sábado, 30 de junho de 2018

15 Filmes de Psicopatas (15 Psycho Movies)

Segue uma lista com 15 filmes de psicopatas, histórias com personagens instigantes, fascinantes, repulsivos, loucos, engraçados e memoráveis. 

15- "O Garoto Sombrio" (The Boy - 2015) EUA
Verão de 1989. Ted Henley (Jared Breeze), 9 anos, e seu pai, John (David Morse), são donos de um Motel em ruínas nas montanhas do oeste dos EUA. Desde que a mãe de Ted partiu, John está desanimado, levando Ted a cuidar de si mesmo. Em meio a solidão, Ted começa a manifestar impulsos estranhos relacionados a sociopatia, mas a chegada de um andarilho, William Colby (Rainn Wilson), cativa o jovem e eles formam uma amizade única.

14- "O Silêncio do Lago" (Spoorloos - 1988) Holanda
Rex, um jovem alemão, e Saskia sua namorada viajam para o feriado, e ao pararem em uma estação de serviços, Saskia desaparece misteriosamente. Rex dedica os próximos três anos de sua vida tentando achar seu amor desaparecido, quando passa a receber estranhos cartões do suposto sequestrador de Saskia.

13- "Aconteceu Perto da Sua Casa" (C'est Arrivé Près de Chez Vous - 1992) Bélgica


O protagonista, Ben (Benoît Poelvoorde), ganha a vida matando, diariamente. Mata a torto e a direito todo tipo de deserdados da sorte, jamais um milionário. Para Ben, "se você mata uma baleia, será perseguido pelos ecólogos, pelo Greenpeace, pelo comandante Custeau... mas se você fatura um cardume de sardinhas, garanto, eles te ajudam a carregá-las." Para demonstrar o que diz, Bem aceita ser acompanhado por uma equipe de reportagem.

12- "Segredos de Sangue" (Stoker - 2013) EUA/UK
Em pleno luto por causa da morte de seu pai, India (Mia Wasikowska) deve lidar com o novo comportamento agressivo de sua mãe (Nicole Kidman) e com a chegada inesperada de um tio que ela nem sabia que existia, Charlie (Matthew Goode). Este homem sombrio esconde as reais motivações de sua visita, enquanto seduz as duas mulheres da família.
É um filme que explora a hereditariedade da psicopatia, uma relação em certo ponto incestuosa, recheada de crime, violência estilizada e até momentos reflexivos. Saiba+

11- "The Brain Man" (Nô Otoko - 2013) Japão
Baseado no premiado romance de Shudo Urio, Suzuki Ichiro é um misterioso assassino, dotado de inteligência, excelente memória e habilidade física, que comete seus crimes em nome da justiça e recebe o apelido de "Nô Otoko" (Homem Cérebro).

10- "Cold Fish" (Tsumetai Nettaigyo - 2010) Japão
Shamoto (Mitsuru Fukikoshi) foi espancado até a submissão pelas exigências da vida mundana. Ele tem um estranho relacionamento com sua segunda esposa que ainda não foi aceita por sua filha adolescente e rebelde, Mitsuko. A única alegria na vida de Shamoto é uma loja de pequenos peixes tropicais. Quando Mitsuko é pega furtando, Murata (Denden) ajuda Shamoto a resolver as coisas com o gerente da loja. Murata, dono de uma loja de peixes tropicais chamada Amazon Gold, imediatamente cria um vínculo com Shamoto e se oferece para ajudar a filha rebelde, dando-lhe um trabalho com casa e comida. O conflito entre Mitsuko e sua madrasta parece estar finalmente resolvido. Shamoto é arrastado para o negócio de Murata sem saber que por trás de seu comportamento amigável esconde um sociopata perigoso. Murata e sua esposa têm um histórico de fraudes e assassinatos, desaparecimento de vítimas de forma elaborada, ritualista e terrível. Levado pelo charme descontraído de Murata, Shamoto percebe a verdadeira natureza do homem tarde demais e se vê envolvido nos crimes sangrentos de um homem louco. 

09- "O Silêncio" (Das Letzte Schweigen - 2010) Alemanha
Em uma pequena cidade na Alemanha, Sinikka (Anna Lena Klenke), de 13 anos, desaparece. A bicicleta da menina é encontrada exatamente no mesmo local onde uma garota foi morta, 23 anos antes, em 1986. Pessoas envolvidas com o caso de 23 antes anos antes são suspeitas do desaparecimento de Sinikka. 
Um ótimo filme, surpreendente pelo final onde acontece exatamente o que não queremos que aconteça. Realmente os psicopatas se reconhecem e sempre se guiam pelo olhar. Saiba+

08- "O Monstro de Martfüi/Estrangulado (A Martfüi Rém - 2016) Hungria
Hungria, 1960. A pequena cidade de Martfű está sofrendo com os horrores que tomaram conta da região: um assassino sanguinário está à solta tirando a vida de várias pessoas. Obcecado em encontrar o culpado, o detetive designado para o caso está sendo fortemente pressionado pelo promotor a condenar alguém e, isso fará com que um homem que nunca poderia ter cometido tais crimes seja acusado.
Um filme  inspirado em uma história real perturbadora e indigesta sobre um serial killer de uma pequena cidade da Hungria, no período socialista entre 1957 a 1964. A atmosfera sombria e a abordagem crua cria sensações angustiantes e o desenvolvimento por mais que não crie tensão causa mal-estar, pois não esconde a violência e a agonia vivenciada. Saiba+

07- "Rattle the Cage" (Zinzana - 2015) Emirados Árabes Unidos
Preso em uma cela em uma remota delegacia de polícia, um homem chamado Talal (Saleh Bakri) é torturado por visões de sua amada ex-esposa e filho. Quando o oficial Daban (Ali Suliman) de uma cidade vizinha aparece, a visita amigável de repente se transforma em um banho de sangue. Estar atrás das grades agora é o menor dos problemas de Talal, quando ele é forçado a jogar o jogo de um sádico psicótico para salvar vidas de sua família.

06- "Enquanto Você Dorme" (Mientras Duermes - 2011) Espanha
César (Luis Tosar) é o porteiro de um prédio em Barcelona cuja razão de viver é atormentar os residentes. Ele conhece todos os detalhes íntimos dos moradores e se esforça diariamente para destruir suas vidas. Seu mais novo alvo é Clara (Marta Etura), a moradora do apartamento 5B, cujo jeito alegre incomoda Cesar. Ele decide fazer de tudo para tirar o sorriso do rosto da moça.
Uma mistura sensacional de drama e suspense. Mostra o dia a dia no condomínio sob os olhos de César, um psicótico. Ele controla tudo e todos e possui uma estranha obsessão pela moradora Clara, uma moça muito feliz e que sempre está com um sorriso estampado no rosto, ele porém, nasceu sem a capacidade de sentir felicidade. Saiba+

05- "Na Próxima, Acerto no Coração" ( La Prochaine Fois je Viserai le Coeur - 2014) França
Oise, França, 1978. Franck Neuhart (Guillaume Canet) é um policial que, nos dias de folga, comete frios assassinatos ao matar jovens mulheres a quem dá carona. Ninguém tem a menor pista de quem seja o autor dos crimes, sendo que o batalhão onde Franck trabalha é responsável pela investigação. Sem conseguir conter a ânsia em matar, Neuhart começa a se envolver com a jovem Sophie (Ana Girardot), que trabalha em sua casa e é perdidamente apaixonada por ele.
 Baseado num dos casos mais estranhos registrados na França, segundo os créditos iniciais, "Na Próxima, Acerto no Coração" (2014) dirigido por Cédric Anger é um suspense psicológico protagonizado por Guillaume Canet (L'homme que l'on Aimait Trop - 2014), um cara doente que não controla sua necessidade de matar, mas que ao longo vai se enroscando em seus próprios atos, pois deixa algumas de suas vítimas apenas machucadas. Saiba+

04- "Eu, Olga Hepnarová" (Já, Olga Hepnarová - 2016) Rep. Tcheca
Olga Hepnarová era uma jovem solitária, membro de uma família de coração frio, que não poderia fazer o papel que a sociedade designou à ela. Sua paranoica autoavaliação e a incapacidade de se conectar com outras pessoas levou-a ao limite da humanidade quando tinha apenas 22 anos de idade. O filme mostra o ser humano por trás da assassina em massa sem glorificar ou minimizar o crime que ela cometeu. Guiado por suas cartas, nos aprofundamos na psique de Olga e testemunhamos o agravamento da sua solidão e alienação enquanto reconstruímos os eventos que levaram às suas ações desastrosas.
A sobriedade do filme impressiona e assusta, a atmosfera de solidão e angústia é ampliada pela fotografia em preto e branco, é uma obra que seduz e ao mesmo tempo desconcerta.  Saiba+

03- "Canibal" (Caníbal - 2013) Espanha
Carlos é o alfaiate de maior prestígio em Granada, mas ele também é um assassino nas sombras. Ele não sente nenhum remorso, nenhuma culpa, até que Nina aparece em sua vida. Ela vai fazê-lo perceber a verdadeira natureza de seus atos, e pela primeira vez o amor desperta. Carlos é o mal encarnado, inconsciente de si mesmo. Nina é pura inocência. E Canibal é história de amor de um demônio.
"Canibal" tem uma fotografia excelente e uma movimentação de câmera que nos permite observar detalhes, é um drama denso que diz sobre as dificuldades de relação e o quão longe uma mente perturbada pode ir. Há cenas memoráveis que aterrorizam, não pelo fato da ação, mas justamente pelo contrário, a tensão que alguns acontecimentos causam. Saiba+

02- "Os Olhos da Minha Mãe" (The Eyes of My Mother - 2016) EUA 
Francisca (Kika Magalhaes) filha de imigrantes portugueses vive isolada com a família em uma fazenda no interior dos EUA. Quando pequena sua mãe (Diana Agostini) a ensinou os segredos do seu antigo ofício, ela era cirurgiã oftalmologista em Portugal, a menina é curiosa e a vemos nessa aparente natural relação aprendendo, até que um dia um estranho (Will Brill) entra na casa e mata brutalmente sua mãe.
Um filme de horror que prima pelo visual, o preto e branco dá o diferencial e evidencia o peso que a trama carrega, o silêncio e a solidão ganham corpo e se tornam palpáveis. O clima melancólico é ao mesmo tempo incômodo e poético, o macabro é cru; a angústia, a maldade, a ausência vivida pela protagonista é tão pungente que causa repulsa e também fascínio. Saiba+

01- "Aleluia" (Alleluia - 2014) França
Michel (Laurent Lucas) é um cara um pouco perdido, mas terrivelmente sedutor, que se apossa das economias das mulheres que sucumbem ao seu charme. É um predador. Na melhor das hipóteses, ele as trucida e vai embora com o dinheiro. Até que encontra Glória (Lola Dueñas), uma ibérica marcada por uma existência triste, que se apaixonará completamente pelo belo passante que ela não vai mais largar. Começa então uma odisseia sangrenta, na qual os dois amantes irão se afundar na loucura.
Conta uma história macabra de forma fria do encontro de duas pessoas perturbadas que se gostam, se complementam e se alimentam da loucura. Saiba+

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Noite Silenciosa (Cicha Noc)

"Noite Silenciosa" (2017) dirigido pelo ator Piotr Domalewski (Demon - 2015) retrata com um fino humor características que fazem parte das famílias, sejam elas de qualquer parte do mundo, as frustrações, os anseios, as rixas, a inveja, as preocupações, e nada melhor que a festa de Natal para expor que apesar de parentes nada na verdade os une. 
Após anos trabalhando em outro país, Adam (Dawid Ogrodnik) visita sua família no Natal sem avisar. Nenhum membro da família conhece seus planos secretos e a razão real de sua visita.
Adam há muito foi embora de sua cidade no interior da Polônia para morar na Holanda, cheio de ambições retorna em pleno Natal depois de anos sem nem dar um sinal de vida, a recepção é ao mesmo tempo estranha e calorosa, a mãe claramente incomodada só quer que ele se reconecte com seu irmão mais novo, enquanto o pai afogado em suas frustrações luta para não voltar a beber, a irmã chega com o marido abusivo mais tarde e o ambiente fica repleto de tios e primos, todos parecem invejá-lo ou não querê-lo ali, ele escolheu outro país para morar e por isso não é tão bem visto apesar de sempre ter mandado dinheiro, o pai se sente um fracassado e ninguém possui nada, nenhum bem em especial, a não ser uma casa que era da avó de Adam e da qual ele quer vender com intuito de expandir seus negócios, o clima segue com grande tensão e o diálogo é impossível, até que Adam consegue falar com o pai sobre seus desejos. Ele diz que se ele conseguir convencer os irmãos pode fazer o que quiser com a casa, e aí observamos que Adam não tinha nenhum outro objetivo de voltar a não ser o de obter a casa, até porque a interação com os demais é conflituosa, os olhares revelam os sentimentos em relação a ele. O irmão mais novo é calado e parece esconder algo de Adam, o que no fim descobre-se e por consequência dá um aspecto trágico à história. A irmã aceita que fique com a casa, mas o marido não quer e fica aterrorizando Adam, as consequências também não são boas e essa família que já não apresentava sinais de afeto vai se desmantelando, a mãe durona que não sabe como demonstrar seu amor, o pai que volta a beber, o avô embriagado que só se interessa pelo carro com o qual Adam chegou, que é alugado e só o fez por aparência, o fato é que a festa em família vai tomando rumos perigosos com tanta lavação de roupa suja. Nada mais óbvio, mas justamente por conta desses clichês que o roteiro nos fisga e acaba nos aproximando de muitas situações.

De silenciosa a noite não tem nada, somos inseridos em uma casa cheia de pessoas angustiadas, as mulheres cozinham uma infinidade de receitas e os homens ora se lamentam, ora bebem e andam pelos arredores, Adam chega somente para dar a noticia que precisa da casa e que sua mulher está grávida, não tem nenhuma intenção de ficar, mas nem tudo é simples quando se trata de parentes, mas mesmo assim não poderia esperar o que estaria por vir.

"Noite Silenciosa" apesar de ter doses cômicas é um filme tenso que retrata a complexidade de sentimentos que envolve uma família, a frase: "Não se gosta da família, simplesmente se tem uma", reflete perfeitamente o contexto todo, e nada melhor que a festa de Natal para exemplificá-lo. 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Thoroughbreds

"Thoroughbreds" (2017) dirigido pelo estreante Cory Finley é um thriller psicológico com pitadas de humor negro que vai criando aos poucos uma atmosfera tensa e sombria, a violência implícita garante uma certa elegância às cenas, mas também gera agonia pela frieza que envolve o ambiente. É um filme de várias camadas e um estudo interessantíssimo de personagens.
Lily (Anya Taylor-Joy) e Amanda (Olivia Cooke), duas meninas adolescentes no subúrbio de Connecticut se reconectam numa amizade improvável após anos distantes. No processo, elas aprendem que nenhuma das duas é o que aparenta ser - e que um assassinato pode resolver ambos os seus problemas.
Amanda começa a frequentar a mansão de Lily, a estranha relação vai estreitando à medida que elas encontram pontos em comum e decidem planejar o assassinato do padrasto de Lily, as duas se complementam, Lily vive de forma tediosa depois de ser expulsa do colégio, não possui amigos e carrega um semblante de menina educada da alta classe, Amanda surge para dar asas a sua maldade, já que sua ausência de sentimentos lhe permite agir como bem quer sem nenhum tipo de consequência grave, o passado com o seu cavalo reflete perfeitamente a sua personalidade apática, a todo momento em que as duas estão juntas percebe-se um amadurecimento mútuo, Lily vê em Amanda a aliada ideal para dar cabo de seu padrasto que vive lhe ditando ordens, Amanda então dá a ideia de contratar alguém para fazer o serviço, daí surge Tim (Anton Yelchin), um drogado que ambiciona ter uma boa vida igual a de Lily, ele é deslumbrado com a riqueza, mas não tem a maldade em si, o que o faz dar para trás no plano. As coisas vão ficando sinistras conforme Lily vai saindo de seu casulo e mostrando quem realmente é, Amanda não se importa nem quando percebe que sua amiga está lhe usando. 
É um filme estiloso e frio que jamais revela a sua violência, ela está contida nos gestos que aos poucos vão sendo expressados pelas protagonistas, a ambientação dá ainda mais sensação de indiferença e os jogos mentais e diálogos complementam a atmosfera magnética.

Amanda não sente absolutamente nada, e por conta disso é dona de diálogos memoráveis, como a descrição da morte de seu cavalo ou ela ensinando a técnica para chorar, essas coisas vão penetrando na mente perturbada de Lily e consequentemente a fascinando, o tédio que permeia e o estilo de vida tanto de uma como a da outra desencadeia anseios ruins, como planejar a morte do padastro de Lily.

"A única coisa pior do que ser incompetente ou ser rude ou ser perversa é ser indecisa."

"Thoroughbreds" possui uma estranheza instigante e que tem na interpretação de Olivia Cooke e Anya Taylor-Joy - a nova estrela do terror - peculiaridades e um ótimo estudo de personagens, o amadurecimento acontece de formas tortas e todo o contexto em que vivem só aumentam a onda de desinteresse e insensibilidade que se apodera das meninas.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

12 Achados Musicais

Segue uma lista de 12 achados musicais viciantes, a maioria descobertos a partir de trilhas de filmes, já outros navegando pelo Youtube. 

Dakh Daughters - Ucrânia (Freak Cabaret/Dark Cabaret)
Dakh Daughters é um projeto musical e teatral ucraniano iniciado em 2012 em Kiev. A banda é composta por sete mulheres, que tocam variados instrumentos e cantam em diferentes idiomas e dialetos. Elas costumam usar textos de autores famosos em suas letras. A mistura de idiomas, a mudança de ritmos e a beleza das performances eleva as emoções e propõe um frenesi e uma experiência única. Arte pura! Confira a canção "Rozy/Donbass". Em 2016 lançaram o álbum "If".

New Canyons - EUA (Rock/Synthpop/Shoegaze)
New Canyons é um duo de Chicago que pode ser classificado como dark pop, canções que trazem sensações nostálgicas devido os sintetizadores vintages utilizados, as batidas são fortes e emocionais, as melodias intensas e sensíveis e vocais saudosos que transmitem melancolia, no entanto, por conta dos elementos pop garantem fácil receptividade. A música "Everyone is Dark" é uma amostra perfeita da aura da banda, memorável. Ela está na trilha do filme "Henry Gamble's Birthday Party". 

Planningtorock - Alemanha (Eletrônica/Experimental)
Planningtorock ou PTR é o projeto musical de Janine Rostron, multi-instrumentista, produtora musical, videomaker, artista performática e fundadora da Rostron Record, um selo de música independente localizado na Alemanha. A figura andrógena de Rostron já revela o diferencial do emaranhado de suas canções, há inúmeras referências, as texturas e vocais impressionam, assim como o experimentalismo, a diversidade de sons que vão desde o clássico, glam rock ao hip hop é um tanto sombrio e sedutor. "The Breaks" foi a canção que me introduziu ao universo Planningtorock.

Soap and Skin - Áustria (Darkwave/Slowcore)
Soap & Skin é o projeto musical experimental da artista austríaca Anja Plaschg, impossível não se apaixonar pelas baladas atmosféricas interpretadas por Anja, que carrega em sua voz fragilidade e intensidade na medida exata, é sombrio, mas esteja triste ou alegre é uma delícia escutá-la. A canção "Me and the Devil" faz parte da trilha da série "Dark".

MGMT - EUA (Neo-psicodelia/Indietrônica)


MGMT é uma banda americana de rock psicodélico formada em 2002 no Brooklyn por Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden. É uma viagem aos anos 70 com suas baladinhas fluídas, é um pop eletrônico psicodélico que dificilmente não agradará, como exemplo da canção "Electric Feel". Após 4 anos sem gravar surgiram no final de 2017 com um novo trabalho, "Little Dark Age", que conversa com uma aura mais sombria e letras melancólicas. 

Suuns - Canadá (Neopsicodelia/Krautrok/Art punk)
Suuns é uma banda de rock canadense formado em 2007, quando o vocalista/guitarrista Ben Shemie e o guitarrista/baixista Joe Yarmush se juntaram para fazer algumas batidas que rapidamente evoluíram para algumas músicas. A dupla foi logo acompanhada pelo baterista Liam O'Neill e o baixista/tecladista Max Henry para completar o line-up.
Suuns é um aglomerado de sons que varia entre o rock, punk, pop, eletrônico, experimental, é dançante ao mesmo tempo que entediado, estranho, interessante e aberto. Confira o álbum "Images du Futur" (2013). Esse achado está na trilha do filme "Chorus" (2015). 

Maidavale - Suécia (Rock/Psicodélico/Blues)
Maidavale é uma banda sueca formada por mulheres, inspiradas pela clássica psicodelia dos anos 60/70 o som mescla suavidade e potência, um presente para quem anseia por coisas novas neste estilo. Confira o álbum de estreia: "Tales Of The Wicked West" (2016).

Kevin Morby - EUA (Indie rock/Folk rock)
Kevin Morby é um músico, cantor e compositor americano. Anteriormente conhecido como o baixista da banda de folk rock Woods e como vocalista do The Babies. Entre suas principais influências está Lou Reed e Bob Dylan. Kevin Morby nos apresenta um som minimalista e nostálgico. A canção "Parade", que está na trilha da série "Bojack Horseman", reflete perfeitamente esses adjetivos, lindíssima!

Ängie - Suécia (Pop/Trap-Hop)
Angelina Dehn Gustavsson, conhecida pelo nome artístico de Ängie, é uma cantora e modelo sueca nascida em Estocolmo. Foi inserida na indústria fonográfica em 2016, ao lançar seu debut single "Smoke Weed Eat Pussy". Ängie tem vários hits lançados, alguns considerados impróprios para rádios, seu disco de estreia "Suicidal Since 1995" (2018), cativa por sua ousadia, polêmicas e suas letras libidinosas. É um chacoalho gostoso no pop! 

Wild Beasts - Reino Unido (Indie rock/Synthpop/Dreampop)
Wild Beasts é uma banda inglesa de indie rock, formada em 2002. O som é dançante, leve, mas não deixa de ser provocante, as músicas do último álbum lançado "Boy King" (2016) passa por diversas texturas instrumentais, uma crescente cativante e complexa. Com ar de anos 80, o minimalismo em sua sonoridade com doses futuristas, a delicadeza dos timbres sem deixar de ter ao mesmo tempo vigor, os elementos da Synthwave e outras referências à década produzem envolvimento e nostalgia. Com certeza se configura entre uma das bandas mais interessantes no cenário indie.

The Ritual - Dinamarca (Indie Rock / Native American Culture)
Formada em 2015, The Ritual é uma banda dinamarquesa que exibe características potentes e únicas, um som que busca o primitivo, evoca o espiritual e os transforma em riffs e vocais poderosos, o EP "The Drum" lançado em 2017 é uma joia, necessita ser descoberto, uma obra de arte! Essa beleza foi descoberta por conta do filme "Zinzana" (2015), disponível na Netflix.

Heilung - Alemanha/Dinamarca (Neofolk/Tribal)
Heilung é uma banda germano-dinamarquesa de neofolk, as músicas são baseadas em textos originais de pedras rúnicas e artefatos da Idade do Ferro e da Era Viking. Eles descrevem sua música como "história amplificada do início da Europa do norte medieval". Fundada em 2014 por Kai Uwe Faust (tatuador especializado em tatuagens nórdicas antigas) e Christopher Juul Gegründet. Mais tarde, Maria Franz se juntou à banda. Em 2015, a banda lançou o álbum de estreia "Ofnir". 
Heilung é um deslumbre sonoro que evoca os rituais nórdicos, utilizando instrumentos confeccionados por eles mesmos e outras diversas coisas para extrair sons, como  tambores de couro, anéis de bronze, ossos, pedaços de bronze e sons da natureza, como  água corrente, somos completamente absorvidos e hipnotizados pela sonoridade provocada, além da caracterização, as vestimentas e toda a ambientação e atmosfera criada. O show disponibilizado pelo canal da banda demonstra o poder e a beleza, é um som que é preciso ser visto!

terça-feira, 26 de junho de 2018

Aos Teus Olhos

"Aos Teus Olhos" (2017) dirigido por Carolina Jabor (Boa Sorte - 2014) é um ótimo filme brasileiro que aborda temas polêmicos e atuais, como a pedofilia e as consequências do linchamento virtual, além de refletir o comportamento nocivo dos pais em relação a seus filhos. 
Rubens (Daniel de Oliveira) é um professor de natação carismático e extrovertido, que dá aulas para pré-adolescentes em um clube. Querido por todos devido ao seu jeito brincalhão e parceiro, ele se vê em apuros quando um de seus alunos, Alex (Luís Felipe Melo), diz à mãe que o professor lhe deu um beijo na boca no vestiário. Alegando inocência, Rubens é acusado pelos pais da criança e passa a ter que lidar com um verdadeiro linchamento virtual, que tem início através de mensagens de WhatsApp e explode de vez quando chega ao Facebook.
"São esses pais que fodem com a cabeça das crianças'', essa frase dita logo no início pelo protagonista é imensamente importante para refletir as atitudes dos pais e o peso das expectativas em cima da criança. Os pais de Alex são divorciados e não se dão bem e acabam criando uma atmosfera tensa para o filho, que tenta se sobressair e ganhar o campeonato de natação apenas para ser visto e o pai ter orgulho dele, após perder ele fica emburrado e o professor tenta uma aproximação, ao vê-lo chorar resolve levá-lo para o vestiário, o menino acaba falando pra mãe que o professor o beijou e aí as situações que se desenrolam acarretam grandes consequências para Rubens, que com seu jeito espontâneo faz aumentar a dúvida dos pais das outras crianças. O estrago acontece mesmo quando a mãe revoltada espalha no grupo de WhatsApp o suposto acontecido, a diretora do clube analisa com cautela, mas os pais querem um posicionamento rápido, então a mãe desequilibrada expõe por Whatsapp a história que o filho contou, alguns questionam sua atitude e pede para que averigue em sigilo, já outros o detonam e o julgam pedófilo, no dia seguinte as redes sociais estão lotadas de xingamentos. Rubens é adorado pelas crianças e simpático com as adolescentes, fora do expediente algumas vezes suas atitudes são questionáveis e até dúbias, mas nada é concreto, ele tenta seguir com seu trabalho, mas depois da exposição nada mais será como antes, os pais pedem sua expulsão e a diretora não pode fazer mais nada, tudo saiu de seu controle e não houve sequer tempo para que se iniciasse uma investigação. A história permite, assim como o título sugere, que independente do que for cada um terá seu veredito, a narrativa segue com um ponto de interrogação mostrando os lados, menos o da criança, e trata com seriedade, principalmente, a questão do julgamento virtual, que infelizmente é muito comum.

A maneira como cada um lida com o suposto abuso é interessante, o pai, por exemplo, não se importa se o que aconteceu com o filho o machucou fisicamente ou psicologicamente, ele tem medo do que podem dizer sobre sua sexualidade, a mãe visivelmente instável parece querer arrumar confusão só para ver se o ex-marido toma alguma atitude, talvez nutre raiva pelo fato dela criar o menino sozinha e ele ser ausente e participar só quando interessa. Alex fica calado quando o pai pergunta sobre o ocorrido, dá impressão que ele está com vergonha, mas do que exatamente? Do suposto abuso ou do comportamento dos pais? A diretora do clube acredita na inocência de Rubens, mas com a rapidez que tudo aconteceu ficou de mãos atadas. Daniel de Oliveira transmite com exatidão uma ambiguidade ao mesmo tempo que se torna frágil com o desenrolar, de repente o vemos afundar numa piscina de ódio e julgamentos. 

"Aos Teus Olhos" é adaptado da peça de teatro catalã "O Princípio de Arquimedes" e remete a outros filmes sobre o tema, como "Dúvida" (2008) e "A Caça" (2012), mas o seu desenvolvimento é rápido e direto, não se aprofunda nas questões, mas reflete a irresponsabilidade de postagens com intuito de espalhar discórdia, causando danos irreversíveis na vida do "acusado", transforma-se as redes sociais num tribunal que destila ignorância, preconceitos e que promove apenas o caos, esse é um assunto que precisa muito ser debatido e o filme o faz com precisão. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Anistia (Amnistia)

"Anistia" (2011) dirigido por Bujar Alimani (Chromium - 2015) é um filme melancólico que retrata as deficiências que assolam a Albânia, o desemprego, o machismo, as burocracias, a violência, entre tantas outras coisas. A narrativa tem um ritmo lento e poucos são os diálogos, a protagonista exibe pelo olhar toda a sua tristeza, medo e desesperança. O tom escuro do longa amplia a sensação de desalento e questões existenciais são desencadeadas a partir dos dilemas vividos. 
A visita íntima é finalmente legalizada na capital da Albânia, Tirana, e uma vez por mês Elsa (Luli Bitri) desloca-se por vários quilômetros para passar alguns momentos com o marido encarcerado por conta de alugueis não pagos. Essa jornada permite que ela se aproxime de Shpetim (Karafil Shena), marido de uma detenta, presa por falsidade ideológica, mas uma anistia aos presidiários atrapalha o nascimento deste novo amor.
Visualizamos os trâmites e o modelo prisional no início e a visita íntima sendo legalizada no país, que acaba sendo uma obrigação, Elsa se desloca do interior para a capital afim de visitar seu marido e consumar o ato, que em nenhum momento é visto como algo bom, ao contrário, seus olhar sempre está vazio e seu corpo inerte, há inúmeras questões que permeiam o sofrimento de Elsa, nada é expressado e por isso exige sensibilidade do espectador para compreender a protagonista, a desestrutura familiar, a falta de dinheiro para criar os filhos, o sogro extremamente machista, a rotina obrigatória de se deslocar até Tirana, as mentiras que conta para ocultar a prisão do pai para os filhos, as consequências emocionais são fortes e não parece haver sentido em sua vida. As coisas tomam outro rumo quando ela conhece Shpetim, que também prova do sofrimento da perda de sentido, a mulher presa e as visitas íntimas preestabelecidas, as burocracias do sistema, quando eles se conhecem ao acaso a paixão timidamente se aproxima, as cenas de Elsa e Shpetim se amando nunca são mostradas e os rostos de seus respectivos cônjuges também não, pois a história quer nos mostrar que não importa o desejo pessoal, sem autonomia um recomeço com um novo marido é impossível e perigoso, como bem retratado pela figura do sogro. Com essa impossibilidade de prosseguir seus sentimentos tornam-se culpa e vergonha, uma nova carga de sofrimento pende sobre suas costas e a desesperança surge ainda mais forte quando o governo declara anistia e tanto o marido de Elsa como a esposa de Shpetim retornam ao lar.

"Anistia" é introspectivo e denso, causa aflição observar a vontade de Elsa em tentar ter sua liberdade e sempre encontrar alguma barreira social, quando ela resolve ir morar em Tirana na casa de uma colega e consegue um emprego há um lampejo de confiança, a parte que ela diz que precisa resolver algumas coisas para a colega demonstra o quanto está se sentindo segura, pois ela se mostra almejando o futuro, o que infelizmente logo se desfaz, seu sogro a obriga a voltar com os filhos para casa, seu marido retorna e desiste do amor. Apesar do filme ser cadenciado e não revelar quase nada com palavras, a angústia da personagem transpassa a tela e a compreendemos, seu final seco impacta e permanece conosco por um bom tempo.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

As Boas Maneiras

"As Boas Maneiras" (2017) dirigido pela dupla Juliana Rojas e Marco Dutra (Trabalhar Cansa - 2011) é um filme de terror que mescla estilos de forma original, o bizarro está sempre às voltas e a tensão nunca sai de cena, mesmo que haja uma quebra na segunda parte aos poucos novamente se introduz sensações e aguça nosso interesse por todo o desenrolar. A experimentação dos elementos dentro da trama só fazem complementar uma narrativa fascinante e séria que disserta sobre temas sociais em tom de fábula. Juliana Rojas e Marco Dutra se destacam pela criatividade e inteligência, seus filmes, seja como dupla ou individual, sempre são sinônimos de satisfação.
Ana (Marjorie Estiano) contrata Clara (Isabél Zuaa), uma solitária enfermeira moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, Ana começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente Clara.
Ana vem de uma família rica do interior de Goiás, sozinha ela tenta se adaptar à cidade grande depois que seus pais preferiram não apoiá-la por conta de sua gravidez, fruto de uma transa casual. Ana está procurando alguém para ajudá-la a dar conta da casa e mais tarde cuidar de seu bebê, Clara vem da periferia de São Paulo, uma realidade totalmente diferente, aparece atrasada para a entrevista, mas Ana segue o protocolo e Clara parece fazer de tudo para conseguir o emprego contando que tem experiência nisso e naquilo, no fim ela acaba sendo contratada por ajudar Ana num momento de dor durante a entrevista, apesar de não ter terminado seu curso de enfermagem sua habilidade gerou uma certo sentido de proteção para Ana. Esses mundos tão opostos vão aos poucos se unindo e formando um elo forte de cumplicidade e amor. Clara é calada e observa Ana em todos seus movimentos, toda as regras sociais que as separam vão se dissipando à medida que uma encontra apoio na outra e a paixão nasce, elas quebram vários estereótipos e tabus, a relação se constrói a partir de suas solidões, ambas à sua maneira se sentem excluídas da sociedade, a atração vai numa crescente forte e culmina numa noite de lua cheia em que Ana procura comida na geladeira como um animal selvagem, Clara não entende muito bem, mas a aceita em seus braços e daí por diante começa a tentar compreender sua atitudes noturnas e o que estaria por vir. O olhar de Clara nos conduz pela narrativa com tensão e expectativa, uma bela interpretação de Isabél Zuaa, e claro, Marjorie Estiano que dá vida a uma personagem que exala abandono e receio por conta da sua gravidez.

A atmosfera criada prima pelo estranhamento e o desconforto vem em pequenas doses, o suspense se mescla perfeitamente ao drama e, principalmente, a fantasia que dá as caras mais explicitamente na segunda parte, quando Clara se desdobra para criar Joel (Miguel Lobo), que se transforma em lobisomem nas noites de lua cheia, a angústia por não participar das atividades com os amigos e ter que se privar de tantas outras coisas faz com que ele se revolte e crie situações preocupantes. A imersão no clima de fábula é intensa e o macabro é explorado com pitadas de ternura. As técnicas e os efeitos visuais são ótimos, o processo de transformação e a recriação mágica da cidade de São Paulo em CGI, além da cena do parto e o bebê lobisomem, são cenas marcantes que produzem sensações variadas, aliás o filme é uma mistura deliciosa de estilos e que trabalha com elementos fascinantes sem deixar de refletir com inteligência temas sociais.

"As Boas Maneiras" também conta com uma trilha sonora original surpreendente, as inserções de números musicais dentro da trama é mais uma marca dos diretores e que causa ainda mais estranheza, as letras complementam à narrativa e ajudam a criar as emoções, destaque para a cantiga de ninar "Fome", que é cantada por Ana e na grandiosa cena final por Clara: "Dorme no chão, dorme no feno, dorme cavalinho, aproveita que é pequeno". Por fim, o filme é uma bela e pertinente fábula de horror imensamente criativa e sensível. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas (Professor Marston and the Wonder Women)

"Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas" (2017) escrito e dirigido por Angela Robinson conta a verdadeira história da criação da Mulher-Maravilha, embarcamos no romance entre Dr. William Moulton Marston, sua esposa Elizabeth e a estudante Olive, o relacionamento nada convencional possibilitou toda a composição da mais importante super-heroína feminina. É um filme interessante que nos presenteia com grandes curiosidades acerca do quadrinho e além disso reflete o amor "fora da caixinha", preconceitos e feminismo.
A incomum vida de Wiliam Marston (Luke Evans), psicólogo e inventor de Harvard que ajudou a tornar real o Detector de Mentiras e que também criou a Mulher-Maravilha, personagem dos quadrinhos, em 1941. Marston mantinha uma relação polígama envolvendo sua esposa Elizabeth Marston (Rebecca Hall), psicóloga e inventora, e Olive Byrne (Bella Heathcote), uma ex-aluna que virou acadêmica. Essa relação e os ideais feministas das duas mulheres foram essenciais para a criação da personagem.
O filme se inicia em 1928 mostrando Wiliam Marston lecionando sua mais nova teoria, D.I.S.C, uma combinação de quatro fatores: Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade junto de sua inteligente esposa, que tinha continuamente seu doutorado negado por simplesmente ser mulher, sua mente brilhante contribuiu para a invenção e o avanço do detector de mentiras, que é testado neles próprios desvendando seus sentimentos no decorrer. A personalidade de Elizabeth encantava Marston e por isso levavam uma vida de muito compartilhamento intelectual e amor, as coisas começaram a balançar quando Marston ao se atrair por uma aluna decide colocá-la como sua assistente. Olive mais que tudo admirava Elizabeth, e com o passar do tempo o relacionamento entre eles foi se estreitando, com receio da ousadia e dos demais descobrirem permaneceram apenas como amigos e testando experiências acadêmicas, porém a aura sexual era tão forte que ficou impossível não cederem, até que numa noite explodem em paixão e volúpia. Eles seguem assim por um tempo, mas o relacionamento é descoberto e acaba acarretando diversos prejuízos em suas carreiras, entre tristezas, confusões e alegrias o trio permanece junto e até formam uma família repleta de filhos, nesse meio tempo Marston começa a escrever sua HQ, visualizando suas mulheres, suas distintas personalidades e no como se completavam, a mistura delas e mais as fantasias que experimentavam geraram a heroína por volta dos anos 40. Através dela Marston difundiu pensamentos feministas, uma enorme inspiração para as mulheres sobre independência e a luta pelos seus direitos.

A liberdade de experimentar o novo e não reprimir os desejos nutria o trio, além das individualidades e conflitos, o enfrentamento com a sociedade que repudiava a relação foi a principal fonte de inspiração para Marston criar as histórias da Mulher-Maravilha. Mas a censura pegou pesado e os fiscais da moral cada vez mais apontavam coisas inapropriadas, como homossexualidade, bondage, violência, entre outras coisas. A força de Elizabeth, a doçura de Olive e a independência das duas, e tantos outros traços  misturados aos pensamentos e ideais de Marston deram vida para a heroína feminista mais popular e importante dos quadrinhos. 

 "Francamente, a Mulher-Maravilha é a propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que, eu acredito, deveria governar o mundo."

"Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas" é um excelente filme que nos revela com grande intensidade e beleza a criação da personagem, o contexto e os eventos da época, as complexidades, o conservadorismo, as hipocrisias da sociedade e o conceito de normalidade imposto. Nascida a partir do amor, da admiração, do desejo e de uma compilação dos traços de suas personalidades, entre outros vários fatores, nasceu a Mulher-Maravilha, um ícone do empoderamento feminino, uma inspiração para a busca da igualdade e justiça. Sem dúvidas, uma ótima oportunidade para conhecer lados não tão explorados ou até ocultados sobre o criador e a essência da HQ, que sofreu inúmeras transformações ao longo dos anos. É uma história curiosa, sexy e que merece atenção!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Closeness (Tesnota)

"Closeness" (2017) dirigido pelo estreante Kantemir Balagov é um filme russo que explora a tensa relação entre uma família que faz de tudo para ter o filho raptado de volta. Solidão, desafeto, machismo e religião são retratados de forma seca e direta e outras questões da cultura também são mostradas, como o preconceito entre etnias, no caso cabardinos e judeus.
1998, Nalchik, cidade no sul da Rússia. Uma família está prestes a experimentar os momentos de maior tensão em toda a sua vida: um dos filhos, o mais novo, não voltou para casa junto com a noiva e não deixou nenhuma explicação. No dia seguinte, o recebimento de uma carta pedindo um alto resgate confirma o sequestro, e fará com que a família desista de todos os bens materiais para tê-los de volta.
Ila (Darya Zhovnar) trabalha com o pai (Artem Cipin) como mecânica, é impetuosa e vai contra as normas da casa, a mãe (Olga Dragunova) não se conforma que ela não seja feminina e suje as mãos de graxa, ao contrário do pai que sempre está disposto a conversar e sorrindo para ela, o machismo é forte na mãe de Ila que a força vestir um vestido e mais tarde se casar com um membro rico da comunidade pra salvar o filho mais novo, essa mulher em nenhum momento demonstra afeto verdadeiro, não há qualquer elo e isso faz Ila se revoltar ainda mais ao perceber depois do sequestro do irmão que suas intenções são sempre estranhas. Eles vivem numa comunidade judaica em Nalchik, o que significa que decisões são tomadas em conjunto e que a vida de todos são pensadas em torno da religião, mas apesar de tudo isso Ila é rebelde e não dá a mínima, quebra as regras ao se relacionar com um cabardino e se portar de maneira não convencional. O rapto de seu irmão mais novo junto de sua noiva por russos causa comoção, desesperados tentam juntar dinheiro com a ajuda de alguns da comunidade, mas apenas o resgate da noiva de David é conseguido, a maioria se nega a ajudá-los e, por fim, vendem a oficina, o que é insuficiente para o resgate, daí é que a ilusão de que Ila vive como quer é quebrada, pois é prometida em casamento a um jovem de família abastada em troca de dinheiro, como um bem e sem poder de manifestação a garota se sente desalentada e desorientada.  

Darya Zhovnar é potente em cena, sua expressões nos conduzem a seus sentimentos que ora fervem, ora mortificam-se em torno desse ambiente opressor, a cada novo acontecimento ela vai se deparando com mais e mais dificuldades de se mexer, as interações são impossíveis, suas vontades nulas e todo o preconceito ao redor corrói, ela busca aconchego no namorado, mas acaba se drogando e se deparando com os amigos antissemitas dele, a guerra entre etnias é um outro ponto que o filme toca, mas não se aprofunda, na verdade, várias questões vão sendo salientadas conforme o desenrolar, as feridas passadas de disputas e guerras, o machismo entranhado, a conduta opressiva da religião e as relações familiares duras e deprimentes.

"Closeness" demonstra o como é complicado viver como se quer em lugares mais tradicionais, a independência de Ila é jogada de lado quando o problema surge, muitos acontecimentos são desencadeados e ela vai tentando se desvencilhar, ela começa a ver como tudo realmente funciona e que até seu pai não pode se abster dos fatos, mas tudo contribuiu de alguma maneira para o amadurecimento dos personagens, no final claramente a mãe de Ila sentiu algo diferente, talvez o desabrochamento do amor pela filha, um certo olhar de admiração, ou simplesmente por não saber mais quem amar. A dor da proximidade é retratada com crueza e melancolia.

terça-feira, 12 de junho de 2018

A Infância de Um Líder (The Childhood of a Leader)

"A Infância de Um Líder" (2015) dirigido pelo ator Brady Corbet (Mistérios da Carne - 2004) é um drama sombrio que como o próprio título revela retrata a infância de uma criança que se tornará um líder fascista, é uma história interessante e que traz o terror sob uma perspectiva realmente surpreendente, aparentemente não há nada que se encaixe no gênero, porém o horror é trabalhado em pequenas doses e com total originalidade, até porque acompanhar o pequeno protagonista e seu difícil desenvolvimento durante o período final da primeira guerra é perturbador, sua personalidade vai sendo moldada a partir de eventos complexos e uma estranha relação com os pais.
1918. Prescott (Tom Sweet), um garoto americano passa a morar na França, já que seu pai (Liam Cunningham) é convidado pelo governo americano para trabalhar na criação do Tratado de Versalhes. Juntamente com a mãe (Bérénice Bejo) se instalam num imenso casarão em um lugarejo onde o fanatismo religioso impera. A abertura estonteante e ao mesmo tempo aterradora faz questão de evidenciar e nos fazer imergir neste cenário. A imagem e o som se complementam de maneira assustadora durante toda a história chegando ao ápice de modo ameaçador e vertiginoso. Acompanhamos os personagens com ansiedade e observamos tudo pelo olhar da criança que se molda a partir do desafeto da mãe, da autoridade exacerbada do pai, do fanatismo religioso, da infelicidade, opressão e as incertezas que pairam no ar.
As sensações que a história provoca são incômodas e a cada cena nos deslumbramos com o requinte visual e narrativo, seu desenvolvimento faz questão de expor com cuidado cada detalhe, a movimentação de câmera suave e a lentidão inicial só faz ficar ainda mais interessante, pois a tensão vem de forma crescente a partir do momento em que a criança se torna incontrolável, a mãe coloca a educação nas mãos da jovem professora de francês e o pouco de singeleza advém da cozinheira, já o restante é pura opressão e desamor, o ambiente contribui para a melancolia e vazio, as obrigações religiosas e o pai que administra com mãos de ferro a família, assim como faz em seu trabalho complementa arruinando a personalidade de Prescott. Impressionante a composição de personagem de Tom Sweet, seus olhares e comportamentos vão nos levando ao que se tornaria no futuro, diante de tudo que estava vivendo e dentro do contexto histórico não poderia dar em outra coisa: a empatia com ideias fascistas.  

A atmosfera do filme atinge em cheio e exemplifica que o terror é um gênero que pode ser trabalhado sob variadas vertentes, os elementos transmitem uma espécie de mau agouro, tempos ruins que se aproximam, a sensação de sufoco vai ficando cada vez mais forte e o real terror acontece num final apoteótico. 
A narrativa é dividida em capítulos que demonstram Prescott cometendo travessuras e fazendo birras, no início ele joga pedras nos outros depois do ensaio de uma peça na igreja, a mãe o força a pedir desculpas para todos e isso o faz ficar mais revoltado, o menino tem personalidade forte e uma de suas características físicas, o cabelo comprido, é alvo de perguntas e chacotas e sempre é confundido por menina, o que o deixa realmente nervoso. O relacionamento com a mãe é difícil e distante, não há afeto e há algo não esclarecido ali no ambiente familiar, pois ela é uma mulher frustrada e fria, muito do menino é com certeza vindo dela e do tratamento que destina a ele, já o pai se torna violento por não saber mais lidar e tudo culmina num rompante de raiva num jantar na casa deles em que estão comemorando o encerramento da Primeira Guerra.

"A Infância de Um Líder" inspirado vagamente num conto homônimo de Sartre retrata com primor a ascensão de um líder fascista, mas contudo não explora as questões políticas, mas sim as psicológicas, do como os traços inatos da personalidade somado a acontecimentos conturbados são capazes de formarem monstros; o vazio e o mal se solidificando remete ao filme "A Fita de Branca" (2009) que também carrega um tom de pesadelo progressivo. É um filme sombrio, instigante e singular que tem na sua ambientação e na sua trilha sonora uma força descomunal. Poderoso!