terça-feira, 13 de junho de 2017

Vanaja

"Vanaja" (2006) dirigido por Rajnesh Domalpalli é um belo filme indiano que retrata a cultura com naturalidade e sem efeitos melodramáticos, uma pérola a ser descoberta. Rajnesh Domalpalli é um diretor brilhante em sua simplicidade, orquestrou com gentileza um elenco de não profissionais durante dois anos, e este é seu primeiro filme, um extraordinário trabalho de conclusão para a sua faculdade em Columbia. 
Filmado no sul rural da Índia, a menina de 15 anos de idade Vanaja vai trabalhar para a senhoria local com a esperança de aprender a dança Kuchipudi. A química inocente com o filho da senhoria fica difícil, lançando ela em uma batalha de casta e alma.
Vanaja (Mamatha Bhukya), a filha de 15 anos de um pescador com dificuldades financeiras vai trabalhar na casa da senhoria local na esperança de aprender a dança Kuchipudi. Tudo corre bem, mas quando o filho da proprietária Rama Devi (Urmila Dammannagari) retorna dos EUA, começa uma química sexual inocente que se torna complicada, terminando em um estupro. Situada no sul da Índia rural, um lugar onde as barreiras sociais são construídas mais fortemente do que as antigas muralhas, a história explora o abismo que divide as classes e como uma jovem se esforça para atingir a maioridade.
Vanaja é sonhadora e quer muito se tornar uma dançarina, a senhora a ensina, pois também tem interesses envolvidos, a menina logo aprende e somos absorvidos pela beleza dos movimentos, há cenas hipnotizantes, a beleza do simples é algo fabuloso. O cotidiano dela muda quando o filho da proprietária da casa retorna da América para se tornar um político, ele se aproxima da garota que nutre curiosidade por sua figura máscula, não é difícil imaginar o que se segue. Vanaja é estuprada e engravida, como é de uma casta inferior o casamento está fora de cogitação, o aborto é sugerido, mas ela foge e com a ajuda de sua amiga, que inclusive é umas das coisas mais lindas retratadas, ela dá à luz. O pai cada vez mais afundado na bebida e muito doente acaba sendo um problema para a senhora, que depois tenta negociar com Vanaja, lhe diz que cuida da criança, mas que ela teria que se afastar, já que as pessoas estavam comentando sobre o ocorrido, o casamento nunca seria a opção. A situação é muito triste, não existe uma saída. A força e a sensibilidade que o filme exprime é gigantesca, uma delicadeza exuberante que também conquista por suas cores que transmitem esperança.

A cultura rica e profunda é exposta por meio das músicas e a dança Kuchipudi, tão clássica e espiritual, também exibe como crítica a questão das castas, religião e poder, que infelizmente ainda faz parte de muitas regiões da Índia. O filme é honesto e não utiliza artifícios para comover ou engrandecer a história, ele apenas é. 
Mamatha Bhukya encanta com sua naturalidade, seus olhos brilhantes e sua personalidade genuína, uma fortaleza. Ao diretor Rajnesh Domalpalli só resta agradecer por esta belíssima e sensível obra que ao mesmo tempo mostra as belezas culturais e também o outro lado, o sistema de castas que inferioriza e humilha, difícil encontrar filmes indianos com essa coragem e autenticidade. O diretor não teve apoio, inclusive de seu próprio país, mas recebeu prêmios mundo afora e conseguiu dar destaque a esse primoroso trabalho na Internet. Está disponível no próprio canal de Youtube do diretor: Vanaja.

*Vanaja - lírio d’água, cujas raízes estão fundamentadas em meio à lama e que aos poucos vai subindo à superfície para florescer com notável beleza. O simbolismo está especialmente nesta capacidade de enfrentar a escuridão e florescer limpa e pura. 

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