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terça-feira, 28 de março de 2023

Copenhagen Cowboy (Série)

"Copenhagen Cowboy" (2022) dirigido por Nicolas Winding Refn (Drive - 2011, O Demônio de Neon - 2016) tem a assinatura do diretor, estilosa, soturna e bizarra, mistura diferentes elementos e gêneros e traz uma originalidade incomum, é um espetáculo misterioso, minucioso e hipnotizante.
Acompanhamos a jornada de Miu (Angela Bundalovic), uma jovem enigmática e lacônica que é comprada por Rosella (Dragana Milutinovic), uma mulher obscura que junto de seu irmão possui um bordel e está inserida no submundo do tráfico de mulheres, ela acredita que Miu tem poderes mágicos que a ajudará engravidar, a sequência de fatos muda a percepção de Rosella e Miu entra numa espiral de vingança pela imundice humana levando de certa forma a justiça. Entre os personagens há Nicklas (Andreas Lykke Jørgensen), metade humano, metade vampiro que cruza o caminho de Miu e que travará um conflito monumental, no caminho ela encontra uma série de pessoas que vivem nesse submundo de crimes, incluindo gangues, tráfico de drogas, esquemas ilegais de todos os tipos e níveis, em meio a essa loucura Miu permanece intacta, seu semblante sempre calmo e direta em suas palavras provoca diversas emoções nesses indivíduos, ela ajuda alguns nesse entremeio com seus poderes, mas parece que tudo que toca inevitavelmente sofre consequências. É bastante intrigante o modo como age, na maior parte do tempo muito lentamente, sua postura estoica e movimentações certeiras nas cenas de ação, além da forma que encontra essas pessoas pelo caminho, parece-se muito com um sonho sombrio. Há uma imensidão peculiar nessa história que mistura elementos de fantasia que passeia pelo sobrenatural e que se mistura aos podres do mundo real. 
O ritmo da série é lenta e hipnotiza tanto pelo modo de filmagem em que a câmera gira sem parar em várias ocasiões, quanto pela estética neon/noir e trilha sonora eletropop/synthpop, além dos enquadramentos perfeitos e que várias vezes remetem a videoclipes,  muitas passagens surrealistas lembram as obras de David Lynch, as respostas dos mistérios por muitas vezes vêm de forma subjetiva e metafórica, ou simplesmente não são respondidas, a narrativa transcorre em moldes próprios e talvez essa dinâmica não agrade tanto, principalmente em seu desfecho.

O apuro estético é um deleite e a maneira incomum que se desenrola a história com personagens excêntricos que vagam pela madrugada de Copenhagen enrolados em maldade e violência e uma heroína aparentemente frágil que não sabe de onde veio para buscar vingança é um tanto inusitado. O sobrenatural se mistura a podridão do mundo real e somos absorvidos por simbologias provocantes e perturbadoras.
 
"Copenhagen Cowboy" é uma série diferenciada dentro do catálogo da Netflix e espero que tenha uma segunda temporada, apesar de achar pouco provável. Vale muito a pena assistir algo que foge das narrativas tão batidas e rasas que séries mais tradicionais trazem, sempre é bom se encantar com perspectivas diversificadas.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Ad Astra

"Ad Astra" (2019) dirigido por James Gray (Z: A Cidade Perdida - 2016) é um filme belo visualmente e que propõe reflexões pertinentes sobre solidão, incertezas e vazio, e não é somente por explorar o espaço que essas sensações são ampliadas, mas, principalmente, por escavar a complexa mente humana. De atmosfera íntima e melancólica acompanhamos a grandiosa jornada de um homem pelo enigmático universo e, por consequência, o encontro de si mesmo.
Após um terrível acidente, um astronauta (Brad Pitt) recebe a notícia de que há algo misterioso ameaçando a sobrevivência de nosso planeta, algo que também está relacionado com o sumiço de seu pai (Tommy Lee Jones). Agora, ele recebe a missão de viajar para tentar solucionar este mistério, que tem segredos que desafiam a existência humana e nosso lugar no cosmos.
Imenso, triste e silencioso, a história foge das convencionalidades de filmes sobre espaço e traz além da beleza plástica bastante verossímil, vide aquele início espetacular em que o astronauta cai da torre de comunicação e fica girando na atmosfera, também reflete sobre questões íntimas do protagonista de maneira contida e inteligente, a sensação de angústia permeia a obra e inebria a cada cena, tanto pelas tomadas maravilhosas no espaço, como nas claustrofóbicas cenas na nave, e pela maneira que o protagonista se comporta diante a tudo, sempre controlado apesar de possuir sentimentos adversos.
Roy é um respeitado astronauta e é convocado para uma missão, pois estranhas emissões de antimatéria dentro do sistema solar estão afetando as fontes de energia da Terra, por incrível que pareça isso pode estar relacionado a seu pai desparecido e ao Projeto Lima, missão comandada por Clifford há mais de 15 anos para captar sinais de vida extraterrestre. Roy é frio e sereno e sabe ser certeiro ao tomar decisões em momentos tensos, uma exigência da profissão que acaba sendo uma tortura, e diante dessa missão precisará ter ainda mais controle, a jornada para reencontrar seu pai no espaço exigirá muito esforço interno, pois existe nele uma ambiguidade e complexidade de sentimentos em relação a esse homem, Roy nunca construiu elos afetivos e seus conflitos são obstáculos bem maiores do que sua longa e perigosa viagem a Netuno.

Brad Pitt está soberbo, um homem repleto de traumas que se mantém impenetrável e que exerce um controle sobre si mesmo capaz de nos deixar perturbados, sempre silencioso e melancólico acompanhamos seus sentimentos por meio de suas narrações, são nesses instantes que o conhecemos profundamente e muitas questões existenciais pungem.
O filme tem um tom sóbrio e fascina por diversos aspectos, especialmente pelo fato de se passar num futuro não muito distante e toda a ideia do espaço criada ser aceitável, como a colonização na lua demonstrando o capitalismo e a ganância do ser humano, o satélite é uma zona de turismo repleto de propagandas e franquias e também possui zonas de conflitos pela aquisição de recursos, Marte também foi colonizado e o retrato é muito interessante, pois existem salas que reproduzem a natureza da Terra, espaços minimalistas claustrofóbicos, mas, no entanto, curiosos. 

"Ad Astra" é introspectivo e lento, traz um vazio e um niilismo que machuca, retrata a busca do ser humano por algo grandioso, suas escolhas por muitas vezes egoístas, o afastamento de si mesmo, os conflitos de identidade, a ganância, a falta de sensibilidade, e a imensa e assustadora solidão.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

The Nightingale

"The Nightingale" (2018) dirigido por Jennifer Kent (O Babadook - 2014) é um drama pesado, violento e muito emocional, carregado em cenas chocantes e transformadoras o terror real chega com brutalidade, mas também com sensibilidade e poesia, uma produção de ambientação sufocante acompanhada por uma narrativa silenciosa e repleta de sentimentos. 
Na Tasmânia de 1825, Clare (Aisling Franciosi) uma condenada irlandesa testemunha o assassinato brutal de seu marido e seu bebê por seu mestre soldado (Sam Claflin) e seus amigos. Incapaz de encontrar justiça, leva um rastreador aborígene com ela através do deserto infernal em busca de vingança.
Não é um filme convencional de vingança, existem questões profundas e dolorosas envoltas e que se mostram no decorrer da jornada entre uma mulher despedaçada e pelo seu guia aborígene também despedaçado. Claire cometeu um crime na Inglaterra e foi levada como prisoneira para a Tasmânia, ela está nas mãos de um tenente que pagou suas dívidas e por esse motivo está em dívida com ele, ela sonha poder se desprender desse carrasco e refazer sua vida ao lado do marido e seu bebê, mas depois de desentendimentos seu marido é morto juntamente com o seu filho numa cena perturbadora e imensamente cruel. Devastada, encolerizada e solitária decide pegar seu cavalo e ir atrás dos assassinos, mas o lugar inóspito e estranho só é amplamente conhecido pelos seus nativos que foram massacrados pelos ingleses e os que restaram tiveram que se tornar escravos e se adaptar aos costumes, e é com a ajuda de Billy (Baykali Ganambarr) que a contragosto inicialmente decide guiá-la, claro que ela não diz o verdadeiro propósito de sua busca e os dois partem em meio a natureza selvagem e encontram diversos obstáculos, especialmente na alimentação e nos preconceitos que um tem pelo outro.
A raiva de Claire é expelida por todos os seus poros, sua dor é tanta que não consegue pensar no que realmente acontecerá se encontrar os militares, Billy por sua vez se limita apenas a mostrar os atalhos, porém à medida que essa claustrofóbica viagem avança suas dores se unem e se transformam, ele a protege e cuida para que se alimente, começa a caçar e a roubar, conta sobre sua família e seu povo assassinado e tantos outros submetidos a maus-tratos, Billy percebe que Claire na verdade busca vingança e se interessa a conhecer seu passado cujos algozes são os mesmos que lhe tiraram tudo e a partir daí compreende seu objetivo. Diferentes entre si, porém semelhantes na dor da perda e é diante desse entendimento um do outro que nasce a cumplicidade, lealdade e respeito. 

O fundo histórico da trama destaca quando a Inglaterra no início do século XIX começou a explorar e colonizar a Tasmânia deportando uma imensa população carcerária de ingleses, galeses e irlandeses a fim de que após a sentença cumprida trabalhassem pesado e, obviamente, retratando todo o horror do genocídio cometido contra os aborígenes. Claire era uma prisioneira e foi "ajudada" por um militar, só que permaneceu como escrava trabalhando, cantando para os soldados no bar e constantemente sendo estuprada. O ponto histórico aterrador dá ao filme uma outra forma ao gênero vingança, ganha outros tons e camadas e ao final se transforma, Claire resiste o quanto pode e sua raiva é alimentada por um longo período da jornada, mas acontecem tantos infortúnios que a deixam à beira da loucura e minguam toda a sua força, e então Billy encontra em Claire uma forma de libertar também a sua necessidade de vingança. 

"The Nightingale" é um filme forte, sua abordagem é brutal, mas também possui seus momentos belos e poéticos, as interpretações crescentes e viscerais ajudam neste contexto junto de sua ambientação opressiva e violenta, além da paisagem selvagem que preenche a tela.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Yomeddine - Em Busca de um Lar (Yomeddine)

"Yomeddine" (2018) dirigido pelo egípcio A.B. Shawky é um filme sutil, emocionante e humano, retrata com espirituosidade a vida de um homem simples que vive à margem por conta de sua aparência, pois durante a infância sofreu de lepra/hanseníase, vivendo em uma comunidade excluída do resto da sociedade passa seus dias coletando lixo e conversando com um menino órfão que sofre bullying dos demais. O ator Rady Gamal realmente sofreu com a doença e lida com as consequências, ele interpreta a si mesmo e por isso a naturalidade faz parte da narrativa, a vida real é exposta com sensibilidade e muita esperança apesar de toda as enormes dificuldades, preconceitos e julgamentos, é uma jornada de descoberta e de afirmação.
Beshay (Rady Gamal) é um coletor de lixo que decide sair do confinamento de uma colônia de leprosos pela primeira vez e embarca em uma jornada ao Egito para procurar sua família. Ele viaja com seu burro e seu aprendiz órfão ao longo do Nilo e, pela primeira vez, fica cara a cara com a maldição de ser um estranho.
Beshay foi deixado pelo pai ainda criança numa instituição que tratava a doença e os separavam do restante da sociedade, muitos desses pais, assim como o de Beshay nunca mais apareceram e essa comunidade se transformou numa família de isolados para sempre marcados pela doença, apesar de não transmitir mais a infecção as limitações e marcas  de Beshay são profundas, nessa colônia também existe um manicômio do qual sua mulher está internada e um orfanato que se encontra o seu fiel amigo Obama (Ahmed Abdelhafiz), rejeitado pelos outros meninos, parte dessa rejeição de Obama é por ser Núbio, o filme esbarra sutilmente nessa problemática de preconceito no país.
Tudo realmente começa quando Beshay resolve sair em busca de suas raízes apenas com algumas trouxas e seu burrinho, o garoto vai atrás mesmo contra a vontade de Beshay, nesse momento acompanhamos a estafante jornada de duas pessoas marginalizadas e absolutamente invisíveis à sociedade, eles buscam um pouco sobre si mesmos e nessa caminhada vão se deparando com muito preconceito, fome, miséria e descaso, só encontram acolhimento e empatia daqueles que também estão à margem e que partilham do sofrimento de não serem vistos como seres humanos. O sentimento amargo de que são considerados lixos ultrapassa a tela e promove um olhar empático para com essas pessoas e nos faz refletir no quanto se julga apenas pela aparência, numa sociedade hipócrita, individualista e arrivista são incômodos e tratados com nojo. O filme possui um tom alegre na maioria do tempo, afinal retratar com peso seria arriscado a cair num melodrama ou de incutir sentimentos de comiseração. 

Uma das partes mais chocantes é quando ele está no trem e por não ter o bilhete é chacoalhado como se fosse um saco de lixo e indignado grita: "eu sou um ser humano", essa viagem é permeada de obstáculos cruéis, se submetem a muitas coisas e perdem muito pelo caminho, mas claro que também ganham, o amor um pelo outro, o carinho e a proteção. Beshay chega ao lugar que quis e percebe que a sua família é estar junto de Obama, pois esse nunca o abandonou. Há outra questão importante na história que é sobre a crença religiosa, o título mesmo em árabe se refere ao dia do julgamento, Beshay faz parte de uma minoria da população egípcia que pertence à Igreja Ortodoxa Copta da Alexandria, uma ramificação do Cristianismo, o personagem é resistente as adversidades por conta disso e coloca toda a sua esperança no dia do julgamento.

"Yomeddine" é uma bonita jornada de pessoas marginalizadas que buscam poder ser, ao ir à procura de sua família e obter uma sensação de pertencimento Beshay e Obama encontram um no outro todo o amor que necessitavam, a aceitação e o entendimento do que realmente importa. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Bacurau

"Bacurau" (2019) dirigido por Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho (Aquarius - 2016) é um filme instigante e essencial, sua mescla de gêneros aguça nossa curiosidade e imprime força a cada cena e diálogo, traz a representatividade nordestina, a cultura de um povo forte que jamais cede ou retrocede, a palavra que mais o resume é resistência. 
Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.
O filme aos poucos revela seus personagens, não há protagonismo, todos possuem seu espaço e importância, assim como o próprio lugar, Bacurau, cujo nome vem de um pássaro noturno, de repente, a cidade não se encontra mais no mapa e o único jeito de ensinar as crianças é utilizando um mapa confeccionado por eles próprios, algumas coisas estranhas vão acontecendo e a população já acostumada com a vida difícil como a questão da água acabam dando seu jeito, pois não há qualquer amparo do governo, unidas seguem suas vidas rejeitando o prefeito que quando aparece fazem questão de deixá-lo falando sozinho.
O clima do filme é de puro suspense e se desenvolve para um faroeste à la cangaço, além de flertar com a ficção científica, uma distopia nem tão distópica assim já que muito do que é mostrado revela não só da atualidade em que vivemos, mas sobre o como sempre foi com seu ciclo de injustiças, corrupção e violência, onde se aniquila o mais pobre e o considerado ignorante, as mazelas expostas são realistas e explícitas e, por isso, tão incômodas; o caos é familiar. Potente em sua mensagem e certeiro como entretenimento, um longa completo e brilhante em todos os sentidos, uma história que representa o país, há símbolos e metáforas pelo decorrer que vamos descobrindo juntamente com nuances de surrealismo, possui diálogos que enfrentam e marcam, certamente Bacurau veio na hora certa para nos fazer refletir o Brasil como um todo e tentar entendê-lo sem referências externas e preconceitos.

É um filme com um imenso poder de despertar pensamentos, mas isso não quer dizer que seja difícil de assistir, ao contrário, é um ótimo entretenimento, conversa e brinca conosco o tempo todo, os alívios cômicos são espontâneos e provocantes, inúmeras vezes se coloca em evidência clichês utilizados pelo brasileiro, por exemplo, que por morar em determinada parte do país se considere quase um europeu e despreza quem vive em regiões menos favorecidas, subestimam o diferente, uma clara falta de conhecimento em não saber da própria história, além de querer que o país copie o modelo estrangeiro enquanto eles riem, usufruem, apoderam-se e aniquilam.

O levante da população, a união em preservar a cultura e pelo embate começar de dentro da escola se faz intenso e impactante, quem não se arrepiar pela força e coragem dos habitantes de Bacurau está morto por dentro, é imensamente essencial para cada vez mais trabalharmos nossa lucidez nesses tempos tão obscuros e de estreitamento de ideias.
"Bacurau" pulsa resistência e representatividade, é força e emoção, uma obra bonita, provocante e alegórica. 

terça-feira, 4 de junho de 2019

High Life

"High Life" (2018) dirigido por Claire Denis (Deixe a Luz do Sol Entrar - 2017) não é um filme de meio-termo, ou ele gera encantamento ou aborrecimento, a história explora o espaço de forma diferente da usual e capta toda a complexidade das relações humanas, é bastante imersivo e reflexivo, divaga sobre a solidão, o vazio e a decadência da existência humana.
Um grupo de criminosos aceita um acordo para trocar suas penas pela participação em uma missão espacial à procura de energias alternativas, mas a viagem toma rumos inesperados quando uma tempestade de raios cósmicos atinge a nave.
Acompanhamos Monte (Robert Pattinson), sozinho em uma nave espacial rodeado apenas por uma desolação assustadora e um silêncio profundo, ele cuida de sua bebê, Willow, enquanto mantém uma rotina para dominar o desespero, a narrativa inicial intriga com seus mistérios e aos poucos a história vai se descortinando, a linha do tempo se quebra a todo instante para que compreendamos os motivos de Monte estar solitário na nave. A tripulação desta nave, todos condenados à pena de morte, tiveram a escolha de poder participar de uma experiência espacial cuja missão era encontrar o buraco negro mais próximo da Terra, na esperança de obterem liberdade se deparam com um imenso vazio cruel e bizarro, entre eles está a líder, Dra. Dibs (Juliette Binoche), perversa ela utiliza todos como cobaias para suas experiências de inseminação artificial, Monte é o único que se priva e mantém uma disciplina para controlar seus desejos sexuais, o restante regularmente se satisfaz e tomam medicações, enquanto isso observamos as relações que se tornam cada vez mais tensas e insanas dentro da nave, o instinto de sobrevivência, a maneira de se encarar os desejos e a obsessão por reprodução de Dibs vão sugando a vida de cada um, o único elo ainda com a Terra é um jardim que é capaz de resgatar as emoções, mas aos poucos isso também vai sendo deixado de lado por quase todos. Impressiona a visceralidade poética das cenas, até mesmo nas mais esquisitas e violentas. Acaba que Monte sem querer se torna pai, a insana Dibs o entorpece e coleta o seu sêmen e o introduz em Boyse (Mia Goth), que repelia esses processos, a Dra. acreditava que eles dois tinham a melhor genética. Isso detona Boyse e logo após o nascimento entra numa espiral de desespero, ela não consegue lidar e só deseja sair disso tudo, seu desfecho é um dos mais perturbadores, a cena é realmente petrificante. A desesperança e a onda de violência toma conta de vez e os tripulantes não dão conta de suportar mais esse ambiente claustrofóbico, vemos os desfechos de cada um acontecendo e o único a manter-se é Monte, cuja responsabilidade com Willow cultiva um fino fio de esperança.

Claire Denis entrega um filme de ficção científica fora dos padrões, não há o tão característico sentimento de conquista por algo, mas sim a sensação de abandono e a reflexão das ações dos seres humanos, sejam elas medíocres ou afetuosas e, claro, também de nossa pequenez diante o universo. Hipnotiza pelo charme e gera angústia pelas atrocidades, além de promover dúvidas e colocar-nos a refletir na existência humana e todos os seus conflitos de emoções; as cenas do espaço e sua imensidão são bem bonitas, as estrelas, o escuro, e o buraco negro ao final impressionam. Robert Pattinson está maravilhoso como o calado e disciplinado Monte, ele mescla momentos de apatia e esperança, sua relação com Willow encanta, seu instinto paternal em meio à desolação, a rotina que o mantém vivo também é capaz de levá-lo à loucura, são nuances interessantes e que deixam muitas perguntas e abrem questionamentos diversos, não é à toa que quanto mais se pensa na história mais intrigante fica.

"High Life" proporciona momentos únicos e arrebatadores a cada espectador, e ao fim ficamos perdidos com uma mescla de agonia e suavidade, sem dúvidas, um filme provocante, denso e primoroso. Vale mencionar a bela e atmosférica trilha sonora e destaque para a canção "Willow", interpretada por Robert Pattinson.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Os Garotos Selvagens (Les Garçons Sauvages)

"Os Garotos Selvagens" (2017) dirigido pelo estreante em longas-metragens Bertrand Mandico (Ultra Pulpe - 2018) é um filme surpreendente, original e inebriante, uma viagem surreal que vai do sinistro à fascinação e que incorpora elementos experimentais, uma produção desprendida que traz à tona temáticas interessantes em torno da sexualidade com boas dosagens de símbolos eróticos em tom de fábula. 
Início do século XX, cinco adolescentes de boas famílias que amam a liberdade cometem um crime brutal. Eles são dominados por um capitão de um veleiro, que os leva para um cruzeiro repressivo. Os jovens fazem um motim e acabam em uma ilha selvagem que combina diversão e vegetação exuberante. A transformação pode começar... 
Com uma estética aprimorada e livre remetendo por vezes os filmes dos anos 50 e por vezes dos anos 70/80, utiliza-se recursos narrativos imaginativos e hipnotizantes capazes de gerar tanto a sensação de estranheza como a de encantamento, há um teor sexual forte, pois trata-se do despertar sexual de cinco garotos, dentro desse universo onírico existem temas que envolvem gênero, sexualidade e violência, no início acompanhamos um jovem perdido e alucinado e ouvimos vozes o chamando, logo é pego por marinheiros que o atacam sexualmente e aí percebemos que o garoto possui um único seio, a história volta no tempo e conhecemos o grupo de cinco meninos, todos bem ricos e que vivem a espalhar maldades, apaixonados pela professora de literatura combinam um ensaio teatral e no meio a atacam e a amarram nua num cavalo, todos se masturbam à sua frente fazendo com que o cavalo dispare e caia provocando a morte da professora. Esse episódio grotesco vai para o tribunal numa cena estonteante em que os garotos selvagens tentam ludibriar para se saírem ilesos, todos são mentirosos, cínicos e essencialmente malvados, porém não conseguem se livrar da punição e para isso é contratado um capitão (Sam Louwyck) que os levará para uma ilha e cujas experiências vivenciadas no trajeto e nessa ilha estranha os transformarão e aprenderão enfim a ter respeito, empatia e, principalmente, a sentir na própria pele o abuso.
Os cinco meninos Tanguy (Anaël Snoek), Sloan (Mathilde Warnier), Romuald (Pauline Lorillard), Hubert (Diane Rouxel) e Jean-Louis (Vimala Pons) são interpretados na verdade por atrizes e a composição de cada é maravilhosa e tanto a feição como a postura enganam quase totalmente, especialmente Vimala que faz o terrível Jean-Louis e Anaël como Tanguy, a transformação que a ilha produz vai mudando as expressões e os trejeitos, a ilha é repleta de mistérios e coisas prazerosas e fascinam os meninos que se soltam e experimentam, há os frutos cabeludos, o leite que escorre por plantas fálicas e outras que propiciam o ato sexual, e aos poucos vão os modificando e o primeiro indício é o seio nascendo, logo o pênis cai e se abre o horizonte, o entendimento sobre o novo corpo juntamente com os receios, as ameaças e os desejos, o roteiro joga com questões de gênero o tempo todo e desconstrói absolutamente tudo. 

Um grupo de meninos burgueses com os hormônios à flor da pele que praticam barbaridades e que se acham estar acima pelos privilégios vão conhecer na própria pele o que é o medo do abuso e da violência, nesse entremeio experimentam sensações diversas que ultrapassam barreiras. Mais adiante encontramos Séverine (Elina Löwensohn), que descobriu a ilha e que colocou em prática seus estudos acerca das plantas hormonais, conta o como convenceu o capitão a aperfeiçoar um método de domar garotos selvagens, pois ela acreditava que um mundo feminizado acabaria com a violência e os conflitos.
O filme é uma experiência maravilhosa que não se apega a convencionalidades e experimenta com imensa criatividade e imaginação um universo que joga com questões de gênero e sexualidade, é uma mistura hipnotizante de estilos que aguçam nossos sentidos e surpreende pelo desenrolar que vai quebrando todas as definições.

"Os Garotos Selvagens" é misterioso, psicodélico e erótico, um exemplar que aborda de forma liberta a questão da masculinidade atrelada à violência e o entendimento e a comunhão dos corpos através de uma experiência de metamorfose proporcionando assim uma visão ampla dos receios e desejos femininos. Original e imersivo certamente uma obra contestadora e que reúne símbolos pertinentes. Filmaço!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Os Irmãos Sister (The Sisters Brothers)

"Os Irmãos Sister" (2018) é o primeiro filme em língua inglesa de Jacques Audiard (Ferrugem e Osso - 2012), adaptado da obra homônima do escritor canadense Patrick DeWitt é um faroeste repleto de nuances e que consegue transpor todas as camadas reflexivas que o livro propõe. É melancólico, sombrio e também permeado por um humor negro. 
Eli (John C. Reilly) e Charlie (Joaquin Phoenix) Sisters são dois pistoleiros que recebem uma missão complicada: capturar e eliminar Hermann Kermit Warm (Riz Ahmed), um explorador de minas de ouro. Os assassinos perseguem o explorador através do deserto do Oregon, no entanto, Eli começa a ter uma crise de consciência sobre a carreira que leva. Para se salvar, Hermann pode se aproveitar dessa fraqueza momentânea e oferecer um acordo melhor para os irmãos.
Esperei muito por essa adaptação, pois o livro me surpreendeu de uma forma que jamais imaginei, personagens diferentes dos apresentados na maioria dos westerns, foge dos clichês convencionais e se aprofunda nos sentimentos que cada um experimenta vivendo nesse ambiente, uma obra que passeia pelo drama e humor negro com grande habilidade. A adaptação conseguiu conservar essa essência e o elenco virtuoso ressalta ainda mais essas características, todos têm seu espaço e brilham cada um à sua maneira, deslumbrante a composição de John C. Reilly como Eli, geralmente o vemos em papéis coadjuvantes e sempre impecável, mas aqui temos a exata noção de sua potência como ator, a incorporação de um homem que não se encaixa, que está à frente de sua época, que questiona os meios violentos dos quais utiliza e consegue estabelecer elos afetivos facilmente, sua postura, seu gestual e todos os detalhes o tornam um personagem interessante, por exemplo, quando decide usar a escova de dentes, algo que destoa de todo o cenário retratado, Joaquin Phoenix como Charlie é também um absurdo de excelência, ele é o irmão violento, prepotente e conhecido por sua destreza com as armas, o que sobra a Eli de perspicácia falta a Charlie, ele é o retrato do homem ambicioso e indômito, do outro lado temos Jake Gyllenhaal como Morris, uma espécie de detetive do Comodoro, ele é o meio pelo qual os irmãos conseguirão chegar até o alvo, falso e descrente seu personagem aparenta não possuir moral nenhuma até conhecer Hermann, vivido por Riz Ahmed, um químico que possui um sonho utópico, seu personagem é extremamente sensível e toda sua inteligência impressiona Morris, através dele consegue vislumbrar uma vida diferente e se encanta com a ideia e seus meios de obter o ouro do rio, claro que a ambição é a força que o move, mas durante o processo a afetividade ganha forma, algo super incomum em filmes deste gênero. Os quatro possuem sua carga dramática e toda a trajetória os levam a pensar e, a partir daí, modificarem seus modos de agir.  
Charlie e Eli saem com uma missão, capturar Hermann com o apoio de Morris, este disfarçado se finge de amigo e desse modo o levará até os irmãos, Eli não está satisfeito com o cavalo que recebeu e tão pouco em ficar de fora da reunião com o Comodoro, ele questiona o tempo todo qual o propósito de matar Hermann e durante a viagem sofre de pesadelos e com os incidentes que se revelam, se imagina abrindo uma loja e se libertando dessa vida de violência, os motivos para seguir e matar Hermann não o deixam sossegado e enquanto isso Charlie bebe e se irrita com tudo e todos, mais para frente entendemos o porquê está nessa com o irmão e o quanto Charlie o subestima não enxergando o quanto o protege e controla a sua impulsividade.

Dentre tantas situações que ultrapassam durante a viagem, como infortúnios, ameaças conhecidas e desconhecidas e pitadas de sorte, observamos Morris se interessando pelas ideias de Hermann, são diálogos primorosos em que tanto um como o outro pensam em um futuro melhor, a fórmula que Hermann criou para enxergar o ouro no rio salta aos olhos de Morris e a ambição fala mais alto, logo muda de lado e o acompanha até São Francisco para o garimpo. Quando finalmente os quatro se juntam depois de acertarem as contas e pensarem no quanto de ouro acharão com a fórmula, empreendem um duro trabalho com graves lesões físicas, a violência é deixada de lado e a melancolia toma conta, há medo misturado a sonhos, afeto e muita ambição, e é justamente esse anseio desmedido que detona todo o plano e a narrativa ganha ainda mais contornos tristes e escuros. 

"A maioria das pessoas vai continuar insatisfeita, sem nunca tentar entender por que ou como elas poderiam mudar as coisas para melhor, elas morrem sem nada no coração a não ser sangue sujo..." (trecho do livro)

"Os Irmãos Sister" é uma bela e sensível obra que aborda crise existencial, ganância e relações afetivas em meio a um cenário hostil com um humor particular e um ar sombrio. Um atípico faroeste, pois deixa a violência e questões de vingança para segundo ou terceiro plano, o foco está na evolução da personalidade dos personagens, na mudança de suas prioridades, no entendimento do trabalho bárbaro que cometem, são homens diferentes entre si, complexos e fascinantes. 
O filme conta com uma série de acertos, desde o diretor Jacques Audiard que colocou suas características, como realismo e sensibilidade, o elenco formidável, destacando-se principalmente John C. Reilly, a trilha sonora composta por Alexandre Desplat e a recriação do cenário, que mesmo a história se passando no oeste americano as gravações foram realizadas no sul da Espanha e na Romênia.

A onda de faroestes retornou e está surpreendendo com tamanha criatividade e originalidade em seus enredos, deixando de lado cenas batidas de duelos em que a ação é o mais importante, recentemente fiz uma lista com alguns exemplares, confira

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Em Busca de Watership Down (Watership Down) Minissérie

"Em Busca de Watership Down" (2018) dirigido por Noam Murro é uma minissérie animada coproduzida pela BBC e Netflix. Baseada no clássico romance homônimo de 1972 de Richard Adams essa adaptação optou por uma abordagem amena para que atinja mais público, com certeza a violência fez falta, mas a história é tão grandiosa e tão cheia de camadas que é impossível não se hipnotizar pelas aventuras das quais o bando de coelhos enfrenta. O livro é uma obra-prima pela sua profundidade em exibir a vida selvagem dos coelhos com todos os obstáculos e inimigos, muitos temas estão envoltos e mesmo sem querer faz incríveis alegorias. O filme de 1978 também é marcante por recriar esse universo sem floreios expondo cenas violentas e de melancolia, um clássico absoluto, assim como o livro que se faz necessário para qualquer leitor. 
Confira a resenha de ambos aqui.
Situada numa idílica paisagem rural do sul da Inglaterra, a aventura baseada no romance de Richard Adams acompanha a jornada de um bando de coelhos por um novo lar após a destruição de seu habitat. Liderados por um par de irmãos valentes, eles saem de sua terra nativa em Sandleford Warren e enfrentam provações angustiantes, bem como predadores e outros adversários, em rumo a uma terra prometida, com uma sociedade perfeita.
Com uma abordagem mais leve em questão da agressividade e até o tom de medo que permeia a obra acaba sendo mais palatável e consegue abranger todos os públicos, mas isso não tira o mérito da produção que organizou a história muito bem, claro que condensada, pois o livro é imensamente detalhista, porém não tem o que dizer sobre a  fidelidade do enredo e sobre a personalidade dos personagens, o desenvolvimento dos principais, como Hazel (James McAvoy), Fiver (Nicholas Hoult), Bigwig (John Boyega), Holly (Freddie Fox), Clover (Gemma Arterton), Hyzenthlay (Anne-Marie Duff), consegue traduzir boa parte das sensações que cada um sente, os receios, a coragem, o instinto e a união. Os demais não são tão explorados e outro que fica de lado é a gaivota Kehaar, que tem bastante importância na trama e que dá um tom sarcástico e que revela uma amizade inesperada. Outro ponto a ser referido é a computação gráfica que não é das melhores, a estética realista deixa a desejar, só que o roteiro é tão poderoso que isso soa pequeno e insignificante, a jornada dos coelhos começa quando Fiver prevê a destruição da coelheira, ele e seu irmão conseguem juntar mais alguns coelhos para começar a procurar um lugar seguro, a mitologia envolvendo a criação da espécie é colocada em um rápido prólogo e durante alguns pontos da narrativa surgem mínimas referências tanto a El-Ahrairah como o Coelho Negro, Hazel sofre por ter que liderar o grupo e inspirar confiança, já que o destino é incerto e muito perigoso, com o passar do tempo Fiver vai tendo novas visões que indicam o caminho para Watership Down, mas inúmeras situações se passam que tanto servem para fortalecer a amizade como para surgir mais medo e desconfianças, eles encontram um viveiro com coelhos conformados pelo fim que os espera e a terrível Efrafa comandada pelo General Woundwort (Ben Kingsley), um enorme coelho que domina um exército e mantém um outro grande número aprisionados.

Há muitos temas envoltos, como hierarquia social, confiança, companheirismo, religião, sacrifício, amizade, destruição da natureza, assim metáforas e simbolismos acabam se formando e, por consequência, grandes reflexões surgem. Crítica social, política, ambiental e religiosa em uma animação de aventura hipnotizante em que a vida selvagem é explorada sob um ponto de vista cru e melancólico. Há um ar de tristeza e indecisão, o medo é recorrente e a natureza é quase sempre opressiva.

"Talvez alguns humanos entendam que todas as coisas vivas sofrem e merecem respeito"

"Em Busca de Watership Down" consegue conservar a essência da história mesmo com uma abordagem branda, aqui não há sangue e pedaços de orelhas sendo arrancadas, mas há sempre a tensão no ar e a sugestão da violência, a jornada dos coelhos é repleta de emoção, imergimos e ficamos apreensivos a cada aventura, uma produção que apesar de carecer de um visual melhor possui um roteiro que se sustenta, uma obra imprescindível e atemporal que merece sempre ser revisitada.
Não deixe de conferir, está disponível na Netflix!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Selva (Jungle)

"Selva" (2017) dirigido por Greg McLean (Wolf Creek - 2005) é baseado no livro "Jungle: A Harrowing True Story of Survival", onde conta as memórias e experiências do mochileiro israelense Yossi Ghinsberg, que aconteceu em 1981. O filme exibe momentos de muita tensão e o cansaço do personagem transpassa a tela, uma ótima e crível interpretação de Radcliffe que em todos os instantes captura nossa atenção, seja na ansiedade e impulsividade de querer adentrar a Amazônia, no receio quando percebe que as coisas não saíram como previsto e depois abandonado na selva buscando sobreviver e manter a mente sã. A entrega do ator se deu através do físico também, a fragilidade humana perante à natureza é impressionante.
Yossi Ghinsberg (Daniel Radcliffe) que, acompanhado de dois amigos, viaja até a cidade de La Paz na Bolívia para o que seria uma aventura inesquecível. Guiados pelos caminhos desconhecidos da Amazônia por um austríaco que mora no local há anos, os amigos embarcam numa viagem pela selva que se transforma em um pesadelo de onde nem todos voltarão com vida.
Acompanhamos um jovem com sede de desbravar novos lugares, mas não os pontos turísticos tão frequentados, ele está disposto a ir onde ninguém foi, e por sorte, ou não, encontra Karl (Thomas Kretschmann), um sujeito que quer realizar uma expedição em busca de ouro numa tribo que habita uma parte remota da floresta amazônica, passando confiança e experiência Yossi se fascina com a ideia e convence Marcus (Joel Jackson), um cara alto-astral que conheceu em La Paz e o amigo dele, o fotógrafo e mochileiro veterano Kevin (Alex Russell). Super animados entram nesta jornada, mas não imaginavam que enfrentariam tantos problemas e se deparariam com situações extremas. Marcus é o primeiro a senti-las, seus pés ficam totalmente machucados e o impedem de seguir mais rápido, quanto mais se fica na floresta mais pesada se torna, tanto para o físico quanto para o psicológico. De repente, Karl parece não ser um expedicionário experiente e isso irrita Kevin, principalmente quando precisam seguir pelo rio por conta de Marcus, o rio é traiçoeiro e pode ser fatal. Decisões devem ser tomadas, então Marcus segue com Karl a pé até a aldeia mais próxima e Yossi e Kevin seguem pelo rio, e é aí que tudo dá errado e os dois se separam, Yossi se encontra sozinho e com o passar do tempo com pouco para se manter e nutrir esperanças seu corpo e sua mente vão minguando.

A tensão, o medo e as incertezas pelas quais o personagem sofre são passadas ao espectador de maneira emocionante ainda que o filme tenha um andamento monótono e a luta pela sobrevivência não ter tantos momentos de ação, toda a trajetória é detalhada e a beleza da natureza selvagem é exposta com esmero, há uma cena belíssima quando o personagem completamente destruído depois de suportar tempestades, se deparar com animais perigosos, andar em círculos e sobreviver à areia movediça, encontra um local seguro e simplesmente se deita e sorri, estar ali é um misto de angústia e fascinação. São belos planos dentro da selva e chega um ponto que sua mente se esvai, começa a alucinar e daí alguns flashbacks acontecem, por exemplo, o pai não compreender seu desejo de explorar.
"Selva" é um bom filme de espírito aventureiro e sobrevivência, prende a atenção e surpreende pela ótima interpretação de Radcliffe. 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Uma Grande Aventura (Watership Down) Filme/Livro

"Watership Down" (1978) traduzido no Brasil como "Uma Grande Aventura" ou "A Longa Jornada" é uma animação baseada no romance homônimo de 1972 de Richard Adams e dirigida por Martin Rosen (The Plague Dogs - 1982, também baseado na obra homônima de Richard Adams), conhecida como uma das mais perturbadoras e sanguinolentas animações, sem dúvidas, uma obra-prima atemporal que conversa tanto com o universo infantil como o adulto, há um exagero em sua fama de violência, mas o seu conteúdo é sim bastante obscuro, pois trata-se de sobrevivência. Richard Adams começou toda essa história por causa de suas filhas em uma viagem de carro pela Inglaterra, motivado ele pesquisou sobre a vida dos coelhos, o habitat, os seus modos e construiu algo grandioso, pode-se encarar "Watership Down" como uma aventura hipnotizante ou como uma metáfora para o comportamento humano, a religião, a sociedade e sua escala de poder, e tantos outros simbolismos que vão aparecendo no decorrer. 
Com sua toca ameaçada de destruição, um grupo de coelhos é obrigado a abandonar o lugar onde vivem e partir em uma grande aventura. Eles não estão prontos para essa viagem, cheia de perigos e surpresas, mas precisam encontrar uma nova casa o mais rápido possível. Os valentes coelhos são perseguidos por animais domésticos, conseguem fugir dos humanos e até encontram um coelho malvado que não quer saber de ajudá-los e sim atrapalhar o caminho. Mas juntos, eles enfrentam cada desafio e problema, com a força da amizade.
A sinopse pode enganar por seu tom fabuloso em que coelhos buscam um lugar seguro e por conta da união conseguem sobreviver, porém ao entrar em contato com o livro/filme e observar a maneira que esses coelhos são retratados, como os traços naturais do desenho no filme, desmistifica o estereótipo de candura que supostamente possuem, a história é permeada de situações ruins em que o medo é o grande protagonista, eles são movidos por esse medo e usam de suas características, como agilidade, audição privilegiada e a sagacidade para elaborar truques e ir adiante sem se deixarem abater, além de fugirem de inimigos de outras espécies também precisam lidar com as armadilhas de outros coelhos. Tudo começa quando Cinco-Folhas (Richard Briers), um coelho franzino pressente algo ruim vindo em direção à coelheira, ele visualiza uma bituca de cigarro que sinaliza a presença de homens e um pedaço de madeira fincado na terra, uma placa, e logo tem a visão do campo todo ensanguentado, junto com seu irmão Aveleira (John Hurt) vão até o chefe do Owsla - os coelhos mais fortes e superiores da coelheira - e avisam sobre a tragédia que está por vir, mas o grande coelho menospreza a recomendação de irem embora. Após isso Cinco-Folhas e Aveleira formam um grupo e partem em busca de um bom lugar para viver, nesta jornada passam por muitos perigos, encontram raposas, gatos, cachorros, pássaros, homens com espingardas e coelhos estranhos e tantas outras adversidades, precisam conquistar território, construir as próprias tocas, conseguir um local para comerem e acima de tudo permanecerem unidos são e salvos. Durante essa extenuante caminhada alguns morrem e se machucam, conhecem modos de vida diferentes e percebem que precisam de muita coragem para seguirem, principalmente, quando vão atrás de fêmeas na temida Efrafa.

Uma das coisas que mais chama a atenção na animação é a sua estética, os coelhos não são retratados como seres bonitinhos e a natureza deles é exposta de maneira real, os hábitos e a luta pela sobrevivência, e claro, aí entra a violência, arranhões e mordidas que arrancam pedaços, além de imprevistos, mas nada é gratuito, quando percebem que só lutando poderão escapar se tornam impetuosos e selvagens, as cenas sangrentas são poucas na verdade, o conteúdo foi baseado realmente na vida dos coelhos, a fonte de inspiração do autor foi o livro de Ronald Lockley, "A Vida Privada dos Coelhos", portanto, a agressividade faz parte, mas nada tão estarrecedor, existe um exagero em torno.
O filme é um clássico e merece toda a atenção, só que funciona isoladamente do livro, a reprodução não é fiel e os acontecimentos não estão na ordem, alguns personagens não são focados e demora-se a distingui-los, porém visualizar o cenário e todo o percurso alimenta ainda mais a nossa imaginação, é uma experiência que nutre. Condensar um livro de centenas de páginas cheio de detalhes é complicado e a imersão acaba não funcionando por ter uma abordagem rápida, a ação é quem manda, chama-se isso de plot-driven, onde o personagem está à mercê dos acontecimentos e por conta do tempo seu perfil não é explorado por completo. O que é uma pena, pois cada coelho exibe uma característica única, Cinco-Folhas é intuitivo, Aveleira é confiável, Manda-Chuva é forte e corajoso, Dente-de-Leão é um exímio contador de histórias, Amora-Preta é astuto, estes são os principais, mas quando abre espaço para algum coelho em cena percebe-se algo que se sobressai em cada.

Em dado momento da jornada eles encontram uma coelheira com hábitos diferentes dos demais coelhos, são bem recebidos pelo grande e melancólico Prímula, mas algo parece estranho em seus hábitos polidos e desinteressados, por exemplo, quando por agradecimento pela acolhida querem contar uma história sobre a mitologia deles, que envolve El-ahrairah - uma espécie de Deus, eles rejeitam veementemente, no decorrer perceberam que dia após dia um coelho desaparecia, e então descobriram que os homens não eram generosos em tratá-los, mas ali era um viveiro e todos os coelhos tinham consciência disso. A mitologia mencionada a cada nova empreitada inspira os coelhos a não desistir, já que El-ahrairah, o herói deles venceu utilizando inúmeras artimanhas, o mito no livro é muito mais desenvolvido e não tem como não relacioná-lo com a religião, é dito que o mundo foi criado por Frith, representado pelo sol, e que nesse mundo habitava muitos animais e todos viviam em paz, até que os coelhos liderados por El-ahrairah se proliferaram demasiadamente e acabaram com a comida dos outros animais, estes imploraram a Frith para que pedisse ao coelho controlar seu povo, mas foi ignorado e Frith decidiu dar aos outros animais garras e presas para caçar os coelhos, e assim foram sendo mortos, até que restou somente El-ahrairah, que acabou ganhando também várias características, como a aguçada percepção para poder sobreviver com tantos inimigos a sua volta.

A história toca em temas muito pertinentes, como confiança, companheirismo, hierarquia social, religião, sacrifício, e demonstra a amizade improvável entre os coelhos e a gaivota, Kehaar, uma personagem maravilhosamente bem adaptada para o filme, na voz de Zero Mostel, sem dúvidas, as cenas que participa são as melhores, a ave tem um misto de simpatia e impaciência com os coelhos, eles a ajudaram a se recuperar depois de um ataque de um gato e o pássaro grato os ajuda a encontrar Efrafa e libertar as fêmeas de lá, essa coelheira tem um sistema ditatorial, horários determinados para comer e há patrulhas por todos os cantos, são coelhos que não temem a luta e são muito leais. As fêmeas estão bastante insatisfeitas e estressadas e quando Manda-Chuva (Michael Graham Cox) entra lá com o pretexto de se juntar e se tornar um deles, observa tudo ao redor e as convence a fugir direto para a liberdade. Claro que esta fuga não é fácil e dependem muito da engenhosidade e da sorte, e os efrafianos não se dão por vencidos. 
A sobrevivência requer sacrifício e isso os coelhos não temem, outro ponto interessante é a conversa que Aveleira vai tentar com o general Vulnerária (Harry Andrews), onde ele diz que é estupidez guerrear entre a mesma espécie enquanto poderiam ampliar o território e usufruir juntos dos recursos naturais, as alegorias estão por toda a parte, basta se atentar a narrativa que tudo tem um paralelo com a nossa sociedade e o comportamento humano, mas se quiser ter uma interpretação literal, onde a fantasia e a aventura predomina também pode, inclusive essa é a grandeza da obra, fazer com que cada leitor/espectador tenha sua própria perspectiva da história. A aura melancólica é penetrante mesmo com toda a ação, uma parte que evidencia muito esse sentimento é quando Cinco-Folhas pressente algo em relação a seu irmão e a canção "Bright Eyes" de Art Garfunkel, que acompanha a cena torna ainda mais forte essa melancolia.
♪ Há uma névoa ao longo do horizonte,
um estranho brilho no céu
e ninguém parece saber para onde você vai
E o que isto quer dizer,
  oh, é um sonho? ♪

"Coelhos (diz o Sr. Lockley) são, em muitos aspectos, parecidos com seres humanos. Um desses é, sem dúvida, sua grande habilidade em superar desastres e deixar que o fluxo da vida os transporte além dos limites do terror e do dano. Têm uma certa qualidade, que não seria justo descrever apenas como resistência ou indiferença. Trata-se, melhor dizendo, de uma imaginação abençoadamente restrita e o sentimento intuitivo de que Vida é Presente."  

Colocando o livro e o filme lado a lado, o livro certamente sai em disparada com sua profundidade e imersão, mas não diminui o valor da adaptação, que mesmo não satisfazendo o leitor ainda consegue emocionar e incutir o interesse, a quem se deparou inicialmente com o filme e ficou sabendo do livro depois com certeza terá vontade de se enveredar pelas páginas de "Watership Down". As descrições, os cenários, os hábitos, os diálogos, o vocabulário criado pelo autor, simplesmente mágico apesar de carregar um tom sombrio, o fato de se basear na vida natural dos coelhos é o diferencial do livro, que em nenhum momento esconde ou floreia as atitudes difíceis e selvagens para a sobrevivência. Outra questão que permeia a história é a destruição da natureza causada pelas mãos do homem, o quão distantes e separados da natureza estão e todo o desequilíbrio que isso tudo causa no ambiente devido a ambição desmedida e egoísmo. Crítica ambiental, social, política e religiosa, por mais que o autor negue que fez qualquer alegoria ou metáfora, elas estão presentes e saltam aos nossos olhos. "Watership Down" é um livro original, cru, melancólico, fascinante e memorável; o filme também impressiona pela representação dos coelhos e ao dar ênfase nas decisões que precisam tomar diante do caos. A obra cinematográfica é notável, mas a leitura é imprescindível.


"Para os coelhos, tudo que é desconhecido é perigoso. A primeira reação é se assustar, a segunda é correr. Várias e várias vezes eles se assustaram, até chegar ao ponto da exaustão. Mas o que eram esses sons e para onde, nesse ambiente selvagem, eles poderiam correr?". 

"Chegar ao fim de um período de ansiedade e temor! Sentir a nuvem que pende sobre nós, leve e dispersa - a nuvem que reanima o coração e faz com que a felicidade não fique apenas na lembrança! Isto, pelo menos, é uma alegria que deve ser conhecida por quase toda criatura vivente."

"Muitos seres humanos dizem apreciar o inverno, mas do que realmente gostam é de se sentir protegidos. Não enfrentam problemas de alimentação. Têm lareiras e roupas quentes. O inverno não os fere fundo e, portanto, aumenta seu sentimento de habilidade e segurança. Para pássaros e animais, e para pessoas sem recursos, o inverno é cruel."

*A Netflix e a BBC One anunciaram a produção de uma minissérie animada de 'Watership Down" em quatro episódios. Estamos no aguardo!  

terça-feira, 31 de outubro de 2017

22 Filmes de Bruxas (Witch Movies)

Em comemoração ao Halloween, segue uma lista caprichada de filmes com Bruxas, todos excelentes em suas histórias sombrias, misteriosas, sedutoras e também críticas.

"As bruxas em geral são assim. Não estão jamais interessadas nas coisas ou nas pessoas, mas na utilidade eventual destas." (As Crônicas de Nárnia)

22- "A Máscara de Satã" (La Maschera del Demonio - 1960) de Mario Bava
Na Idade Média, a princesa Ada (Barbara Steele), acusada de bruxaria e práticas de vampirismo, é condenada a uma morte terrível: inquisidores cruéis cravam em sua face uma máscara amaldiçoada repleta de lâminas pontiagudas (a máscara do demônio, naturalmente). Mas antes que eles o façam, a bruxa ameaça a todos e promete voltar para se vingar e dar continuidade a seu legado de sangue e horror... E ela voltará...

21- "A Filha de Satã" (Night of the Eagle - 1962) de Sidney Hayers
Cético professor universitário é contrariado pela crença de sua esposa na feitiçaria, prática que conheceu em uma viagem à Jamaica. Ele tenta convencê-la a abrir mão disto, mas a mulher está cada vez mais obcecada em arrodeá-lo de amuletos e outros aparatos de magia para que tenha sucesso profissional.

20- "O Uivo da Bruxa" (Cry of the Banshee - 1970) de Gordon Hessler
Na Inglaterra do século XVI, o obsessivo magistrado Lorde Edward Whitman empenha-se em erradicar a prática de bruxaria de uma região rural. Sua mulher teme que a família esteja amaldiçoada e se comporta como uma louca, só sendo acalmada pelo seu cavalariço Roderick, que também é amante da filha do Lorde, Maureen.
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19- "O Martelo das Bruxas" (Kladivo na Čarodějnice - 1970) de Otakar Vávra
A história do filme é baseada no livro de Václav Kaplicky, Kladivo na Čarodějnice (O Martelo das Bruxas, 1963), um romance sobre julgamentos de bruxas no norte da Morávia durante a década de 1670. As imagens são de um preto e branco alegórico e cheias de símbolos. Tudo começa com uma ação trivial de uma pobre velha, que desemboca numa espiral de acusações, mergulhando a comunidade no caos total.

18- "O Espelho da Bruxa" (El Espejo de La Bruja - 1962) de Chano Urueta
Elena é avisada por sua madrinha bruxa Sara que domina a magia negra e a arte do espelho de que será assassinada por seu marido, mas a jovem acredita ser muito amada. Adonay que é o demônio chefe de Sara previne que é melhor que o destino aconteça e não interfira. Elena acaba morrendo. A bruxa tem o espelho que possibilita muitas visões, inclusive falar com Elena que está no caixão e promete vingança. O viúvo se casa novamente e passa a presenciar estranhos fenômenos na casa como flores murchando repentinamente no vaso, o piano que toca sozinho até que sua nova esposa acaba sofrendo sérias queimaduras e o marido tomará decisões radicais pra ajudá-la, mas a bruxa estará preparada para a vingança derradeira.Não é uma história de bruxa má, mas uma bruxa que busca justiça.

17- "Olhos De Fogo" (Eyes of Fire - 1983) de Avery Crounse
Um grupo de pioneiros do oeste americano se depara com estranhos acontecimentos noturnos numa floresta. Uma misteriosa garota conhece os segredos desses sinistros acontecimentos e o mundo ao qual pertencem e pede aos invasores que abandonem a floresta. Só as forças da noite tem a resposta para algumas perguntas.

16- "A Iniciação de Sarah" (The Initiation of Sarah - 1978) de Robert Day 
Filme feito para a TV sobre uma jovem que tem poderes telepáticos, e que ao ser rejeitada por todas de uma irmandade, junta-se a uma professora que mexe com bruxaria, para se vingar da humilhação pela qual passou.

15- "Baba Yaga" (1973) de Corrado Farina


Valentina, uma fotógrafa de moda, em circunstâncias estranhas conhece uma mulher, que se apresentou como Baba Yaga. Esta senhora não é jovem e dá a Valentina uma boneca que pode vir à vida. Ela usa a câmera e o homem fotografado cai morto. Valentina se torna dependente de Baba Yaga. Livre do cativeiro do glamour tenta conseguir seu amante Arnaud.

14- "Superstição" (Superstition - 1982) de James W. Roberson
Uma família se muda para um casarão no interior de Mill Road, ao lado de um grande lago. Não demoram a descobrir que o lago foi o local da execução por afogamento de uma bruxa, 300 anos antes, e ela está de volta para concretizar sua vingança.

13- "Dark Waters" (Temnye Vody - 1993) de Mariano Baino
A jovem Elizabeth chega a um convento localizado numa ilha para tentar saber mais sobre seu passado. O local é quase medieval: não tem eletricidade e as freiras vivem em completo isolamento. Ela espera encontrar uma amiga que vive lá, mas logo descobre que a moça morreu e que o lugar vive às voltas com um mistério envolvendo um antigo amuleto.

12- "Jovens Bruxas" (The Craft - 1996) de Andrew Fleming 
Uma jovem (Robin Tunney) se muda de São Francisco para Los Angeles para começar uma nova vida. Lá conhece três alunas do colégio onde estuda que se dedicam ao ocultismo e à magia (tanto que têm a fama de bruxas entre seus colegas). Quando as quatro fazem amizade e começam a praticar magia juntas, desencadeiam um poder que foge do controle, gerando trágicas consequências.

11- "As Bruxas de Salém" (The Crucible - 1996) de Nicholas Hytner
Em Salem, Massachusetts, 1692, algumas jovens fazem "feitiços". Uma delas, Abigail Williams (Winona Ryder), tinha se envolvido com seu patrão John Proctor (Daniel Day-Lewis), mas após o fim do caso foi despedida. Assim, desejava a morte de Elizabeth Proctor (Joan Allen), a esposa deste. Elas são descobertas no seu "ritual" e, acusadas de bruxaria, provocam uma histeria coletiva que atinge várias pessoas, sendo que Abby, a jovem desprezada por John, faz várias acusações até ver Elizabeth ser atingida.

10- "Da Magia à Sedução" (Practical Magic - 1998) de Griffin Dunne
"Jogue sempre sal sobre seu ombro esquerdo, tenha alecrim no seu jardim, plante alfazema para dar sorte e apaixone-se sempre que puder."
Duas irmãs descendentes de feiticeiras tentam levar uma vida normal, mas sofrem com uma maldição que diz que todo homem que se apaixona por uma integrante de sua família é levado à morte. Com Sandra Bullock, Nicole Kidman, Aidan Quinn, Stockard Channing e Dianne Wiest.

09- "Elvira - A Rainha das Trevas" (Elvira, Mistress of the Dark - 1988) de James Signorelli
Elvira (Cassandra Peterson) é a anfitriã de um programa de baixo orçamento sobre filmes de terror, mas tudo pode mudar quando ela herda da tia Morgana (Cassandra Peterson) uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas 1313 habitantes. Ela sonha em vender a casa e ir para Las Vegas, mas encontra dois sérios problemas: o primeiro são os adultos da cidade, que ficam espantados com o modo de como ela se veste e se comporta. Liderados por Chastity Pariah (Edie McClurg), eles fazem forte oposição à presença de Elvira na localidade. O segundo problema é Vincent Talbot (William Morgan Sheppard), um tio de Elvira que não herdou nada, mas deseja obter de qualquer maneira um "livro de receitas" que também foi herdado por Elvira, que dará a ele imensos poderes para fazer diversos tipos de bruxarias.

08- "A Convenção das Bruxas" (The Witches - 1990) de Nicolas Roeg
Após a morte do pai, Luke (Jasen Fisher), 10 anos, é levado por sua avó (Mai Zetterling) para um hotel na Inglaterra. Lá o garoto descobre que um grupo de bruxas está fazendo uma convenção e que pretendem transformar todas as crianças do mundo em ratos. Descoberto, ele acaba virando um roedor junto com outro garoto, mas não desiste de parar o plano da senhorita Eva Ernst (Anjelica Huston), a líder da convenção das bruxas.

07- "O Serviço de Entregas da Kiki" (Majo no Takkyuubin - 1989) de Hayao Miyazaki
Kiki é uma jovem bruxa que acabou de completar 13 anos. Segundo a tradição, quando atingem essa idade, todas as bruxas devem sair de casa por um ano para aprender a viver por conta própria. Ela se muda para a cidade de Korico, junto com Jiji, seu gato falante. Lá ela aprende a seguir em frente com sua vida, apesar de todas as dificuldades que possam surgir.

06- "Suspiria" (1977) de Dario Argento
Susan (Jessica Harper) é uma jovem americana que viaja para a Europa para estudar numa prestigiada escola de Balé. Desde o primeiro dia, porém, ela começa a se assustar com estranhas situações que ocorrem no local que a fazem crer que há bruxas por todas as partes.

05- "As Bruxas de Zugarramurdi" (Las Brujas de Zugarramurdi - 2013) de Álex de la Iglesia
Baseado num caso real ocorrido em Logronõ em 1610, quando a Inquisição queimou 40 habitantes, acusados de serem bruxas de Zugarramurdi, o filme conta a história de José (Hugo Silva), um pai divorciado, e um jovem desempregado, Antonio (Mario Casas), que assaltam uma ourivesaria em Madrid. Posteriormente eles tentam fugir para França num táxi, contudo esta viagem começa a correr mal quando mergulham nos bosques do País Basco, e acabam nas mãos de uma família de bruxas, com três gerações .

04- "A Bruxa do Meio-Dia" (Polednice - 2016) de Jirií Sadek
Em meio a um verão não usual, Eliška (Anna Geislerová) se muda com a filha Karolínka de volta para o vilarejo de onde o seu marido é nativo. O retorno deles está associado com um mistério que todos parecem estar cientes, menos a menina. O calor torna-se cada vez mais insuportável e as tensões aumentam. Karolínka começa a perceber as coisas, pois sua mãe está cada vez mais evasiva e preocupada. O medo permeia tudo e os fantasmas passam a se movimentar, sejam eles reais ou não.

03- "The Love Witch" (2016) de Anna Biller
Elaine (Samantha Robinson) é uma jovem bruxa que está determinada a encontrar o homem de sua vida. Ela leva homens para sua casa e faz magias e poções a fim de seduzi-los. Tudo funciona bem, mas ela acaba com uma série de vítimas infelizes. Quando ela finalmente encontra o homem de seus sonhos, seu desespero para ser amada a torna insana. É delicioso, nostálgico, lindo esteticamente, crítico e carrega um humor satírico. O interessante é a mescla de fragilidade e força que a personagem carrega, o que nos faz refletir e muito sobre feminilidade, gênero e etc. Saiba+

02- "A Bruxa" (The Witch - 2015) de Robert Eggers
Nova Inglaterra, ano de 1630. William e Katherine levam uma vida cristã com suas cinco crianças, morando à beira de um deserto intransitável. Quando o filho recém-nascido deles desaparece e a colheita falha, a família se transforma em outra. Por trás de seus piores medos, um mal sobrenatural se esconde no bosque ao lado.

01- "Haxan - A Feitiçaria Através dos Tempos" (Häxan - 1922) de Benjamin Christensen 
Häxan documenta as perseguições movidas contra as feiticeiras numa Europa atravessada pela intolerância religiosa. O filme é narrado em primeira pessoa, como se o diretor desejasse demonstrar uma tese, assim enunciada: “A crença nos maus espíritos, feitiçaria e bruxaria é o resultado de ingênuas noções sobre o mistério do universo”. Torturas, possessões e rituais de Sabá são aqui dramatizados numa narrativa de docudrama, ilustrando uma série de analogias entre o mundo moderno e o período da Inquisição. Obra-prima do cinema fantástico, realizado numa época em que não havia censura. São visíveis as influências pictóricas de Hieronymus Bosch e Bruegel. O virtuosismo de Häxan acabou influenciando Carl Dreyer em "A Paixão de Joana D'Arc".