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quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Benzinho
"Benzinho" (2018) dirigido por Gustavo Pizzi (Riscado - 2010) é um ótimo filme que retrata de maneira emocionante e verdadeira os dramas de uma família de classe média brasileira, desde os obstáculos econômicos, as brigas, o cansaço, mas também os laços, o companheirismo e o amor, principalmente, o da mãe, vivido brilhantemente por Karine Teles, da qual possui uma força imensa e se entrega com muito naturalismo. O fato de ser um filme feito praticamente em família, já que Gustavo Pizzi é ex-marido de Karine e seus filhos gêmeos estarem em cena, além do sobrinho de Karine é algo que cria realmente uma atmosfera familiar.
O primogênito de uma família de classe média é convidado para jogar handebol na Alemanha e lança sua mãe (Karine Teles) em uma espiral de sentimentos pois, além de ajudar a problemática irmã (Adriana Esteves), lidar com as instabilidades do marido e se desdobrar para dar atenção ao seus outros filhos, ela terá de enfrentar sua partida antes de estar preparada para tal.
Fernando (Konstantinos Sarris), o filho mais velho de Irene é convidado para estudar e jogar handebol na Alemanha, a notícia pega de surpresa a família, Klaus (Otávio Müller), o pai, fica muito contente e é ele que corre atrás da papelada, enquanto Irene mergulha nos problemas cotidianos e financeiros para ignorar esse fato. Seus sentimentos em relação a partida do filho são conflituosos e o seu psicológico fica abalado, o medo de que seu filho nunca mais retorne para casa a impede que sinta alegria da conquista dele, Fernando tem pouco tempo para arrumar as coisas e partir, só que Irene não quer pensar sobre e sempre que a conversa vem à tona se assusta com a data da partida e diz que não a avisaram que seria tão cedo. Irene é uma mãezona, se dedica de corpo e alma aos seus quatro filhos, ela sabe que mais cedo ou mais tarde eles irão alçar voo, mas quando acontece mesmo algo a trava para não refletir e não sofrer. Muito zelosa, ela também abre as portas para sua irmã, que sofre com a inconstância de comportamento do seu marido, todos a recebem de braços abertos e ela também acaba sendo um suporte para Irene, a relação de amizade e cumplicidade das duas é muito bonita, essa grande família possui um vínculo forte de afeto.
Acompanhamos toda a trajetória emocional desta mulher, seus conflitos internos e externos, sua gana de vida, sempre se virando para conseguir um extra, sua felicidade em se formar no ensino médio e conseguir driblar os problemas cotidianos e cuidar dos filhos.
É um filme que é muito próximo da realidade, o jeito da família, da convivência e até os problemas corriqueiros, como o adiamento para consertar uma torneira ou uma porta emperrada, dos sonhos em poder ter uma casa melhor, de encontrar meios de ganhar dinheiro por conta própria, seja vendendo marmita, jogos de lençol, etc. O marido de Irene é muito sonhador e vive a planejar um futuro que para ela parece bem distante, ele deseja vender uma casa que eles tem na praia para comprar um ponto e fazer um restaurante que acredita que vai ser sucesso, mas a realidade acaba sempre batendo a sua porta e adiando todos os seus propósitos.
"Benzinho" é um filme sensível e emocional ao colocar o medo que uma mãe sente em ver seu filho ir embora de casa, olhá-lo crescido e admitir que chegou o momento da separação, ela só realmente se dá conta de tudo quando Fernando entra no ônibus, em meio a tantos sentimentos ela chora e sorri e percebe no desfile cívico em que seu filho do meio, Rodrigo, está tocando, que ele será o próximo.
É um filme que faz um retrato sincero e bonito de uma família bem brasileira, repleta de problemas, mas com muito afeto um pelo outro.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Severina
"(…) as vidas dos indivíduos consistem em certas coisas classificáveis, divididas entre as reais, que são raras e valiosas; as simples, que são ordinárias e normais; e as fantasmas, ou ‘névoas’ — como febre, dor de dente, terríveis decepções…"
"Severina" (2017) dirigido por Felipe Hirsch (Insolação - 2010), baseado na obra do guatemalteco Rodrigo Rey Rosa é um filme brasileiro/uruguaio delicado e imersivo, um exercício metalinguístico sedutor e que consegue captar perfeitamente a atmosfera literária. Melancólico, agradável, um delírio fascinante que traz um sabor amargo e ao mesmo tempo prazeroso.
Dono de livraria (Javier Drolas) se encanta com uma mulher (Carla Quevedo) que visita sua loja e volta dia após dia para cometer furtos. Inicialmente ele não reage, mas numa das vezes, mais interessado em puxar conversa do que recuperar o prejuízo, ele a encurrala. Ela passa então a pegar livros em outros estabelecimentos, porém ele não está disposto a se libertar da misteriosa obsessão.
Somos introduzidos a um ambiente dominado por um ar literário, as ruas clássicas de Montevidéu repleta de sebos, prédios antigos, um charme romântico único, a fotografia escura acentua o clima de elegância e melancolia. Dividido em capítulos, a narrativa flui exatamente como se estivéssemos lendo um livro, as cenas são páginas que mesclam realidade aos devaneios do protagonista que se apaixona de forma obsessiva por uma moça misteriosa que entra em sua livraria e rouba livros, o livreiro consumido pelo tédio e que sonha em escrever um romance vê nela uma chance de quebrar a monotonia e viver um amor. R. promove encontros de leitura em sua livraria, lá é ponto de encontro dos bibliófilos, e num dia aparece uma moça e vasculha as prateleiras e pega alguns livros e enfia debaixo da blusa, R. a olha com admiração e espanto e nos dias que se sucedem ele parece não se importar com os roubos, mas sim em querer vê-la novamente e puxar assunto, assim quando ela volta e rouba mais alguns livros ele a prende no local e a faz devolvê-los e, por consequência, conhecê-la, mas a moça é misteriosa e não permite muitas perguntas, quando ela quer dizer algo ela diz sem a necessidade de perguntas, diz se chamar Ana e que mora com o pai em uma pensão, que rouba os livros para consumo deles próprios, pois são amantes de histórias e das muitas vidas que pululam delas.
Somos introduzidos a um ambiente dominado por um ar literário, as ruas clássicas de Montevidéu repleta de sebos, prédios antigos, um charme romântico único, a fotografia escura acentua o clima de elegância e melancolia. Dividido em capítulos, a narrativa flui exatamente como se estivéssemos lendo um livro, as cenas são páginas que mesclam realidade aos devaneios do protagonista que se apaixona de forma obsessiva por uma moça misteriosa que entra em sua livraria e rouba livros, o livreiro consumido pelo tédio e que sonha em escrever um romance vê nela uma chance de quebrar a monotonia e viver um amor. R. promove encontros de leitura em sua livraria, lá é ponto de encontro dos bibliófilos, e num dia aparece uma moça e vasculha as prateleiras e pega alguns livros e enfia debaixo da blusa, R. a olha com admiração e espanto e nos dias que se sucedem ele parece não se importar com os roubos, mas sim em querer vê-la novamente e puxar assunto, assim quando ela volta e rouba mais alguns livros ele a prende no local e a faz devolvê-los e, por consequência, conhecê-la, mas a moça é misteriosa e não permite muitas perguntas, quando ela quer dizer algo ela diz sem a necessidade de perguntas, diz se chamar Ana e que mora com o pai em uma pensão, que rouba os livros para consumo deles próprios, pois são amantes de histórias e das muitas vidas que pululam delas.
Ana é sua musa de carne e osso, antes ele nutria-se e livrava-se do tédio com o que lia, com a enigmática moça que rouba livros se vê enredado numa narrativa que ele mesmo quer tecer, sua curiosidade é aguçada a cada visita que ela faz e seu interesse torna-se obsessivo quando ela se afasta após um sarau, eles se amam e ele a acompanha para a pensão, crê que está namorando, quer conhecer o pai/namorado e Ana diz que é complicado e que a vida é uma merda. R. desesperado por perder sua musa num impulso pega suas malas e muitos livros e se hospeda na mesma pensão a fim de encontrar Ana, no dia seguinte seus livros desapareceram junto de sua amada. O mistério cresce e o livreiro começa a procurar pistas, vai até o sebo de Ahmed (Alejandro Awada), um muçulmano ateu com grande conhecimento sobre a doutrina cristã, ele o avisa que ele não foi o primeiro a se apaixonar e que era frequente os roubos, contou algumas coisas que poderiam ser ou não verdades e que demoraria até o inverno para a moça regressar.
Ana é um mistério, ao lado de um homem (Alfredo Castro) cuja identidade é uma incógnita vai de lá para cá, assume vidas diferentes, mas sempre roubando livros e seduzindo os livreiros, R. se apaixona pelo mistério que Ana provoca, tirando-lhe da monotonia e o transformando num desses personagens de romances clássicos com seu amor obsessivo. A trama conduz o espectador para situações que bambeiam entre realidade e surrealidade, colocando em dúvida sobre o que de fato é ou não é, seria tudo produção da mente do livreiro, ou realmente essa mulher fascinante existe?
O filme entrelaça literatura e cinema de um jeito delicioso e deixa no espectador o sabor de um livro lido, o encanto de contemplar uma história de amor, fonte inesgotável, tanto para as criações de obras literárias quanto cinematográficas. A união dessas artes resulta num filme melancolicamente charmoso em todos os quesitos.
"Severina" como o próprio personagem diz é um "delírio amoroso", um conto entre uma ladra de livros e um livreiro aspirante a escritor, uma ode à literatura.
Não tem como não se apaixonar pelos lugares retratados, as ruas por onde os personagens passam, ou os interiores das livrarias remetendo à épocas passadas. Traz a magia das palavras escritas, tão esquecidas nos dias de hoje em que tudo é pressa e imagem, há uma nuvem de decadência pairando sobre esses lugares abarrotados de livros, prateleiras que guardam verdadeiras relíquias e histórias atemporais, cujas fronteiras entre realidade e imaginação são invisíveis, como outro personagem diz, "livreiros são como alquimistas".
É um abraço apertado e gostoso entre cinema e literatura. Um mimo adorável para os bibliófilos e os cinéfilos!
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
18 Filmes sobre Velhice
A velhice já foi abordada sob diversos aspectos no cinema, com delicadeza, humor, crueza e realidade. O fato é que temos que encará-la, pois faz parte do ciclo da vida, é uma realidade que todos enfrentaremos, caso não morrermos antes. Confira a lista que trata deste assunto ainda pouco discutido e que exemplifica o processo do envelhecimento com todas as suas dificuldades, perdas, mas também aprendizados e alegrias.
"Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos aos, estes ainda reservam prazeres." (Seneca)
E Se Vivêssemos Todos Juntos? (Et Si On Vivait Tous Ensemble? - 2011)
Annie (Geraldine Chaplin), Jean (Guy Bedos), Claude (Claude Rich), Albert (Pierre Richard) e Jeanne (Jane Fonda) são melhores amigos há mais de quatro décadas. Enquanto os dois primeiros e os dois últimos são casados, o do meio é um tremendo solteirão convicto, que não se cansa de aproveitar a vida. Quando a saúde deles começa a piorar e o asilo se apresenta como solução para um deles, surge a ideia de todos morarem juntos. Mas a novidade acaba trazendo a reboque algumas antigas experiências, que irão provocar novas consequências na vida de cada um.
Lugares Comuns (Lugares Comunes - 2002)
A vida de um professor universitário argentino muda radicalmente depois que ele é obrigado - por decreto - a se aposentar. Ao lado de sua mulher, com quem forma um casal apaixonado e dedicado, viaja para a Espanha. Na volta, procura uma nova ocupação mudando-se para uma fazenda. Saiba+
Elsa e Fred - Um Amor de Paixão (Elsa y Fred - 2005)
Uma incomum e divertida história de amor. Fred é um senhor recém viúvo e apático que vê a sua vida ser completamente transformada ao conhecer a extravagante Elsa, uma inquietante senhora com espírito jovial e aventureiro. Ela é uma mulher de 83 anos que sonha em conhecer Roma e ele é um homem de 80 anos que começa a viver a vida.
A Demora (La Demora - 2012)
María é uma mãe solteira, de meia idade e com três filhos. Ela nunca está sozinha, toma conta de todos, dorme pouco e trabalha demais. Augustín é seu pai, que está senil e sabe disso. Uma visita de María ao escritório de previdência social revela que ela é muito pobre para colocar seu pai em um asilo, porém muito rica para receber benefícios. Ela pensa numa solução cruel: abandonar seu pai em uma praça. Augustín espera então pelo demorado retorno da filha.
Vulcão (Eldfjall - 2011)
A história de amadurecimento de um homem de 67 anos de idade. Quando Hannes se aposenta de seu emprego como zelador, começa o vazio que é o resto de sua vida. Ele está afastado de sua família, quase não tem amigos e o relacionamento com sua esposa está desgastado. Por meio de eventos drásticos, Hannes percebe que ele tem que ajustar sua vida a fim de ajudar alguém que ama.
Poesia (Shi - 2010)
Mija, de 66 anos, solitária e batalhadora, amante das flores e da poesia, descobre estar sofrendo de Alzheimer. Além disso, ela descobre que o neto, de quem cuida sozinha, participou do estupro coletivo de uma garota que teria, por esta razão, cometido suicídio. Saiba+
Hanami - Cerejeiras em Flor (Kirschblüten - Hanami - 2009)
Trudi (Hanelore Elsner) vive um dilema, já que é a única pessoa a saber que seu marido Rudi (Elmar Wepper) tem uma doença em estágio terminal e precisa decidir se vai contar a ele ou não. O médico sugere que eles façam algo juntos, como realizar um velho sonho. Saiba+
Rugas (Arrugas - 2012)
Baseado nos quadrinhos homônimos de Paco Roca, "Rugas" é um longa animado em 2D para adultos. Retrata a amizade entre Emilio e Miguel, dois idosos trancafiados em um asilo. Recém chegado, Emilio, nos estágios iniciais de Alzheimer, é ajudado por Miguel e outros colegas a não ser mandado para o “andar de cima” do asilo, também conhecido pelas “causas perdidas”. Seus planos loucos dão humor e ternura ao cotidiano tedioso. Ainda que para muitos suas vidas houvessem acabado, eles acabaram de começar uma nova.
O Ancião Que Saiu Pela Janela e Desapareceu (Hundraåringen Som Klev Ut Genom Fönstret Och Försvann - 2013)
No dia de seu centésimo aniversário, um homem foge da casa de repouso. Certo de que nunca é tarde pra recomeçar, ele embarca em uma série de aventuras enquanto conta a história surreal de sua vida.
A Festa de Despedida (Mita Tova - 2014)
Idosos moradores de um asilo em Jerusalém inventam uma máquina de eutanásia para ajudar os amigos em condições críticas. A criação é um sucesso e a fama do objeto logo se espalha, atraindo inúmeros interessados em utilizá-lo. Saiba+
Nebraska (2013)
Woody Grant (Bruce Dern) é um homem idoso que acredita ter ganho US$ 1 milhão após receber pelo correio uma propaganda. Decidido a retirar o prêmio, ele resolve ir a pé até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska. Percebendo que a teimosia do pai o fará viajar de qualquer jeito, seu filho David (Will Forte) resolve levá-lo de carro. Só que no caminho Woody sofre um acidente e bate com a cabeça, precisando descansar. David decide mudar um pouco os planos, passando o fim de semana na casa de um de seus tios antes de partir para Lincoln. Só que Woody conta a todos sobre a possibilidade de se tornar um milionário, despertando a cobiça não só da família como também de parte dos habitantes da cidade. Saiba+
Ela Vai (Elle S'en Va - 2013)
Bettie (Catherine Deneuve) é uma viúva de 60 anos, que cuida de um restaurante em uma pequena cidade francesa. Amante de um rico industrial local, ela está cansada de ouvir as constantes promessas de que largará a esposa. Um dia isto finalmente acontece, mas, para surpresa de Betty, ele fica com uma mulher mais nova que está grávida. Perturbada com a novidade, ela sai de carro pela estrada e acaba vivenciando diversas situações que irão mudar radicalmente sua vida pessoal e profissional.
A Morte do Sr. Lazarescu (Moartea Domnului Lazarescu - 2005)
Sr. Lazarescu chama uma ambulância após sofrer com dores de cabeça e de estômago. Inicia-se então uma viagem através da cidade, entre um hospital e outro, em busca de tratamento médico.
Amor (Amour - 2012)
Georges e Anne, são professores de música reformados, na faixa dos seus oitenta anos gostam de frequentar espetáculos musicais. Cúmplices, a casa é o paradigma das suas vidas, organizada, recheada de cultura e bastante agradável. No entanto, tudo muda quando de um momento para o outro Anne deixa de reconhecer Georges e entra num estado de coma. Pouco tempo depois, acorda e não se lembra de nada. É o sinal da desgraça que se avizinha na vida do casal. Esta tem de ser operada de uma artéria carótida entupida, uma intervenção que não corre bem e faz com que fique com o lado direito do corpo paralisado, sendo obrigada a locomover-se numa cadeira de rodas. Saiba+
Hora de Morrer (Pora Umierac - 2007)
Aniela é uma enérgica e inflexível relíquia do passado, como a grande casa em estilo dacha rodeada por árvores altas em que vive sozinha com sua impetuosa cadela, Filadelfia. Ela observa, do outro lado da rua, um homem gordo, novo rico grosseiro, que mora em uma grande casa nova e a quem desaprova, e na esquina, uma casa caindo aos pedaços, ocupada por uma escola de música que luta para sobreviver. Todo mundo quer a casa e o terreno de Aniela. Quando o vizinho, auxiliado pelo filho interesseiro de Aniela, traça planos para obter a propriedade, Aniela encontra uma maneira de ser mais esperta que eles.
Hora de Morrer (Pora Umierac - 2007)
Aniela é uma enérgica e inflexível relíquia do passado, como a grande casa em estilo dacha rodeada por árvores altas em que vive sozinha com sua impetuosa cadela, Filadelfia. Ela observa, do outro lado da rua, um homem gordo, novo rico grosseiro, que mora em uma grande casa nova e a quem desaprova, e na esquina, uma casa caindo aos pedaços, ocupada por uma escola de música que luta para sobreviver. Todo mundo quer a casa e o terreno de Aniela. Quando o vizinho, auxiliado pelo filho interesseiro de Aniela, traça planos para obter a propriedade, Aniela encontra uma maneira de ser mais esperta que eles.
Histórias Que Só Existem Quando Lembradas (2011)
Jotuomba é uma cidade fictícia, ambientada no Vale do Paraíba, onde nos anos 30 grandes fazendas de café faliram e cidades antes ricas se tornaram quase fantasmas. Lá vive Madalena, a velha padeira, presa à memória de seu marido morto e enterrado no único cemitério da cidade, hoje trancado. Rita, uma jovem fotógrafa, chega à cidade e pouco a pouco modifica o cotidiano de Madalena.
A Juventude (La Giovinezza - 2015)
Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel), dois velhos amigos com quase 80 anos de idade cada, estão passando as férias em um luxuoso hotel. Fred é um compositor e maestro aposentado e Mick é um cineasta em atividade. Juntos, os dois passam a se recordar de suas paixões da infância e juventude. Enquanto Mick luta para finalizar o roteiro daquele que ele acha que será seu último grande filme, Fred não tem a mínima vontade de voltar à música. Entretanto, muita coisa pode mudar.
Floride (2015)
O francês Claude Lherminier (Jean Rochefort) completou 80 anos e com o avançar da idade também vem os esquecimentos. Sua filha mais velha, Carole (Sandrine Kiberlain), enfrenta dificuldades para lidar com ele e tudo piora quando o pai toma a decisão de viajar à Flórida. Saiba+
Floride (2015)
O francês Claude Lherminier (Jean Rochefort) completou 80 anos e com o avançar da idade também vem os esquecimentos. Sua filha mais velha, Carole (Sandrine Kiberlain), enfrenta dificuldades para lidar com ele e tudo piora quando o pai toma a decisão de viajar à Flórida. Saiba+
sábado, 1 de março de 2014
O Banheiro do Papa (El Baño del Papa)
Dirigido por César Charlone e Enrique Fernández, "O Banheiro do Papa" (2007) é baseado em acontecimentos reais. Em maio de 1988, o Papa João Paulo II visita o Uruguai e a cidade de Melo, próxima a fronteira com o Brasil. O povo espera a visita de milhares de pessoas e decidem aproveitar para ganhar dinheiro, montando barracas de linguiça, chouriço, algodão, doce, torta frita, balões, etc. Beto, o personagem central é um contrabandista, viaja todos os dias com sua inseparável bicicleta ao Brasil a fim de comprar encomendas para as vendas e mercadinhos de sua cidade. Na esperança de conseguir algum dinheiro tem a brilhante ideia de construir um banheiro no quintal de sua casa, porque acredita piamente que virá muitas pessoas à cidade ver o Papa, e consumindo, com certeza terão vontade de ir ao banheiro.
Beto é o retrato de um homem trabalhador, que luta pelo sustento de sua família, a esperança salta de seus olhos. O filme cativa pela sua simplicidade, os personagens são reais. Não se trata de religião neste longa, a chegada do Papa é apenas um pano de fundo para mostrar os conflitos dos personagens, os percalços e toda a trajetória por uma vida melhor. O que acontece é o seguinte: O Papa vem à cidade, porém os visitantes não! A maioria são habitantes do Uruguai, e ninguém comprou nada, o banheiro de Beto ficou esperando seus visitantes. Um ponto a ser destacado deste filme é que faltava a privada do banheiro, e Beto literalmente correu para conseguir que desse tempo antes que as pessoas pudessem querer usá-lo, esse é o momento mais emocionante, ver aquele homem cansado fisicamente e psicologicamente de uma vida pobre e modesta. Os moradores sofreram muito com isso, sobraram comidas, bebidas e foram desperdiçadas ou doadas, foi uma tremenda falta de sorte, como avisa os créditos inciais. Uma calamidade econômica. A mídia contribuiu imensamente para esse desastre, dizendo que milhares de brasileiros visitariam a cidade de Melo, isso mostra o quão sensacionalista e mentirosa são os meios de comunicação.
Sonhos foram criados por conta disso, a filha de Beto tinha o desejo de se tornar radialista e com certeza o dinheiro iria ajudá-la. Tudo foi por água abaixo. "O Banheiro do Papa" se mostra um filme humanista, o Papa foi, falou algumas palavras, abençoou o local e se mandou, o povo percebeu que ele não pode fazer nada, quem faz são eles mesmos, todos os dias tentando melhorar suas vidas. O grande evento era uma oportunidade, em desespero ou pura ignorância, o povo se endividou ao invés de lucrar, mas o olhar otimista persiste e nos mostra que ideias sempre surgem, e a esperança está entranhada no ser humano, principalmente nos mais simples.
"O Banheiro do Papa" é um filme triste e feliz, que nos conta uma história simpática sobre um povo pobre que busca melhorar de vida como qualquer outro, acho que qualquer um veria a visita do Papa como um meio de ganhar dinheiro, mas quem adivinharia que não iria aparecer a quantidade de pessoas dita pela mídia? Por isso é que não se deve acreditar em tudo que aparece na televisão.
Um filme criativo que esbanja esperança, esperança de um cinema maravilhoso bem pertinho de nós. E Beto não se deu tão mal, ficou com um banheiro novinho!
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Whisky
"Whisky" (2004) nos faz lembrar que é preciso olhar com mais carinho para o cinema latino, sabemos que a Argentina tem se destacado com muito vigor e inteligência abrangendo um grande público, o Chile também tem nos presenteado com maravilhas, assim como Colômbia, Peru e Uruguai, que apesar de produzir pouco sabe fazer cinema de qualidade, simples mas eficaz.
"Whisky" é um filme monótono, repetitivo, de sorriso amarelo igual aos dos retratos que colocamos em cima dos móveis, para que quem os veja perceba que ali moram pessoas "felizes". Os personagens são pessoas comuns completamente vazias por circunstâncias da vida e de qualquer forma não querem mudar sua rotina, preferem continuar numa repetição diária e sem graça. Dirigido pela dupla Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella (este suicidou-se em 2006), é um filme que fala sobre solidão com boas doses de um bom humor amargo.
Em Montevidéu vive Jacobo (Andres Pazos), um homem de 60 anos que vive sozinho desde a morte de sua mãe. Desde então sua única alegria na vida é a pequena fábrica de meias que possui. Marta (Mirella Pascual) é uma mulher de 48 anos que é o braço direito de Jacobo na fábrica, onde trabalha como supervisora. Marta e Jacobo possuem uma espécie de dependência mútua, apesar dos assuntos entre eles sempre ficarem em torno do trabalho. Até que um dia Herman (Jorge Bolani), o irmão de Jacobo, avisa que irá a Montevidéu para participar da matzeiva, uma celebração judaica para a colocação da pedra do túmulo em até um ano após a morte de uma pessoa. Herman não vai a Montevidéu há mais de 20 anos, tendo faltado até mesmo no funeral de sua mãe, sendo que também tem uma pequena fábrica de meias, localizada no Brasil.
A visita de Herman desperta em Jacobo a velha competição existente entre os irmãos, desse modo ele faz uma proposta a Marta: que ela seja sua esposa durante a visita de Herman. Marta aceita a proposta. Ela passa então a morar no apartamento de Jacobo, onde ambos passam a se dedicar em enganar Herman durante sua estadia. Marta trabalha para Jacobo na fábrica de meias, de certo modo ele depende dela para que as coisas sigam seu rumo diário, depois da notícia da vinda do irmão de Jacobo, este resolve fazer a proposta para que ela fique em sua casa por uns dias, ela muito prestativa aceita, talvez por realmente gostar do patrão, ou simplesmente porque não tem mais nada na vida para se ocupar. Com a chegada de Herman ela se transforma, vemos em seus olhos um fio de esperança, no passeio que os três fazem a um hotel percebemos o quanto de vida há naquela mulher. Jacobo por sua vez não dá o braço a torcer, seus olhares de soslaio para Marta indicam que ele se importa, mas não é capaz de mudar o que há tanto tempo se solidificou.
Herman é o típico judeu que pensa em trabalhar, trabalhar e ganhar dinheiro, é mais alegre que o irmão, construiu uma família de verdade, expandiu os negócios, mas ao final descobrimos que não é tão feliz, pois não consegue aproveitar os benefícios de suas longas horas de trabalho. Quando Herman vai embora, Jacobo volta para sua rotina, Marta arruma suas coisas e vai embora com um grande vazio e desesperança, um choro amargo a invade, como se a vida fosse um fardo. O filme fala pelas entrelinhas, mas sabemos exatamente o desfecho de cada um deles.
"Whisky" conquistou vários prêmios internacionais, entre os quais se destaca o prêmio da crítica da mostra "Um Certo Olhar" do Festival de Cannes de 2004. Neste mesmo ano, o filme foi uma das sensações do Festival de Gramado, ganhando os kikitos de melhor filme latino, melhor atriz (Mirella Pascual) e prêmio do júri popular.
"Whisky" é a palavra que um dos personagens do filme, um fotógrafo, pede para as pessoas dizerem, para que se apresentem sorrindo nas fotos, ou seja, uma falsa ilusão.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Gigante
"Gigante" (2009) é um filme simples e realista, de pessoas comuns que precisam sair de situações cotidianas, Jara enfrenta, como tantas outras pessoas, a timidez. Ele é vigia noturno de um supermercado e se apaixona por uma das faxineiras através das câmeras de segurança que ele acompanha pela madrugada. Solitário, de rotina vazia, de poucas palavras e amigos, Jara tem uma grande dificuldade em se aproximar de sua pretendente e prefere vigiá-la fora e dentro do supermercado, como um voyeur. Somos testemunhas de sua timidez aguda. São poucos os diálogos no filme e a direção é muito eficiente em expressar os sentimentos e sensações de Jara. Horacio Camandule confere enorme consistência a seu personagem, um sofredor apaixonado, e o reveste de complexidade, usando de sua expressão. É o tipo de filme em que o pouco é o bastante.
"Gigante", de Adrián Biniez cativa por ser uma história normal, o protagonista trabalha vigiando os outros, mas também há cenas das quais ele é vigiado, sem querer o diretor expressou o sistema atual em que vivemos, somos vigiados 24hs por dia, em qualquer lugar. A crítica surge de forma natural e mostra o quão pouco de privacidade temos. São vidas pequenas sendo agigantadas, o cotidiano tomando forma, nos aproximando de pessoas comuns. Seres humanos praticamente invisíveis, mas necessários para o movimento, no caso de Jara, o supermercado.
O romantismo masculino predominante no filme é demonstrado sutilmente, ele simplesmente a vigia fora e dentro do trabalho, não chega perto. A personalidade do protagonista é interessante, apesar de enfadonha, um grandalhão que escuta rock pesado. A parte em que ele descobre que Júlia, sua amada, também gosta de rock é das mais legais, parece que ele enxerga uma luz no fim do túnel e, talvez, um começo.
"Gigante" foge completamente dos esteriótipos, mostra como algo tão comum pode render uma bela história, e que lugares inusitados também podem despertar a descoberta de um amor e o fascínio por alguém. É um filme criativo, preciso e o diferencial o torna especial, promovendo um olhar mais detalhado sobre a vida cotidiana.
O filme tem uma ótima sacada sobre a vigilância, o big brother da vida real, a câmera que faz parte do dia a dia de muitas cidades, e que servem tanto para aproximar, como distanciar uns dos outros, inteligentemente sem debater o assunto o diretor coloca isso em questão.
A simplicidade na maioria das vezes é a que nos conta as melhores histórias.
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