segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Augustine

"Augustine" é um filme que aborda os estudos feitos pelo Dr. Jean-Martin Charcot em 1885 acerca da histeria. Assunto que mais tarde também seria estudado por Freud através da psicanálise. Augustine (Soko) é uma jovem de 19 anos que sofre de convulsões que lhe acontecem sem mais nem menos e que paralisa partes de seu corpo. Depois de um ataque enquanto trabalhava em uma casa burguesa servindo a refeição, é levada a um hospital onde se internava especialmente mulheres diagnosticadas com histeria. Dr. Charcot (Vincent Lindon) vê em Augustine um objeto de estudo muito interessante e faz dela uma espécie de cobaia, e com o tempo também objeto de desejo. Acreditava-se que a histeria acometia apenas as mulheres, uma doença misteriosa que provinha por perturbações físicas, advindas do útero. Mas graças as pesquisas feitas provou-se que era uma neurose por instabilidade emocional, traumas vividos e reprimidos que ocasionava então o descontrole e manifestava-se fisicamente. A hipnose foi uma grande aliada para o estudo.
Na idade média a histeria foi confundida com possessão demoníaca e isso levou muitas mulheres à fogueira devido o desconhecimento das ciências. Já no século XIX acreditava-se que era uma lesão orgânica ou puro fingimento. E é aí que Charcot entra para um grande avanço sobre a doença. Ele descobriu que ela tinha uma origem psíquica e que sempre tinha a ver com repressão ou trauma sexual. Outros filmes já trataram deste tema tão interessante, vide "Um Método Perigoso" (2011) e "Hysteria" (2011).
No filme  Dr. Charcot vê em Augustine um objeto de estudo fantástico já que ela é propensa à hipnose, é exibida em aulas e assim o médico vai ganhando prestígio. Mas aos poucos ele se envolve com a menina que apesar de ser ainda pura, o deseja de forma intensa. Ela está desabrochando e suas convulsões vêm exatamente disto já que não entende o que lhe acontece e no meio não se permite que a mulher sinta desejos.

O filme é sóbrio, não é nada emocional, Augustine tem em si ambiguidades, ora ela é uma menina que não sabe nem o que é menstruação, ora ela exprime no olhar um desejo avassalador. Por isso o fingimento era tão vinculado à doença. Sentindo-se próxima do médico, única pessoa a lhe tratar de perto, mesmo que com seriedade, Augustine se liberta. A cena final demonstra isso, com o desejo carnal consumado, ela se sente de certa forma livre e curada.

É filme para se observar, tanto os diálogos como os silêncios são importantes. O tom de obscuridade é perfeito já que a histeria era rodeada de mistérios. A relação médico/paciente nestes casos eram comuns, pois a paciente se sentia despida de pudores e o médico entorpecido por essa liberdade se atraía também.
Mesmo que tenha uma narrativa impessoal e distante, é válido por mostrar o sofrimento que as mulheres passaram com tanta repressão sexual, e que infelizmente, ecoa até os dias de hoje. Claro, nem tudo que é retratado pode ser atribuído a fatos reais, mas é um recorte sobre as descobertas acerca da histeria e a importância que Charcot teve no ramo da neurologia.

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