sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Biblioteca Pascal (Bibliothèque Pascal)

"Biblioteca Pascal" (2010) é um filme feito para quem ainda tem o poder de se encantar com histórias mágicas. A produção húngara/romena é um drama, mas por vezes tem pitadas de um peculiar bom humor. Várias críticas o classificaram como surreal e poético, concordo em partes, o lado poético com certeza, mas o surreal não, o estilo do filme faz com que dê essa característica, mas o teor da história faz todo o sentido. É aquilo: você prefere acreditar em uma história cru, sem floreios, ou numa completamente mágica em que coisas impossíveis acontecem?
Mona Paparu é húngara e mora na Romênia. Ela deixa a filha pequena com um parente distante para poder acompanhar o pai numa viagem a Alemanha. Ela não o via há anos e ele diz estar muito doente. Mas chegando lá, Mona descobre que o pai está endividado com traficantes. Ele a entrega aos cuidados de dois traficantes de escravas, que a levam para a Inglaterra. Mona termina num elegante e estranho bordel, o Bibliothèque Pascal, onde as prostitutas são forçadas a agir como personagens de histórias literárias.
O início do filme não denuncia o que está por vir, simplesmente Mona conversa com o assistente social para conseguir a guarda da filha, e então a história de fato começa, ela conta como conheceu o pai de sua filha, como a criou até o momento, e o porquê a abandonou aos cuidados da tia cartomante, a partir daí as cenas são um tanto bizarras, um emaranhado de fantasia e realidade, difícil de se acostumar, mas a medida que o filme avança acaba se tornando compreensível aos olhos e ao coração.

Tudo no filme é bonito, desde a fotografia cheia de cores remetendo a origem cigana da protagonista, e a trilha sonora competente que preenche a aura fantasiosa. "Biblioteca Pascal" nada mais é que uma fábula moderna de uma mulher que busca um lugar no mundo, e que perdida junta suas únicas alternativas para aguentar a realidade.
Quando chegamos no ambiente exótico chamado Bibliothèque Pascal, visualizamos extravagâncias sexuais, mulheres trancadas em quartos decorados e fantasiadas como personagens de livros, a câmera atravessa as paredes e revela Desdêmona, Lolita e Joana d'Arc, da qual Mona se veste, ela decora o trecho do dia do julgamento da heroína francesa para interpretar quando o cliente chegar. É um mergulho no estranho e por vezes no absurdo, o lugar é sombrio e cheio de pessoas esquisitas. O momento mais surreal, porém dotado de poesia e porque não inocência, é quando ela é liberta, mas o filme logo revela a realidade e surpreende com um roteiro envolvente e triste.

Um filme feito para corações sonhadores e para quem entende que a saída mais segura de uma realidade insuportável é mergulhar em seus próprios sonhos.
O desfecho é incrível e mostra Mona e sua filha juntas novamente, e como todo conto de fadas deve terminar, o "felizes para sempre" aparece, mas visto sob uma ótica diferente, nestes instantes finais a câmera se desloca pelo espaço em que elas se encontram e nos dá um banho de realidade. A sensação é a mesma quando se acorda de um sonho e nos damos conta que preferíamos continuar dormindo.

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