segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Pequena Inglaterra (Mikra Anglia)

"Na vida, parece que as coisas que se perde são mais valiosas do que as coisas que se encontra. As coisas que se encontra perdem-se novamente. As coisas que se perde, existem para sempre."

"Pequena Inglaterra" dirigido pelo grego Pantelis Voulgaris (Noivas - 2004) é um drama emocional que retrata os percalços do amor. 
Durante a década de 1930, na Grécia, em uma cultura profundamente patriarcalista, mulheres, em seus lares, esperavam os maridos marinheiros retornarem de suas longas viagens, com a chance de eles não voltarem. Savvas Saltaferos (Vasilis Vasilakis) é um marinheiro que tem vida dupla. Além de sua família na Grécia, ele tem laços na América do Sul. As filhas deste marinheiro já estão na idade de casar e quem fica com o encargo de dizer sim ou não para os pretendentes é a rígida mãe que sempre cuidou das meninas sozinha. É uma vida difícil para as mulheres, elas estão constantemente na espera.
Orsa (Pinelopi Tsilika) e Spyros (Andreas Konstantinou) se amam desde criança, fazem juras de amor enquanto ele vai e volta de suas viagens, o sonho dele é ser capitão para poder dar uma vida melhor a ela, que por sua vez promete o esperar. Mas, a mãe acaba rejeitando o pedido de casamento justamente por ser pobre e rapidamente a casa com um um homem rico. Moscha (Sofia Kokkali), irmã de Orsa é mais expansiva e apaixonada por um estrangeiro, só que a mãe descobre e mexe os pauzinhos para que nada aconteça entre eles. Spyros sabendo do casamento de Orsa fica com muita raiva por ela não ter cumprindo a palavra de esperá-lo, então o tempo passa e ele consegue se tornar capitão e por vingança pede a mão de Moscha, a mãe aceita, pois agora ele é rico. As coisas ficam tensas quando Orsa descobre, mas não tem o que fazer, tanto ele como ela reprimem o sentimento, passam anos guardando para não magoar ninguém e acabam sofrendo demais. As cenas em que Orsa escuta os dois fazendo amor por conta do frágil teto da casa é realmente doloroso.
É um filme muito bonito, tanto pela trama que envolve, como pela fotografia, a paisagem é lindíssima. Acompanhamos essas histórias de amor, tanto Orsa como Moscha amam Spyros, e ele sem dúvidas ama as duas também, mas de jeitos diferentes.
O interessante é que as mulheres dessa ilha na Grécia passam a maior parte do tempo sozinhas, seus maridos viajam sempre a trabalho e ficam por um longo período afastados, inclusive Savvas, o pai das meninas que chegou a constituir uma família na Argentina. Vemos os anos passarem e elas lá esperando com medo de que nunca retornem, afinal o mar é perigoso e a guerra bate à porta. 

"Pequena Inglaterra" tem um roteiro primoroso, atuações comoventes e é tecnicamente perfeito, tem aspecto novelesco, porém com um ritmo mais cadenciado, para quem gosta de dramas com muitas revelações é uma ótima indicação. Frustrações, traições e amores impossíveis compõem essa intensa trama. 

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