sábado, 19 de setembro de 2015

O Gigante Egoísta (The Selfish Giant)

"O Gigante Egoísta" (2013) dirigido pela inglesa Clio Barnard é um drama esmagador sobre a pré-adolescência de dois garotos pobres que dia após dia tentam ganhar a vida para ajudar suas famílias. É uma fábula sinistra sobre a chegada da adolescência.
Arbor (Conner Chapman), de 13 anos é marginalizado e está fora da escola. Ele e Swifty (Shaun Thomas), seu melhor amigo, conhecem Kitten (Sean Gilder), um velho catador de lixo. Usando uma charrete e um cavalo, eles saem pela cidade coletando metal para ajudar o catador. Enquanto Swifty se dá melhor com o cavalo, Arbor se interessa mais em fazer amizade com Kitten e ganhar algum dinheiro. Mas aos poucos Arbor começa a se sentir deixado de lado, o que aumenta sua ganância e faz crescer a tensão entre os três personagens.
O retrato é realista e cru, não há floreios, os dois meninos passam por diversas dificuldades, suas famílias não são exemplos do modelo britânico, eles estão à margem e tanto Arbor como Swifty vão atrás de dinheiro para pagar as dívidas de seus pais e também para as necessidades básicas. Arbor é encrenqueiro e vive se metendo em brigas na escola, principalmente para proteger seu amigo, que é mais passivo, em determinado momento xinga os professores e acaba sendo expulso, o que o faz ainda mais correr atrás de trabalho, ele deixa tudo de lado e vai ajudar Kitten, um nada amigável dono de ferro velho, percorrendo as ruas atrás de entulho que possa valer alguma coisa vai aprendendo sem querer valores, o sofrimento dá lugar à reflexões. Os sentimentos dos personagens são bem evidenciados, há muita revolta, indignação, ambição e solidariedade.
O filme é inspirado no conto homônimo de Oscar Wilde, que conta a história de um gigante dono de um belo jardim, onde crianças da vizinhança brincam entre árvores e flores, porém o gigante decide fechar o jardim para ficar sozinho. Mas, um dia ele se sensibiliza com a visita de um menino e percebe que os melhores momentos são aqueles dos quais compartilhamos com os outros. Uma história que exemplifica o valor da amizade e de sentimentos que realmente nos fazem enriquecer como seres humanos, o filme também reflete sobre essas coisas e o quão nocivo é deixar se levar pela ambição e ganância.

Swify tem uma personalidade mais mansa e sua paixão por cavalos faz com que chame a atenção do dono do ferro velho, que aposta em corridas na rua, ele tem um lindo cavalo do qual Swifty lida com muita destreza. Arbor interessado mais em lucrar vai se perdendo, acaba obcecado em conseguir cada vez mais cobre, chegando a roubar do próprio lugar. Arbor fica à mercê da sorte e aprende o significado do que realmente importa com muito sofrimento.
A trama nos suga para vida dos meninos, a tensão vai aumentado conforme a ambição de Arbor vai crescendo, a interpretação de Conner Chapman e Shaun Thomas é natural e poderosa. Nos afeiçoamos a eles e torcemos para que tudo dê certo, mas assim como a vida o filme não faz questão de colorir, tudo é aprendido com muita dor. Encantador e angustiante, a todo momento esperamos que algo ruim aconteça, é difícil lidar com a agonia que o filme promove.

É uma experiência amarga. Os pais são alheios a educação das crianças, mas ao mesmo tempo desejam que eles estudem, sofrem pela situação, mas deixam tudo nas mãos do destino, este que é implacável, os dois lidam com suas limitações cada um à sua maneira e deixam de lado aspectos importantes para aprender com suas próprias experiências.
A fotografia de cores frias e a ambientação, assim como os objetos dão a sensação de isolamento e decadência, uma desesperança latente. "O Gigante Egoísta" é um filme emocional, mas foge de melodramas, é seco, introspectivo e sincero, uma obra delicada e reflexiva. 

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