quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Onda (Die Welle)

"A Onda" (2008) dirigido por Dennis Gansel (Napola - 2004) retrata como uma sociedade fascista ainda poderia existir, e é através do professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel) que faz um experimento na prática com seus alunos que observamos como uma ideologia repetida diversas vezes se faz possível mesmo nos dias de hoje. Baseado em uma história verídica que aconteceu na Califórnia em 1967, onde um professor impôs a ambientação do nazismo aos seus alunos. O projeto durou uma semana, o suficiente para causar vários danos, mais tarde esse evento virou um livro escrito por Morthon Rhue, no qual o filme de Gansel se baseou.
Rainer Wenger ficou incumbido de ensinar a sua turma sobre governos autocráticos, como o fascismo e o nazismo, observando a desatenção dos alunos resolveu colocar na prática, onde a experiência consistia na escolha de um líder, cujo professor ficou com o cargo, e daí por diante os alunos só poderiam se dirigir a ele o chamando de Sr. Wenger se levantando toda vez que queriam falar, escolheram o nome "A Onda", um uniforme para manter a união e se solidificarem como grupo e criaram até uma saudação. A semana foi passando e a coisa foi ficando séria, entre debates sobre o sistema os interessados perceberam que diante da Onda estavam lutando por algo, mesmo causando mal-estar naqueles que não eram ou não se juntavam a eles, não demorou para que a violência entrasse no jogo.
O filme mostra jovens que buscam se autoafirmar em frente a seus colegas, um grupo sempre é mais forte perante a quem está só, veja o desastre que ocasionou a experiência ao aluno que tinha a mente mais fraca, que não tinha amigos ou atenção dos pais, ele pirou, ele estava integrado num grupo por uma causa, a união o fez forte e lhe deu pensamentos completamente violentos. O professor Wenger empolgado com o interesse dos alunos não percebe o quão longe chegaram nesta história toda. Até a diretora da escola o parabeniza, os pais dos alunos perceberam as melhoras e o que era para ser um experimento em sala de aula foi se desenrolando para fora também. Com o interesse de cada vez mais jovens, novos alunos aderiram a Onda, a maioria suscetíveis as ideias, mas para aluna Karo, que tem uma personalidade mais egocêntrica, que não é fraca a ponto de achar que precisa se unir para ser forte, vai contra a Onda, todos a excluem e os problemas só tendem a crescer.

Essa realidade não está tão distante, há várias formas de ditaduras, um exemplo são as torcidas organizadas de futebol que agem com violência e espancam os que julgam serem diferentes. Um pensamento difundido e repetido diversas vezes acaba se tornando uma verdade absoluta. A dissolução da individualidade dá o poder da intransigência e o poder de julgar.
O professor Wenger alertado por um de seus alunos e espantado pelas atitudes fora da escola decide por um ponto final na Onda, então promove um discurso final para todos eles. O desfecho é fenomenal e trágico.

"Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pôde ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em 'A onda'. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho."
"A Onda " é um filme até certo ponto didático, mas sem ter necessariamente esse tom, o roteiro é competente e carrega fortemente a crítica social. Indispensável!

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