sexta-feira, 14 de junho de 2019

Filmes de Zumbi (Zombie Movies)

Segue um apanhado de filmes que abordam de formas variadas a temática zumbi, são filmes mais recentes e que se destacam pela originalidade do universo criado em seus mais diversos gêneros. 

"Tumba Aberta" (Open Grave - 2013) EUA
John (Sharlto Copley) acorda em um vala, cercado por cadáveres, no meio da natureza. Ele não tem a menor ideia de como foi parar naquele local. John é acolhido por um grupo de estranhos, mas fica em dúvida: Quem matou todas aquelas pessoas? Seria ele mesmo um dos assassinos?

"Escondidos" (Hidden - 2015) EUA
Trezentos e um dias após a explosão que mudou o mundo, Ray e sua família sobrevivem em um abrigo e esperam que, eventualmente, tudo volte ao normal. Mas algo desconhecido e perigoso se aproxima e a melhor opção é permanecerem escondidos.

"Fido - O Mascote" (Fido - 2006) Canadá
Há muitos anos a Terra passou por uma nuvem de poeira espacial, o que fez com que os mortos retornassem com uma insaciável fome por carne humana. A situação é alarmante em todo o planeta, até ser inventada pela ZomCon uma coleira que faz com que os zumbis se tornem dóceis. Graças a esta invenção os zumbis puderam ser jardineiros, leiteiros e até mesmo animais de estimação. A ZomCon quer que todos acreditem que os zumbis estão sob controle, mas Timmy Robinson (K'Sun Ray) não acredita nisto. Desconfiado e isolado, Timmy fica tanto tempo em seu quarto que até seus pais se esquecem dele. Quando sua mãe (Carrie-Anne Moss) compra um zumbi para ajudá-la em casa ele logo passa a vê-lo com desconfiança. Mas, após o zumbi salvá-lo dos garotos que sempre o perseguiam, nasce uma amizade entre eles e Timmy passa a chamá-lo de Fido (Billy Connolly).

"Melanie - A Última Esperança" (The Girl with All the Gifts - 2016) EUA/UK


Em um futuro distópico, algumas crianças são mantidas como reféns por um cientista em busca da cura para uma doença que infestou todo o planeta. Melanie (Sennia Nanua), uma garotinha com dons muito especiais, chama a atenção de Helen Justineau (Gemma Arterton) e da Dr. Caroline Caldwell (Glenn Close), que decidem embarcar em uma jornada com a menina.

"Vida Após Beth" (Life After Beth - 2014) EUA
Zach (Dane DeHaan) está devastado com a morte repentina de sua namorada, Beth (Aubrey Plaza). Quando ela volta à vida por um milagre, Zach tenta aproveitar ao máximo a sua companhia, fazendo coisas que ele se arrependeu de não ter feito enquanto ela estava viva. Entretanto, a nova Beth não é exatamente a mesma pessoa com quem Zach se relacionava e isso fará a vida do rapaz dar uma reviravolta - para pior.

"Maggie - A Transformação" (Maggie - 2015) EUA
Uma adolescente (Abigail Breslin) é contaminada por um zumbi, mas sua transformação demora seis meses para se completar. Mesmo assim, seu pai (Arnold Schwarzenegger) decide continuar ao seu lado enquanto ela deve se acostumar à sua nova personalidade monstruosa.

"Juan dos Mortos" (Juan de los Muertos  - 2011) Cuba/Espanha
Uma horda de zumbis famintos por carne humana que assola as ruas de Havana. Estende-se o rumor de que os responsáveis pela situação são os grupos dissidentes que servem os Estados Unidos. Pânico se apoderou do povo, no meio da confusão um herói: Juan (Diaz de Villegas), que com o slogan "João dos mortos, matamos seus entes queridos", é oferecido às pessoas para eliminar, por um pequeno preço, os seus familiares infectados.

"Plano-Sequência dos Mortos/One Cut of the Dead" (Kamera o Tomeru na! - 2017) Japão
O filme inicia com um longo plano-sequência envolvendo um prédio abandonado, experimentos militares, mortos-vivos e muito sangue. O que aparentemente é uma obra clichê como tantas outras se tornará algo inusitadamente diferente.

"I Am a Hero" (Aiamuahiro - 2015) Japão
Hideo é um frustrado assistente de mangaká. Um dia, sua namorada o expulsa de casa, cansada de conviver com um derrotado. Mas isso seria apenas o começo de seus problemas, pois um vírus misterioso de repente se espalha por todo Japão causando pânico generalizado. As pessoas infectadas são chamadas ZQN e adquirem uma força sobre-humana. Agora, enquanto o mundo a sua volta desmorona, Hideo terá de sair da passividade e lutar por sua vida.

"Mon Mon Mon Monsters" (Bao gao Lao Shi! Guai Guai Guai Guai Wu! - 2017) Taiwan
Um aluno impopular é alvo constante de bullying na escola. Um dia ele entra em apuros e é designado para o serviço comunitário juntamente com três valentões na aula. No entanto, em uma de suas incursões eles encontram um ser que se alimenta de carne humana e impulsionados pela curiosidade, decidem capturá-lo para fazer pesquisas. Porém, isso se torna um ciclo interminável de torturas para os envolvidos.

"Os Famintos" (Les Affamés - 2017) Canadá
Numa pequena vila em Quebec, uma epidemia de origem desconhecida transformou a maior parte da população em mortos-vivos. Mas os infectados têm algumas particularidades. Não reagem todos da mesma forma ao vírus. Enquanto uns se comportam enfurecidamente, outros, talvez ainda agarrados à sua humanidade, constroem pilhas de cadeiras ou brinquedos.

"Ben & Mickey Contra os Mortos" (The Battery - 2012) EUA
O filme se passa em um cenário devastado pelos zumbis, onde Ben (Jeremy Gardner) e Mickey (Adam Cronheim) andam sem rumo, procurando suprimentos em casas abandonadas, e passam o tempo treinando lançamentos de beisebol, escutando músicas e fumando. Mickey busca outras pessoas, um lugar para ficar e sobreviver, enquanto Ben, prefere ficar por conta própria, e sempre em movimento, já que tem certeza que, nesta situação, ficar estagnado e assinar sua sentença de morte.

"Deadgirl" (2008) EUA
"Deadgirl" narra a história de dois amigos, estudantes, Ricky e JT, que decidem entrar no porão de um hospital abandonado. Lá eles encontram uma mulher nua, deitada com correntes, amarrada a uma maca e coberta de plástico. Eles acham que ela está morta, porém as coisas nem sempre são o que parecem.

"The End?" (In un Giorno la Fine - 2017) Itália
Claudio Verona é um jovem e cínico homem de negócios que acaba preso em um elevador antes de um encontro com um cliente. Esse contratempo logo se tornará um pesadelo, quando um vírus mortal começa a transformar pessoas em violentos zumbis. Ele tem que sair desse recinto claustrofóbico, mas aparentemente, o elevador é o lugar mais seguro da cidade.

"A Noite Devorou o Mundo" (La Nuit a Dévoré le Monde - 2018) França
Quando acorda pela manhã, neste apartamento onde ainda ontem acontecia uma grande festa, Sam precisa aceitar os fatos: ele está sozinho e mortos-vivos invadiram as ruas de Paris. Aterrorizado, ele precisa se proteger e se organizar para continuar vivo. Mas Sam é realmente o único sobrevivente? Um filme que aborda o apocalipse zumbi de forma realista e intimista, o medo do desconhecido, a solidão, a paranoia, tudo muito bem detalhado para que o espectador sinta todas as emoções vividas pelo protagonista. Saiba+

"The Dark" (2018) Áustria
Mina (Nadia Alexander) seria uma adolescente como qualquer outra se não tivesse sido amaldiçoada e transformada em uma vampira morta-viva. Ela é obrigada a assombrar a casa onde cresceu: ninguém entra ou sai vivo de lá. Mas a chegada de Alex (Toby Nichols), um menino cego da mesma idade de Mina, pode fazê-la reviver sentimentos adormecidos, como empatia e amor. Um filme austríaco de horror que cria uma atmosfera sombria repleta de mistérios em tom de fantasia, uma bela e intrigante história em que a monstruosidade pode ser interpretada tanto literalmente como metaforicamente. Saiba+

"Zoo" (2018) Dinamarca
Escrito e dirigido por Antonio Tublen, o filme estrelado por Zoë Tapper, Ed Speleers, Antonia Campbell-Hughes, Jan Bijvoet e Lukas Loughran segue um casal que está tentando reparar o seu casamento durante um apocalipse zumbi.

"Os Mortos Não Morrem" (The Dead Don't Die - 2019) EUA


Em uma cidadezinha pacata, uma série de crimes começam a chamar a atenção dos policiais Cliff (Bill Murray) e Ronald (Adam Driver). Depois de investigarem, descobrem que os seus piores medos se tornaram reais: o local está sendo tomado por zumbis, que voltaram para executar as atividades que faziam diariamente quando vivos. 

Bônus: Curta - "Cargo" (2013) Austrália
Em 7 minutos nos é mostrado o amor incondicional de um pai preso no meio de um apocalipse zumbi, esse homem põe em andamento um improvável plano para proteger a preciosa carga que ele carrega: sua pequena filha. E o pior de tudo é que a maior ameaça é ele mesmo. Saiba+

Série - "In the Flesh" (2013 - 2014) UK
Situada no futuro próximo, a história acompanha a vida de sobreviventes que enfrentaram o holocausto zumbi. Estes foram eliminados ou capturados pela Human Volunteer Force e agora recebem tratamento médico para que possam ser reintegrados à sociedade, utilizando medicamentos, lentes de contato, implantes e maquiagem corretiva. Assim, eles passam a ser chamados de vítimas do PDS (Partially Deceased Syndrome - Síndrome de Falecimento Parcial). Kieren cometeu suicídio há quatro anos, mas desde então, milhares de zumbis foram reanimados, através de reabilitação e medicação, graças a um plano governamental de inclusão dos afetados. No entanto, as comunidades que foram abandonadas na época da epidemia e que tiveram que entrar na sangrenta batalha contra os zumbis não estão exatamente receptivas a esse novo programa de reintegração. 1ª Temporada e 2ª Temporada.

Série - "Kingdom" (2019) Coreia do Sul
O príncipe herdeiro da dinastia Joeon assume a missão de investigar uma misteriosa epidemia que assolou a população local. Lá, o jovem não demora a perceber que a situação é ainda pior do que ele imaginara. Agora, ele precisa travar a batalha mais violenta de sua vida a fim de proteger seu reino.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Vox Lux - O Preço da Fama (Vox Lux)

"Vox Lux" (2018) dirigido por Brady Corbet (A Infância de um Líder - 2016) é um filme interessante e narra de forma inconvencional o rumo ao estrelato de uma cantora pop, vemos desde o nascimento vindo de um evento trágico à sua ascensão e fama e seu declínio justamente por toda a glória envolvida em torno de si. A trama cutuca fundo e retrata o quão descarado e perturbador pode ser esse cenário, a indústria da música que cria e constrói artistas presos a um universo paralelo à base de mentiras e obscuridades. Isso por si só eleva a qualidade do longa e vem para bater de frente com filmes que romantizam e fazem endeusar ainda mais essas pessoas. 
Celeste (Natalie Portman) é uma estrela pop que vem para o sucesso como resultado de circunstâncias anormais. O filme é ambientado entre 1999 e os dias atuais, e segue a ascensão de Celeste das cinzas de uma grande tragédia nacional para o estrelato pop. Esta odisseia de 15 anos acompanha a evolução cultural importante do século XXI através de seu olhar.
Somos introduzidos à história secamente e incomoda o rumo que toma, Celeste sobrevive a um tiroteio em sua escola de música e é exposta pela mídia e todos se compadecem, ela e a irmã apresentam uma canção própria, uma forma de homenagem e logo ela é inserida no mercado fonográfico já que possui talento e carisma, as músicas ganham roupagens pop, mas o fato é que as letras não são escritas por ela, mas pela irmã, que no decorrer termina sendo sua sombra e esquecendo de viver sua própria vida. Celeste possui bastante vontade e interesse de crescer e se tornar uma estrela e tudo contribui para que isso se concretize, a tragédia foi primordial para que ganhasse a fama e o desenrolar demonstra situações estranhas e desagradáveis dos bastidores .
O filme é dividido em capítulos, mas a verdade é que possui duas partes e, infelizmente, não há uma continuidade instigante e fluída, a quebra corta a sensação da então chocante primeira parte, somos empurrados sem dó e encontramos Natalie Portman performando, cheia de caras e bocas e extremamente perturbada, ela está retornando aos palcos depois de muitos contratempos e observamos sua instabilidade com a realidade. Apesar de todo o esforço impecável de Natalie Portman quem se sobressai é a jovem Raffey Cassidy, seu olhar passa todo o entusiamo pela carreira e assume uma personalidade forte mesmo aparentando inocência, é claro que as responsabilidades a fizeram se encontrar mais cedo com o mundo adulto e as consequências disto vemos na segunda parte.

É um filme musical, mas é diferente na forma, as canções tem em sua essência a característica repetitiva e mecânica, a trilha sonora foi composta por quem entende do assunto, a cantora Sia. Celeste em dado momento cita que suas músicas são criadas para as pessoas não pensarem enquanto escutam, o tom que o filme adota em não evidenciar o talento e expor a falta de emoção é para demonstrar o quão automatizado é por trás da vida de uma estrela pop. 
Celeste é perturbada, não tem uma relação afetuosa com a filha, que foi criada pela irmã, vivida por Stacy Martin, há uma confusão na segunda parte, já que usaram Raffey Cassidy para interpretar a filha melancólica de Celeste. Impressiona em muitas cenas pela visceralidade de seus rompantes, como na cena em que Celeste se desmonta no banheiro enquanto a irmã tenta acalmá-la. Instantaneamente vêm à mente nomes de inúmeras artistas pop que explodem, depois se destroem e mais tarde tentam um recomeço.

"Vox Lux" é um filme pretensioso e isso não significa que seja ruim, ao contrário, ele propõe uma visão diferente sobre a indústria musical e as celebridades criadas, além de pincelar variados assuntos que a permeiam e suas consequências, há um vazio imenso nisso tudo e por isso pode aparentar que o filme também seja. O diretor Brady Corbet tem um estilo bastante interessante e mesmo com o descompasso e um certo excesso a obra gera boas e importantes reflexões.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Kyrsyä - Tuftland

"Kyrsyä - Tuftland" (2017) dirigido por Roope Olenius é um filme de terror finlandês que trabalha o mistério e o bizarro de forma primorosa, sua atmosfera estranha e enigmática segue por todo o desenrolar e não tem como reclamar de clichês, visto que a cada instante há novas camadas sinistras e desdobramentos perturbadores. 
Irina (Veera W. Vilo), uma estudante teimosa tenta superar seus problemas aceitando um emprego de verão em um estranho e isolado vilarejo chamado Kyrsyä. Acompanhamos a angústia de Irina em sua rotina, na faculdade está sempre insatisfeita e seu único desejo é sair de sua cidade para esquecer os problemas, ela tenta se inscrever em trabalhos de verão, mas nada dá certo, até que inesperadamente recebe uma carta indicando um trabalho numa distante aldeia, Kyrsyä, na área têxtil de uma fábrica, que é o que Irina está estudando. Sem pensar muito o como a carta foi parar lá decide embarcar, em paralelo vemos um esquisito a seguir ela, morador da aldeia e que enviou a tal carta, Perti (Miikka J. Anttila), em determinado ponto ele a acompanha até o local inóspito rodeado somente pela natureza, chegando ela se depara com pessoas muito simples e que dão valor a outras coisas, o mundo moderno não os interessa e fazem tudo manualmente auxiliados pela natureza, o respeito e a devoção é aos poucos delineada e Irina se encanta de início, aproveita seus dias olhando ao redor e passeando pelas trilhas na floresta, mas sem nunca deixar também de se sentir deslocada e impressionada com as ações dessa "família". A forma simples e naturalista acaba tornando-se numa espécie de adoração à natureza e os laços que os unem se revelam abomináveis. Irina começa a questionar sobre a produção que nunca começa e sobre outras coisas, especula com Maaria (Saara Elina), a mais jovem dessa aldeia, ela possui características peculiares e insanas. Então começam a produzir manualmente pompons, o que deixa Irina muito brava e daí decide ir embora, mas os habitantes a seguram e a querem lá para sempre, inclusive arranjando-lhe um marido, a ideia de procriação é o que domina e ainda há um humano selvagem que fica preso o tempo todo pela sua alta libido, a surrealidade também dás as caras com o aparecimento de uma menina fantasma, e o enigma paira no ar, qual a utilidade da confecção de pompons?
Inicialmente Irina abraça a vida simples e rústica e releva os comentários severos, como os da avó, mas com o passar do tempo o ar sinistro toma conta, eles agem de forma estranha, os homens caçando entoando vocalizações, as mulheres e seus afazeres domésticos, os urros que ouve, sinais da natureza, Perti e suas visões, e então um possível culto. É bastante particular a narrativa e em nenhum momento podemos imaginar seu desfecho.

Vale ressaltar a maravilhosa atmosfera criada principalmente nas locações naturais, os caminhos da floresta, as pistas espalhadas pelo solo, os ruídos. O mistério envolvendo a coexistência dessas pessoas e a natureza intriga bastante, e outro ponto que ajuda criar tensão é sua trilha sonora que gera a sensação de uma fábula sombria, além também de seu humor nada convencional e bizarro.

"Kyrsyä - Tuftland" levá-nos para um lugar rústico e assombroso, onde o que predomina são pensamentos e atitudes ultrapassadas e que unem à selvageria de um culto pela vida simples sem a intromissão do mundo industrializado e moderno. Um conto de terror escandinavo interessante e que surpreende pela beleza e, principalmente, pela excentricidade. 

quarta-feira, 5 de junho de 2019

É o Bruno! (It's Bruno!)

"É o Bruno!" (2019) é uma série americana de comédia nonsense da Netflix concebida inteiramente pelo talentoso Solvan Naim, ou "Slick Naim", que além de tudo ainda é rapper, são oito episódios de aproximadamente 15 min recheados de ironias e absurdos envolvendo Malcom e seu filho, Bruno, um cãozinho muito fofo e motivo de sua existência. Texto inteligente, rápido e super atual, mesmo com todos os absurdos é possível em vários momentos se identificar com Malcom, já que cada vez mais os animais são considerados parte da família, ou mesmo a única parte dela, como no caso dele.
Ambientado no Brooklyn, Malcom dedica seu tempo para cuidar de seu cão e garantir que ele seja tratado com respeito pelos seus vizinhos, todos os dias passeia com Bruno, aliás ele nunca sai sem ele e fica indignado com os lugares que não o deixam entrar, sua comida é peito de peru e quando sobra algum dinheiro compra ração premium, diariamente arranja briga com a vizinhança ao mostrar que Bruno é sim inteligente, vai de lá para cá cheio de pose e quem se coloca em seu caminho logo trata de ensinar uma lição, como o cara que não recolhe o coco de seu próprio cachorro. Não sabemos muito sobre Malcom a não ser que apenas possui Bruno em sua vida, que também é uma incógnita do como conseguiu ele, inclusive isso deve ser explorado numa possível próxima temporada.
A série é viciante e seu humor por vezes tosco acaba agradando quem tem uma relação mais próxima com seu animal de estimação, as situações ridículas ironizam essa dependência e é praticamente impossível não assisti-la de uma tacada só. Outros personagens aparecem aleatoriamente e mesmo parecendo que nada faz sentido a história trata de conectar tudo em seu desfecho, destaque para a golpista Lulu (Shakira Barrera) que se relaciona com solteirões como Malcom para roubar os cachorrinhos, assim como Barry (Anthony L. Fernandez), que distrai os passantes com seu filho Billy Bailando (Eddie J. Hernandez), dançando salsa para sequestrar os cachorros. Há ainda os donos do Pet Shop, o dono do mercado, a caixa da mercearia, um vizinho que sempre está sentado nas escadas chamando Bruno por outro nome, e o mais engraçado de todos, Harvey (Rob Morgan), que cria uma competição bizarra entre Bruno e sua cadelinha Angie.

Solvan Naim como Malcom tem um carisma maravilhoso e mesmo quando ele exagera soa simpático, seus trejeitos e as situações em que se coloca são retratadas com humor simples, mas terminam expondo algumas coisas sérias, como a gentrificação e a diferença socieconômica. Os episódios evoluem deliciosamente e o ápice é quando Malcom se vê sozinho e termina jogado na rua sob o efeito de crack. Vale ressaltar que o cãozinho é bem pacato e não há nenhum rompante por parte dele, quem espera ver algo do tipo "Marley e Eu" esqueça, aqui o maluco é o dono. Outra coisa que cria empatia é o fato de Bruno ser realmente filho de Solvan, então a conexão entre eles é verdadeira e realmente afetuosa, podemos ver o amor nos olhinhos de Bruno.

"É o Bruno!" é para quem gosta de séries curtinhas e que possuem uma comicidade absurda e inteligente, um excepcional e criativo trabalho do multitalentoso Solvan Naim. É maravilhosa até no trailer, impossível assistir uma vez só. Confira.

terça-feira, 4 de junho de 2019

High Life

"High Life" (2018) dirigido por Claire Denis (Deixe a Luz do Sol Entrar - 2017) não é um filme de meio-termo, ou ele gera encantamento ou aborrecimento, a história explora o espaço de forma diferente da usual e capta toda a complexidade das relações humanas, é bastante imersivo e reflexivo, divaga sobre a solidão, o vazio e a decadência da existência humana.
Um grupo de criminosos aceita um acordo para trocar suas penas pela participação em uma missão espacial à procura de energias alternativas, mas a viagem toma rumos inesperados quando uma tempestade de raios cósmicos atinge a nave.
Acompanhamos Monte (Robert Pattinson), sozinho em uma nave espacial rodeado apenas por uma desolação assustadora e um silêncio profundo, ele cuida de sua bebê, Willow, enquanto mantém uma rotina para dominar o desespero, a narrativa inicial intriga com seus mistérios e aos poucos a história vai se descortinando, a linha do tempo se quebra a todo instante para que compreendamos os motivos de Monte estar solitário na nave. A tripulação desta nave, todos condenados à pena de morte, tiveram a escolha de poder participar de uma experiência espacial cuja missão era encontrar o buraco negro mais próximo da Terra, na esperança de obterem liberdade se deparam com um imenso vazio cruel e bizarro, entre eles está a líder, Dra. Dibs (Juliette Binoche), perversa ela utiliza todos como cobaias para suas experiências de inseminação artificial, Monte é o único que se priva e mantém uma disciplina para controlar seus desejos sexuais, o restante regularmente se satisfaz e tomam medicações, enquanto isso observamos as relações que se tornam cada vez mais tensas e insanas dentro da nave, o instinto de sobrevivência, a maneira de se encarar os desejos e a obsessão por reprodução de Dibs vão sugando a vida de cada um, o único elo ainda com a Terra é um jardim que é capaz de resgatar as emoções, mas aos poucos isso também vai sendo deixado de lado por quase todos. Impressiona a visceralidade poética das cenas, até mesmo nas mais esquisitas e violentas. Acaba que Monte sem querer se torna pai, a insana Dibs o entorpece e coleta o seu sêmen e o introduz em Boyse (Mia Goth), que repelia esses processos, a Dra. acreditava que eles dois tinham a melhor genética. Isso detona Boyse e logo após o nascimento entra numa espiral de desespero, ela não consegue lidar e só deseja sair disso tudo, seu desfecho é um dos mais perturbadores, a cena é realmente petrificante. A desesperança e a onda de violência toma conta de vez e os tripulantes não dão conta de suportar mais esse ambiente claustrofóbico, vemos os desfechos de cada um acontecendo e o único a manter-se é Monte, cuja responsabilidade com Willow cultiva um fino fio de esperança.

Claire Denis entrega um filme de ficção científica fora dos padrões, não há o tão característico sentimento de conquista por algo, mas sim a sensação de abandono e a reflexão das ações dos seres humanos, sejam elas medíocres ou afetuosas e, claro, também de nossa pequenez diante o universo. Hipnotiza pelo charme e gera angústia pelas atrocidades, além de promover dúvidas e colocar-nos a refletir na existência humana e todos os seus conflitos de emoções; as cenas do espaço e sua imensidão são bem bonitas, as estrelas, o escuro, e o buraco negro ao final impressionam. Robert Pattinson está maravilhoso como o calado e disciplinado Monte, ele mescla momentos de apatia e esperança, sua relação com Willow encanta, seu instinto paternal em meio à desolação, a rotina que o mantém vivo também é capaz de levá-lo à loucura, são nuances interessantes e que deixam muitas perguntas e abrem questionamentos diversos, não é à toa que quanto mais se pensa na história mais intrigante fica.

"High Life" proporciona momentos únicos e arrebatadores a cada espectador, e ao fim ficamos perdidos com uma mescla de agonia e suavidade, sem dúvidas, um filme provocante, denso e primoroso. Vale mencionar a bela e atmosférica trilha sonora e destaque para a canção "Willow", interpretada por Robert Pattinson.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

O Segredo de Davi

"O Segredo de Davi" (2018) estreia de Diego Freitas em longas-metragens traz novos ares para o cinema nacional, inclusive é só pesquisar que se encontra produções que estão ousando nos gêneros, vide os recentes "Para Minha Amada Morta" (2015), "As Boas Maneiras" (2017), "O Animal Cordial" (2017), "O Clube dos Canibais" (2018), "Aos Teus Olhos" (2017), "Morto Não Fala" (2018), entre outras maravilhas. Neste há uma mescla de gêneros riquíssima e que remetem a obras cinematográficas hollywoodianas. É um thriller psicológico que desafia o espectador, além de flertar com o fantástico e ao mesmo tempo utilizar boas doses de drama de maneira delicada e envolvente, há um mistério pungente e uma tensão por todo o seu desenrolar e a trama surge em camadas complexas e reviravoltas interessantes. Por haver uma certa confusão em seus desdobramentos pode não agradar a alguns espectadores, mas a junção de elementos e sua qualidade é inegável. Sem deixar de mencionar a atuação de Nicolas  Prattes, que nos transporta para suas particularidades e nos incute curiosidade a cada atitude sua.
Davi (Nicolas Prattes) é um jovem voyeur, que adora filmar os outros sem ser percebido. Um dia conhece Jonatas (André Hendges), mais velho que ele, que está na mesma turma da faculdade por cursá-la como eletiva, para o mestrado. Davi sente um estranho fascínio pelo novo colega e, após uma conversa macabra, decide ele mesmo eliminar pessoas que considera dispensáveis. Sua primeira vítima é uma vizinha (Neusa Maria Faro), que mal fala com as pessoas. Ao matá-la, Davi é surpreendido com o súbito reaparecimento dela, revelando que há algo por trás dos atos do agora serial killer.
Seguimos a rotina de Davi na faculdade e sua obsessão em filmar estranhos sem que eles percebam, quando ele se depara com Jonatas logo se encanta e começam uma amizade toda permeada por sentimentos ambíguos, Davi sofre bullying, é quieto, solitário e muito inteligente, seu passado é uma incógnita e conforme as pistas vão aparecendo percebemos que ele é um tanto transtornado, a confirmação disso vem com o primeiro assassinato que comete contra a vizinha, mas algo macabro acontece e a vítima reaparece na casa dele cuidando e dizendo o que precisa fazer, Davi então se torna um serial killer com o propósito de entender o seu passado e recuperar novamente sua família.
Com um ritmo lento e intimista acompanhamos as descobertas de Davi e também suas ações que se tornam cada vez mais execráveis, inclusive algumas cenas mostrando violência explícita, outra coisa que o atormenta é a relação complicada entre ele e Jonatas, seus desejos afloram enquanto o outro não corresponde, há um jogo de tensão sexual bem forte. Há momentos de puro delírio, porém o jovem não deixa se abater e as reviravoltas finais evidenciam sua personalidade manipuladora e fria.

A ambientação do longa certamente possui inspirações em produções hollywoodianas, o clima não combina com o cenário, mas mesmo assim não afeta o todo, a narrativa é o principal, assim como a meticulosidade de seu protagonista, seu comportamento, pensamentos entre delírios e sua inteligência absurda captura nossa atenção, somos jogados num quebra-cabeça em que a chave para entender as motivações de Davi se dá em seu passado turbulento e perturbado, o filme vai misturando as pistas que envolvem sua família juntamente com seus desejos aflorando, sejam eles sexuais ou de vingança. Pode parecer uma obra truncada, mas retrata com maestria uma mente doente e o principal, sem romantizar a violência e a personalidade de um serial killer.

"O Segredo de Davi" é um thriller psicológico que demonstra toda a dissociação do personagem por conta de seus traumas e sua ardilosidade para acobertar suas ações. Denso e intrigante em suas diversas camadas é um filme caprichado e muito bem elaborado até mesmo quando confunde e se desalinha. 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

O Anjo (El Ángel)

"O Anjo" (2018) dirigido por Luis Ortega e produzido por Pedro Almodóvar é baseado na história real de Carlos Robledo Puch, que assassinou 11 pessoas e ficou conhecido como "o anjo da morte" na década de 70 - atualmente ele ainda está preso, sendo o encarcerado mais longo da Argentina. O filme retrata a adolescência do rebelde Carlitos que tem a mania de roubar objetos e levar para casa dando a desculpa de que são emprestados por amigos, os pais se fingem de bobos e assim levam a vida até que ele encontra Ramón e se apaixona tanto por ele quanto pela vida criminosa.
Desde a adolescência, Carlos (Lorenzo Ferro) tem o hábito de invadir casas alheias, pelo simples prazer que o ato lhe dá. Às vezes ele leva algo para casa mas jamais para ganhar dinheiro, apenas para curtir o momento. Ao conhecer Ramón (Chino Darín - filho de Ricardo Darín) em sua nova escola, ele logo é apresentado a um universo mais profissional de crimes, já que o pai de Ramón é veterano da área. Carlos logo se destaca pela ousadia nos crimes que comete, impulsionado pela atração que sente por Ramón. Com o tempo, a displicência com os demais faz com que cometa onze assassinatos e se torne um dos criminosos mais procurados da Argentina.
Cheio de cores e estilo a história fisga pelo charme envolvendo o personagem e sua personalidade fria que ao longo vai se tornando perturbadora, o pai de Ramón, ladrão profissional que já foi preso vê nesse garoto potencial e o aproveitam ao máximo, quando decidem roubar uma loja de armas surpreendem-se e aí inicia-se uma série de outros roubos em que Carlitos nunca satisfeito sempre pretende mais, quando experimenta atirar e matar sua frieza e audácia se eleva. Ele é um garoto bonito e que jamais seria visto como um bandido, portanto se beneficia dessa situação e comete as piores atrocidades. Em dado momento Carlitos e Ramón se autodenominam como "Eva e Perón" e o tempo todo existe uma enorme tensão sexual entre eles, Carlitos está se descobrindo sexualmente e a liberdade que existe na casa de Ramón o deixa confortável, Ramón claramente é próximo dele por ambição, mas há uma química perfeita entre eles, o modo que Carlitos busca sua liberdade é desumana e distorcida, quando ele diz sobre o porquê rouba e a maneira que lida com as mortes é dissimulada e debochada.
"Eu sou um ladrão de nascença. Eu não acredito em isso é seu, e isso é meu".

A reprodução da época é genuína, a fotografia é deslumbrante, sua trilha sonora é cheia de movimento, vide a cena de Carlitos dançando ao som de "El Extraño Del Pelo Largo", da La Joven Guardia, e a narrativa cativa e é bem fechada, além das incríveis atuações, o jovem Lorenzo Ferro faz sua estreia com espontaneidade e firmeza, a dupla que faz com Chino enriquece bastante a obra, existe uma gama de sentimentos entre eles, a paixão que pulsa, o encantamento com a liberdade de ser do outro, a ambição desenfreada e os desejos que se confrontam. Carlitos entra numa espiral de violência e ele ama essa sua loucura. Seus pais não sabem o que fazer, ele aparece quando quer e até o último momento fecham os olhos para a realidade, só no último instante é que encaram, pois a mídia sensacionalista entra em cena e a polícia está a sua procura, então a mãe resolve agir e denunciar o filho. A história não tem surpresas, até porque é baseada em fatos e o que puxa mesmo a atenção é sua beleza estética e charme nas tomadas e seus close-ups.

"O Anjo" traz um personagem cínico e com uma frieza que seduz e até cria-se uma empatia, o que incomoda, o filme segue pela direção do entretenimento e há muita jocosidade na maneira que os crimes são encenados, no final mesmo gostando do longa, pois é inegável suas qualidades, acaba promovendo uma culpa e surge a reflexão sobre a necessidade dessas cinebiografias que transformam assassinos em atração cinematográfica. É um ótimo filme, mas a romantização e a caricatura em torno é de se questionar.