sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Nise: O Coração da Loucura
"Há dez mil modos de pertencer à vida, e de lutar por sua época."
"Nise: O Coração da Loucura" (2015) dirigido por Roberto Berliner (A Pessoa é para o que Nasce - 2005) é um grande filme nacional que retrata a luta da Dra. Nise da Silveira, a psiquiatra que ousou tratar de pacientes de um hospício da década de 1940 usando a criatividade, o carinho e a arte como instrumentos de trabalho.
A história do longa inicia-se em 1944, quando Nise (Glória Pires) retorna ao trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Dom Pedro II, em Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. Ela tinha sido presa durante o Estado Novo – a ditadura de Getúlio Vargas – ao ser denunciada por uma enfermeira por ter livros marxistas. Ao chegar Nise se espanta com o ambiente em que vive os pacientes, um local abarrotado de sujeira, sem dignidade alguma, e, principalmente, pelos maus-tratos e tratamentos utilizados, como a lobotomia e terapia de choque elétrico, horrorizada com a maneira com que tudo é conduzido diz ao diretor do Centro, Dr. João (Zécarlos Machado), o que pensa sobre isso e que jamais conseguiria fazer tal coisa, no que acabou sendo designada para o Setor de Terapia Ocupacional, um espaço abandonado. Nise tem garra e arregaça as mangas, limpa todo o ambiente com a ajuda apenas da enfermeira Ivone (Roberta Rodrigues), já que o outro enfermeiro, Lima (Augusto Madeira), pouco se importa com o que vai ser feito, aliás ele é um personagem interessante que ao desenrolar muda completamente sua atitude, de um sujeito bruto e sem amor ao que faz, graças a Nise, ele entendeu que com carinho dá-se um jeito, os avanços dos pacientes com a pintura foram enormes, a sociabilidade foi uma das grandes mudanças.
A história do longa inicia-se em 1944, quando Nise (Glória Pires) retorna ao trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Dom Pedro II, em Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. Ela tinha sido presa durante o Estado Novo – a ditadura de Getúlio Vargas – ao ser denunciada por uma enfermeira por ter livros marxistas. Ao chegar Nise se espanta com o ambiente em que vive os pacientes, um local abarrotado de sujeira, sem dignidade alguma, e, principalmente, pelos maus-tratos e tratamentos utilizados, como a lobotomia e terapia de choque elétrico, horrorizada com a maneira com que tudo é conduzido diz ao diretor do Centro, Dr. João (Zécarlos Machado), o que pensa sobre isso e que jamais conseguiria fazer tal coisa, no que acabou sendo designada para o Setor de Terapia Ocupacional, um espaço abandonado. Nise tem garra e arregaça as mangas, limpa todo o ambiente com a ajuda apenas da enfermeira Ivone (Roberta Rodrigues), já que o outro enfermeiro, Lima (Augusto Madeira), pouco se importa com o que vai ser feito, aliás ele é um personagem interessante que ao desenrolar muda completamente sua atitude, de um sujeito bruto e sem amor ao que faz, graças a Nise, ele entendeu que com carinho dá-se um jeito, os avanços dos pacientes com a pintura foram enormes, a sociabilidade foi uma das grandes mudanças.
O filme tem um valor imensurável por retratar Nise da Silveira, essa figura feminina tão forte e que poucos conhecem. Glória Pires encorpora Nise de forma primorosa, sua expressão sempre dura, mas com gestos ternos, uma atuação louvável e engrandecedora. Os atores que interpretam os clientes, assim como a Dra. prefere chamá-los, sem exceção são espetaculares, Claudio Jaborandy na pele de Emygdio de Barros, que aos poucos toma consciência de si através da pintura, Fernando Diniz (Fabrício Boliveira), que tem uma carência afetiva enorme também dá vazão a suas angústias pela pintura, Raphael (Bernardo Marinho), um garoto encolhido que se apega na estagiária Marta (Georgiana Góes) e traduz seus desejos fazendo desenhos. Lucio (Roney Villela), um cara violento e que sofre nas mãos dos médicos, libera toda a sua raiva modelando esculturas, Carlos Pertius (Julio Adrião), um falador, cuja sensibilidade é enorme, faz pinturas belíssimas. Otávio Ignácio (Flavio Bauraqui), se mostra sociável e livre depois de começar a frequentar a terapia, e Adelina Gomes (Simone Mazzer), solitária e violenta, se mostra uma mulher adorável e cheia de amor pra dar.
Nessa empreitada Almir (Felipe Rocha) tem significativa função, ele auxilia nas aulas de arte e compõe o cenário que Nise tanto preza, que é dotado de respeito pelos clientes. Escutá-los, entender o que aconteceu para que eles viessem parar ali, cada um tinha uma história e era preciso administrá-las de modos diferentes. A atenção era a chave para a melhoria, Nise se tornou uma mulher admirável, trocou cartas até com Carl Jung, levou as artes criadas em suas sessões de terapia ocupacional para museus e revolucionou o tratamento dos esquizofrênicos, num tempo em que os avanços nessa área era o choque elétrico e a lobotomia.
Nise batalhou e se impôs em um meio machista, se dispôs a dar dignidade, e com toda dedicação e atenção aos doentes mentais, considerados a escumalha da sociedade, sendo desprezados, jogados à mercê de experiências médicas, os inspirou trabalhando com as artes e a sociabilização, incluindo os animais, que dava a sensação de responsabilidade e um elo afetivo estável.
O roteiro muito bem estruturado nos transporta para o ambiente e a cada cena mergulhamos na luta de Nise, o sorriso dela ao ver o caos se amainando, a apreciação ao ver seus clientes se expressando lhe dá ainda mais impulso. O filme tem o poder de nos fazer refletir sobre a loucura e o quão necessário é pensar no como lidamos com pessoas que sofrem de algum tipo de doença mental, e claro, conhecer um importante recorte da vida dessa mulher extraordinária.
"Nise: O Coração da Loucura" é um filme intenso e emocionante que não cai em esteriótipos, todos os atores fizeram um trabalho crível. É uma produção de qualidade e extremamente fundamental.
"Nise: O Coração da Loucura" é um filme intenso e emocionante que não cai em esteriótipos, todos os atores fizeram um trabalho crível. É uma produção de qualidade e extremamente fundamental.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Nenette, a Meia-Irmã (Demi-Soeur)
"Nenette, a Meia-Irmã" (2013) dirigido e protagonizado pela excepcional Josiane Balasko (O Porco Espinho - 2009) é um filme divertido, leve, delicado e encantador. Nenette (Josiane Balasko) é uma senhora que tem a idade mental de uma criança de oito anos. Após a morte de sua mãe, ela parte em uma busca do seu pai, mas acaba conhecendo seu meio-irmão Paul (Michel Blanc), um farmacêutico ranzinza. O roteiro é simples e brinca com situações surreais, mas o desenvolvimento é tão gracioso que fica impossível não se deixar levar pela pureza de Nenette.
Após perder a mãe, Nenette é levada para uma casa de repouso, mas como não aceitam a sua tartaruga de estimação, Totoche, sai em busca de seu pai, porém termina encontrando seu meio-irmão Paul, um homem ríspido que encontrou conforto em sua própria solidão, dono de uma farmácia, leva seus dias numa rotina que consiste sempre em fazer as mesmas coisas, Nenette chega para colocar tudo de pernas pro ar, inclusive sua personalidade, a senhorinha é cheia de amores pra dar, vive dando beijinhos e abraços, tem uma aura de inocência e mais parece uma criança. Paul não a quer em sua casa, ela o incomoda profundamente, ele é um chato que se esqueceu do amor, a atuação de Michel Blanc junto de Josiane Balasko é de uma perfeita sintonia, dois exímios atores, quando a personalidade de Paul é alterada por conta das drogas que por acaso Nenette coloca em seu café pensando ser açúcar, acompanhamos inúmeros momentos engraçados, ele começa a tratar bem as pessoas, inclusive seu filho e sua neta que não via muito, mostra a casa do pai para Nenette, onde encontra sua ex-mulher que toma um susto e logo pensa em perder a mordomia, faz as pazes com o piano, sua antiga paixão, se desfaz de sua coleção de crustáceos, enfim, é um aglomerado de situações que Paul vivencia, uma alegria o toma e o faz adorar Nenette, que quando volta a seu normal percebe o como afastou as pessoas de si pelo seu jeito rabugento.
O filme traz um amontoado de acontecimentos inverossímeis, mas os desenvolve com delicadeza e simplicidade, demonstra que nada como um pouco de amor para a vida se tornar mais gostosa.
Após perder a mãe, Nenette é levada para uma casa de repouso, mas como não aceitam a sua tartaruga de estimação, Totoche, sai em busca de seu pai, porém termina encontrando seu meio-irmão Paul, um homem ríspido que encontrou conforto em sua própria solidão, dono de uma farmácia, leva seus dias numa rotina que consiste sempre em fazer as mesmas coisas, Nenette chega para colocar tudo de pernas pro ar, inclusive sua personalidade, a senhorinha é cheia de amores pra dar, vive dando beijinhos e abraços, tem uma aura de inocência e mais parece uma criança. Paul não a quer em sua casa, ela o incomoda profundamente, ele é um chato que se esqueceu do amor, a atuação de Michel Blanc junto de Josiane Balasko é de uma perfeita sintonia, dois exímios atores, quando a personalidade de Paul é alterada por conta das drogas que por acaso Nenette coloca em seu café pensando ser açúcar, acompanhamos inúmeros momentos engraçados, ele começa a tratar bem as pessoas, inclusive seu filho e sua neta que não via muito, mostra a casa do pai para Nenette, onde encontra sua ex-mulher que toma um susto e logo pensa em perder a mordomia, faz as pazes com o piano, sua antiga paixão, se desfaz de sua coleção de crustáceos, enfim, é um aglomerado de situações que Paul vivencia, uma alegria o toma e o faz adorar Nenette, que quando volta a seu normal percebe o como afastou as pessoas de si pelo seu jeito rabugento.
O filme traz um amontoado de acontecimentos inverossímeis, mas os desenvolve com delicadeza e simplicidade, demonstra que nada como um pouco de amor para a vida se tornar mais gostosa.
Nenette é daquelas personagens para guardar com carinho na memória, ela nos tira sorrisos e passa uma sensação de bem-estar, nos faz lembrar de que quando se há afeto tudo toma outra forma, eliminando-se sentimentos pequenos a vida fica mais bela, e consequentemente, os outros mais alegres também.
É um filme que disserta sobre o amor, a solidariedade e a humanidade, que infelizmente está em falta no cotidiano, seja entre familiares, amigos e desconhecidos, na maior parte as brigas são em função de dinheiro e o cansaço também é outro fator, a paciência é artigo de luxo e a intolerância é expressada sem piedade, julgamentos, preconceitos, deixam nossa vida com gosto amargo, e no fim acabamos sozinhos e insatisfeitos.
Tudo é exposto com delicadeza, e por mais que pareça clichê, o cinema francês tem um charme todo especial em retratar o tema com inteligência e humor.
"Nenette, a Meia-Irmã" é uma joia rara que merece ser descoberta, é um filme satisfatório que só não agradará pessoas pequenas de alma.
Está disponível na Netflix!
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Sanctuary (Faro)
"Faro" (2013) dirigido por Fredrik Edfeldt (Flickan - 2009) é um filme sueco que retrata a monotonia junto de sentimentos de culpa, a angústia de um pai por tentar salvar a si e a filha e ter momentos de paz, a floresta é a morada escolhida, mas as circunstâncias, os tormentos rondam o protagonista, por causa do ato cometido no passado sua vida seguirá outros rumos. O filme tem um ritmo calmo e um ar contemplativo, tendo alguns episódios de desespero, a história segue o relacionamento de pai e filha, a fuga dos dois e a vivência deles no meio da floresta, enquanto isso os policiais o procuram, acusado de assassinato, ele jura para a filha que foi em legítima defesa, a menina com medo de ficar só ou ser levada pelo serviço social acaba incentivando o pai a fugir com ela.
O pai (Jakob Cedergren) e a filha Hella (Clara Christiansson) vivem numa casinha longe de tudo e aparentemente levam uma vida idílica. O início do filme dá essa sensação, porém essa ideia é quebrada quando Hella avista um carro vindo em direção a casa e ao avisar o pai, ele se esconde e ela atende a porta dizendo que ele voltará em breve. Logo surge a decisão de fugirem e então se embrenham no meio da floresta e montam uma barraca, com o passar dos dias a relação deles vai se estreitando e a convivência marca muito bem a personalidade de cada um, Hella é inteligente, questionadora, mas aceita tudo com passividade, o pai é quieto e distante ao mesmo tempo amoroso e preocupado com a filha.
Em alguns pontos do filme dá a entender que a mãe de Hella se suicidou, há uma carência e inocência em Hella, e nesses dias de verão ao lado do pai, o amadurecimento vai surgindo, selvagemente. Nada especial acontece, mas o desenvolvimento é tão lindamente retratado que cativa, a força que a menina precisa para enfrentar seu futuro vem aos poucos, dia após dia, é imensamente importante as experiências que ela experimenta na floresta. Quando fica sozinha por uma noite porque o pai vai em busca de comida, ela encontra uma casa e deixa-se levar por uma mulher louca que por pouco não a aprisiona, vemos o quão frágil é Hella, mas por outro lado não titubeia em tomar decisões.
A natureza é o terceiro personagem desta história que apesar de conter alguns instantes tensos, prima pela suavidade e contemplação. É um filme que exige paciência do espectador, pois as respostas vem com o tempo e ao acaso. O título do longa é por conta da reminiscência afetiva da viagem feita pelo pai de Hella na cidade portuguesa de Faro. Seu sonho era construir uma casa à beira-mar e viver com a família no mais completo sossego. A narrativa segue sem pressa, envolve e é muito eficaz ao passar a mensagem, a estética do filme é muito bonita, são tomadas belíssimas retratando a natureza e o passar dos dias de pai e filha, os closes são outro ponto forte e garantem a dramaticidade.
"Faro" é um filme convincente e melancólico ao retratar o amadurecimento de Hella, o vínculo entre os personagens e o otimismo do pai ao tentar escapar e dar a filha momentos de paz. É emocionante sem usar grandes artifícios, é na sua tranquilidade e naturalidade que o filme nos fisga.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Violette
"Meu lugar é dentro de mim mesma. O resto é vaidade."
"Violette" (2013) dirigido por Martin Provost (Séraphine - 2008) se concentra na vida da escritora Violette Leduc, que com incentivo externou suas dores e angústias através da escrita. Uma importante figura da literatura, porém desconhecida, sua obra revela temas tabus para sua época e assim como Simone de Beauvoir contribuiu para o avanço do feminismo.
No início dos anos XX, a escritora Violette Leduc (Emmanuelle Devos) encontra a filósofa Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain). Nasce entre as duas uma intensa amizade que dura toda a vida, ao mesmo tempo que Simone encoraja Violette a escrever mais, expondo as suas dúvidas e medos, abordando todos os detalhes da intimidade feminina.
No início dos anos XX, a escritora Violette Leduc (Emmanuelle Devos) encontra a filósofa Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain). Nasce entre as duas uma intensa amizade que dura toda a vida, ao mesmo tempo que Simone encoraja Violette a escrever mais, expondo as suas dúvidas e medos, abordando todos os detalhes da intimidade feminina.
Violette, filha ilegítima de uma empregada, passou sua juventude em um internato e lá teve suas primeiras experiências sexuais, quando mais velha se casou com o escritor homossexual Maurice Sachs (Olivier Py), um casamento fictício para fugir da Segunda Guerra, Sachs incentivava Violette a colocar no papel o que a afligia, e então num pequeno caderno começou a escrever as primeiras frases do que viria ser o seu primeiro romance chamado "A Asfixia". Sachs mais tarde abandona Violette e volta à Alemanha, onde acaba sendo morto. Sozinha e desamparada, Violette vai tentar se virar em Paris, ela sobrevivia do mercado negro, mas quando a guerra termina os negócios caem por terra, então ao acaso se depara com um livro de Simone de Beauvoir, após lê-lo inebriada procura se encontrar com a autora e deixar seus manuscritos para que ela analise. A escrita de Violette a empolga, afinal ela falava sobre o que ninguém ousava falar na época. A relação entre as duas se estreita, Simone a incentiva muito, dá suas opiniões, mas se mantém distante quando Violette se apaixona, e é por meio das palavras que Violette expõe as suas angústias e desejos, a personagem sente-se inferiorizada, rejeitada, feia, inadequada, todos esses sentimentos são passados perfeitamente pela maravilhosa interpretação de Emmanuelle Devos.
A escrita de Violette era carregada de erotismo, o que desagradava bastante o conservadorismo machista da época, o primeiro livro é lançado pela Gallimard na Coleção Espoir, recém-criada por Albert Camus, mas com tiragem pequena, Violette chegou a relatar em "A Faminta", a sua paixão avassaladora por Simone, seu quarto era permeado de fotos da escritora, uma admiração masoquista. Enquanto Simone ficava cada vez mais reconhecida, Violette se encolhia, inclusive os cortes em "Destroços", quase desencorajou a continuar, mas sempre influenciada por Simone buscava nas palavras a sua salvação. Violette ousou escrever sobre experiências sexuais, o aborto e seu impacto sobre as mulheres, o incesto e a bissexualidade. Sua linguagem direta escandalizou a sociedade puritana. Mas foi acolhida pelos intelectuais, um círculo de grandes nomes da literatura, como Jean Cocteau, Jean Genet, e também o perfumista e entusiasta das artes Jacques Guérin. Violette alcança seu público com o livro "A Bastarda" com prefácio de Simone de Beauvoir.
"O meu caso não é único, tenho medo de morrer mas lamento estar no mundo. Nunca trabalhei, nunca estudei. Só chorei e gritei. Lágrimas e gritos, levaram muito de meu tempo. Partirei da mesma forma que cheguei. Intacta. Carregada com meus defeitos que me torturaram. Eu queria ter nascido estátua, sou uma lesma no meu estrume. As virtudes, as qualidades, a coragem, a meditação, a cultura, de braços cruzados briguei com essas palavras.”
Um dos traços mais marcantes de Violette é a sua dependência emocional, a sua ânsia de ser correspondida amorosamente por aqueles que a rodeiam, Simone faz o contraponto sendo segura e distante, apesar de proteger e incentivar Violette. Os traumas vividos na infância e juventude surgem como fantasmas na sua vida, mas ela transporta tudo para o papel e com a ajuda de Simone pôde explorar seus sentimentos, escrever tudo o que era proibido dizer, os desejos, a quebra de padrões e a autodescoberta feminina, sem dúvida Violette foi peça fundamental para o começo da libertação feminina. O nome dela é pouco conhecido e suas obras são difíceis de encontrar, os poucos livros que foram traduzidos para o português, como "A Bastarda", seu maior sucesso, está fora de catálogo, sendo com sorte achado apenas em sebos.
Além de refletir sobre o feminismo, é um grande estudo de personagem, o diferencial de "Violette" é que ele não é um filme biográfico comum, é cru, poético, desesperador, apaixonante, um turbilhão. A interessante narrativa do filme nos faz refletir em diversas questões, uma delas é acerca da literatura e a sua função transformadora, tanto para quem escreve, como para quem lê. Afinal, o que define um bom escritor? Como acontece o processo de escrita, e de onde vem as inspirações? Também coloca o desejo de reconhecimento, além de nos fazer pensar sobre o mercado que existe em torno, na escassa distribuição de livros com potencial, por exemplo, a escrita de Violette era considerada inapropriada por inúmeros motivos, por ser escandalosa, uma escrita sobre fatos densos, emoções confusas, fortes paixões, e portanto, chocante. Ela foi colocada de lado, mas como vivia num período de grande efervescência literária foi enaltecida por seus contemporâneos intelectuais. A literatura sempre foi e sempre será um meio para expandir ideias, uma forma de criticar, denunciar e se expressar sobre a sociedade e tudo o que nos aflige. Viva os escritores que como Violette Leduc compreendeu que a literatura a salvaria!
Trecho do prefácio de Simone de Beauvoir para o livro "A Bastarda", de Violette Leduc.
"Dizem que não existe mais autor desconhecido. Qualquer um ou quase isso consegue editar. Pudera, a mediocridade pulula. A boa semente é abafada pelo joio. O êxito depende, na maior parte do tempo, de um golpe de sorte. Entretanto, a própria má sorte tem as suas razões. Violette Leduc não quer agradar. Não agrada e até assusta. Os títulos de seus livros — L’ Asphyxie (A Asfixia), L’Affamée, (A Faminta), Ravages (Destroços) — não são divertidos. Ao folheá-los, entrevemos um mundo pleno de ruído e raiva, onde o amor muitas vezes traz o nome de ódio, onde a paixão de viver se expande em gritos de desespero. Um mundo devastado pela solidão e que de longe parece árido. Não o é, porém. 'Sou um deserto que monologa', me escreveu um dia Violette Leduc. Nos desertos encontrei belezas incontáveis. Quem quer que nos fale do fundo de sua solidão fala de nós. O homem mais mundano ou o mais militante tem seus recônditos onde ninguém se aventura, nem mesmo ele, mas que lá estão: a noite da infância, os fracassos, as renúncias, a brusca emoção de uma nuvem no céu. Surpreender uma paisagem, um ser, tais como existem em nossa ausência: sonho impossível que todos nós acariciamos. Se lemos A Bastarda, o sonho se realiza, ou quase. Uma mulher desce ao mais secreto de si mesma e se revela com uma sinceridade intrépida, como se não houvesse ninguém para escutá-la."
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
O Pequeno Italiano (Italyanets)
"O Pequeno Italiano" dirigido por Andrey Kravchuk (Viking - 2016) é um conto emocionante sobre crianças abandonadas que habitam um orfanato na Rússia, e que por falta de recursos vendem elas a casais estrangeiros. É um retrato realista sobre a situação econômica e social do país pós-comunismo.
Vanya Solntsev (Kolya Spiridonov) é um garoto de 6 anos, que vive em um orfanato na Rússia. Como em breve será adotado por um casal de italianos ele ganhou o apelido de "pequeno italiano" entre os colegas de orfanato. Um dia Vanya vê uma jovem mulher chegar ao orfanato, buscando reaver o filho. Ele passa a sonhar que sua mãe também pode tentar buscá-lo algum dia e, desta forma, decide procurar por ela.
Vanya Solntsev (Kolya Spiridonov) é um garoto de 6 anos, que vive em um orfanato na Rússia. Como em breve será adotado por um casal de italianos ele ganhou o apelido de "pequeno italiano" entre os colegas de orfanato. Um dia Vanya vê uma jovem mulher chegar ao orfanato, buscando reaver o filho. Ele passa a sonhar que sua mãe também pode tentar buscá-lo algum dia e, desta forma, decide procurar por ela.
O filme esbarra no melodrama ao tratar do tema, mas é impossível não se emocionar, principalmente por saber que as crianças que atuam são órfãs de verdade. É uma história que comove por saber que essa realidade está longe de acabar. Vanya decididamente tem a chance de recomeçar a sua vida ao ser escolhido pelo casal de italianos, todos sentem inveja dele, mas depois que a mãe de seu amigo reaparece para ter seu filho de volta, começa a articular meios para saber quem é sua mãe e o que de fato aconteceu para que ele fosse parar no orfanato. Ele não quer que sua mãe caso apareça tenha o mesmo destino da mãe de seu amigo. Obstinadamente aprende a ler com a ajuda de uma menina mais velha, que se prostitui para dar dinheiro aos meninos mais velhos, daí então Vanya descobre sua origem e parte em busca de algo que não sabe se vai encontrar. Essa jornada não será nada fácil, pois os coordenadores do orfanato perseguem ele, dado que o negócio com os italianos corre risco de não acontecer, a adoção feita por estrangeiros é uma transação lucrativa para os coordenadores do orfanato, portanto farão de tudo para encontrar Vanya e garantir o dinheiro.
A trajetória de Vanya é difícil e dolorosa, um menino sozinho se aventurando nas ruas de um local desconhecido, ao longo desse caminho encontra vários tipos de pessoas, aquelas que se preocupam, dão auxílio, outras que desprezam e acham que é um vândalo, e até outras crianças de rua que roubam o pouco que tem. Vanya é uma criança inocente, mas esperto e tem noção do perigo. A atuação de Kolya Spiridonov é linda e é impossível não sentir empatia pelo personagem, seu desejo de encontrar a mãe por vezes nos dá a sensação de que é uma opção errada, se ele perder a oportunidade da adoção sua vida será errante, como a dos meninos mais velhos que habitam o orfanato, mas no decorrer embarcamos junto a seu sonho, e nada mais belo do que seu sorriso ao final do longa.
A trajetória de Vanya é difícil e dolorosa, um menino sozinho se aventurando nas ruas de um local desconhecido, ao longo desse caminho encontra vários tipos de pessoas, aquelas que se preocupam, dão auxílio, outras que desprezam e acham que é um vândalo, e até outras crianças de rua que roubam o pouco que tem. Vanya é uma criança inocente, mas esperto e tem noção do perigo. A atuação de Kolya Spiridonov é linda e é impossível não sentir empatia pelo personagem, seu desejo de encontrar a mãe por vezes nos dá a sensação de que é uma opção errada, se ele perder a oportunidade da adoção sua vida será errante, como a dos meninos mais velhos que habitam o orfanato, mas no decorrer embarcamos junto a seu sonho, e nada mais belo do que seu sorriso ao final do longa.
"O Pequeno Italiano" é singelo, realista e mesmo tendo aspecto sombrio tem um tom esperançoso, a expressividade e dramaticidade das crianças impressiona, a sensibilidade e a segurança ao retratar a história faz toda a diferença para fugir de clichês que envolvem o tema. Algumas cenas ficam marcadas, principalmente quando pergunta sobre a rua Frunze, seu jeitinho de caminhar, seu rosto tão expressivo, é de uma delicadeza encantadora.
"O Pequeno Italiano" tem aura melancólica, o ambiente frio e cinzento ajuda nessa sensação, mas a confiança de Vanya gera esperança.
"O Pequeno Italiano" tem aura melancólica, o ambiente frio e cinzento ajuda nessa sensação, mas a confiança de Vanya gera esperança.
Vanya é pequeno só no tamanho, sua personalidade é de uma grandeza gigantesca, sua coragem em não ceder ao mais fácil, a difícil jornada por seu sonho necessita de muita força, a inocência se mescla com uma maturidade precoce, as condições de sua vida não o faz desistir, ele é um herói.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Fatima
"Fatima" (2015) dirigido por Philippe Faucon (A Desintegração - 2011) expõe um delicado retrato de uma mãe que tenta se adaptar a uma cultura diferente e ultrapassar as barreiras do idioma, além de se desdobrar em serviços de doméstica para garantir o sustento e um futuro digno para suas filhas.
Fatima vive com as duas filhas, Souad, uma adolescente rebelde, e Nesrine, que está prestes a começar a estudar na escola de medicina. Fatima não fala bem o francês, o que a frustra em sua relação cotidiana com as filhas. Ao mesmo tempo, elas são a sua motivação e orgulho, mas também fonte de preocupação. Para garantir às meninas o melhor futuro possível, Fatima trabalha de modo irregular como doméstica. Um dia, ela se acidenta. Enquanto está fora do trabalho, ela começa a escrever textos em árabe para as filhas, dizendo-as tudo o que ela nunca foi capaz de expressar em francês.
Inspirado pelos escritos da poeta argelina Fatima Elayoubi, que chegou a França sem saber ler e nem escrever e que obteve uma dura adaptação. No filme Fatima é interpretada por Soria Zeroual, uma mulher que luta para se adaptar ao país e aos costumes, a relação com as filhas se torna difícil por ela não conseguir se expressar em francês, as meninas nasceram lá, portanto, há um choque imenso na convivência, porém Fátima quer que as filhas estudem para terem um futuro, diferente dela que precisa se submeter a empregos que sugam a sua saúde. A filha mais nova, Souad (Kenza Noah) é rebelde e não gosta de estudar, é sempre ríspida com Fatima e não percebe o esforço que faz para mantê-las. Nesrine (Zita Hanrot) está entrando para a faculdade e pretende ser médica, Fatima para vê-la conseguir realizar isso trabalha pesado, são muitos os custos e o pai das meninas parece não ajudar em nada, o vemos esporadicamente visitando-as, ele tem uma nova família e apesar do carinho que demonstra é distante. Fatima acaba por se tornar ausente das meninas devido a carga horária de trabalho, e principalmente Souad se sente sozinha, a comunicação entre elas é precária, quando Fatima vai à escola para saber do desempenho da filha não consegue compreender, isso só gera ainda mais revolta na filha, que num diálogo despeja palavras grosseiras à mãe. Fatima entende muito bem o que acontece ao seu redor, mas por conta da língua se torna passiva.
Nesrine sabe que precisa estudar bastante para passar na faculdade, a pressão e a ansiedade a tomam por completo, ela nega todas as diversões da juventude para se concentrar. Vemos alguns momentos bonitos entre ela e sua mãe, Nesrine ao contrário de Souad tem afeto e sabe do empenho e zelo de Fatima, que abdica de sua própria vida em prol das filhas.
Nesrine sabe que precisa estudar bastante para passar na faculdade, a pressão e a ansiedade a tomam por completo, ela nega todas as diversões da juventude para se concentrar. Vemos alguns momentos bonitos entre ela e sua mãe, Nesrine ao contrário de Souad tem afeto e sabe do empenho e zelo de Fatima, que abdica de sua própria vida em prol das filhas.
Em determinado momento Fatima sofre uma queda e fica impossibilitada de trabalhar, nesse período em que frequenta uma médica que fala árabe e que entende não só a sua dor física, mas também a emocional, revela detalhes importantes sobre como se sente por não conseguir se comunicar com as filhas, a figura da Fatima passiva e insegura se desfaz ao falar em sua língua materna, ela lê um pedaço de uma carta para a doutora e vemos como essa incomunicabilidade impossibilita de ser ela mesma, e de ter a sua dignidade.
Devido a incapacidade de falar o que sente com propriedade, Fatima escreve em seus diários, a integração com a cultura é difícil, o trabalho como doméstica é depreciado e quase sempre tem que conviver com preconceitos, como quando encontra dinheiro no bolso de uma calça e devolve à patroa, Fatima depois diz que ela sabia que a mulher queria testá-la.
"Fatima" é apenas um recorte de tantas outras vidas que imigram para França e que dia após dia buscam um lugar para si e sonham com condições de igualdade.
Verdadeiro, simples, emocionante, é um filme que causa empatia, Fatima é um exemplo de força e coragem, geralmente as Fatimas são invisíveis na sociedade, mas como ela própria diz, tenha orgulho das Fatimas.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
18 Filmes sobre Velhice
A velhice já foi abordada sob diversos aspectos no cinema, com delicadeza, humor, crueza e realidade. O fato é que temos que encará-la, pois faz parte do ciclo da vida, é uma realidade que todos enfrentaremos, caso não morrermos antes. Confira a lista que trata deste assunto ainda pouco discutido e que exemplifica o processo do envelhecimento com todas as suas dificuldades, perdas, mas também aprendizados e alegrias.
"Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos aos, estes ainda reservam prazeres." (Seneca)
E Se Vivêssemos Todos Juntos? (Et Si On Vivait Tous Ensemble? - 2011)
Annie (Geraldine Chaplin), Jean (Guy Bedos), Claude (Claude Rich), Albert (Pierre Richard) e Jeanne (Jane Fonda) são melhores amigos há mais de quatro décadas. Enquanto os dois primeiros e os dois últimos são casados, o do meio é um tremendo solteirão convicto, que não se cansa de aproveitar a vida. Quando a saúde deles começa a piorar e o asilo se apresenta como solução para um deles, surge a ideia de todos morarem juntos. Mas a novidade acaba trazendo a reboque algumas antigas experiências, que irão provocar novas consequências na vida de cada um.
Lugares Comuns (Lugares Comunes - 2002)
A vida de um professor universitário argentino muda radicalmente depois que ele é obrigado - por decreto - a se aposentar. Ao lado de sua mulher, com quem forma um casal apaixonado e dedicado, viaja para a Espanha. Na volta, procura uma nova ocupação mudando-se para uma fazenda. Saiba+
Elsa e Fred - Um Amor de Paixão (Elsa y Fred - 2005)
Uma incomum e divertida história de amor. Fred é um senhor recém viúvo e apático que vê a sua vida ser completamente transformada ao conhecer a extravagante Elsa, uma inquietante senhora com espírito jovial e aventureiro. Ela é uma mulher de 83 anos que sonha em conhecer Roma e ele é um homem de 80 anos que começa a viver a vida.
A Demora (La Demora - 2012)
María é uma mãe solteira, de meia idade e com três filhos. Ela nunca está sozinha, toma conta de todos, dorme pouco e trabalha demais. Augustín é seu pai, que está senil e sabe disso. Uma visita de María ao escritório de previdência social revela que ela é muito pobre para colocar seu pai em um asilo, porém muito rica para receber benefícios. Ela pensa numa solução cruel: abandonar seu pai em uma praça. Augustín espera então pelo demorado retorno da filha.
Vulcão (Eldfjall - 2011)
A história de amadurecimento de um homem de 67 anos de idade. Quando Hannes se aposenta de seu emprego como zelador, começa o vazio que é o resto de sua vida. Ele está afastado de sua família, quase não tem amigos e o relacionamento com sua esposa está desgastado. Por meio de eventos drásticos, Hannes percebe que ele tem que ajustar sua vida a fim de ajudar alguém que ama.
Poesia (Shi - 2010)
Mija, de 66 anos, solitária e batalhadora, amante das flores e da poesia, descobre estar sofrendo de Alzheimer. Além disso, ela descobre que o neto, de quem cuida sozinha, participou do estupro coletivo de uma garota que teria, por esta razão, cometido suicídio. Saiba+
Hanami - Cerejeiras em Flor (Kirschblüten - Hanami - 2009)
Trudi (Hanelore Elsner) vive um dilema, já que é a única pessoa a saber que seu marido Rudi (Elmar Wepper) tem uma doença em estágio terminal e precisa decidir se vai contar a ele ou não. O médico sugere que eles façam algo juntos, como realizar um velho sonho. Saiba+
Rugas (Arrugas - 2012)
Baseado nos quadrinhos homônimos de Paco Roca, "Rugas" é um longa animado em 2D para adultos. Retrata a amizade entre Emilio e Miguel, dois idosos trancafiados em um asilo. Recém chegado, Emilio, nos estágios iniciais de Alzheimer, é ajudado por Miguel e outros colegas a não ser mandado para o “andar de cima” do asilo, também conhecido pelas “causas perdidas”. Seus planos loucos dão humor e ternura ao cotidiano tedioso. Ainda que para muitos suas vidas houvessem acabado, eles acabaram de começar uma nova.
O Ancião Que Saiu Pela Janela e Desapareceu (Hundraåringen Som Klev Ut Genom Fönstret Och Försvann - 2013)
No dia de seu centésimo aniversário, um homem foge da casa de repouso. Certo de que nunca é tarde pra recomeçar, ele embarca em uma série de aventuras enquanto conta a história surreal de sua vida.
A Festa de Despedida (Mita Tova - 2014)
Idosos moradores de um asilo em Jerusalém inventam uma máquina de eutanásia para ajudar os amigos em condições críticas. A criação é um sucesso e a fama do objeto logo se espalha, atraindo inúmeros interessados em utilizá-lo. Saiba+
Nebraska (2013)
Woody Grant (Bruce Dern) é um homem idoso que acredita ter ganho US$ 1 milhão após receber pelo correio uma propaganda. Decidido a retirar o prêmio, ele resolve ir a pé até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska. Percebendo que a teimosia do pai o fará viajar de qualquer jeito, seu filho David (Will Forte) resolve levá-lo de carro. Só que no caminho Woody sofre um acidente e bate com a cabeça, precisando descansar. David decide mudar um pouco os planos, passando o fim de semana na casa de um de seus tios antes de partir para Lincoln. Só que Woody conta a todos sobre a possibilidade de se tornar um milionário, despertando a cobiça não só da família como também de parte dos habitantes da cidade. Saiba+
Ela Vai (Elle S'en Va - 2013)
Bettie (Catherine Deneuve) é uma viúva de 60 anos, que cuida de um restaurante em uma pequena cidade francesa. Amante de um rico industrial local, ela está cansada de ouvir as constantes promessas de que largará a esposa. Um dia isto finalmente acontece, mas, para surpresa de Betty, ele fica com uma mulher mais nova que está grávida. Perturbada com a novidade, ela sai de carro pela estrada e acaba vivenciando diversas situações que irão mudar radicalmente sua vida pessoal e profissional.
A Morte do Sr. Lazarescu (Moartea Domnului Lazarescu - 2005)
Sr. Lazarescu chama uma ambulância após sofrer com dores de cabeça e de estômago. Inicia-se então uma viagem através da cidade, entre um hospital e outro, em busca de tratamento médico.
Amor (Amour - 2012)
Georges e Anne, são professores de música reformados, na faixa dos seus oitenta anos gostam de frequentar espetáculos musicais. Cúmplices, a casa é o paradigma das suas vidas, organizada, recheada de cultura e bastante agradável. No entanto, tudo muda quando de um momento para o outro Anne deixa de reconhecer Georges e entra num estado de coma. Pouco tempo depois, acorda e não se lembra de nada. É o sinal da desgraça que se avizinha na vida do casal. Esta tem de ser operada de uma artéria carótida entupida, uma intervenção que não corre bem e faz com que fique com o lado direito do corpo paralisado, sendo obrigada a locomover-se numa cadeira de rodas. Saiba+
Hora de Morrer (Pora Umierac - 2007)
Aniela é uma enérgica e inflexível relíquia do passado, como a grande casa em estilo dacha rodeada por árvores altas em que vive sozinha com sua impetuosa cadela, Filadelfia. Ela observa, do outro lado da rua, um homem gordo, novo rico grosseiro, que mora em uma grande casa nova e a quem desaprova, e na esquina, uma casa caindo aos pedaços, ocupada por uma escola de música que luta para sobreviver. Todo mundo quer a casa e o terreno de Aniela. Quando o vizinho, auxiliado pelo filho interesseiro de Aniela, traça planos para obter a propriedade, Aniela encontra uma maneira de ser mais esperta que eles.
Hora de Morrer (Pora Umierac - 2007)
Aniela é uma enérgica e inflexível relíquia do passado, como a grande casa em estilo dacha rodeada por árvores altas em que vive sozinha com sua impetuosa cadela, Filadelfia. Ela observa, do outro lado da rua, um homem gordo, novo rico grosseiro, que mora em uma grande casa nova e a quem desaprova, e na esquina, uma casa caindo aos pedaços, ocupada por uma escola de música que luta para sobreviver. Todo mundo quer a casa e o terreno de Aniela. Quando o vizinho, auxiliado pelo filho interesseiro de Aniela, traça planos para obter a propriedade, Aniela encontra uma maneira de ser mais esperta que eles.
Histórias Que Só Existem Quando Lembradas (2011)
Jotuomba é uma cidade fictícia, ambientada no Vale do Paraíba, onde nos anos 30 grandes fazendas de café faliram e cidades antes ricas se tornaram quase fantasmas. Lá vive Madalena, a velha padeira, presa à memória de seu marido morto e enterrado no único cemitério da cidade, hoje trancado. Rita, uma jovem fotógrafa, chega à cidade e pouco a pouco modifica o cotidiano de Madalena.
A Juventude (La Giovinezza - 2015)
Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel), dois velhos amigos com quase 80 anos de idade cada, estão passando as férias em um luxuoso hotel. Fred é um compositor e maestro aposentado e Mick é um cineasta em atividade. Juntos, os dois passam a se recordar de suas paixões da infância e juventude. Enquanto Mick luta para finalizar o roteiro daquele que ele acha que será seu último grande filme, Fred não tem a mínima vontade de voltar à música. Entretanto, muita coisa pode mudar.
Floride (2015)
O francês Claude Lherminier (Jean Rochefort) completou 80 anos e com o avançar da idade também vem os esquecimentos. Sua filha mais velha, Carole (Sandrine Kiberlain), enfrenta dificuldades para lidar com ele e tudo piora quando o pai toma a decisão de viajar à Flórida. Saiba+
Floride (2015)
O francês Claude Lherminier (Jean Rochefort) completou 80 anos e com o avançar da idade também vem os esquecimentos. Sua filha mais velha, Carole (Sandrine Kiberlain), enfrenta dificuldades para lidar com ele e tudo piora quando o pai toma a decisão de viajar à Flórida. Saiba+
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