segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires)

"Amores Imaginários" (2010) é o segundo longa de Xavier Dolan, cujo explora a paixão, o ciúme, a amizade e a ilusão. A frase que abre o filme: "A única verdade é o amor para além da  razão", de Alfred de Musset resume a aura do filme.
Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri) são amigos inseparáveis. Suas vidas mudam quando conhecem Nicolas (Niels Schneider), um charmoso rapaz do interior que acaba de se mudar para Montreal. Um encontro se sucede ao outro e os três logo se tornam um grupo inseparável. Mas Francis e Marie, ambos apaixonados por Nicolas, desenvolvem fantasias obsessivas em torno de seu objeto de desejo em comum. À medida que atravessam as típicas fases da paixão, embarcam numa verdadeira disputa pela atenção do rapaz, comprometendo sua antiga amizade. No decorrer do filme há depoimentos de pessoas que se machucaram ao se entregar desesperadamente a uma paixão, o que poderia soar estranho, na verdade dá certo, as histórias contadas são curiosas e bem reais. Nicolas é um rapaz fascinante para Marie e Francis, charmoso, inteligente, lindo, livre e diversas outras qualidades que olhos apaixonados enxergam. Eles então formam um trio e começam a sair juntos, Marie e Francis disputam a atenção de Nicolas, e este aproveita a adulação.
É inevitável, em algum momento criamos ilusão perante alguém que julgamos ter todas as qualidades possíveis e ainda por cima compatíveis com as nossas. É o tal amor platônico. Você vive intensamente o desejo, a paixão, nutre ela a cada gesto e palavra que a pessoa dirige a você, enquanto o outro não está nem aí. O mundo acaba girando apenas em função desta paixão, a visão é reduzida, tudo é deixado de lado, amizades, compromissos, até que um belo dia essa cegueira temporal desaparece e se dê conta do quão ridículo foi. Mas nem todo resultado é negativo, aprende-se muito, os sentimentos amadurecem, só que há um porém, depois de ter superado, o coração está livre novamente e quando a paixão vem, não tem como controlar, é o mesmo ciclo. O final do filme demonstra isso.
Os personagens apesar de aparentemente demonstrarem sobriedade e até frieza, estão ansiosos em encontrar um amor, estão na fase do tudo ou nada, o desespero emocional é latente. Cada detalhe é crucial na desconstrução deles, os olhares entre si denunciam insegurança.

É um filme sensível que mostra que a razão fica bem longe enquanto a paixão está por perto. Só depois de ter passado por ela é que vemos o quanto idiota é colocar o outro num pedestal. Na maioria das vezes nos apaixonamos por uma ilusão, a pessoa cheia de qualidades existe apenas dentro da nossa cabeça. Dá muita raiva do Nicolas, pois ele se aproveita da paixão dos amigos, ora pende mais pro lado de Marie, ora de Francis, então eles se nutrem vorazmente desse desejo. Francis e Marie chegam a brigar de rolar no chão e Nicolas só olha. A amizade estremece e Nicolas se distancia, já não interessa mais sair com eles.
Xavier Dolan é ousado e não esconde sua pretensão, as tomadas em câmera lenta já se tornaram sua marca registrada, além da trilha sonora brega/cool e figurino vintage fashion. "Amores Imaginários" é um longa que retrata a dor e o prazer de se apaixonar.

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