quinta-feira, 8 de junho de 2017

The Love Witch

"The Love Witch" (2016) dirigido pela talentosa Anna Biller (Viva - 2008) é uma homenagem ao Technicolor, filmado em película 35 mm, técnica em extinção, a aura saudosista permeia toda a obra e remete aos filmes da Hammer, a famosa produtora especializada em filmes de horror dos anos 60/70. Especialmente, o final da década de 60, a cultura foi marcada pela inserção ocultista e o apelo erótico nos filmes de terror, Anna Biller conhece muito bem esse universo, é uma artista conceitual que é reconhecida por seus excessos visuais, humor burlesco e ainda é multifuncional, escreveu, produziu, dirigiu, editou e ficou responsável pela direção de arte. 
Elaine (Samantha Robinson) é uma jovem bruxa que está determinada a encontrar o homem de sua vida. Ela leva homens para sua casa e faz magias e poções a fim de seduzi-los. Tudo funciona bem, mas ela acaba com uma série de vítimas infelizes. Quando ela finalmente encontra o homem de seus sonhos, seu desespero para ser amada a torna insana.
Marcada por um passado de relacionamentos traumáticos, em flashes do passado podemos ver seu marido reclamando de suas habilidades domésticas e outras coisas, Elaine decide ir para o interior depois da morte de seu marido, muda-se para um casarão gótico onde já transformada em bruxa dá o que os homens querem e com a ajuda de poções tenta encontrar o amor e fazer com que os homens morram de amor por ela, algumas vezes literalmente. Sua primeira vítima é Wayne (Jeffrey Vincent Parise), um professor de literatura mulherengo, ela joga seu charme, lhe dá a poção e pronto está feito. Elaine passa seus dias fazendo poções, participa de rituais pagãos e frequenta um clube burlesco, onde as bruxas sofrem preconceito. A sua inquietação é tanta que seduz também o marido de sua amiga, uma mulher focada no trabalho e independente, o homem se torna tão obcecado por Elaine que acaba com a própria vida, apenas com Griff (Gian Keys), que está investigando o caso de Wayne é que ela parece sossegar, ele de início se encanta e cai no feitiço, mas aos poucos sai do transe e começa a desconfiar da bela Elaine.
O filme tem uma proposta interessante e a atuação de Samantha Robinson está bem marcada e estilizada, o melodrama faz parte do estilo, é sensual e eleva o feminino. 

"The Love Witch" é uma viagem ao final dos anos 60, se não fosse os apetrechos tecnológicos passaria facilmente como um filme antigo, a crítica embutida é outro ponto de destaque, Elaine é uma figura frágil e doce que se diz viciada no amor, mas ela usa esse artifício como um meio para na verdade controlar os homens, que são manipulados facilmente e cuja fraqueza reside exatamente no amor, onde voltam a ser crianças mimadas. O interessante é a mescla de fragilidade e força que a personagem carrega, o que nos faz refletir e muito sobre feminilidade, gênero e etc.
É delicioso, nostálgico, lindo esteticamente, crítico e carrega um humor satírico. A trilha sonora também tem dedo da diretora e é ótima, por exemplo, a canção "Love is a Magickal Thing", que carrega a atmosfera de um conto de fadas renascentista.

Um comentário:

  1. Pelo seu texto, o filme tem toda a cara dos filmes de terror dos anos sessenta produzidos pela Hammer.

    É um proposta ousada da diretora, que eu não conhecia por sinal.

    Abraço

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