sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon)

Baseado em uma incrível história real, "O Escafandro e a Borboleta" é sobre o editor da revista "Elle" da França, Jean-Dominic Bauby, que sofreu um derrame cerebral e ficou quase que completamente paralisado, o que o deixou somente com o movimento do olho esquerdo. Sua mente estava raciocinando normalmente apesar do estado de seu corpo. Numa história de superação sensacional ele ainda conseguiu escrever um livro. Bauby é interpretado por Mathieu Amalric. Ele passa quase todo o filme confinado à prostração, por conta da condição extrema que tem de enfrentar em decorrência de sua doença. Se antes o editor era um homem ativo e muito charmoso, com o acidente vascular cerebral ele se torna totalmente dependente da ajuda dos outros, situação com a qual luta com bravura, mas da qual não consegue sair.
A sensação de agonia diante dos procedimentos adotados pelos médicos é inevitável. O olho direito de Bauby sendo costurado de modo que sua visão se torne ainda mais restrita. Um dos aspectos mais emocionantes do filme é, sem dúvida, a decisão de Bauby de escrever a sua autobiografia. Para tanto, ele precisa se valer de um recurso um tanto insólito. Como não tem mais nenhum movimento em todo o corpo, a não ser o do olho esquerdo, ele conta com a ajuda de sua enfermeira, Henriette (Marie Josée Croze), que apresenta para ele um mecanismo possível para que se comunique. Como se mantém lúcido, ela lhe propõe que pisque uma vez para indicar qual letra deseja que seja escrita, e duas vezes para quando não for a letra que ele quer que escreva. É dessa maneira que ele vai ditando sua autobiografia, algo que requer a máxima paciência, atividade para a qual a enfermeira se mostra bastante solícita. Sua esposa Céline (Emmanuelle Seigner), é uma das que sentem a dificuldade de estar próxima do marido depois do acontecimento fatídico, e isso se demonstra no movimento de progressivo afastamento empreendido por ela a cada nova visita que faz.
O título não poderia ser mais poético. Por não ser mais capaz de movimentar seu corpo, ele se encontra preso em uma espécie de escafandro (metaforicamente), aquele equipamento pesado que serve para a respiração subaquática, mas sua alma e seu espírito encontram-se livres para voar como uma borboleta.

Por ser baseado em fatos reais nos leva a refletir mais ainda sobre a fragilidade humana, de como somos impotentes diante a vida. Por isso, o que lhe dá sentido hoje, o que valoriza em demasia, pode ser absolutamente nulo em uma condição igual a do protagonista. Somos limitados, mas também capazes de muito quando aprendemos o que cada coisa representa, as verdadeiras. Pode parecer melodramático, mas a história é contada com tanta sutileza que nos toca de maneira espontânea.
O longa mostra o passado de Bauby e todos os seus deslizes. A câmera funciona como se fosse nossos olhos, ficamos presos juntamente com o protagonista, a sensação de agonia é inevitável ao ver que ele não consegue se expressar. A inconformidade e o pessimismo em relação a seu estado físico que o assola, pois ele perdera todo o glamour, o tipo de pessoa que era de nada adianta, agora ele encara o mundo com apenas um olho e sem nenhum movimento. Mas com o passar do tempo e graças ao auxílio de sua família, de sua enfermeira e seu método de comunicação, ele consegue dar um sentido a tudo que está vivendo e começa a usar o método para expor sua autobiografia.

Bauby percebe que mesmo estando nessa condição seu espírito ainda continua vivo, que sua memória permanece intacta, e seu poder de imaginação ainda vive. Assim suas esperanças são renovadas. Ele sai de seu escafandro ao piscar de cada letra para que a frase se construa. Num trabalhoso ritual, a sua vida continua e bate as asas como uma borboleta.

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