segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Último Elvis (El Último Elvis)

"O Último Elvis" (2012) dirigido por Armando Bo, cineasta estreante, nos traz uma história muito apaixonante, isso porque o personagem não é um simples fã e cover de Elvis, ele acredita que de alguma maneira tem um pouco do rei do rock em si. Os covers que mais vemos sem dúvida são do Elvis e muitos deles são incríveis, mas não da forma que Carlos faz, aliás ele detesta ser chamado de Carlos. Ele vive de acordo como foi a vida de Elvis, inclusive deu nome a sua filha de Lisa Marie e engordou com o passar dos anos, tudo para acompanhar a trajetória do seu ídolo.
O cantor Carlos Gutiérrez (John Mcinerny) é cover de Elvis e sempre viveu a vida do grande astro do rock como se fosse ele próprio reencarnado, negando a si mesmo. Só que ele se aproxima da idade que Elvis tinha ao morrer e seu futuro se mostra vazio. Uma situação inesperada acaba por obrigá-lo a cuidar de sua filha Lisa Marie (Margarita Lopez), uma menina pequena que ele quase não vê. Nos dias em que fica com ela, Carlos experimenta ser realmente um pai e Lisa aprende a aceitá-lo como tal. Mas o destino lhe apresenta uma difícil decisão: em uma viagem de loucura e música, Carlos deverá escolher entre seu sonho de ser Elvis e sua família.
O filme tem uma visão muito interessante sobre o comum, sobre pessoas reais, que trabalham em um emprego chato, mas nutrem o sonho de ser algo mais, como Carlos que por causa de sua bela voz faz shows em festas de aniversários e casamentos como cover de Elvis. Ele se sente pleno, mesmo que essas festas sejam melancólicas é o único instante em que se sente realizado. Ele nega a sua vida até que um acidente acontece com sua ex-mulher e sua filha e se vê obrigado a cuidar da menina, ele cai na realidade de uma vida cheia de responsabilidades, não dá para ganhar a vida com os míseros shows que faz.
Carlos cria um laço forte com sua filha, entre canções e lanchinhos de banana os dois se aproximam, mas há algo mais forte que move o protagonista, depois que sua ex-mulher sai do hospital e volta a cuidar da menina, segue com seu plano, ele faz a tal turnê da qual falara o filme todo. A sequência final é melancólica, assim como as músicas escolhidas, é uma sensação estranha, pois Carlos não dava indícios de ser um fã louco, era sempre contido porque acreditava ter em si o espírito de Elvis. Um diálogo bacana que acontece no início do filme mostra o quanto levava a sério a ideia, o cover do Steven Tyler diz: "sorte sua Elvis não ter saído de moda, pois os shows estão bem escassos", e então Carlos responde: "eu inventei o rock, e isso nunca sairá de moda". Ele fala de maneira tão grave que nos surpreende.

As músicas chegam a arrepiar, inclusive é o próprio ator que solta a voz. A cena mais linda é a que ele canta "Unchained Melody" ao piano, é como se fosse um rito de passagem. Como sempre as tramas que envolvem o cotidiano real, a vida normal e sem graça, é algo interessante de se ver no cinema, "O Último Elvis" trata de um sujeito comum que desejava e conseguiu realizar a sua meta, por isso ele é o último, pois não há quem se proponha a tal ato.
O filme é um drama existencial, a fantasia está apenas na cabeça de Carlos que via no seu talento algo maior do que sua própria vida. São os sonhos que movem os seres humanos e cada um sabe até onde ir para realizá-los.

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