sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Não Fui Eu, Eu Juro! (C'est Pas Moi, Je le Jure!)

"Não Fui Eu, Eu Juro!" é um filme canadense dirigido por Philippe Falardeau (Monsieur Lazhar - 2012). É um longa sensível e imensamente cativante, a atuação de Antoine L'Écuyer é linda, doce e ingênua, ele passa por momentos complicados e à sua maneira tenta entender todos esses percalços.
Léon é uma criança difícil e bastante impulsiva. Passa por sérios problemas familiares e uma das soluções que ele encontra é se tornar rebelde. Logo no início do filme, Léon está pendurado na árvore de seu quintal tentando se enforcar, sem nenhuma razão aparente. Ao longo, as tentativas de suicídio são recorrentes, principalmente, após a partida de Madeleine Doré (interpretada por Suzanne Clément), sua mãe, que vai para a Grécia, deixando para trás dois filhos e o marido.
O longa acerta em cheio ao explorar a personalidade de Léon, que às vezes parece ser bem maduro para sua idade, especialmente quando envolve seus pensamentos acerca da vida, mas por outras vezes é apenas um menino inocente e arteiro. Léon ama sua mãe, há muitas afinidades entre eles. Madeleine é uma mulher complicada, insatisfeita com a vida e amante das artes. É uma pessoa que carrega sonhos dentro de si e a vida comum é pouco para saciá-la. Léon aprendeu a tocar piano por causa dela, mas herdou a característica de não se conformar, ele pensa desenfreadamente. Após a partida da mãe para Grécia em busca do céu azul, Léon se torna rebelde e mente cada vez mais. A cena em que a mãe entra no táxi para ir embora é cruel, o menino tenta de todas as formas detê-la, mas em vão. Por fim, o pai o segura e ele chora histericamente.
Na vizinhança há uma menina que também foi abandonada, mas pelo pai, Léa consegue conquistar Léon através disso, e não demora para ele se apaixonar profundamente. A partir daí os dois se tornam cúmplices, dividem um esconderijo onde expõem seus sentimentos e armam um plano para irem a Grécia, mas para isso eles precisam de dinheiro e León acaba roubando. Juntos vão descobrindo a vida e o primeiro amor.

Léon apronta e mente muito para seu pai, e claro que uma hora as consequências aparecem, e o que este faz? Escapa a seu modo, tenta se matar de novo. Depois de um tempo no hospital se reabilitando sua vida vira de cabeça para baixo, seu pai o faz pedir desculpas para todos que foram seu alvo e é afastado de Léa, pois foi considerado uma má influência. Porém, na escola Léon a encontra, é muito fofa a cena em que ele foge da escola, pede para um homem comprar várias bárbies e espera por Léa no pátio. Há várias cenas maravilhosas dotadas daquela magia do primeiro amor, por exemplo, quando salva Léa de um imenso cachorro e ela lhe dá um beijo, ou quando toca piano para acalmar a menina que chora. É um retrato singelo dessa época que é uma das melhores da vida. Léon é uma criança esperta mas ingênua, essa característica é o que nos faz simplesmente amar o personagem.
O filme tem uma narrativa envolvente, inclusive já começa de modo interessante, com um pensamento forte para uma criança de apenas 10 anos, mas mesmo com esse olhar adulto a todo momento percebemos a aura infantil que permeia o longa. Léon é uma criança difícil, cheia de sonhos e que ama sua mãe. O ato de se enforcar era para chamar a atenção dela que vivia em outro mundo mergulhada nos sonhos não realizados.

Muito pertinente também a visão do seu irmão sobre as coisas, quando Léon tenta se enforcar ele berra: "Eu só queria que minha família fosse normal". Dentro de sua concepção todas as famílias da vizinhança eram felizes e perfeitas. Um olhar infantil sobre a vida. O diálogos são ótimos, há humor e inteligência neles, como quando Léon diz a Léa: "- Léa, eu resolvi começar uma vida nova. - Mas você tem 10 anos Léon. - Então, ainda não é tão tarde."
"Não Fui Eu, Eu Juro!" é delicado ao abordar um tema tão complexo, a visão de uma criança sobre seus pais, as circunstâncias que o rodeia, a separação, a solidão na infância, e o como se encaixa nisto tudo. Léon à sua maneira se rebela, mas a vida parece gostar e muito dele. É um filme apaixonante, daqueles que guardamos num lugarzinho especial da memória e que volta e meia lembramos de uma cena e outra.

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