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terça-feira, 28 de março de 2023

Copenhagen Cowboy (Série)

"Copenhagen Cowboy" (2022) dirigido por Nicolas Winding Refn (Drive - 2011, O Demônio de Neon - 2016) tem a assinatura do diretor, estilosa, soturna e bizarra, mistura diferentes elementos e gêneros e traz uma originalidade incomum, é um espetáculo misterioso, minucioso e hipnotizante.
Acompanhamos a jornada de Miu (Angela Bundalovic), uma jovem enigmática e lacônica que é comprada por Rosella (Dragana Milutinovic), uma mulher obscura que junto de seu irmão possui um bordel e está inserida no submundo do tráfico de mulheres, ela acredita que Miu tem poderes mágicos que a ajudará engravidar, a sequência de fatos muda a percepção de Rosella e Miu entra numa espiral de vingança pela imundice humana levando de certa forma a justiça. Entre os personagens há Nicklas (Andreas Lykke Jørgensen), metade humano, metade vampiro que cruza o caminho de Miu e que travará um conflito monumental, no caminho ela encontra uma série de pessoas que vivem nesse submundo de crimes, incluindo gangues, tráfico de drogas, esquemas ilegais de todos os tipos e níveis, em meio a essa loucura Miu permanece intacta, seu semblante sempre calmo e direta em suas palavras provoca diversas emoções nesses indivíduos, ela ajuda alguns nesse entremeio com seus poderes, mas parece que tudo que toca inevitavelmente sofre consequências. É bastante intrigante o modo como age, na maior parte do tempo muito lentamente, sua postura estoica e movimentações certeiras nas cenas de ação, além da forma que encontra essas pessoas pelo caminho, parece-se muito com um sonho sombrio. Há uma imensidão peculiar nessa história que mistura elementos de fantasia que passeia pelo sobrenatural e que se mistura aos podres do mundo real. 
O ritmo da série é lenta e hipnotiza tanto pelo modo de filmagem em que a câmera gira sem parar em várias ocasiões, quanto pela estética neon/noir e trilha sonora eletropop/synthpop, além dos enquadramentos perfeitos e que várias vezes remetem a videoclipes,  muitas passagens surrealistas lembram as obras de David Lynch, as respostas dos mistérios por muitas vezes vêm de forma subjetiva e metafórica, ou simplesmente não são respondidas, a narrativa transcorre em moldes próprios e talvez essa dinâmica não agrade tanto, principalmente em seu desfecho.

O apuro estético é um deleite e a maneira incomum que se desenrola a história com personagens excêntricos que vagam pela madrugada de Copenhagen enrolados em maldade e violência e uma heroína aparentemente frágil que não sabe de onde veio para buscar vingança é um tanto inusitado. O sobrenatural se mistura a podridão do mundo real e somos absorvidos por simbologias provocantes e perturbadoras.
 
"Copenhagen Cowboy" é uma série diferenciada dentro do catálogo da Netflix e espero que tenha uma segunda temporada, apesar de achar pouco provável. Vale muito a pena assistir algo que foge das narrativas tão batidas e rasas que séries mais tradicionais trazem, sempre é bom se encantar com perspectivas diversificadas.

quarta-feira, 22 de março de 2023

A Pior Pessoa do Mundo (Verdens Verste Menneske)

  

"A Pior Pessoa do Mundo" (2021) dirigido por Joachim Trier (Thelma - 2017) é um filme repleto de questões, induz o espectador a pensar sobre si mesmo e o estar no mundo, a confusão da protagonista gera antipatia, mas ela representa a maioria das pessoas, pois a indecisão e o estar perdido diante de tantas possibilidades e probabilidades gera ansiedade e muitas vezes prostração, quem diz que sabe o que está fazendo e para onde está indo está fingindo muito bem porque a vida é instável e nada objetiva, se considerar a pior pessoa por não saber se uma escolha é melhor que outra, ou optar por coisas que não condizem com expectativas alheias, na verdade, lhe faz mais sensível e consciente.
Julie (Renate Reinsve) é jovem, bonita, inteligente e não sabe exatamente o que deseja em uma carreira ou parceiro. Uma noite ela conhece Aksel (Anders Danielsen Lie), um conhecido romancista gráfico 15 anos mais velho, e eles rapidamente se apaixonam. Ela também conhece um barista de café, Eivind (Herbert Nordrum), que também está em um relacionamento. Julie tem que decidir, não apenas entre dois homens, mas também quem ela é e quem ela quer ser. Entre idas e vindas, Julie escolhe com quem ficar e mais problemas surgem em sua vida. Com prólogo, 12 capítulos e epílogo acompanhamos Julie se mover pela vida sem muita convicção, age conforme seus desejos e encara os momentos com intensidade, mas as escolhas que faz a atingem mais para frente sempre colocando em xeque se é realmente o que quer. Sua relação com Aksel é profunda em afinidades e amor, mas Julie se vê diante da impossibilidade de seguir, anseia experiências e ao contrário de Aksel não pensa firmar a relação e nem quer ter filhos, dessas suas contradições e vulnerabilidades acaba se apaixonando por Eivind em circunstâncias de impulso e que abrangem gostosas descobertas que dura por um tempo e só aumentam suas angústias.
É interessante que aborda a vida adulta de forma realista e mostra que estar perdido e frágil aos 30 é mais comum do que se pensa. São muitas visões e experiências que se quer agarrar e nem sempre o óbvio é o caminho. Estar à deriva sem convicções onde se realiza e se desconstrói facilmente algo faz parte dessa geração que de certa maneira está mais livre de convenções impostas, mais solitárias e com estímulos a mil. Em dado momento Julie diz ser espectadora da sua própria vida, se autodeprecia por abraçar seus desejos e encarar suas escolhas com intensidade, mas isso a faz ser a pior pessoa do mundo?

Aksel tem estabilidade financeira e é bem-sucedido como quadrinista, tem uma relação de afinidade intelectual com Julie e aos poucos vai sentindo vontade de ser pai, mas Julie não está pronta para esse passo e conforme ele mergulha mais e mais em seu trabalho ela sente vontade de se libertar. O término é sofrido, eles se amam, mas cada um está em um ponto da vida, a partir desse momento as coisas começam a soar melancólicas e as escolham tomam um peso absurdo. E Aksel apesar de ter tudo certo em sua vida é surpreendido pelo inevitável, colocando tudo que construiu e se tornou em observação.
 
"A Pior Pessoa do Mundo" faz parte de uma trilogia composta por "Começar de Novo" - 2006 e "Oslo, 31 de Agosto" - 2011, que abordam conflitos existenciais com potência e sensibilidade, são obras melancólicas e que desnudam a existência humana. É preciso olhar para dentro e aprender a aceitar que a vida não pode ser controlada, há instabilidades, angústias, caminhos inesperados, surpresas e renúncias.
Vale ressaltar o incrível corroteirista Eskil Vogt que possui obras maravilhosas em parceria com Joaquin Trier e também como diretor, vide o filme "Blind" - 2014.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Melhores Filmes Vistos de 2022

Selecionei 13 filmes por puro gosto e experiência pessoal, ao longo do ano assisti poucos filmes, mas esses merecem muito entrar na lista.

13- "Lamb" (Cordeiro - 2021) Islândia

María (Noomi Rapace) e Ingvar (Hilmir Snær Guðnason), um casal que vive isolado em sua fazenda na Islândia, fazem o parto de um misterioso recém-nascido entre as ovelhas de seu celeiro. A inesperada perspectiva de uma vida familiar lhes traz muita alegria e eles resolvem criar o bebê como se fosse sua própria filha. "Lamb" (2021) dirigido por Valdimar Jóhannsson é um filme que mescla fantasia e horror a uma narrativa que convida o espectador a exercer sua reflexão e permite uma criatividade sem igual, o desenrolar vai no oposto das histórias imediatistas que não criam vínculos com suas personagens e não produzem sensações mais profundas e que apenas visam saciar a expectativa do público. Muito se compara "Lamb" ao longa de Robert Eggers, "A Bruxa" (2015), acredito que tenha algo em comum em seu cerne, como a ancestralidade que o ser humano é incapaz de entender, sobre sua relação de egocentrismo, desconhecimento e menosprezo com a natureza que acaba gerando atitudes de poder e que mais tarde serão cobradas.

12- "Os Inocentes" (The Innocents/De Uskyldige) 2021 - Dinamarca/Suécia/Finlândia/Noruega/França/Reino Unido

Acompanhamos Ida, uma menina de nove anos que se muda com a família para os arredores de Oslo, Noruega, durante o verão. Junto com sua irmã Anna, que possui autismo, a menina tenta se ajustar ao novo ambiente e faz amizade com duas outras crianças. Quando estão longe dos adultos, esses quatro amigos descobrem que possuem poderes sobrenaturais. O que começa como uma inocente brincadeira, logo se transforma em um jogo sombrio e perigoso. "The Innocents" (2021) dirigido por Eskil Vogt (Blind - 2014) é um filme profundo repleto de nuances que retrata a maldade entrando aos poucos na vida de algumas crianças, entre a ociosidade e a solidão do dia a dia, elas descobrem que possuem poderes e isso é retratado com potência e sem ponderações, não há limites quando o mal é permeado pela inocência, e por isso é tão assustador e perturbador. Vale ressaltar o brilhantismo do elenco infantil, os sentimentos estão à flor da pele, os olhares lançados, os silêncios, as descobertas. Visceral define. Também vale dizer que Eskil Vogt é um exímio roteirista, sua criatividade explode na tela, lembrando sua parceria com Joachim Trier, entre eles: "Oslo, 31 de Agosto" - 2011 e "Thelma" - 2017.

11- "Benedetta" (2022) França/Bélgica/Holanda

No século XVII, uma freira italiana faz parte de um convento na Toscana desde quando era criança. Ela sofre de um distúrbio e tem perturbações e visões religiosas e eróticas. Assistida por uma companheira, a relação entre as duas acabam se tornando um romance amoroso.

 10- "Red Rocket" (2021) EUA


Mikey é um astro decadente de filmes adultos cuja carreira terminou. Enfrentando problemas financeiros em Los Angeles, ele decide rastejar de volta para sua pequena cidade natal, no Texas, para viver com a ex-esposa e a sogra. Quando essa família disfuncional parece estar fazendo as coisas funcionarem, Mikey conhece uma jovem chamada Strawberry trabalhando na caixa registradora de uma loja de donuts local e imagina que a garota pode ser a solução para seus problemas – e a volta por cima em sua carreira.

09- "Men" (2022) Reino Unido 

Após uma tragédia pessoal, Harper (Jessie Buckley) decide ir sozinha para um retiro no meio de um belo campo inglês, na esperança de encontrar um lugar para se curar. Mas alguém ou algo da floresta ao redor parece estar perseguindo ela. O que começa como um pavor se torna um pesadelo, habitado por suas memórias e medos mais sombrios.

08- "Resurrection" (2022) EUA 

"Resurrection" (2022) dirigido por Andrew Semans é um filme magnético e desconfortante, a decaída psicológica da protagonista, sua paranoia persistente e o desenrolar surreal causam um misto de terror e ansiedade. Rebecca Hall (Christine - 2016, The Night House - 2020) está esplêndida ao ir de uma mulher altiva e segura para um total desequilíbrio que a alavanca para fora da realidade. Somos apresentados a Margaret, bem-sucedida, ocupada com sua carreira e maternidade, superprotetora com sua filha adolescente Abbie (Gracie Kaufman) que logo irá embora para a faculdade, sua rotina consiste nisso, além de se relacionar com um cara casado e dar conselhos sobre relacionamento tóxico a uma estagiária. O desencadear dos eventos acontecem sem mais nem menos, um sonho estranho em que ela encontra um bebê dentro do forno e em outro dia eventualmente numa palestra vislumbra um rosto que lhe causa pânico instantâneo. Ela sai correndo imediatamente do local e a partir disso sua derrocada psicológica acontece. David (Tim Roth), o homem que assombra Margaret faz parte de um passado traumático que descobrimos aos poucos e bizarramente ser bem profundo, as insanidades ditas por ele, o joguinho psicológico medonho que cresce à medida que os encontros ocasionais se dão, e isso é uma das coisas mais estranhas do filme, ele simplesmente aparece em todo canto, em um banco na praça, encostado em alguma parede, então não fica muito claro se isso é apenas algo da cabeça de Margaret, como um pesadelo horrível do qual não há como acordar, essa perturbação de não sabermos se é real ou não gera ansiedade e desconforto, ainda mais quando ela perde totalmente o equilíbrio e vive apenas em função de seguir David.

07- "Não Fale o Mal" (Speak No Evil - 2022) Dinamarca/Holanda 

Após conhecerem uma família holandesa durante suas férias na Tosca, uma família dinamarquesa recebe o convite de passar o fim de semana na casa de seus novos amigos. Mas não demora muito para que mal-entendidos revelem que a família holandesa não é quem diziam ser.

06- "Nada de Novo no Front" (Im Westen Nichts Neues - 2022) Alemanha/EUA

Paul Baumer e seus amigos Albert e Muller se alistam voluntariamente no exército alemão, movidos por uma onda de fervor patriótico. Mas isso é rapidamente dissipado quando enfrentam a realidade brutal da vida no front. Em meio à contagem regressiva, Paul deve continuar lutando até o fim, com nenhum objetivo além de satisfazer o desejo do alto escalão de acabar com a guerra com uma ofensiva alemã.

05- "Não! Não Olhe!" (Nope) 2022 - EUA

Na zona rural da Califórnia, os irmãos OJ (Daniel Kaluuya) e Emerald (Keke Palmer) administram uma grande fazenda de treinamento de cavalos. Mas tudo muda quando seu pai Otis (Keith David) morre de forma misteriosa sob uma nuvem sinistra. A partir desse momento, moradores de toda a vizinhança passam a testemunhar um mal terrível se aproximando pelo céu e deixando um rastro de morte e destruição.

04- "Pleasure" (2021) França/Holanda/Suécia

Uma garota sueca de 20 anos tenta ser uma estrela pornô em Los Angeles. Trabalhando na categoria "amador adolescente" e compartilhando um apartamento com outras atrizes, Jessica pretende escalar todos os degraus e se tornar uma verdadeira estrela pornô, tornando-se um mito e trabalhando seu corpo como uma atleta.

03- "O Milagre" (The Wonder - 2022) USA/Reino Unido/Irlanda

Em 1859 uma enfermeira inglesa é chamada a uma pequena vila na Irlanda para investigar o que alguns afirmam ser uma anomalia médica ou um milagre. Lá, ela encontra uma garota de 11 anos que parou de comer há meses e continua viva.

02- "Triângulo da Tristeza" (Triangle of Sadness - 2022) Suécia/Alemanha/Reino Unido/França 

Os modelos Carl e Yaya estão navegando pelo mundo da moda enquanto exploram os limites de seu relacionamento. O casal é convidado para um cruzeiro de luxo com uma galeria de passageiros milionários, um oligarca russo, traficantes de armas britânicos e um capitão de personalidade peculiar, alcoólatra e adorador de Marx. A princípio, tudo parece instagramável. Mas uma tempestade começa a se formar e o cruzeiro termina de forma catastrófica. Carl e Yaya se veem abandonados em uma ilha deserta com um grupo de bilionários e uma das faxineiras do navio. É então que a hierarquia entre eles subitamente se transforma. "Triângulo da Tristeza" (2022) dirigido por Ruben Östlund (Força Maior, 2014 - The Square, 2017), ganhador da Palma de Ouro em Cannes desse ano é um filme que expõe sem metáforas o privilégio da elite, daqueles que não aceitam não e cujo tédio é sanado por situações esdrúxulas. O longa abrange algumas temáticas interessantes que envolvem o capitalismo, como os influencers digitais e a maneira fácil de se ganhar montantes de dinheiro com publicidade, a imagem de perfeição e luxo atraem cada vez mais pessoas para esse mundo e no primeiro capitulo acompanhamos um casal de modelos que, por exemplo, brigam num restaurante sobre quem deveria pagar a conta. As situações exploradas no decorrer são permeadas por muito sarcasmo e o diretor faz questão de provocar o espectador, as pessoas são péssimas e o desenrolar dos acontecimentos só realçam o quão ridículos são.

01- "Pearl" (2022) Canadá/EUA

 
Aprisionada na fazenda isolada de sua família, Pearl (Mia Goth) deve cuidar de seu pai doente sob a vigilância amarga e autoritária de sua mãe devota. Desejando uma vida glamourosa como ela viu nos filmes, todas as ambições, tentações e repressões da personagem colidem, resultando na impressionante história de origem da icônica vilã de ‘X’.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

The Innocents (De Uskyldige)


"The Innocents" (2021) dirigido por Eskil Vogt (Blind - 2014) é um filme profundo repleto de nuances que retrata a maldade entrando aos poucos na vida de algumas crianças, entre a ociosidade e a solidão do dia a dia, elas descobrem que possuem poderes e isso é retratado com potência e sem ponderações, não há limites quando o mal é permeado pela inocência, e por isso é tão assustador e perturbador. Vale ressaltar o brilhantismo do elenco infantil, os sentimentos estão à flor da pele, os olhares lançados, os silêncios, as descobertas. Visceral define. Também vale dizer que Eskil Vogt é um exímio roteirista, sua criatividade explode na tela, lembrando sua parceria com Joachim Trier, entre eles: "Oslo, 31 de Agosto" - 2011 e "Thelma" - 2017.
Acompanhamos Ida, uma menina de nove anos que se muda com a família para os arredores de Oslo, Noruega, durante o verão. Junto com sua irmã Anna, que possui autismo, a menina tenta se ajustar ao novo ambiente e faz amizade com duas outras crianças. Quando estão longe dos adultos, esses quatro amigos descobrem que possuem poderes sobrenaturais. O que começa como uma inocente brincadeira, logo se transforma em um jogo sombrio e perigoso.
Acompanhamos a adaptação e as experiências geradas a partir da amizade que nasce entre Ida, Ben (Sam Ashraf) e Aisha (Mina Yasmin Bremseth Asheim), todos de alguma forma desajustados e solitários, os pais de Ida dão mais atenção a sua irmã Anna (Alva Brynsmo Ramstad), por conta do autismo, são pais que não veem os filhos, não sabem o que se passa e todo o tempo das crianças dispensado nos arredores do prédio surgem ideias de brincadeiras que quando executadas desencadeiam reações diferentes em cada, além disso, descobrem que possuem poderes, Ben consegue mover objetos, Aisha consegue ler pensamentos, e esta cria um laço com Anna, que desenvolve-se a partir dessa conexão. Esse elo de certa forma alimenta Ida e ela vai se modificando, entendendo a empatia, ao contrário de Ben, que utiliza seu poder para cometer maldades para aqueles que lhe fizeram alguma coisa. O desenvolvimento da história é interessante, misteriosa e pende para reflexões diversas, principalmente sobre a moralidade na infância, que a partir das experiências e observações vai se formando e quando um adulto não dá suporte se transforma num caos interno, isso é muito explícito em Ben, ele não tem a bússola moral ainda, é desprovido de afeto e não sabe lidar com críticas e brincadeiras, seu instinto é revidar e tendo um poder que aumenta junto com sua raiva não tem como se desenvolver de forma sadia, mas não podemos julgá-lo malvado justamente por ele não ter essa consciência. Já Aisha é uma menina mais sensível e observadora, a empatia já está instalada nela, perceba que se importa com os outros ao redor e quer unir forças para dar um fim no que Ben começou. E, Ida, que antes não se importava com Anna e se sentia excluída percebe a mãe e os outros de forma diferente. Seu olhar se amplia e outras nuances aparecem.

"The Innocents" é um filme magnífico que mesmo tendo cenas pesadas e incômodas não perde a sutileza nem a humanidade das crianças em meio a um cenário frio e desesperançoso. Com atuações impecáveis, o elenco infantil cria perfeitamente a sensação de tensão e angústia devido o descontrole que vem através de seus poderes. Especialmente a pequena Ida - Rakel Lenora Fløttum, que contracena com sua mãe Ellen Dorrit Petersen, consegue expressar uma gama de sentimentos complexos que ora revira o estômago, como na cena do gato, e ora encanta, como na cena final, que é um belo exemplo de um despertar de união de forças.
 
O filme é um misto de terror/suspense/drama que combina elementos perturbadores e reflexivos na mesma proporção, lento em seu desenvolvimento, mas uma experiência cinematográfica incrível, que certamente não irá sumir após algum tempo, é um filme marcante, intenso e que exemplifica de maneira incômoda a falta de moralidade na infância.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Vivarium / Devorar (Swallow)

Segue a resenha de dois filmes bizarros e muito interessantes que não poderiam estar de fora do catálogo aqui do blog, continuarei fazendo postagens conjuntas, pois assim se torna mais fácil administrar meus pensamentos e continuar na ativa. Confira:

"Vivarium" (2019) dirigido por Lorcan Finnegan (Sem Nome - 2016) é um filme que aborda de maneira peculiar a vida doméstica, os papéis e estereótipos que cada um carrega dentro desse modelo, as responsabilidades da maternidade, os compromissos da paternidade e o truque do tempo que absorve o cotidiano e faz envelhecer. É uma proposta criativa que prende o espectador junto da armadilha montada. 
Aviso: Poderá conter spoilers!
Quando o casal de noivos Tom (Jesse Eisenberg) e Gemma (Imogen Poots), à procura da casa perfeita para começar a vida juntos, conhecem um estranho corretor imobiliário, eles não pensam duas vezes quando são apresentados à Yonder, uma misteriosa vizinhança suburbana de casas idênticas. No entanto, logo eles vão perceber que estão presos em um pesadelo - tendo que criar uma criança de outro mundo.
Acompanhamos o jovem casal Tom e Gemma que pretendem iniciar uma vida juntos, numa visita a um empreendimento chamado Yonder são surpreendidos por Martin, um vendedor robótico e de sorriso contínuo, animados com a proposta vão até esse conjunto habitacional e se deparam com uma imensidão de casas iguais, inicialmente parece um sonho, mas aos poucos percebem não ser bem o que querem, mas Martin sumiu e ao tentarem sair não conseguem, sempre voltam para o mesmo lugar, cansados decidem ficar, mas por fim terminam num loop infinito, ainda mais quando do nada aparece uma caixa com um bebê dentro indicando que precisam criá-lo, daí a repetição se dá e rapidamente o vemos crescido com comportamentos bizarros, como imitar os trejeitos de Gemma e Tom, ele grita ininterruptamente quando quer ser alimentado, um show de horrores que perturbam o casal e os desestruturam psicologicamente. Tom entra numa espiral de que precisa cavar um buraco no quintal para que quem sabe ache uma saída, e Gemma aterrorizada com a criança sempre diz que não é a mãe dele, mas acaba o protegendo em muitos momentos, esse local perfeito é irritantemente falso, desde a grama ao céu com suas nuvens redondinhas, claro que percebemos que estão presos sendo cobaias, talvez de alienígenas que estão estudando e reproduzindo comportamentos, interessante que na superfície tudo parece ser idêntico, mas as emoções são mimetizadas, a história abarca questões sobre o conceito familiar, a estrutura frágil e rotineira, os papéis desempenhados para dar algum sentido, os filhos preenchendo o espaço e tomando toda a energia para no fim envelhecidos e sozinhos morrerem. É um filme estranho que gera agonia pela sua repetição, mas que faz pensar nos padrões estabelecidos, e que por mais que se quebre muitos deles ainda assim sem perceber copia-se e repete-se a grande maioria.

"Devorar" (2019) dirigido por Carlo Mirabella-Davis é uma obra repleta de camadas, um filme aparentemente bizarro, mas que disserta sobre questões femininas, do como a mulher é ainda vista, sobre seu suposto papel dentro da família e suas supostas obrigações, surpreendente o como a história te leva para meandros psicológicos angustiantes e reflexivos. 
Hunter (Haley Bennett) é uma dona de casa que engravidou recentemente e se vê cada vez mais viciada em se alimentar de objetos perigosos. Enquanto o marido e a família reforçam o controle sobre sua vida, Hunter deve enfrentar o segredo sombrio por trás de sua nova obsessão.
Acompanhamos Hunter e sua vida aparentemente perfeita, casada com o rico Richie (Austin Stowell), também convive com os sogros (David Rasche), (Elizabeth Marvel), a imensa casa é cuidada por ela e segue seus dias solitária e invisível, Hunter não possui voz própria nesse meio que está inserida, seus desejos são tolhidos, a expectativa da família é que ela engravide. Hunter é uma mulher infeliz e que por traumas passados conduz sua existência de maneira submissa, aos olhos do marido quer ser prefeita, foi ensinada a agradar, mas chega em um determinado momento que ela adquire uma compulsão em engolir objetos, como agulhas, bolinhas de gude, tachinhas e pilhas, ela gosta de sentir as texturas em sua boca e não o ato em si, como diz para a psicóloga contratada pela família após descobrirem no ultrassom que tinha outras coisas além do bebê em sua barriga. A gravidez indesejada só amplia suas angústias, aumenta a vontade de engolir os objetos e quando expelidos os guarda como um troféu, além disso traumas passados vêm à tona, despertam nela sentimentos perturbadores, ela pensa no como veio ao mundo, na complexidade de sua existência e sua inadequação naquela família que a tem apenas como uma boneca pronta para agradar-lhes.
Melancólico e sensível retrata a opressão que a mulher sofre para realizar as expectativas dos outros, a falta de controle sobre si mesma desencadeou sua compulsão, que não só faz paralelo com a gravidez, mas o ato de engolir e expelir e de guardar o objeto como um troféu seria um tipo de controle secreto, um desejo seu satisfeito, algo só dela. O filme amplia essas questões quando o trauma é inserido no contexto e percebemos que para ela sair dessa prisão é preciso muito mais do que foi retratado, mas com certeza um começo, resolver as pendências e se olhar com mais carinho, deixar o meio que a oprime e seguir livre. Além da originalidade da obra, sua estética e trilha sonora são incríveis e só agregam para gerar o terror vivido pela protagonista. Um ótimo filme que abrange questões femininas com autenticidade e une a tristeza e a beleza em pequenas e intensas dosagens.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Rainha de Copas (Dronningen)

"Rainha de Copas" (2019) dirigido por May el-Toukhy (No Final das Contas - 2015) é um filme que abre um leque de discussões ao abordar de forma crescente e explícita o quanto o ser humano visto de perto é terrivelmente repleto de segredos, toca em tabus, abuso e liberdade sexual feminina. Direção e construção narrativa primorosas e ainda coroada pela poderosa interpretação de Trine Dryholm.
Anne (Trine Dyrholm) é uma advogada do direito das crianças e dos adolescentes. Acostumada a lidar com jovens complicados, ela não tem muitas dificuldades para estreitar laços com seu enteado Gustav (Gustav Lindh), filho do primeiro casamento de seu marido Peter (Magnus Krepper), que acaba de se mudar para sua casa. No entanto, a relação que deveria ser paternal se torna uma relação romântica, envolvendo Anne em uma situação complexa, arriscando a estabilidade tanto de sua vida pessoal quanto profissional.
Acompanhamos o redescobrir do desejo de Anne quando seu enteado Gustav vem para morar com eles na Dinamarca, o garoto de 17 anos possui dificuldades para se socializar e o distanciamento com o pai não ajuda muito na interação, a família bem-sucedida e aparentemente perfeita o recebe de braços abertos e Anne acostumada a lidar com adolescentes consegue estreitar laços, no início sente-se muita empatia por ela ao vê-la cuidando das filhas e enfrentando casos terríveis na justiça sobre abuso de menores, muitas vezes a vemos transtornada com as decisões da justiça e sua luta para que as vítimas deponham, a relação com o marido é boa, mas existe um tédio e uma rotina que parece não proporcionar mais nada além do comum, a juventude de Gustav acende em Anne um desejo incontrolável e uma vontade de viver que há tempos não sentia, sua aura muda e revela uma mulher completamente sedutora e mais a frente manipuladora e abusadora. Existem camadas extremamente polêmicas e apesar do filme ser explícito em cenas de sexo ao mesmo tempo consegue ser sutil em todas as nuances de seus protagonistas, de modo gradativo a narrativa se transforma e revela facetas desconfortantes, Anne por uma motivação de desejo se envolve com Gustav e se redescobre sexualmente, este que se enreda num jogo psicológico desenfreado e ameaçador, de uma aventura instigante e moralmente errada se dá um jogo de poder abusivo e complexo.
Coloca em xeque questões morais, pois ela é uma advogada que lida exatamente com o que está cometendo, é inevitável não sentir desconforto à medida que Gustav vai sendo desacreditado, é um ótimo meio de expor com clareza que a vítima estará sempre numa posição de impotência, numa relação desse tipo o jogo de poder é enorme e a pessoa mais madura nunca deixará sua integridade ser atingida. 

Muitos homens e também mulheres quando se deparam com histórias de abuso julgam a vítima, seja por não ter contado de imediato ou mesmo questionando se realmente foi abusada, essa desvalorização é mostrada no filme seja quando as vítimas recorrem a Anne e titubeiam em denunciar por medo de não dar em nada ou por medo de revanche, e quando Gustav decide denunciar e ela discorre sobre o quão pequeno ele é diante da posição dela. O jogo psicológico é tenso e esmagador e vai minguando esse garoto, em sua casa ela nega e cria situações para que o marido sempre fique do seu lado. 

"Rainha de Copas" é um forte suspense e potente em suas imagens, retrata com sensibilidade e intensidade conflitos morais, o redescobrir da sexualidade feminina, o abuso, o poder e o revelar da vilania para se manter numa imagem e posição perante a sociedade.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

20 Filmes Sobre Depressão (20 Movies About Depression)

Segue uma lista de filmes que retratam as diversas facetas e estágios da depressão, todos de maneira séria e importante refletem e produzem reflexões acerca dessa doença que cada vez mais assola a sociedade. Confira:

20- "Geração Prozac" (Prozac Nation - 2001) EUA
Elizabeth Wurtzel (Christina Ricci) é uma brilhante estudante, que tem planos de estudar jornalismo na conceituada universidade de Harvard. Entretanto problemas familiares fazem com que Elizabeth entre em profunda depressão, o que coloca seus planos em risco. Aos poucos suas noites de trabalho, sempre regadas a drogas, e sua instabilidade emocional a afastam de Ruby (Michelle Williams), sua melhor amiga, e também de seu namorado. Decidida a procurar ajuda profissional, Elizabeth marca uma consulta com a Dra. Diana Sterling (Anne Heche), que lhe receita o antidepressivo Prozac.

19- "Melancolia" (Melancholia - 2011) Dinamarca/Suécia/França/Alemanha
O tempo só serviu para afastar as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Nem o casamento entre Justine e Michael (Alexander Skarsgård) serve como desculpa para aproximá-las e, depois da cerimônia, Justine começa a ficar triste e melancólica. Quando o anúncio sobre a colisão da Terra com outro planeta chega ao conhecimento, as reações são bem diferentes. Justine está conformada, enquanto o desespero do iminente fim apavora Claire. 

18- "As Virgens Suicidas" (The Virgin Suicides - 1999) EUA
Durante a década de 70, o filme enfoca os Lisbon, uma família saudável e próspera que vive num bairro de classe média de Michigan. O sr. Lisbon (James Woods) um professor de matemática e sua esposa uma rigorosa religiosa, mãe de cinco atraentes adolescentes, que atraem a atenção dos rapazes da região. Porém, quando Cecília (Hanna R. Hall), de apenas 13 anos, comete suicídio, as relações familiares se decompõem rumo a um crescente isolamento e superproteção das demais filhas, que não podem mais ter qualquer tipo de interação social com rapazes. Mas a proibição apenas atiça ainda mais as garotas a arranjarem meios de burlar as rígidas regras de sua mãe.

17- "O Substituto" (Detachment - 2011) EUA
Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor de ensino médio, que apesar de ter o dom nato para se comunicar com os jovens, só dá aulas como substituto, para não criar vínculos com ninguém. Mas quando ele é chamado para lecionar em uma escola pública, se encontra em meio à professores desmotivados e adolescentes violentos e desencantados com a vida, que só querem encontrar um apoio para substituir seus pais negligentes ou ausentes. Sofrendo uma crise familiar, Henry verá três mulheres entrando em sua vida e vai começar a perceber como ele pode fazer a diferença, mesmo que isso venha com um alto custo. Saiba+

16- "Cake - Uma Razão Para Viver" (Cake - 2015) EUA
Claire Simmons (Jennifer Aniston) é uma mulher traumatizada e depressiva, que busca ajuda em um grupo para pessoas com dores crônicas. Lá, ela descobre o suicídio de um dos membros do grupo, Nina (Anna Kendrick). Claire fica obcecada pela história desta mulher, e começa a investigar a sua vida. Aos poucos, começa a desenvolver uma relação inesperada com o ex-marido de Nina, Roy (Sam Worthington).

15 - "Um Novo Despertar" (The Beaver - 2011) EUA
Walter Black (Mel Gibson) é o presidente de uma indústria de brinquedos. Ele sofre de depressão, o que faz com que se torne cada vez mais distante da esposa Meredith (Jodie Foster) e dos filhos Porter (Anton Yelchin) e Henry (Riley Thomas Stewart). Um dia, ao jogar o lixo fora, ele encontra o castor, um bicho de pelúcia no qual é possível colocar o braço. Logo em seguida Walter tenta o suicídio, mas fracassa. A partir de então, já com o castor, ele assume uma nova identidade e passa a se comunicar através do boneco. O castor permite que Walter volte à vida, no trabalho e junto à família, mas aos poucos ele passa a sofrer um conflito de identidades. Saiba+

14- "O Babadook" (The Babadook - 2014) Austrália/Canadá
Seis anos já se passaram desde a morte de seu marido, mas Amelia (Essie Davis) ainda não superou a trágica perda. Ela tem um filho pequeno, o rebelde Samuel (Noah Wiseman), e tem dificuldades para amá-lo. O garoto sonha diariamente com um monstro terrível e ao encontrar um livro chamado "The Babadook" reconhece imediatamente seu pesadelo. Certo de que Babadook deseja matá-lo, o menino começa a agir irracionalmente, para desespero de Amélia.

13- "Manchester à Beira-Mar" (Manchester by the Sea - 2016) EUA
Lee Chandler (Casey Affleck) é uma espécie de faz-tudo do pequeno complexo de apartamento onde vive, no subúrbio de Boston. Ele passa seus dias tirando neve das portas, consertando vazamentos e fazendo o possível para ignorar a conversa de seus vizinhos. Em suas noites vazias, Lee bebe cerveja no bar local e arruma confusão com qualquer um que lhe lançar um olhar. Quando seu irmão mais velho morre, ele recebe a desagradável surpresa de sua nomeação como tutor de seu sobrinho. De volta à sua cidade natal, ele terá que lidar com memórias queridas e dolorosas. Saiba+

12- "Christine - Uma História Verdadeira" (Christine - 2016) EUA
No ano de 1974, Christine Chubbuck (Rebecca Hall), ambiciosa e talentosa repórter de uma emissora local de televisão, entra em crise por frustrações profissionais e amorosas e toma uma decisão que os telespectadores em Sarasota, Flórida, jamais esquecerão. Baseado numa história real. Saiba+

11- "Anomalisa" (2016) EUA
Michael Stone (voz de David Thewlis) é um palestrante motivacional que acaba de chegar à cidade de Cincinnati. Ele segue do aeroporto direto para o hotel, onde entra em contato com um antigo caso para que possam se reencontrar. A iniciativa não dá certo, mas Michael logo se insinua para duas jovens que foram ao local justamente para ver a palestra que ele dará no dia seguinte. É quando ele conhece Lisa (voz de Jennifer Jason Leigh), por quem se apaixona. Saiba+

10- "Meu Irmão Quer se Matar" (Wilbur Wants To Kill Himself - 2002) Dinamarca
Wilbur (Jamie Sivens) é um suicida crônico: ele sempre busca meios de se matar, mas nunca consegue ter sucesso. As várias tentativas frustradas fazem com que compareça regularmente a um grupo de debates composto por outros suicidas, onde conhece uma médica (Julia Davis) que se interessa por ele. Wilbur é também uma grande preocupação para Harbour (Adrian Rawlings), seu irmão, que tenta de todas as formas tirar de sua cabeça a idéia de suicídio. A vida dos irmãos muda quando conhecem Alice (Shirley Henderson), que entra na livraria deles para vender alguns livros que encontrou no hospital onde trabalha. Alice e sua filha Mary (Lisa McKinlay) enfrentam problemas financeiros, que são resolvidos quando ela se envolve com Harbour. Alice e Mary se mudam para casa que fica sobre a livraria, formando com Harbour e Wilbur uma família.

09- "Pessoas-Pássaro" (Bird People - 2014) França
Após chegar em Paris, um engenheiro de informática americano (Josh Charles), submetido a pressões familiares e profissionais, desliga seu celular e seus aparelhos eletrônicos e decide mudar radicalmente o curso de sua vida. Duas horas depois, Audrey (Anaïs Demoustier), uma jovem camareira do hotel, que vive entre o devaneio e a depressão, vê sua vida mudar após presenciar um evento sobrenatural. Saiba+

08- "Sala do Suicídio" (Sala Samobójców - 2011) Polônia
Dominik é um garoto comum. Ele tem um monte de amigos, pais ricos e dinheiro para gastar em roupas de marca. Mas um beijo inocente com um colega muda tudo. Ele sofre bullying e começa a isolar-se do mundo exterior, vivendo todo o seu tempo em seu computador. Ele conhece uma garota anônima que lhe apresenta a "sala suicida", um lugar do qual não há escapatória. Pego em uma armadilha tecida por suas próprias emoções, Dominik torna-se enredado numa teia de intrigas e gradualmente perde o que ele mais aprecia. Saiba+

07- "Gosto de Cereja" (Ta'm e Guilass - 1997) Irã
Badii é um senhor amargurado que quer cometer suicídio, mas para fazer isso quer que alguém o ajude - como enterrá-lo no local adequado, por exemplo. Todos se recusam por várias diferentes razões, até que encontra um turco que também tentou se suicidar no passado.

06- "Adeus" (Goodbye Solo - 2008) EUA
Solo (Souléymane Sy Savané) é um motorista de táxi senegalês em Winston-Salem, Carolina do Norte, trabalhando duro para sustentar sua família e sua criança. Quando um passageiro William (Red West), um velho com aparentemente nada para viver, Solo se vê em uma missão pessoal: convencer William de que a vida vale a pena viver, apesar da insistência de William de se suicidar. À medida em que eles revelam mais de suas vidas, os dois percebem que eles precisam um do outro. Saiba+

05- "Os Famosos e os Duendes da Morte" (2009) Brasil/França
Em uma cidade em que cada um de seus habitantes sonha em segredo, o menino sem nome conhece a garota sem pernas, que lhe mostra um mundo no qual ele embarca como alguém que nunca mais deseja voltar à realidade. Para o menino, a vida virtual é a única verdade. Mas a garota parte para outro mundo, deixando imortalizada sua história em vídeos e fotos na internet. A partida da única pessoa da cidade com quem ele se identifica deixa o menino ainda mais sozinho. Guiado pela música de Bob Dylan, ele mergulha em suas lembranças até o surgimento de Julian, uma figura misteriosa que desencadeia uma série de acontecimentos em sua vida até então previsível. Saiba+

04- "Náufrago da Lua" (Kimssi Pyoroogi - 2009) Coreia do Sul
Um homem tenta se suicidar jogando-se no rio Han, mas acaba acordando às margens de uma praia de uma ilhota. Após mais algumas tentativas patéticas de suicídio, ele encontra refúgio dos problemas da vida moderna no isolamento total. Uma mulher que mora em um condomínio com vista para o rio também vive uma vida isolada, trancada em seu quarto, usando a internet como único contato com o mundo exterior. Um dia, com uma luneta, ela avista um homem vivendo sozinho numa ilha, sua vida solitária porém extraordinária desperta sua curiosidade encorajando-a aos poucos a sair desta vida de isolamento.

03- "O Estranho em Mim" (Das Fremde in Mir - 2008) Alemanha
Um jovem casal apaixonado, Rebecca, 32 anos, e seu namorado Julian, 34, está ansiosamente esperando seu primeiro filho. O mundo deles parece perfeito quando Rebecca dá à luz a um menino saudável. Mas ao invés do amor incondicional que esperava sentir, ela se vê imersa num redemoinho de sensações de impotência e desespero. Seu próprio filho lhe parece um estranho. Com o passar dos dias, fica cada vez mais aparente sua inabilidade para cumprir com as obrigações maternas. Incapaz de admitir seus sentimentos para alguém, nem mesmo para Julian, ela desce ao fundo do poço, a ponto de perceber que está se tornando uma ameaça à criança. Depois de um ataque de nervos, Rebecca é mandada para uma clínica. Lentamente, ela começa a desejar o toque, o cheiro e a risada de seu filho. Talvez um despertar da mãe que há dentro dela... Saiba+

02- "Oslo, 31 de Agosto" (Oslo, 31. August - 2011) Noruega
Anders (Anders Danielsen Lie) está se recuperando do vício em drogas numa clínica de reabilitação em Oslo. No dia 30 de agosto ele ganha a permissão para sair da casa de tratamento, visitar seu amigo Thomas (Hans Olav Brenner) e ir em uma entrevista de emprego no centro da cidade. Durante seu dia e noite na cidade, Anders será confrontado com seus erros do passado e irá refletir sobre sua própria existência. Saiba+ 

01- "As Faces de Helen" (Helen - 2009) Alemanha/Canadá/EUA/UK
Helen Leonard (Ashley Judd) é uma mulher bem-sucedida que tem um casamento feliz e um relacionamento harmonioso com sua filha. Porém, existe algo que ela tenta esconder: sua bipolaridade, que surge em surtos devastadores, transformando sua maneira de enxergar a vida. Agora, sua família e seus amigos tem a missão de fazê-la perceber que a vida continua bela. Saiba+