpre com a proposta de apresentar uma parte do cenário do black metal norueguês e mostrar os acontecimentos sórdidos que se mesclaram ao gênero, mas tudo sob um viés descompromissado; as polêmicas, a associação ao satanismo, a valorização da cultura escandinava e a quebra do mito ao retratar adolescentes idiotas em estado de ebulição que queriam fazer a diferença de qualquer jeito num ambiente frio, cinza e sem maiores problemas. Os truezão podem contestar a vontade, mas o filme é eficiente e empolga!
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| Na foto: O Mayhem original e abaixo o Mayhem do filme |
quinta-feira, 14 de março de 2019
A Favorita (The Favourite)
"A Favorita" (2018) dirigido por Yorgos Lanthimos (O Lagosta - 2015, O Sacrifício do Cervo Sagrado - 2017) é um filme sarcástico e exuberante sobre os jogos de poder políticos e amorosos entre três mulheres dentro de uma corte baseando-se em parte na era da Rainha Anne, que reinou a Grã Bretanha entre 1707 e 1714, durante as guerras da Inglaterra contra a França.
Na Inglaterra do século XVIII, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única.
Com uma linguagem peculiar e visão pessimista da humanidade o diretor grego vêm se destacando e ganhando cada vez mais notoriedade, "A Favorita" é sua obra mais palatável, mas continua firme com suas características tão inventivas e extraindo de seus atores performances de tirar o fôlego.
Acompanhamos a frágil e carente Rainha Ana, que deposita toda a sua confiança na Duquesa de Marlborough, que mesmo tendo um sentimento aparentemente verdadeiro a manipula para os próprios interesses políticos, Ana sofre de dores constantes da gota, pelas inconstâncias de humor e por ter passado por 17 gravidezes malsucedidas, o pouco de afeto e consolo encontra nos encontros sexuais com a astuta Sarah, que de fato governa o rumo do país, Ana não consegue articular as palavras diante do conselho e não possui pulso firme, é tida como uma pessoa volúvel e fraca. Sarah então se aproveita e toma as decisões, até que a jovem Abigail, prima distante de Sarah, vinda de uma família falida, chega e começa a trabalhar como criada e aos poucos sua sede de poder se manifesta sob maneiras ardilosas, ela percebe que conseguindo a atenção da rainha recuperará seu posto e novamente ascenderá perante a sociedade. Abigail consegue rapidamente com sua doçura e dedicação fazer com que a rainha a note e a coloque numa posição melhor, ao lado dela se torna mais fácil a manipulação ao preencher a ausência de Sarah, logo a rainha se encanta e se envolve sexualmente com Abigail colocando em risco a posição de Sarah. A briga de egos é travada com diálogos afiados, cínicos e personagens multifacetadas compostas com primor, as três têm seu espaço e funcionam com perfeição juntas, protagonistas gloriosas.
Na Inglaterra do século XVIII, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única.
Com uma linguagem peculiar e visão pessimista da humanidade o diretor grego vêm se destacando e ganhando cada vez mais notoriedade, "A Favorita" é sua obra mais palatável, mas continua firme com suas características tão inventivas e extraindo de seus atores performances de tirar o fôlego.
Acompanhamos a frágil e carente Rainha Ana, que deposita toda a sua confiança na Duquesa de Marlborough, que mesmo tendo um sentimento aparentemente verdadeiro a manipula para os próprios interesses políticos, Ana sofre de dores constantes da gota, pelas inconstâncias de humor e por ter passado por 17 gravidezes malsucedidas, o pouco de afeto e consolo encontra nos encontros sexuais com a astuta Sarah, que de fato governa o rumo do país, Ana não consegue articular as palavras diante do conselho e não possui pulso firme, é tida como uma pessoa volúvel e fraca. Sarah então se aproveita e toma as decisões, até que a jovem Abigail, prima distante de Sarah, vinda de uma família falida, chega e começa a trabalhar como criada e aos poucos sua sede de poder se manifesta sob maneiras ardilosas, ela percebe que conseguindo a atenção da rainha recuperará seu posto e novamente ascenderá perante a sociedade. Abigail consegue rapidamente com sua doçura e dedicação fazer com que a rainha a note e a coloque numa posição melhor, ao lado dela se torna mais fácil a manipulação ao preencher a ausência de Sarah, logo a rainha se encanta e se envolve sexualmente com Abigail colocando em risco a posição de Sarah. A briga de egos é travada com diálogos afiados, cínicos e personagens multifacetadas compostas com primor, as três têm seu espaço e funcionam com perfeição juntas, protagonistas gloriosas.
Olivia Colman emprega em Ana só com o olhar sentimentos de ciúme, tristeza, raiva, impotência, carência extrema e sua histeria domina a tela, são momentos incríveis em cena, uma potência, Emma Stone surge com sua doce Abigail e cativa a inconstante rainha pela atenção e dedicação, além de seduzi-la e propiciar momentos de prazer, é uma personagem que vai descortinando pouco a pouco suas ambições, Rachel Weisz compõe uma mulher fria que possui o poder e o domina com maestria, os homens retratados na corte são exibidos de forma patética com suas perucas e maquiagem, e sempre se encontram em segundo plano fofocando e se distraindo com coisas bizarras. O único que tem mais ênfase é Robert Harley (Nicholas Hoult), que faz oposição ao governo e termina se aliando a Abigail. Todos dentro da corte se valem de seus status para se beneficiarem e trocarem favores, situações que vão se ampliando e mostrando até onde o ser humano vai para obter mais e mais poder e, ainda pior, retrata que mesmo rodeados de glamour a decadência sempre está à espreita e tudo o que se fez para chegar até ao topo se transforma numa grande chacota.
"A Favorita" é o primeiro filme de Lanthimos cujo roteiro não foi escrito por ele e seu brilhante parceiro Efthymis Filippou, mas a inconvencionalidade e o absurdo está presente, claro que não em grandes doses como nos anteriores, mas permanece e tomara que nunca se dissipe toda a estranheza que suas obras produzem.
É um filme ácido que retrata de forma diferenciada o cenário da aristocracia e a pompa do ambiente real, seus figurinos exuberantes e maquiagem esdrúxula expõem personagens frágeis, artificiais e exageradas disputando poder político, amoroso e fazendo qualquer coisa em prol de suas ambições. O que de fato não mudou até hoje, apenas se alteraram cenários, roupas e máscaras.
quarta-feira, 6 de março de 2019
O Príncipe Feliz (The Happy Prince)
"O Príncipe Feliz" (2018) do ator e estreante na direção Rupert Everett é um filme magnânimo que exalta e homenageia uma das figuras mais emblemáticas da literatura inglesa do século XIX, Oscar Wilde, um dos nomes mais importantes da literatura. Apesar dos grandes feitos na carreira, esse influente escritor, poeta e dramaturgo, teve uma vida curta. Condenado a dois anos de prisão, Oscar Wilde contemplou sua liberdade por apenas três anos antes de vir a falecer. Agora, as lembranças e pensamentos dele formarão um retrato dos últimos dias do escritor.
É um filme feito com muita paixão, Rupert Everett cria com propriedade o excêntrico escritor, ele já o havia interpretado no teatro em 2012 e sua dedicação para esta produção levou anos e anos, sua capacidade em dar vida a Wilde é encantadora e apesar de alguma monotonia e passagens confusas envolvendo flashbacks é uma primorosa e exuberante obra que certamente agradará aos apreciadores de Oscar Wilde. Poético, a narrativa se entrelaça com o conto "O Príncipe Feliz", uma das fábulas escritas para seus filhos, a história diz sobre uma estátua e uma andorinha e possui uma bela moral de amizade, solidariedade e desprendimento. O filme foca nos anos após sua prisão, que aconteceu por perder um processo de difamação contra o Marquês de Queensberry, Wilde mantinha um caso com o filho dele e indignado o acusou de sodomia e comportamento indecente, o escritor o processou por difamação, mas acabou perdendo e considerado culpado foi sentenciado, o início de sua decadência começa aí, após sair da prisão obteve bloqueio para a escrita e a miséria o acompanhou, perdeu prestígio e também a saúde, a angústia tirou o lugar da excentricidade e observamos um ser humano perdido, mas que mesmo assim possuía grandes amigos dos quais o incentivava e o ajudava.
"Por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara."
A história não usa de didatismo, portanto é necessário conhecer pelo menos um pouco da vida do escritor, principalmente esses anos conturbados em que se iniciou sua derrocada, vemos um homem grandioso se apequenar e sofrer por amor, observamos suas tentativas de obter prazer com jovens rapazes e demonstrar a elegância que lhe restava. São passagens interessantes e tristes, ele anda por becos e tabernas enquanto amigos tentam resgatá-lo e fazê-lo retornar à escrita. Também há sua mulher Constance (Emily Watson) que acaba cortando a renda que restava a Oscar depois de perceber que ele não mudaria, infelizmente a relação com os filhos se quebra, não há mais vínculos e só vemos algo pelos trechos do passado quando lia para eles, Oscar volta a se encontrar com o jovem amante Alfred (Colin Morgan), que fica por um curto período até que seus pais cortam sua renda, mas por outro lado haviam leais amigos que sempre estavam à disposição, como Robert Ross (Edwin Thomas), seu executor literário e Reggie Turner (Colin Firth), que o acompanhou até seus minutos finais.
"Por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara."
A história não usa de didatismo, portanto é necessário conhecer pelo menos um pouco da vida do escritor, principalmente esses anos conturbados em que se iniciou sua derrocada, vemos um homem grandioso se apequenar e sofrer por amor, observamos suas tentativas de obter prazer com jovens rapazes e demonstrar a elegância que lhe restava. São passagens interessantes e tristes, ele anda por becos e tabernas enquanto amigos tentam resgatá-lo e fazê-lo retornar à escrita. Também há sua mulher Constance (Emily Watson) que acaba cortando a renda que restava a Oscar depois de perceber que ele não mudaria, infelizmente a relação com os filhos se quebra, não há mais vínculos e só vemos algo pelos trechos do passado quando lia para eles, Oscar volta a se encontrar com o jovem amante Alfred (Colin Morgan), que fica por um curto período até que seus pais cortam sua renda, mas por outro lado haviam leais amigos que sempre estavam à disposição, como Robert Ross (Edwin Thomas), seu executor literário e Reggie Turner (Colin Firth), que o acompanhou até seus minutos finais.
Nesta parte de sua vida só havia lugar para o sofrimento e a atmosfera faz jus sendo lúgubre, mas ainda restava uma grande parcela de paixão, sua necessidade em amar e ser amado por Alfred, sua fuga junto dele o levou por alguns dias a se sentir vivo, mas depois novamente seguiriam os joguetes para cima dele e dessa forma novamente lembrá-lo de que sua personalidade também o enojava, então volta para a realidade melancólica e o vemos pelas ruas trôpego e mais adiante com saúde frágil completamente destruído.
"Sofrer é um momento muito prolongado. Não podemos dividi-lo por estações. […] Para nós o tempo não progride. Ele gira. Parece circular em torno de um centro de dor."
"O Príncipe Feliz" é o recorte do período de declínio do escritor que era conhecido por suas excentricidades, uma figura exuberante que causou grande polêmica, na época homossexualidade era considerado crime e acabou sendo preso por dois anos, na prisão produziu entre outros escritos "De Profundis", uma compilação de cartas destinadas ao seu amante, a causa de sua desgraça. Nesta, que se tornou uma obra-prima inusitada, percebe-se outras camadas de Wilde, tão diferentes de seus outros trabalhos, são textos recheados de sentimentos conflituosos sobre a sua paixão cega e autodestrutiva.
É notável o empenho de Rupert Everett, sua composição e dedicação é inquestionável e mesmo que soe vaidoso o filme merece reconhecimento.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Meu Amigo Dahmer (My Friend Dahmer)
"Meu Amigo Dahmer" (2017) dirigido por Marc Meyers (How He Fell in Love - 2015) é um filme com uma abordagem diferente dentro da temática de serial killers, traça seu psicológico durante a adolescência, um período confuso para qualquer um, mas somado a uma personalidade perturbada revela o quão agravante pode ser quando se vive em meio a tantas experiências traumáticas, seu processo até se transformar em um assassino é marcado por situações estranhas dentro da família, com os colegas da escola, sua curiosidade mórbida em querer saber o que há por dentro dos animais e o medo sobre sua sexualidade. Um fascinante e melancólico retrato sobre o desbrochar da maldade.
Adaptado da graphic novel homônima escrita e desenhada pelo artista Derf Backderf - amigo de Dahmer no colégio - acompanhamos o jovem Jeffrey Dahmer (Ross Lynch), que luta com uma vida familiar difícil e a vontade e os pensamentos de querer matar. Dahmer é considerado um dos serial killers mais famosos do mundo, que estuprou e assassinou 17 homens e meninos entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1990. Os contos sangrentos de seus assassinatos muitas vezes envolveram desmembramento e canibalismo. Dahmer, que foi diagnosticado com transtorno de personalidade borderline e um transtorno psicótico, foi morto na prisão por um companheiro preso em 1994.
Dahmer passa seus dias numa cabana dissecando animais que ele próprio recolhe das estradas e bosques com o objetivo de preservar os ossos, seu pai o aconselha a se enturmar com os colegas e fazer outros tipos de coisas, mas ele só começa a mudar de atitude quando o pai destrói sua cabana e sua coleção, melancólico decide chamar a atenção dos meninos populares fingindo ter ataques epilépticos, o que de início dá certo e faz com que Derf (Alex Wolff) se interesse por sua peculiaridade e o desenhe constantemente. Então esses ataques se tornam frequentes em diferentes locais promovendo confusão e medo nas pessoas, enquanto isso a mãe de Dahmer depois de muito humilhar o marido decide se separar, sua instabilidade emocional e indiferença é gritante e o pai se torna distante também e Dahmer fica à mercê da sorte. Suas descobertas, conflitos internos e seus desejos assassinos começam aflorar à medida que a amizade com os meninos na escola esmorece, seu teatro de ataques epilépticos perdem a graça e percebe o quanto foi usado, do quanto destoa de todo o meio e a incapacidade de compreender seus impulsos sexuais faz crescer a raiva, o alcoolismo surge e ideias cruéis vão se desnovelando em sua mente. O recorte psicológico que o filme promove é muito interessante e coloca em questão o quão frágil emocionalmente ele era devido o ambiente familiar desestruturado e o bullying constante na escola, o fazendo criar ilusões para sobreviver somado a sua curiosidade sobre o que havia por dentro dos corpos.
O jovem Ross Lynch conhecido por papéis teen, inclusive em várias produções da Disney, faz aqui seu verdadeiro début como ator, sua composição é minuciosa e colocou todas as camadas do personagem na tela, o controle de seus impulsos, a manipulação, o sofrimento, a introversão, a carência, a raiva, o deslocamento, suas atitudes e feições claramente davam indícios de problemas, mas ninguém realmente prestava atenção.
"Meu Amigo Dahmer" aborda o início da vida de Dahmer e o como o ambiente adverso em que vivia contribuiu para sua obscuridade vir à tona, um intrigante estudo da mente de um dos psicopatas mais sanguinários de todos os tempos. Por ser baseado no quadrinho de Derf e sua vivência com Dahmer na fase do colégio traz veracidade ao documentar o processo que o fez se tornar um monstro, o fascínio não está nos assassinatos e sim nas nuances que pôde captar de Dahmer na época.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Na Própria Pele - O Caso Stefano Cucchi (Sulla Mia Pelle)
"Na Própria Pele - O Caso Stefano Cucchi" (2018) dirigido por Alessio Cremonini (Short Night - 2006) é um filme baseado num dos mais chocantes e controversos casos judiciais da história da Itália, muitas dúvidas surgem em relação ao protagonista, mas a dor e o medo salta da tela e é impossível não sentir revolta ou pelo menos questionar e refletir acerca do sistema judiciário, as falhas, as burocracias, a falta de humanidade, o abuso de poder, é insano a medida que tomam e ainda mais estranha é a forma que conduzem o caso, extremamente desumano.
Stefano Cucchi (Alessandro Borghi) foi o protagonista de um dos mais inquietantes casos judiciais da história da Itália. Stefano foi detido pela polícia em 2009, suspeito de atividades criminosas e acusado de posse ilegal de drogas. Dias depois, ele foi encontrado morto em sua cela preventiva, em estado de desnutrição e com diversos hematomas. As investigações do caso reverberam até hoje e evidenciam um lado sombrio do sistema judicial italiano.
De modo imparcial acompanhamos a história de Stefano, que numa noite depois de jantar na casa dos pais sai de carro com um amigo e é abordado por policiais e preso acusado por posse ilegal de drogas, a polícia já o trata como se fosse um criminoso e revista até a casa dos pais no meio da noite, sem muito o que fazer é colocado atrás das grades, antes disso alguns policiais entram numa sala com Stefano e o espancam, seu histórico como dependente só piora as coisas e a juíza decide pela prisão, no depoimento por receio ele não diz sobre a violência cometida contra ele e inventa que caiu da escada, a falta de confiança nos agentes de saúde ou em qualquer outra pessoa vinculada ao poder o fez ficar calado, o espancamento foi pesado e com o passar das horas sua situação foi piorando muito, Cucchi é passado nas mãos de várias autoridades e sem nenhum tipo de auxílio médico, além de ignorarem o fato de que foi espancado, ele conta a história da escada e todos fingem acreditar, alguns agentes de saúde até perguntam, mas ele não sente que isso o ajudará. Tudo está contra ele, o veredito já aconteceu e nem seu próprio advogado foi chamado, são falhas do sistema que geram revolta, principalmente aos pais que nem notícias puderam ter, pois foi trancafiado em uma ala protegida e Cucchi não recebia nenhum tipo de visita. Em determinado ponto, já imensamente debilitado ele se recusa a receber tratamento, um modo de conseguir apelar e receber notícias de fora, ou que os médicos abrissem os olhos para a situação real.
Impressionante a interpretação de Alessandro Borghi, sua caracterização é perfeita e está completamente entregue, sua dor transpassa a tela, incomoda e pesa, isso tudo devido a sua brilhante performance física, torturado e espancado Cucchi precisou aguentar uma dor lancinante e durante um período curto e devastador passou de mãos em mãos e acabou morrendo por várias falhas, desde o abuso de poder, a violência policial, calúnias, negligência médica, entre outras. Esse é um caso que ecoa até hoje e que possui muitas reviravoltas, entre acusações, absolvições e reabertura de processos contra os policiais e médicos. A irmã de Cucchi, Ilaria Cucchi empreendeu uma dura batalha para a verdade vir à tona e para que os responsáveis respondessem ao crime, entre eles cinco policiais, seis médicos e três enfermeiros.
"Na Própria Pele - O Caso Stefano Cucchi" retrata que os direitos humanos estão cada vez mais sendo pisoteados e isso é no mundo todo, caminha-se para algo pior, infelizmente, o abuso de poder, a violência, a ignorância em lidar com as pessoas dependentes ou ex-dependentes, as falhas da lei, as burocracias, a falta de recursos em saber como se lidar com essas pessoas causam tragédias, a família de Cucchi teve força e ajuda, mas quantos e quantos outros casos semelhantes acontecem e não se tem conhecimento? É um misto de indignação e tristeza que esse filme provoca ao expor as mazelas da justiça.
Disponível no catálogo da Netflix!
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
A Mulher Mais Assassinada do Mundo (La Femme la Plus Assassinée du Monde)
"A Mulher Mais Assassinada do Mundo" (2018) dirigido por Franck Ribière é baseado na história real da atriz Paula Maxa, ícone do teatro Grand-Guignol, especializado em espetáculos de horror entre os anos 1897 e 1962. Paula Maxa nome artístico da atriz francesa Marie-Thérèse Beau atuou neste popular teatro entre 1917 a 1933, seus papéis sempre consistiam em dramas excessivos nos quais ela era torturada e morta de diversas maneiras, por conta do sucesso ela ficou conhecida como a mulher mais assassinada do mundo, ela teria sido morta cerca de 358 vezes no palco levando ao público um sentimento de horror e dúvida, já que as cenas eram feitas com perfeição, inclusive usando métodos à frente do tempo em relação a efeitos de maquiagem, como o sangue, que era usado em demasia. O filme apesar de desandar em seu desenvolvimento e ter um final anticlimático consegue incutir curiosidade e manter um tom sombrio em que a ficção se mistura à realidade.
O filme tem uma espécie de prólogo nos inserindo à figura de Maxa, imergimos em seu macabro universo permeado de mortes de todos os tipos, o clima sombrio flerta com o estilo noir e a voz imponente de Anna Mouglalis narra as maneiras das quais sua personagem morreu: estrangulada, envenenada, decapitada, violentada, esmagada, esquartejada, alvejada, afogada e por aí vai, então vem uma abertura e a história segue com o jornalista Jean (Niels Schneider) indo ao teatro a fim de produzir uma matéria sobre os protestos que estão acontecendo para o fechamento do teatro, o período em que tudo se passa é os anos 30 e para a maioria os espetáculos incitam a violência e desvirtuam as pessoas, o teatro Grand-Guignol se tornou sinônimo do horror devido as esquetes exclusivamente sobre assassinatos e torturas repletas de sangue - o que se tornaria tempos depois um subgênero do terror, o gore, difundido por George Romero, especialmente - os populares desmaiavam e até vomitavam durante a peça, o fato é que esse lugar era considerado um templo do horror em Paris. Jean fica encantado com o que vê e acaba conhecendo Paula e com o decorrer descobre que sua vida pessoal tem a ver com o que representa, ela tem o sofrimento como algo inerente. Jean descobre mais do que deveria, há um suspense não definido e uma confusão entre o que acontece fora do teatro com o que acontece dentro, o sumiço do jornalista, por exemplo, alguns acontecimentos parecem desconexos e as explicações são rasas. Mas há um bom empenho no que diz respeito a homenagear o grande teatro, as cenas são reproduzidas com muito amor, os bastidores e as artimanhas que usavam para fascinar e chocar o público são excelentes.
O que mais chama a atenção é o visual, a ambientação e a atmosfera com suas ruas escuras e esfumaçadas, a sensação é de estar assistindo um filme antigo, Anna Mouglalis dá vida a Maxa com muita força, seus olhos e sua voz são impossíveis de não notar, dão uma característica peculiar. As pessoas entravam no teatro sabendo que ela iria morrer, elas iam especialmente para isso, a cada noite uma morte, fascinantes efeitos de maquiagem, e que deixavam as autoridades de cabelo em pé, até duvidando da onde viria todo aquele sangue que era jogado literalmente na cara da platéia, já era avisado antes de entrarem: "Nosso sangue é sempre fresco e os clientes que não quiserem levá-lo para casa em suas roupas, devem evitar os assentos próximos do palco".
"A Mulher Mais Assassinada do Mundo" é um exemplar curioso e que instiga a procurar mais sobre a atriz Paula Maxa, o teatro Grand-Guignol, seus espetáculos de horror que chocavam e fascinavam o público e até o como o cinema absorveu muitos dos elementos e efeitos desse período e que são usados até hoje.
Disponível no catálogo da Netflix!
Disponível no catálogo da Netflix!
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
The Doors
"Quando as portas da percepção forem abertas, veremos tudo como realmente é: infinito."
(Citação de William Blake, que por sua vez Adouls Huxley se inspirou para escrever "As Portas da Percepção", e da qual Morrison tirou o nome da banda.)
"The Doors" (1991) dirigido por Oliver Stone (Assassinos por Natureza - 1994) é uma biografia musical de Jim Morrison, a voz e a alma dos Doors, um homem que marcou várias gerações e que ainda hoje nos faz interrogar se algum dia alguém o conheceu realmente. A história retrata a ascensão e a decadência de Jim, mostra sua passagem pelo conturbado mundo do rock´n roll, onde as drogas e o sexo reinavam.
Para quem deseja conhecer mais um pouco sobre o ídolo o filme é ótimo, ele destaca os seis últimos anos de Morrison, Val Kilmer encorporou Jim de forma visceral, em muitos momentos ele está idêntico, além de cantar divinamente. Suas performances sem dúvidas são a alma do filme.
O filme começa retratando Jim quando criança testemunhando um acidente de caminhão envolvendo índios, esse episódio o marcará e inclusive ele terá visões de um xamã por toda a sua trajetória. Em 1965, Jim e seu amigo Manzarek (Kyle MacLachlan) estudam cinema, também conhece sua musa inspiradora Pamela Courson (Meg Ryan), Jim se dedica a escrever poemas e letras de músicas, ao mostrar uma delas a Manzarek, este fica encantado e dá a ideia de formar uma banda, se juntam a eles Robby Krieger (Frank Whaley) e John Densmore (Kevin Dillon), as letras vão nascendo e o contrato com a Elektra Records surge, logo o sucesso chega, a banda ganha status na contracultura, o espírito da época é maravilhosamente bem delineado e somos absorvidos pela atmosfera hippie. As passagens em que mostram os integrantes viajando com LSD é outro ponto de destaque. O sucesso engole Jim, o excesso de álcool, drogas, o relacionamento conturbado com Pam, a infidelidade de ambos renderam brigas épicas que beiravam à loucura, ela também tinha atitudes autodepreciativas apesar de sua personalidade espontânea de início, ela se afundou junto de Jim.
Para quem é fã talvez sinta falta de um aprofundamento, mas devido diversas inviabilizações, como o tecladista Manzarek ter sido contra o filme e outras dificuldades de produção, só após 20 anos de tentativas que o longa surgiu com o protagonismo de Val Kilmer, papel que antes estava destinado a John Travolta, o fato é que mesmo diante de muitas licenças poéticas, a história consegue cativar e dar uma ideia do que foi a loucura da época, o sucesso surreal da banda, a genialidade de Jim, que era cheio de habilidades no palco, sexy, contestador e enfeitiçava o público com suas letras melancólicas, viajadas e fascinantes improvisos.
O baterista John Densmore em vários momentos enfrenta Jim e o alerta para o uso desenfreado de drogas, de que o intuito era usar para expandir a mente e não como modo de fuga, também retrata a genialidade de Manzarek, que era tão importante quanto, pois era o responsável pelo som psicodélico da banda, os integrantes não são tão explorados, mas dá pra ter noção do quão grande era a figura de Morrison, o frenesi em torno de si e o quanto isso o deixava vulnerável, precisando cada vez mais ser adorado. Outra personagem interessante é a jornalista Patricia (Kathleen Quinlan), adepta de rituais de bruxaria, há uma cena muito doida em que bebem sangue e dançam alucinadamente.
"The Doors" é uma boa introdução à vida de Morrison e aos Doors, uma das bandas mais explosivas do final dos anos 60 e começo dos 70, Jim, acima de tudo, era um poeta e buscava a si mesmo, para isso encarava a dor e flertava com a morte. No final, em torno de tantas polêmicas e acusações caiu numa profunda depressão, sua morte é envolta em mistérios e boatos até hoje, a verdade não sabemos, mas o que importa é o seu legado magistral e imortal.
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