sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Perfume: A História de um Assassino (Perfume: The Story of a Murderer)

Poucas adaptações de livros para o cinema ficam realmente completas, mas essa é uma delas, talvez a melhor na minha opinião. É incrível como o filme conseguiu captar a história do livro, quando vi o filme era como se aquele ator (Ben Whishaw) fosse realmente o Grenouille que imaginei lendo o livro.
O inicio nos leva a uma Paris repugnante do século XVIII, é onde nosso personagem nasce, em meio ao lixo e excrementos, ele nasce com um dom, seu olfato é apuradíssimo, e o primeiro cheiro que sente é o da morte.
Ele passa a memorizar os odores, conseguia distinguir um cheiro a distância. Já adolescente vendido a um mercado como escravo, começa a trabalhar num curtume e logo é designado para trabalhar na cidade junto a seu senhorio e lá ele conhece um perfumista do qual ele fica maravilhado e onde sua estranha obsessão aponta. Esporadicamente ele ia se encontrar com o perfumista decadente, este fica atônito ao ver como Grenouille tinha habilidade em criar. Assim ele se torna aprendiz de Baldini (Dustin Hoffman) aperfeiçoando seu dom, ele deseja criar um aroma perfeito, um jamais criado, esse desejo cresce quando por acidente ele sufoca uma mulher, ele quer guardar para si aquele aroma, ele tinha essa necessidade. Muitas mulheres virgens foram mortas para saciar sua loucura, mas finalmente ele conseguiu realizar seu intento, mas seus atos foram descobertos e logo foi preso. Mas seu perfume será usado e algo muito surpreendente acontecerá...
"Perfume, a História de um Assassino" é com certeza um filme desconcertante, a escolha do ator foi incrível, pois ele passa as sensações apenas com seus gestos e olhares, um anti-herói cativante.
Com certeza não é um filme comercial, ele traz a originalidade de um serial killer nada convencional.


Só digo uma coisa: Excepcional.

Obs: Recomendo que leiam o livro de Patrick Süskind antes, pois assim poderá sentir realmente todos os detalhes do filme. É muito mais gostoso observar as cenas que a nossa imaginação produziu ao ler o Best- Seller.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tomboy

De uma maneira delicada e natural, o tema homossexualidade na infância é a história que esse filme nos conta, a garota Laurie (Zoé Héran) se muda com a família para uma nova casa, e se passa por um menino em meio as outras crianças.
Laurie se passa por Michael, e nos convence, pois ela usa cabelos curtos, roupas de menino e ainda como não passou pela fase crítica da adolescência, a farsa dá certo. Até que se envolve em uma briga para proteger sua irmãzinha menor, a mãe do garoto que apanhou vai até o apartamento reclamar com a mãe de Laurie, e esta descobre a mentira, como castigo faz com que diga para todos a verdade, incluindo Lisa, uma menina por quem Laurie se sente atraída.
Tomboy é uma palavra inglesa designada a uma menina que tem comportamentos masculinos. A mãe de Laurie não se importa que ela se vista como menino e brinque no meio deles, o que ela não quer é que ela minta, e essa é uma boa maneira de ensinar a se aceitar. Não é uma narrativa didática, ao contrário, é uma história simples que não se aprofunda tanto em emoções, apenas nos mostra uma realidade difícil de ser aceita pelos pais e a sociedade em geral, também retrata como o comportamento na infância diz muito de como seremos. De uma forma sensível e pura, o filme trata desse assunto tão falado e cheio de questionamentos de modo diferente.
Descobrir-se é uma tarefa difícil, criar sua própria identidade e dizer pro mundo: "Eu sou assim e ponto", é muito complicado.

O elenco formado por crianças se destaca pelas maravilhosas interpretações, os olhares seguidos por muitos silêncios nos dizem muito. É um filme de sutilezas, onde o assunto é tratado de uma forma natural e extremamente delicada.
Um drama francês dirigido por Céline Sciamma que nos mostra que "Despertar, às vezes é difícil."

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Vermelho Como o Céu (Rosso Come Il Cielo)

Um filme italiano de Cristiano Bortone bem humano e passional, retrata a história real de Mirco (Luca Capriotti) que fica cego após um acidente brincando com uma arma de fogo e é obrigado a frequentar uma escola especial longe de todos que convive. Na Itália dos anos 70 os portadores de deficiência visual eram separados em uma escola especialmente para eles. Aí se destaca toda imaginação que esse menino possui, mas o diretor (cego também) não acredita no potencial dos meninos, inferioriza e não dá nenhum suporte psicológico positivo, mas a história nos conta uma vida de superação, mas não daquelas apelativas, mas simples e singela que nos faz querer chorar e se sentir feliz de estar visualizando uma história tão bonita. A forma como Mirco se adapta a escuridão e toda a sua transgressão.
Mirco como grande fã de cinema e inconsolável por não poder ir mais, ele arranja um gravador velho e escondido narra histórias, conta com a ajuda do professor Don Giulio e Francesca, sua amiga inseparável, filha de uma funcionária. Contando também com um elenco de garotos realmente cegos, o que gera várias cenas memoráveis, como quando Mirco explica para seu colega como são as cores primárias, entre tantas outras.
É inspirador e emocionante!

Suas criações através desse gravador velho e toda a comoção que causa aos alunos acaba sendo expulso da escola, mas move a cidade diante dos movimentos políticos da época.
Um filme que só o cinema italiano sabe fazer. Nos faz pensar que existem várias maneiras de se enxergar e os olhos é apenas uma delas.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Cópia Fiel (Copie Conforme)

"Copie Conforme" é o primeiro filme ocidental dirigido pelo iraniano Abba Kiarostami. James Miller (William Shimmel) está lançando um livro que diz exatamente o que intitula o filme, ele escreve que uma boa cópia vale tanto quanto um original e como uma se distingue da outra, Elle (Juliette Binoche) francesa, mas que vive na Itália há anos, é dona de uma galeria.
Em um passeio a região da Toscana James lança suas ideias e as defende, enquanto Elle sente um misto de admiração e repúdio as ideias dele. Após uma conversa com uma dona de uma cantina, Elle começa a discutir um relacionamento de 15 anos com James, o que nos deixa bem desconcertados, e em várias partes perguntamos se aquilo é verdadeiro ou não.
Julliete Binoche é a grande atração do filme, seu parceiro Shimmel mostra uma atuação bem antipática e morna, o que o faz ser ofuscado. Os olhares de Juliette diretos para câmera e suas discussões passando do inglês para o francês e italiano em segundos é arrebatador.
A discussão entre eles torna o filme cansativo para o espectador e confunde muito, as ideias são vastas e complexas, apesar dos diálogos simples. Uma história inteligente, sutil e cheias de camadas.
Não é um filme cativante, mas vale a pena assisti-lo pela bela e talentosa Juliette Binoche que ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes (2010) e também pelo cenário lindo, a deslumbrante Toscana.

Nos surpreende pelos questionamentos e por colocar a contradição nos diálogos dos personagens.
"O que importa é a simplicidade da vida!"

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are)

"Existe algo de selvagem dentro de todos nós."

Baseado no livro infantil homônimo de Maurice Sendak, repleto de ilustrações, essa história nos mostra o poder da imaginação.
O filme de Spike Jonze retrata o aventureiro Max (Max Records) que após brigar com sua mãe, fica de castigo e corre para seu quarto, lá ele se perde em meio a uma floresta, onde cria um reino em que é líder. Na ilha, lá onde vivem os monstros, eles ficam todos juntos e se divertem, mostrando que quem manda é o garoto, só que isso acarreta problemas, como no mundo real. Cada monstro tem uma emoção que representa um sentimento que Max carrega consigo.
Apesar do teor fantasioso, é um filme para adultos, não subestimando a inteligência das crianças, mas quando se assiste esse filme causa uma sensação do quanto essa fase é complicada, e que é nessa época que nossa personalidade e caráter se constrói, em como o relacionamento entre as pessoas é difícil, fazer escolhas sem afetar os outros, e todo o processo de se entender em meio a tudo isso. Chega a ser nostálgico.
Nos encontramos em cada monstro, criando personalidades em cada um deles, representando uma emoção, no caso de Max, a raiva, a tristeza, e ao mesmo tempo a diversão de ser criança. Em meio a isso, tem a inveja e o egoísmo de sempre querer a atenção para si.
Todo o cenário compõe-se perfeitamente com os monstros assustadores, mas que passam a sensação de serem reais, juntando a trilha sonora que ajuda absorver os momentos essenciais da trama, mergulhamos no mundo imaginário de Max.
Uma delicada e inteligente história contada em tom sério, retrata os conflitos pessoais que uma criança passa em sua vida real e em seu refúgio imaginário.

Um filme para ser sentido, capaz de nos tornar crianças novamente, entender esse período de transição e compreender-se interiormente.
Infelizmente o filme não se tornou comercial, mesmo ajustando-se para ser, parece que o grande público não absorveu bem a ideia. É exageradamente bonito em toda sua complexidade.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ilha do Medo (Shutter Island)

Um mistério envolvendo uma paciente assassina internada em Shutter Island (um manicômio judicial), dois agentes federais ao chegar no local se deparam com uma rede de intrigas, o que impedem de voltarem sem solucionar o caso.
Adaptado do livro Paciente 67 de Dennis Lehane, Scorsese dirige com maestria esse desafio da mente humana.
Leonardo DiCaprio como o detetive Teddy Danniels nos confunde do começo ao fim, no desenrolar da história descobrimos que ele não está lá apenas para solucionar o caso de Rachel Solando (Emily Mortimer). Teddy busca a mulher que iniciou o incêndio e matou sua esposa Dolores (Michelle Williams).
Teddy tem dores na cabeça e ilusões envolvendo sua mulher e o campo de concentração onde libertou nazistas. George um paciente do hospital conta que a culpa de tudo é de Teddy e diz sobre os experimentos da ala C (a sala mais perigosa do hospital). Passa a criar atrito com os médicos, quando ele e seu parceiro Chuck (Mark Rufallo) suspeitam terem caído em uma armadilha, cuja intenção é prendê-los no hospício, já que nenhuma pista seguida por eles faz sentido.
Um filme bem tenso e de suspense psicológico, às vezes óbvio de propósito, às vezes nos enganando. O roteiro parece não querer explicar os mistérios que envolve Shutter Island, mas com um bom final tudo é resolvido perfeitamente.
Com ótimos diálogos e muitas reviravoltas, a história tem um clima noir. A transformação de Teddy que passa de uma pessoa segura de si para um lunático paranoico é muito boa, sempre em busca de algo para trazer conforto a sua consciência que custa deixar o passado, sem distinção de realidade e alucinação.

Repleto de dúvidas mesmo que algumas coisas soem previsíveis, nunca se sabe ao certo o que irá acontecer, Scorsese consegue fazer essa proeza em a "Ilha do Medo".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

As Confissões de Henry Fool (Henry Fool)

Simon Grim (James Urbaniak) é um lixeiro desprezado por todos e considerado retardado, tem uma vida sem graça, mora com a mãe depressiva e a irmã ninfomaníaca, tudo isso fez com que Simon crescesse sem ambições e perspectivas. Henry Fool (Thomas Jay Ryan) um quase alcoólatra, fumante compulsivo enxerga em Simon um possível escritor de poesias pornográficas, o incentiva e o ensina a ser menos retraído.
De inicio não é bem recebido pelo seu estilo de escrita, é rejeitado pelo editor que Henry dizia conhecer, mas ao ir até a editora Simon descobre que ele era apenas o zelador do local. Henry tem o sonho de ver seu livro publicado, ele é um homem decadente, ex-presidiário, e sempre deixa a dúvida se devemos confiar no seu caráter. Henry acaba se envolvendo com a irmã de Simon e a engravida.
O filme retrata o começo da internet e é por ela que Simon ganha notoriedade, consegue êxito financeiro e fama, chegando ganhar até o prêmio Nobel. Henry ao ver o sucesso do amigo sugere que ele use seu prestigio para ajudá-lo a publicar suas Confissões, quando Simon lê, não vê futuro naquela história, mesmo assim leva até a editora, porém não é aceita, pois é considerada de mau gosto. Simon passou enxergar seu amigo de outra maneira, mas sabe que deve tudo o que conseguiu a ele.
Henry já casado com a irmã de Simon precisa sustentar seu filho, agora ele é o lixeiro, certo dia é desperto por uma raiva ao ver seu vizinho bater na mulher e estuprar a enteada (ele também tem instintos de pedofilia), vai até a casa e mata-o, complicando-se. Com a ajuda de Simon ele some e deixa todos com uma misto de sentimentos, que nos agrada e desagrada em minutos.

Um filme longo, com ótimos diálogos, inteligente e as vezes engraçado, seus personagens são fortes, começando pelo de Urbaniak, ele convence muito o espectador com seu jeitinho esquisito, quanto a Thomas Jay Ryan na pele de Henry Fool é esplêndido, um personagem complicado, cheio de imperfeições e filosofias.
O diretor Hal Hartley é um gênio, deixa sua assinatura, sendo um filme independente de baixo orçamento teve um enorme sucesso de crítica. Há uma continuação, "Fay Grim"(2006), que conta a história de Fay, irmã de Simon, mãe solteira de um garoto de 14 anos, que enfrenta problemas domésticos e teme que seu filho seja igual ao pai.
"As Confissões de Henry Fool" é denso e pertinente, nos envolve num enredo de situações embaraçosas e desagradáveis. Rodeado de vícios e misérias não é um filme de entretenimento, e sim para pensar na condição humana de sempre sonhar.