Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 16 de julho de 2020
15 Filmes Sobre Dança
Segue 15 filmes que retratam o universo apaixonante e também sacrificante da dança, observamos toda a dedicação, o empenho, os obstáculos, a dor, a inspiração e a transformação proporcionada pelos movimentos e conhecimentos em suas mais variadas formas e estilos. Confira:
15- Trilogia Flamenca de Carlos Saura:
"Bodas de Sangue" (Bodas de Sangre - 1981) - "Carmen" (1983) - "Amor Bruxo" (El Amor Brujo - 1986) Espanha
Bodas de Sangue: Antonio Gades é responsável por uma companhia de dança que está por realizar uma adaptação de uma obra de Federico García Lorca. Os ensaios, entretanto, revelarão situações mais importantes que a própria apresentação final.
Carmen: Uma trupe de dançarinos de flamenco estão ensaiando uma nova apresentação. Antonio, o coreógrafo da equipe se apaixona por Carmen, a bailarina principal - tirando o foco do resultado final.
Amor Bruxo: Em uma aldeia cigana, os pais de Candela e José conduzem uma cerimônia onde ligam os destinos de seus filhos um ao outro. Crescidos, eles se casam. José, porém, mantem um relacionamento com uma amante. Em um de seus encontros, ele sofre um acidente e morre. Carmelo, que sabe de toda a verdade, é um rapaz que sempre amou Candela - mas que foi preso injustamente. Ao sair da prisão procura a moça para se declarar. Entretanto, ele descobre que ela está amaldiçoada à ficar ligada ao espírito de seu falecido marido para a eternidade.
14- "Billy Elliot" (1999) Reino Unido - Direção: Stephen Daldry
Billy Elliot (Jamie Bell) é um garoto de 11 anos que vive numa pequena cidade da Inglaterra, onde o principal meio de sustento são as minas da cidade. Obrigado pelo pai a treinar boxe, Billy fica fascinado com a magia do balé, ao qual tem contato através de aulas de dança clássica que são realizadas na mesma academia onde pratica boxe. Incentivado pela professora de balé (Julie Walters), que vê em Billy um talento nato para a dança, ele resolve então pendurar as luvas de boxe e se dedicar de corpo e alma mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai com a sua nova atividade.
13- "De Corpo e Alma" (The Company - 2003) EUA/Alemanha - Direção: Robert Altman
Ry (Neve Campbell) é uma bailarina de grande talento, que se dedica como poucas ao balé. Porém ela entra em conflito com sua própria carreira logo após se tornar a principal estrela de uma conceituada companhia.
12- "Vanaja" (2006) Índia - Direção: Rajnesh Domalpalli
Vanaja, a filha de 15 anos de um pescador com dificuldades financeiras vai trabalhar na casa da senhoria local na esperança de aprender a dança Kuchipudi. Tudo corre bem, mas quando o filho da proprietária retorna dos EUA, começa uma química sexual inocente que se torna complicada, terminando em um estupro. Situada no sul da Índia rural, um lugar onde as barreiras sociais são construídas mais forte do que as antigas muralhas do forte, o filme explora o abismo que divide as classes e como uma jovem se esforça para atingir a maioridade. A cultura rica e profunda é exposta por meio das músicas e a dança Kuchipudi, tão clássica e espiritual, também exibe como crítica a questão das castas, religião e poder, que infelizmente ainda faz parte de muitas regiões da Índia. O filme é honesto e não utiliza artifícios para comover ou engrandecer a história, ele apenas é. Saiba+
11- "Love and Dance" (Kochaj i Tancz - 2009) Polônia - Direção: Bruce Parramore
A jornalista Hania (Izabella Miko), tem um namorado dedicado, que lhe dá total segurança, uma mãe maravilhosa, e a chance de trabalhar em um jornal popular escrevendo artigos sobre dança, assunto ao qual não a interessa muito. Mas, seus planos mudam, quando conhece um pedreiro e talentoso dançarino amador, que sonha com uma carreira na Broadway. Graças a ele, ela descobre o mundo da paixão e da dança. Neste mundo, há também algo inesperado - a descoberta de um pai, que ela nunca conheceu.
10- "O Último Dançarino de Mao" (Mao's Last Dancer - 2009) EUA/China/Austrália Direção: Bruce Beresford
China, durante a Revolução Cultural implementada por Mao Tsé Tung. Aos 11 anos Lin Cunxin (Wen Bing Huang/Chengwu Guo/Chi Cao) foi escolhido para deixar sua família de camponeses e estudar balé em Pequim. Em 1979, durante uma visita ao Texas, nos Estados Unidos, ele se apaixona por uma mulher local. Dois anos depois, ele se torna o principal dançarino do Houston Ballet e também o principal artista do Australian Ballet.
09- "A Dança de Subaru" (Dance Subaru - 2009) China/Japão/Coreia do Sul/Hong Kong/Singapura - Direção: Chi-Ngai Lee
Subaru e seu irmão gêmeo, Kazuma, sempre sonharam em se tornar bailarinos, mas sua paixão é desanimada pelo seu pai. Kazuma, morre muito jovem de uma doença hereditária e a dança se torna um refúgio de felicidade para Subaru, e ela só deseja se perder na dança. Porém sua vida dá um reviravolta quando ela é reconhecida por Isuzu, a dona do cabaret, que reconhece seu talento e a introduz no mundo noturno. Mas ao se tornar uma bailarina profissional ela deseja superar desafios muito maiores e incentivada pelas seus colegas, Subaru, entra em uma competição de dança internacional, para competir pelo reconhecimento e uma bolsa de estudos na companhia de balé que ela quiser, das escolas mais importantes do mundo. Subaru, e seus colegas logo descobrem que competem por algo mais importante que o prêmio e as provas de amizade, traição e autoestima começam a surgir. Pouco a pouco as jovens aprendem cada vez mais sobre si mesmas, como bailarinas, como pessoas e como amigas.
08- "Cisne Negro" (Black Swan - 2010) EUA - Direção: Darren Aronofsky
Beth MacIntyre (Winona Ryder), a primeira bailarina de uma companhia, está prestes a se aposentar. O posto fica com Nina (Natalie Portman), mas ela possui sérios problemas pessoais, especialmente com sua mãe (Barbara Hershey). Pressionada por Thomas Leroy (Vincent Cassel), um exigente diretor artístico, ela passa a enxergar uma concorrência desleal vindo de suas colegas, em especial Lilly (Mila Kunis). Em meio a tudo isso, busca a perfeição nos ensaios para o maior desafio de sua carreira: interpretar a Rainha Cisne em uma adaptação de "O Lago dos Cisnes".
07- "Ensaio" (2013) Brasil - Direção: Tania Lamarca
Eva (Lavínia Bizzotto) é uma dançarina que sonha em dançar a história de Anita Garibaldi. Uma dia surge a oportunidade para que seu sonho se torne realidade, mas uma paixão secreta por seu parceiro de dança pode atrapalhar as coisas.
06- "O Dançarino do Deserto" (Desert Dancer - 2014) Reino Unido/Emirados Árabes/Marrocos/Romênia - Direção: Richard Raymond
Afshin Ghaffarian (Reece Ritchie) é um iraniano rebelde que desafia as leis e ignora o clima constantemente tenso fazendo aquilo que mais gosta: dançar. Ele forma uma companhia clandestina com amigos próximos e ensaia em casa assistindo vídeos de Michael Jackson, Pina Bausch e Gene Kelly na internet. Como dançar em público é proibido no país, ele planeja uma performance do grupo no meio do deserto.
05- "The Fits" (2016) EUA - Direção: Anna Rose Holmer
Toni (Royalty Hightower), tem 11 anos de idade e sua rotina se resume a treinar boxe junto de seu irmão que também cuida do ginásio, constantemente ela está em meio aos rapazes, mas Toni ao visualizar as aulas de dança das meninas que se preparam para uma competição se apaixona pela confiança e força dos movimentos, não demora e ela entra no grupo, porém não é muito aceita e desde antes era motivo de risos por estar dentro do mundo masculino, então se esforça ao máximo para aprender os passos e fazer parte do grupo, o desejo de ser aceita vem com outras descobertas e transformações. "The Fits" é um filme independente com atrizes amadoras da comunidade local, o destaque são as cenas de dança tão enérgicas e que fazem um elo magnífico com o despertar e as sensações que advém disso. Saiba+
04- "Climax" (2018) França - Direção: Gaspar Noé
Nos anos 90, um grupo de dançarinos urbanos se reúnem em um isolado internato, localizado no coração de uma floresta, para um importante ensaio. Ao fazerem uma última festa de comemoração, eles notam a atmosfera mudando e percebem que foram drogados quando uma estranha loucura toma conta deles. Sem saberem o por quê ou por quem, os jovens mergulham num turbilhão de paranoia e psicose. Enquanto para uns, parece o paraíso, para outros parece uma descida ao inferno. Saiba+
03- "Girl" (2018) Bélgica - Direção: Lukas Dhont
Lara (Victor Polster) é uma jovem menina de quinze anos, seu maior sonho é tornar-se uma bailarina profissional e, com a ajuda do pai, ela busca uma nova escola de dança para desenvolver sua técnica. No entanto, a menina encontra dificuldades para adaptar-se aos movimentos executados nas aulas por conta de sua estrutura óssea e muscular, já que Lara nasceu no corpo de um menino. Inspirado por um artigo contando a história da bailarina Nora Monsecour, o cineasta teve a intenção de enfatizar não os vilões, como o preconceito e a não-aceitação da família e de pessoas a sua volta, mas a gama de sentimentos que compõem a personagem, como o ódio do próprio corpo e a guerra que trava dentro de si própria, mas em nenhum momento se vitimizando ou encarando a sociedade negativamente, o que lhe dói é o que sente em relação a si mesma. É doloroso, real, mas exibe uma beleza em cada detalhe, o desabrochar da protagonista é lento e cheio de sofrimento reprimido e, por isso, o seu desfecho é tão libertador e esperançoso. Saiba+
02- "E Então Nós Dançamos" (And Then We Danced - 2019) Geórgia/França/Suécia - Direção: Levan Akin
Merab (Levan Gelbakhiani) é bailarino do National Georgian Ensemble desde a infância. No auge de sua carreira, Merab precisa lidar com a chegada do carismático Irakli (Bachi Valishvili), um talentoso dançarino que se torna seu principal rival e, também, seu amor secreto. Em um cenário conservador e hostil, Merab enfrenta um dilema que divide seu sonho e sua nova paixão.
01- "O Corvo Branco" (The White Crow - 2018) Reino Unido/França/Sérvia - Direção: Ralph Fiennes
Rudolf Nureyev foi um dos mais importantes bailarinos do século XX, destacando-se por ter transformado o papel da figura masculina na dança, até então limitada ao suporte das bailarinas. Nascido na União Soviética, a 17 de Março de 1938, Nureyev viria a evadir-se para o Ocidente em 1961, onde veio a alcançar uma carreira fulgurante. Dançou em alguns dos mais importantes palcos do mundo, que dividiu com grandes bailarinas, como Margot Fonteyn, Eva Evdokimova ou Veronica Tennant. Já em 1983, foi convidado para diretor da prestigiada escola Ballet da Ópera de Paris.
Bônus:
Série: "Flesh and Bone" (2015) EUA
"Flesh and Bone" (2015) do canal Starz, criada por Moira Walley-Beckett, roteirista de primeira, alguns de seus trabalhos inclui "Breaking Bad" e "Anne with an E". Esta série sombria retrata as entranhas do mundo do balé e prometia ser uma inovação, mas, infelizmente, não vingou e se tornou uma minissérie de apenas 8 episódios. É uma história intrigante e perturbadora que trabalha em cima das obsessões. A personagem central, Claire Robbins (Sarah Hay) busca se tornar uma bailarina de sucesso, para isso foge de Pittsburgh para NY e logo na primeira audição adentra na prestigiada academia de Ballet de NY, mas a rapidez com que tudo acontece, sua ascensão dentro do corpo de balé junto a problemas pessoais e emocionais torna tudo muito inquietante."Flesh and Bone" foi concebida por pessoas que entendem do assunto, e os atores, todos que estão no corpo de balé são de fato bailarinos, a protagonista Sarah Hay, atualmente é solista do Ballet Semperoper em Dresden, na Alemanha - sua primeira atuação foi no filme "Cisne Negro" em 2010. A ex-bailarina Irina Dvorovenko (American Ballet Theatre) que interpreta Kiira, a mais velha, que já está numa fase complicada, porém a mais profissional e a única que Paul respeita, ela tem prestígio, mas devido a lesões e o uso de drogas para amortecer a dor sofre pressão para parar e enfim pensar na vida particular, a chegada de Claire é um baita agravante nisto tudo. Outro excepcional bailarino é Sascha Radetsky (American Ballet Theatre) que dá vida a Ross, ele é a perfeição, seus movimentos hipnotizam. Saiba+
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Retrato de uma Jovem em Chamas (Portrait de la Jeune Fille en Feu)
"Retrato de uma Jovem em Chamas" (2019) dirigido por Céline Sciamma (Tomboy - 2011) é um filme extremamente belo e sedutor visualmente e narrativamente arrebatador. Uma obra-prima delicada repleta de sutilezas.
Na França do século XVIII, Marianne (Noémie Merlant) é uma jovem pintora que recebe a tarefa de pintar um retrato de Héloïse (Adèle Haenel) para seu casamento sem que ela saiba. Passando seus dias observando Héloïse e as noites pintando, Marianne se vê cada vez mais próxima de sua modelo conforme os últimos dias de liberdade dela antes do iminente casamento se veem prestes a acabar.
Ambientado na França do século XVIII acompanhamos a história da pintora Marienne que é contratada para realizar o retrato da jovem Héloïse, prometida em casamento a um italiano, contrariada se recusa a posar a qualquer pintor que se aproxime, o fato é que a obrigação do casamento a perturba demasiadamente, pois a noiva seria sua irmã, mas devido um "acidente" ela precisou ocupar este lugar. A condessa, mãe de Héloïse diz a Marianne para se aproximar de forma cautelosa e a princípio como uma dama de companhia para assim conseguir captar os traços e conseguir pintá-la. É montado um improvisado estúdio num salão que disfarçou como um quarto e entre os lençóis pendurados coloca seus materiais. Nesses passeios a observação e os olhares ganham uma força primorosa, o filme nos arrebata pelas sensações dos pequenos gestos, pelos detalhes de cada cena, tudo quer dizer algo e faz diferença para o desenrolar. Marianne se esforça para capturar e imaginá-la posando em sua frente, mas após o quadro finalizado ela decide dizer o real motivo de sua estadia ali, a condessa concorda e Héloïse ao ver seu retrato não gosta por não ter verdade. Decidida a posar para Marianne, a relação vai ganhando camadas e mais íntimas se tornam quando se veem sozinhas nesse local tão remoto, também nesse tempo estreitam o laço com a empregada Sophie (Luàna Bajrami), que se vê precisando de ajuda num determinado ponto.
Um filme marcante, silencioso e muito imersivo, seja pelos olhares sutis, o desejo aflorando, as pinceladas e a arte nascendo, assim como a intensidade da intimidade, as conversas que iluminam, a cumplicidade entre elas, sequências que enchem os olhos tamanha a beleza, como os poderosos cenários naturais destacando a melancolia. O romance foge completamente das fórmulas e entrega com verdade a situação, pois o amor entre duas mulheres nesta época é algo que jamais seria aceito.
Um filme marcante, silencioso e muito imersivo, seja pelos olhares sutis, o desejo aflorando, as pinceladas e a arte nascendo, assim como a intensidade da intimidade, as conversas que iluminam, a cumplicidade entre elas, sequências que enchem os olhos tamanha a beleza, como os poderosos cenários naturais destacando a melancolia. O romance foge completamente das fórmulas e entrega com verdade a situação, pois o amor entre duas mulheres nesta época é algo que jamais seria aceito.
Apesar de ser um filme quieto, seus símbolos no decorrer acendem nossa atenção e nos faz entrar na história, as camadas de sentimentos, o desenvolvimento e o seu poético fim tão cheio de significados e intensamente apaixonado. As protagonistas são mulheres corajosas e resistentes mesmo tendo a consciência de seus destinos, não só Marianne e Héloïse, mas Sophie também, há importantes momentos em que a irmandade entre elas são evidenciadas e mostram o quão fortes são.
"Retrato de uma Jovem em Chamas" se inspirou no mito de Orfeu, possui a aura dos clássicos da literatura e a trama é pontuada por um concerto de Vivaldi, "Verão" de "As Quatro Estações", fascinante como deu completude à essa obra tão intensa e apaixonada.
terça-feira, 16 de julho de 2019
Plano-Sequência dos Mortos (Kamera o Tomeru Na!)
"Plano-Sequência dos Mortos" (2017) dirigido por Shin'ichirô Ueda é um filme de terror zumbi japonês original e criativo que quebra barreiras narrativas e surpreende por sua metalinguagem, é o tipo de filme que vale a pena ver sem saber absolutamente nada, pois a experiência pode ser prejudicada por qualquer informação, então se ainda não assistiu é melhor voltar para ler depois.
Um grupo de cineastas amadores decide usar um prédio abandonado para filmar um grande plano-sequência envolvendo mortos-vivos e experimentos científicos para que possam usar em um filme de terror com baixo orçamento. A gravação se complica quando eles são atacados por zumbis de verdade, mas a equipe decide aproveitar o momento para deixar tudo registrado. O que aparentemente é uma obra clichê como tantas outras se tornará algo inusitadamente diferente. Aviso: Haverá Spoiler.
O filme é completamente independente e toda a filmagem ocorreu em apenas oito dias, incluindo o plano-sequência de 37 minutos no início em que mostra uma equipe rodando um filme de zumbi numa locação abandonada e de repente são realmente atacados, é um tanto inusitado a reação que causa, mas certamente a mais genial dentre tantas obras do tema lançadas. Acompanhamos essa equipe tentando gravar, o diretor enlouquecido querendo uma atuação de verdade da garota sendo atacada e quando acontece a invasão zumbi os dois atores e a maquiadora tentam sobreviver. Clichê como a maioria dos filmes de mortos-vivos, mas as surpresas em torno são espetaculares, basicamente a trama é dividida em dois arcos narrativos, a primeira sendo a gravação de um filme de baixíssimo orçamento e a segunda mostrando o diretor sendo contratado para fazer um episódio de um programa na TV com o tema zumbi, só que tudo ao vivo, vamos juntos do diretor em sua empreitada dificílima em criar, produzir, reunir elenco, planejar e ensaiar para que tudo ocorra perfeitamente já que não irá ter cortes. Nessa confusão criativa acontecem inúmeros imprevistos e daí somos brindados com cenas contendo todas as manobras e improvisos para sair alguma coisa enquanto o diretor está sendo pressionado pela emissora. A metalinguagem é excepcionalmente bem trabalhada, são diversas camadas narrativas que exalam amor ao cinema e garante além de um entretenimento uma aula esclarecedora dos perrengues e artimanhas nos sets de filmagem, é hilário, irônico e inteligente.
Os atores são muito engraçados, especialmente o diretor vivido por Takayuki Hamatsu, que impressiona por sua habilidade na hora das cenas ao fazer o diretor descontrolado, e sua mulher (Harumi Shuhama) que também acaba sendo colocada de última hora para fazer a maquiadora, ela tem um problema que a fez no passado ficar longe das câmeras, que é entrar no personagem e levá-lo a sério demais, o que carreta em alguns problemas no filme, mas nele pronto não nos damos conta, só quando visualizamos os bastidores e o que foi feito para que tudo desse certo ao final. O filme brinca com o gênero e homenageia o cinema e ainda nos presenteia com as curiosidades por trás das câmeras.
"Plano-Sequência dos Mortos" é uma obra inusitada e surpreendente, sua metalinguagem é fascinante e trabalha com a comédia de forma inteligente, os clichês e as bobagens são colocadas de um jeito criativo e não tem como não se apaixonar pela concepção do todo, fazer cinema é um processo difícil, mas imensamente satisfatório e o público percebe quando a arte foi feita com paixão. Filmaço!
*Apesar de grande sucesso em festivais, o filme teve um lançamento limitado fora do Japão e, claro, os Estados Unidos já planeja um remake.
quinta-feira, 7 de março de 2019
Clímax
"Nascer é uma oportunidade única, viver é uma impossibilidade coletiva e morrer é uma experiência maravilhosa."
"Clímax" (2018) dirigido por Gaspar Noé (Love - 2015) é uma experiência bad trip. Um filme provocativo, perturbador, hipnótico e todo contornado por enérgicas coreografias de dança, sua crescente de sentimentos leva à selvageria e ao caos deixando o espectador completamente imerso e tonto devido o ritmo alucinante e o modo como a câmera capta esses momentos rodopiando e virando de cabeça para baixo, uma loucura que de início agrada, mas seu desenrolar transforma a vibe em tensão e paranoia em níveis surreais.
Nos anos 90, um grupo de dançarinos urbanos se reúnem em um isolado internato, localizado no coração de uma floresta, para um importante ensaio. Ao fazerem uma última festa de comemoração, eles notam a atmosfera mudando e percebem que foram drogados quando uma estranha loucura toma conta deles. Sem saberem o por que ou por quem, os jovens mergulham num turbilhão de paranoia e psicose. Enquanto para uns, parece o paraíso, para outros parece uma descida ao inferno.
Toda a composição do filme é de extrema destreza, a técnica de Gaspar Noé salta aos olhos, os movimentos de câmera, as cores vibrantes remetendo algo de "Suspiria", de Argento, é um turbilhão estimulante e que surpreende na abordagem e nos rumos da história. Quem pensa que "Clímax" tem cenas orgiásticas prazerosas se engana fortemente, apesar de mais ameno não deixa o niilismo de lado, a demonstração da vaidade e o quanto o ser humano está cada vez mais insensível e detestável é ampliada e o incômodo é inevitável, as situações que se mostram são cruéis, abomináveis, um surto coletivo odioso. A sequência inicial demonstra uma mulher ensanguentada caindo na neve e então a apresentação de vários bailarinos de diversas etnias em uma pequena televisão antiga rodeada por livros e filmes, inspirações do diretor, obviamente. O filme começa de fato quando todos se encontram em um casarão isolado para festejar depois do ensaio, há uma sequência de dança à la Pina Bausch sensacional, movimentos hipnotizantes e extasiantes, uma verdadeira obra de arte, logo depois eles começam a interagir e a beber ponche, a atmosfera vibrante e vintage preenche a tela e à medida que bebem se soltam mais e conversas aleatórias seguem, uns bebem mais, outros menos e sobram uns dois que não bebem, quando a trip bate de vez vemos um amontoado de coisas sem sentido, tem gente que dança sem parar, uns criam encrenca e revelam suas personalidades verdadeiras, desejos se afloram e não demora para começar um surto coletivo.
A mulher que planejou a festa foi acusada de colocar a droga no ponche, porém ela também se encontra paranoica e a tensão aumenta mais porque seu filho pequeno está presente e, talvez, tenha tomado o ponche, provavelmente sim, em dado momento ela surta e o coloca numa situação perigosa, daí pra frente é só desgraça, há um movimento de psicose coletiva, quando um aponta que tal pessoa é a responsável pela droga na bebida fazem o inferno, o cara que não bebia foi expulso e colocado para fora num frio congelante e uma menina grávida agride a si própria instalando uma atmosfera de selvageria horripilante. São cenas ágeis e enervantes, causa mal-estar, poucas foram as pessoas que não compartilharam dessa experiência negativa.
A mulher que planejou a festa foi acusada de colocar a droga no ponche, porém ela também se encontra paranoica e a tensão aumenta mais porque seu filho pequeno está presente e, talvez, tenha tomado o ponche, provavelmente sim, em dado momento ela surta e o coloca numa situação perigosa, daí pra frente é só desgraça, há um movimento de psicose coletiva, quando um aponta que tal pessoa é a responsável pela droga na bebida fazem o inferno, o cara que não bebia foi expulso e colocado para fora num frio congelante e uma menina grávida agride a si própria instalando uma atmosfera de selvageria horripilante. São cenas ágeis e enervantes, causa mal-estar, poucas foram as pessoas que não compartilharam dessa experiência negativa.
"Clímax" é uma experiência louca e surpreendente, Gaspar Noé concebe mais uma obra imersiva, pulsante, brutal e incômoda, um pesadelo que demonstra jovens se transformando, ou melhor, se revelando, e sentimentos de ódio, instinto de sobrevivência, narcisismo, desejo sexual, vingança e poder se maximizando e ganhando força semeando o descontrole e a selvageria e revelando o quão frágil é a índole humana.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Errementari/The Devil and the Blacksmith (Errementari - El Herrero y El Diablo)
"Errementari" (2017) dirigido por Paul Urkijo Alijo e produzido por Álex de la Iglesia (O Bar - 2017) é baseado numa fábula do folclore basco recolhida pelo etnólogo e antropólogo basco José Miguel Barandiaran em 1903. Um curioso e surpreendente filme de fantasia, onde junta-se elementos do folclore basco com outros componentes gerais do imaginário coletivo ao terror e uma pitada de humor, o visual é um espetáculo a parte e mesmo que soe exagerado em alguns momentos cativa pela originalidade.
Oito anos depois da Primeira Guerra Carlista de 1833, em uma pequena aldeia de Álava, um comissário do governo começa a investigar uma estranha ocorrência que o leva a uma parte oculta e sombria das florestas locais. Os poucos habitantes dos arredores o contam que diversos assassinatos e roubos ali foram relacionados a pactos com o diabo, e ele descobre a veracidade das histórias da pior maneira possível. Nesse pequeno povoado, vive um ferreiro, Patxi (Kandido Uranga) tão mau que é temido até pelo Diabo. Certo dia, uma menina órfã, Usue (Uma Bracaglia) vai xeretar na sua cabana e descobre que ele mantém um demônio aprisionado.
Vale ressaltar que o cinema basco tem se destacado bastante nos últimos anos graças ao Festival de San Sebastián, cito o drama histórico "Handia" (2017), o delicado romance "Loreak" (2014), sobre a cultura e tradições versus a modernidade "Amama" (2016), e "Errementari" também se inclui com a lenda diabólica retratada, há o elemento histórico e cultural, o fantástico, o teatral e caprichados efeitos visuais.
O sinistro ferreiro mora nas profundezas da floresta condenado à solidão por a aldeia o acusar de crimes, esse homem solitário tem um enorme e terrível segredo que aos poucos é revelado quando a pequena Usue invade sua propriedade para tentar resgatar parte de sua boneca, lá dentro um ser demoníaco chamado Sartael está preso numa gaiola, quando a menina entra vê um menino lá e o solta, mas logo a verdadeira face é exposta e Patxi com suas armadilhas tenta capturá-lo, a história toda foi por conta de um pacto, esse homem conseguiu sair vivo da guerra, mas em compensação sua alma seria destinada ao inferno, Sartael meio atrapalhado não consegue dar seguimento e termina preso na casa do ferreiro, passam-se anos e anos até que Usue, que faz parte de um outro terrível acontecimento do passado de Patxi, adentra sua casa e descobre o ser das trevas. O roteiro é super bem amarrado e é cuidadoso no desenrolar, essa lenda basca foi preservada pela tradição oral, as suas raízes e os costumes estão presentes combinados a um humor vigoroso.
O sinistro ferreiro mora nas profundezas da floresta condenado à solidão por a aldeia o acusar de crimes, esse homem solitário tem um enorme e terrível segredo que aos poucos é revelado quando a pequena Usue invade sua propriedade para tentar resgatar parte de sua boneca, lá dentro um ser demoníaco chamado Sartael está preso numa gaiola, quando a menina entra vê um menino lá e o solta, mas logo a verdadeira face é exposta e Patxi com suas armadilhas tenta capturá-lo, a história toda foi por conta de um pacto, esse homem conseguiu sair vivo da guerra, mas em compensação sua alma seria destinada ao inferno, Sartael meio atrapalhado não consegue dar seguimento e termina preso na casa do ferreiro, passam-se anos e anos até que Usue, que faz parte de um outro terrível acontecimento do passado de Patxi, adentra sua casa e descobre o ser das trevas. O roteiro é super bem amarrado e é cuidadoso no desenrolar, essa lenda basca foi preservada pela tradição oral, as suas raízes e os costumes estão presentes combinados a um humor vigoroso.
A caracterização dos personagens é algo maravilhoso, o corpulento e misterioso Patxi vivido por Kandido Uranga, a menina Usue vivida pela estreante Uma Bracaglia, que consegue transmitir toda sua carência misturada a uma revolta, porém em alguns momentos soa irritante ao espectador. Mas, claro, a estrela é Eneko Sagardoy (também incrível como o gigante em Handia) e seu maligno Sartael, o demônio responsável por encontrar coisas escondidas, os seus gestuais e comportamento são marcantes e toda a sua maneira diabólica é combinada por gracejos, no decorrer ele precisa tomar decisões das quais não estava habituado até então, pactua com Usue e a leva até o inferno para encontrar a mãe, porém Patxi se intromete e usando artifícios para lá de bizarros e surreais também desce ao inferno compactuando com Sartael novamente em troca de sua alma e ataca o maior de todos os demônios. É um tanto exagerado esse final, caótico, mas não perde a linha do fantasioso misturado ao seu humor característico.
"Errementari" é jocoso e as figuras diabólicas ganham nossa simpatia, o padre que apenas fala do inferno em suas missas é outro a se prestar atenção, pois condena todos por qualquer coisa a esse destino medonho, a pequena Usue é a única ali que não se importa com a religião e por conta da mãe ter ido supostamente para lá é revoltada e questiona todos ao redor. É um filme com um desenvolvimento que surpreende, uma ambientação que encanta e que dosa o horror e a fantasia com esmero.
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
A Mulher Mais Assassinada do Mundo (La Femme la Plus Assassinée du Monde)
"A Mulher Mais Assassinada do Mundo" (2018) dirigido por Franck Ribière é baseado na história real da atriz Paula Maxa, ícone do teatro Grand-Guignol, especializado em espetáculos de horror entre os anos 1897 e 1962. Paula Maxa nome artístico da atriz francesa Marie-Thérèse Beau atuou neste popular teatro entre 1917 a 1933, seus papéis sempre consistiam em dramas excessivos nos quais ela era torturada e morta de diversas maneiras, por conta do sucesso ela ficou conhecida como a mulher mais assassinada do mundo, ela teria sido morta cerca de 358 vezes no palco levando ao público um sentimento de horror e dúvida, já que as cenas eram feitas com perfeição, inclusive usando métodos à frente do tempo em relação a efeitos de maquiagem, como o sangue, que era usado em demasia. O filme apesar de desandar em seu desenvolvimento e ter um final anticlimático consegue incutir curiosidade e manter um tom sombrio em que a ficção se mistura à realidade.
O filme tem uma espécie de prólogo nos inserindo à figura de Maxa, imergimos em seu macabro universo permeado de mortes de todos os tipos, o clima sombrio flerta com o estilo noir e a voz imponente de Anna Mouglalis narra as maneiras das quais sua personagem morreu: estrangulada, envenenada, decapitada, violentada, esmagada, esquartejada, alvejada, afogada e por aí vai, então vem uma abertura e a história segue com o jornalista Jean (Niels Schneider) indo ao teatro a fim de produzir uma matéria sobre os protestos que estão acontecendo para o fechamento do teatro, o período em que tudo se passa é os anos 30 e para a maioria os espetáculos incitam a violência e desvirtuam as pessoas, o teatro Grand-Guignol se tornou sinônimo do horror devido as esquetes exclusivamente sobre assassinatos e torturas repletas de sangue - o que se tornaria tempos depois um subgênero do terror, o gore, difundido por George Romero, especialmente - os populares desmaiavam e até vomitavam durante a peça, o fato é que esse lugar era considerado um templo do horror em Paris. Jean fica encantado com o que vê e acaba conhecendo Paula e com o decorrer descobre que sua vida pessoal tem a ver com o que representa, ela tem o sofrimento como algo inerente. Jean descobre mais do que deveria, há um suspense não definido e uma confusão entre o que acontece fora do teatro com o que acontece dentro, o sumiço do jornalista, por exemplo, alguns acontecimentos parecem desconexos e as explicações são rasas. Mas há um bom empenho no que diz respeito a homenagear o grande teatro, as cenas são reproduzidas com muito amor, os bastidores e as artimanhas que usavam para fascinar e chocar o público são excelentes.
O que mais chama a atenção é o visual, a ambientação e a atmosfera com suas ruas escuras e esfumaçadas, a sensação é de estar assistindo um filme antigo, Anna Mouglalis dá vida a Maxa com muita força, seus olhos e sua voz são impossíveis de não notar, dão uma característica peculiar. As pessoas entravam no teatro sabendo que ela iria morrer, elas iam especialmente para isso, a cada noite uma morte, fascinantes efeitos de maquiagem, e que deixavam as autoridades de cabelo em pé, até duvidando da onde viria todo aquele sangue que era jogado literalmente na cara da platéia, já era avisado antes de entrarem: "Nosso sangue é sempre fresco e os clientes que não quiserem levá-lo para casa em suas roupas, devem evitar os assentos próximos do palco".
"A Mulher Mais Assassinada do Mundo" é um exemplar curioso e que instiga a procurar mais sobre a atriz Paula Maxa, o teatro Grand-Guignol, seus espetáculos de horror que chocavam e fascinavam o público e até o como o cinema absorveu muitos dos elementos e efeitos desse período e que são usados até hoje.
Disponível no catálogo da Netflix!
Disponível no catálogo da Netflix!
quarta-feira, 27 de junho de 2018
12 Achados Musicais
Segue uma lista de 12 achados musicais viciantes, a maioria descobertos a partir de trilhas de filmes, já outros navegando pelo Youtube.
Dakh Daughters - Ucrânia (Freak Cabaret/Dark Cabaret)
Dakh Daughters é um projeto musical e teatral ucraniano iniciado em 2012 em Kiev. A banda é composta por sete mulheres, que tocam variados instrumentos e cantam em diferentes idiomas e dialetos. Elas costumam usar textos de autores famosos em suas letras. A mistura de idiomas, a mudança de ritmos e a beleza das performances eleva as emoções e propõe um frenesi e uma experiência única. Arte pura! Confira a canção "Rozy/Donbass". Em 2016 lançaram o álbum "If".
New Canyons - EUA (Rock/Synthpop/Shoegaze)
Planningtorock - Alemanha (Eletrônica/Experimental)
Planningtorock ou PTR é o projeto musical de Janine Rostron, multi-instrumentista, produtora musical, videomaker, artista performática e fundadora da Rostron Record, um selo de música independente localizado na Alemanha. A figura andrógena de Rostron já revela o diferencial do emaranhado de suas canções, há inúmeras referências, as texturas e vocais impressionam, assim como o experimentalismo, a diversidade de sons que vão desde o clássico, glam rock ao hip hop é um tanto sombrio e sedutor. "The Breaks" foi a canção que me introduziu ao universo Planningtorock.
New Canyons - EUA (Rock/Synthpop/Shoegaze)
New Canyons é um duo de Chicago que pode ser classificado como dark pop, canções que trazem sensações nostálgicas devido os sintetizadores vintages utilizados, as batidas são fortes e emocionais, as melodias intensas e sensíveis e vocais saudosos que transmitem melancolia, no entanto, por conta dos elementos pop garantem fácil receptividade. A música "Everyone is Dark" é uma amostra perfeita da aura da banda, memorável. Ela está na trilha do filme "Henry Gamble's Birthday Party".
Planningtorock - Alemanha (Eletrônica/Experimental)
Planningtorock ou PTR é o projeto musical de Janine Rostron, multi-instrumentista, produtora musical, videomaker, artista performática e fundadora da Rostron Record, um selo de música independente localizado na Alemanha. A figura andrógena de Rostron já revela o diferencial do emaranhado de suas canções, há inúmeras referências, as texturas e vocais impressionam, assim como o experimentalismo, a diversidade de sons que vão desde o clássico, glam rock ao hip hop é um tanto sombrio e sedutor. "The Breaks" foi a canção que me introduziu ao universo Planningtorock.
Soap and Skin - Áustria (Darkwave/Slowcore)
Soap & Skin é o projeto musical experimental da artista austríaca Anja Plaschg, impossível não se apaixonar pelas baladas atmosféricas interpretadas por Anja, que carrega em sua voz fragilidade e intensidade na medida exata, é sombrio, mas esteja triste ou alegre é uma delícia escutá-la. A canção "Me and the Devil" faz parte da trilha da série "Dark".
MGMT - EUA (Neo-psicodelia/Indietrônica)
MGMT é uma banda americana de rock psicodélico formada em 2002 no Brooklyn por Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden. É uma viagem aos anos 70 com suas baladinhas fluídas, é um pop eletrônico psicodélico que dificilmente não agradará, como exemplo da canção "Electric Feel". Após 4 anos sem gravar surgiram no final de 2017 com um novo trabalho, "Little Dark Age", que conversa com uma aura mais sombria e letras melancólicas.
Suuns - Canadá (Neopsicodelia/Krautrok/Art punk)
Suuns é uma banda de rock canadense formado em 2007, quando o vocalista/guitarrista Ben Shemie e o guitarrista/baixista Joe Yarmush se juntaram para fazer algumas batidas que rapidamente evoluíram para algumas músicas. A dupla foi logo acompanhada pelo baterista Liam O'Neill e o baixista/tecladista Max Henry para completar o line-up.
Suuns é um aglomerado de sons que varia entre o rock, punk, pop, eletrônico, experimental, é dançante ao mesmo tempo que entediado, estranho, interessante e aberto. Confira o álbum "Images du Futur" (2013). Esse achado está na trilha do filme "Chorus" (2015).
Maidavale - Suécia (Rock/Psicodélico/Blues)
Maidavale é uma banda sueca formada por mulheres, inspiradas pela clássica psicodelia dos anos 60/70 o som mescla suavidade e potência, um presente para quem anseia por coisas novas neste estilo. Confira o álbum de estreia: "Tales Of The Wicked West" (2016).
Kevin Morby - EUA (Indie rock/Folk rock)
Kevin Morby é um músico, cantor e compositor americano. Anteriormente conhecido como o baixista da banda de folk rock Woods e como vocalista do The Babies. Entre suas principais influências está Lou Reed e Bob Dylan. Kevin Morby nos apresenta um som minimalista e nostálgico. A canção "Parade", que está na trilha da série "Bojack Horseman", reflete perfeitamente esses adjetivos, lindíssima!
Ängie - Suécia (Pop/Trap-Hop)
Angelina Dehn Gustavsson, conhecida pelo nome artístico de Ängie, é uma cantora e modelo sueca nascida em Estocolmo. Foi inserida na indústria fonográfica em 2016, ao lançar seu debut single "Smoke Weed Eat Pussy". Ängie tem vários hits lançados, alguns considerados impróprios para rádios, seu disco de estreia "Suicidal Since 1995" (2018), cativa por sua ousadia, polêmicas e suas letras libidinosas. É um chacoalho gostoso no pop!
Wild Beasts - Reino Unido (Indie rock/Synthpop/Dreampop)
Wild Beasts é uma banda inglesa de indie rock, formada em 2002. O som é dançante, leve, mas não deixa de ser provocante, as músicas do último álbum lançado "Boy King" (2016) passa por diversas texturas instrumentais, uma crescente cativante e complexa. Com ar de anos 80, o minimalismo em sua sonoridade com doses futuristas, a delicadeza dos timbres sem deixar de ter ao mesmo tempo vigor, os elementos da Synthwave e outras referências à década produzem envolvimento e nostalgia. Com certeza se configura entre uma das bandas mais interessantes no cenário indie.
The Ritual - Dinamarca (Indie Rock / Native American Culture)
Formada em 2015, The Ritual é uma banda dinamarquesa que exibe características potentes e únicas, um som que busca o primitivo, evoca o espiritual e os transforma em riffs e vocais poderosos, o EP "The Drum" lançado em 2017 é uma joia, necessita ser descoberto, uma obra de arte! Essa beleza foi descoberta por conta do filme "Zinzana" (2015), disponível na Netflix.
Heilung - Alemanha/Dinamarca (Neofolk/Tribal)
The Ritual - Dinamarca (Indie Rock / Native American Culture)
Formada em 2015, The Ritual é uma banda dinamarquesa que exibe características potentes e únicas, um som que busca o primitivo, evoca o espiritual e os transforma em riffs e vocais poderosos, o EP "The Drum" lançado em 2017 é uma joia, necessita ser descoberto, uma obra de arte! Essa beleza foi descoberta por conta do filme "Zinzana" (2015), disponível na Netflix.
Heilung - Alemanha/Dinamarca (Neofolk/Tribal)
Heilung é uma banda germano-dinamarquesa de neofolk, as músicas são baseadas em textos originais de pedras rúnicas e artefatos da Idade do Ferro e da Era Viking. Eles descrevem sua música como "história amplificada do início da Europa do norte medieval". Fundada em 2014 por Kai Uwe Faust (tatuador especializado em tatuagens nórdicas antigas) e Christopher Juul Gegründet. Mais tarde, Maria Franz se juntou à banda. Em 2015, a banda lançou o álbum de estreia "Ofnir".
Heilung é um deslumbre sonoro que evoca os rituais nórdicos, utilizando instrumentos confeccionados por eles mesmos e outras diversas coisas para extrair sons, como tambores de couro, anéis de bronze, ossos, pedaços de bronze e sons da natureza, como água corrente, somos completamente absorvidos e hipnotizados pela sonoridade provocada, além da caracterização, as vestimentas e toda a ambientação e atmosfera criada. O show disponibilizado pelo canal da banda demonstra o poder e a beleza, é um som que é preciso ser visto!
segunda-feira, 28 de maio de 2018
Trama Fantasma (Phantom Thread)
"Trama Fantasma" (2017) dirigido por Paul Thomas Anderson (Vício Inerente - 2014) é um filme grandioso que proporciona variados olhares e sentimentos sobre a trama, é elegante e charmoso, mas também desperta repulsa e antipatia, são opostos que se unem com total perfeccionismo, assim como os personagens e a obsessão que vai penetrando e se acomodando sorrateiramente.
Década de 1950. Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que constantemente entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante.
Reynolds Woodcock é um alfaiate de luxo, confecciona vestidos divinos para a altíssima sociedade britânica, está acostumado com todos a seus pés e tem como apoio a irmã Cyril, que administra tudo ao seu redor, Reynolds é metódico e machista, a figura da mãe é um fantasma que o rodeia, as mulheres entram e saem de sua vida como pedaços de panos, quando enjoa pede para sua irmã dar um jeito, sempre se mostra altivo e seguro de si e é fácil criar antipatia por ele, seu modo de olhar e suas manias avançam para o espectador de forma áspera, a cada gesto e olhar do personagem é muito importante para desvendá-lo. Quando conhece Alma, uma garçonete, se encanta e encontra nela o modelo perfeito para a sua arte, Alma não é boba e entende as aspirações dele, o admira por isso e logo está instalada na grande casa servindo como modelo para os vestidos e participando daquele mundo permeado de inspirações e muito trabalho. Reynolds não para um segundo, está sempre fazendo esboços e criando, no período da manhã não pode haver sequer um ruído, tudo é regrado e organizado, Alma se insere rápido nesse meio e não faz nenhum tipo de objeção, ela se entregou aos caprichos do artista e vai nutrindo sua paixão que nunca é suprida, ele é um homem impenetrável enquanto cria e não permite que sentimentos o atrapalhe, e então Alma percebe que precisa tê-lo indefeso, como quando uma criança adoece e necessita da mãe. Só assim ele a observará de outro ponto de vista e saciará as suas necessidades. É uma troca um tanto absurda, mas é dessa maneira que encontram equilíbrio, Alma cuida e derrama todo o seu amor para Reynolds ressurgir forte novamente.
Alma dá indícios de sua personalidade logo no início, se entrega facilmente aos desejos de Woodcock, seu semblante aparentemente simples esconde inúmeros complexos, mas Woodcock lhe dá uma outra visão de si mesma e ela se apega a esse olhar, sabe que seu intuito é usá-la até quando enjoar, mas ela também está disposta a usá-lo e desvendar seus segredos, Reynolds em determinada parte diz que desde pequeno aprendeu a esconder segredos nas bainhas dos vestidos, mas Alma o descobre frágil e dependente e assim consegue tê-lo para si, Woodcock gosta dos cuidados dela nesse período, há algo de materno nessa relação, uma cumplicidade única.
É um filme de muitas camadas e de muitas belezas, aguça nosso olhar diante dos detalhes, a composição impecável dos personagens hipnotiza, Daniel Day Lewis - inspirado no estilista espanhol Cristóbal Balenciaga - incorpora um homem charmoso e de extremo talento, metódico se debruça ao trabalho e não dá espaço para relações justamente por receio de que suas inspirações parem, Alma o desestrutura, mas descobre uma maneira de aquietá-lo e de tê-lo precisando dos seus cuidados. Alma é uma personagem bastante interessante, é simples e ao mesmo tempo altiva, devotada de um jeito singular.
"Trama Fantasma" é requintado e original, retrata o sofisticado mundo da moda da alta classe britânica dos anos 50, os vestidos também são personagens e garantem o espetáculo, todo o processo de confecção esbanja delicadeza e devoção, o aspecto psicológico intriga e há pitadas de humor negro, tudo se desenvolve sutilmente e abarca um apanhado de reflexões, são personagens repletos de nuances e que aos poucos vão sendo desvendados. A trilha sonora composta por Jonny Greenwood é outro ponto que engrandece a obra e nos arrebata.
quarta-feira, 4 de abril de 2018
Vaqueiro (Vaquero)
"Vaqueiro" (2011) dirigido, roteirizado e protagonizado por Juan Minujín é um filme que capta os anseios de um aspirante a ator e todos os pensamentos que o afastam das possibilidades de conseguir papéis, é deveras interessante acompanhar a jornada do protagonista que ao invés de abocanhar oportunidades, mesmo que mínimas, prefere cultivar inveja e a autodepreciação. Ele passeia entre camarins e coxias de teatro sempre com uma cara amarrada reparando no sucesso dos colegas, e desse jeito amargando não só sua vida profissional, mas também a pessoal.
Julián Lamar (Juan Minujín) é um ator desiludido e amargurado por só conseguir papéis secundários na indústria de cinema e televisão da Argentina. Sente-se desajustado com sua carreira, seu ambiente de trabalho e com seus companheiros de profissão. Quando um consagrado diretor norte-americano decide filmar um faroeste no país, Juan fica obcecado com a ideia de que esse papel pode salvar sua carreira. Aos poucos ele vai perceber que a distância entre seus desejos e a realidade são bem maiores do que ele gostaria.
Julián está atuando numa peça de teatro e é coadjuvante em uma novela, mas sua ambição é demasiada e negativa, ele desejaria estar estrelando algum filme americano e estar sendo vangloriado por todos, está tão obcecado que quando recebe incentivo e elogios não ouve, em vários momentos a figurinista demonstra adorar seu trabalho e ele nem liga, continua a invejar os outros e contaminar sua mente com pensamentos depreciativos. Enquanto Julián deseja mal aos colegas ou os inveja seu semblante demonstra o oposto, dissimula perfeitamente, aliás, Julián é um ótimo ator, quando se empenha e esquece suas pretensões desmedidas, mas são poucos estes momentos. Quando por intermédio de amigos consegue uma vaga para o teste de um filme de faroeste dirigido por um americano, Julián na entrevista fica nervoso e tropeça no inglês, porém recebe a ligação tão almejada, estará na audição, daí ele começa a entrar no personagem, se imagina já como um cowboy e tem o texto na ponta da língua, nestes instantes até simpatizamos e torcemos para que consiga.
Julián se fechou numa bolha e não consegue enxergar a realidade, fica imaginando, sonhando e nisso acabou se perdendo, anulando as chances que poderia ter em sua carreira, o que acontece na audição gera um misto de sentimentos, vergonha alheia é a palavra.
"Vaqueiro" é um filme interessante por expor o âmago de um ator frustrado, no como é enlouquecedor estar no meio que ama e não conseguir se sobressair e com isso a facilidade em fazer nascer pensamentos ruins e depreciativos, um ótimo trabalho de Juan Minujín!
Assinar:
Postagens (Atom)

















































