quinta-feira, 11 de outubro de 2012

The Sunset Limited

 
Um professor ateu, White (Tommy Lee Jones), decide suicidar-se lançando-se à linha do metrô Sunset Limited, mas é impedido por um desconhecido, Black (Samuel L. Jackson), um ex-presidiário cristão, que o leva para a sua casa e tenta fazê-lo desistir de pôr um ponto final à vida. É aí que começa um diálogo entre os dois homens com posturas e crenças opostas, um esgrimir de argumentos perante um conflito ideológico. Será que desta discussão sobre religião, vida e morte nascerá alguma luz?
O roteiro é de Cormac McCarthy e dirigido por Tommy Lee Jones. O filme conserva o escrito original, concebido para o teatro. O mesmo acontece com o espaço cênico. A história toda se passa na sala do apartamento de Black. A discussão gira em torno de crenças, Black tenta desencorajar White de se matar, e energicamente pergunta a ele se já leu a bíblia, White diz que lê compulsivamente, mas não a bíblia, que aliás é um livro como qualquer outro na visão dele.
A trama consiste nos dois homens simplesmente conversando, contando um pouco de suas histórias de vida, no que acreditam, e falando sobre fé e religião. O personagem de Samuel L. Jackson não permite que o sujeito saia de sua casa, com medo de que o problemático homem tente de novo o suicídio. Na verdade isso é tudo que o atormentado personagem de Tommy Lee Jones realmente quer, e o reformado Black terá um tarefa árdua pela frente para conscientizá-lo, ao mesmo tempo em que autoafirma sua crença. Um jogo de argumentos, onde a solução é aberta e nos possibilita a reflexão.
White ouve Black, discute, mas chega um momento em que ele explode e tenta fazer seu colega entender o porquê ele deseja tanto morrer. Qual é o sentido ou propósito da vida? Para White nada mais significava, as respostas eram apenas uma: o fim. Tudo caminha para o fim. Em sua mente o sofrimento é a essência humana, a felicidade é algo ilusório que nos confunde e nos tira a percepção da realidade. Quanto mais conhecemos do mundo, menos queremos viver nele. "O mundo é basicamente um campo de trabalhos forçados em que todos os dias os trabalhadores se submetem a uma espécie de loteria para serem executados", essa é uma das frases que White diz.
São questões sobre a condição humana. Para que serve a religião? Acreditar em Deus ou em algo dito maior que possui forças dimensionais? É uma espécie de tábua de salvação. Todo ser humano precisa acreditar em alguma coisa, caso contrário, ele se torna efêmero. Black em um diálogo diz: "Me julgo um questionador, não afirmo nada, ser ateu é procurar respostas que afirmem a sua descrença, ser questionador é procurar amplamente. Ser crente ou descrente são opostos que se complementam, ambos creem em algo, em seu íntimo o ateu está tendo fé nas suas afirmações."

A vida é uma repetição, de vez em quando acontece algo com que possamos nos divertir e esquecer um pouco a rotina, mas a vida ao todo é um fluxo de nada, e para White o seu destino era o Sunset Limited, ele queria essa solução. Black de fato ficou impressionado com as palavras de White, foram palavras duras de ouvir, ainda mais para alguém que deseja salvar as pessoas.
É um filme que traz mais perguntas do que respostas, declaradamente existencialista, são duas visões, duas maneiras de ver a vida em um roteiro inteligente e atuações intensas. 

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