sexta-feira, 14 de junho de 2013

Hahaha

"Hahaha" (2010) é um título curioso e que chama bastante atenção, mas a risada mesmo só aparace no final do filme. É interessante e bem particular, principalmente em termos de humor, não o considere como uma comédia igual a tantas outras, aquelas das quais estamos acostumados, há sutileza e pende também pelo lado da cultura do país. Na verdade, o longa é um drama, mas toda a narrativa é jogada para o lado positivo, mesmo que aconteça coisas ruins e inesperadas na vida, o foco está sempre para o lado bom, assim os personagens se tornam quase infantis, numa medida gostosa e leve. O uso de cenas comuns, do dia a dia estão muito presentes, como o ato de comer e beber.
O diretor de cinema Jo Munkyung planeja deixar Seul para morar no Canadá. Alguns dias antes de sua partida, Jo encontra seu grande amigo Bang Jungshik, que trabalha como crítico de cinema. Conversa vai, conversa vem, os dois descobrem que, por coincidência, estiveram ambos recentemente no pequeno balneário de Tong-yung. Decidem então contar um para o outro sobre suas respectivas viagens enquanto comem e bebem, sob a condição de só relembrarem os eventos agradáveis. Sem perceberem que estiveram no mesmo lugar, ao mesmo tempo, com as mesmas pessoas, os dois homens desfiam suas reminiscências de um verão quente compondo um verdadeiro catálogo de lembranças. Em suas conversas, Jo conta que foi apaixonado por uma guia turística (Moon So-ri). Durante uma temporada na praia, ele a conheceu e invadiu secretamente a sua casa, para descobrir detalhes sobre a garota, que tentou usar em proveito próprio. Já Bang, apesar de casado, mantém um relacionamento com outra mulher. As tramas narradas por cada um se entrecruzam e se distanciam.
Dirigido pelo sul-coreano Hong Sang-soo, o longa nos apresenta personagens que estão em crise, que de alguma maneira não querem responsabilidades, é aquela hora da difícil decisão de se tornar adulto para sempre e esquecer o último resquício de ser jovem, de fazer escolhas, decisões estabilizadoras e ter um amor. Toda a história se desenvolve por flashback, o início se dá entre os dois amigos conversando e bebendo, isso vai e volta o filme todo entre a história de um e de outro, que por pura coincidência se cruzam sem eles saberem. Os dois amigos enquanto narram suas partes da história são vistos apenas em fotos em preto e branco sempre brindando.
Interessante que nenhum personagem tem sucesso na vida, todos estão perdidos, o cineasta sem filme, o poeta imaturo que não consegue escrever, todos se sentem inadequados e perdedores, porém a visão que o filme nos dá, apesar de ser um drama, é de leveza e humor, o mesmo humor de quando rimos de algo idiota que fizemos, ou quando nos arrependemos de algo que não ousamos fazer. É um riso contido, interno.

A história é regada a saquê e não é à toa já que eles precisam alterar seus humores diante as consequências da vida e do tempo que não espera. Mas o tom de que ainda dá para mudar algo, de uma certa esperança, vem com o "saúde" toda vez que terminam de contar a parte da história de cada um. É um filme que evoca a sensação de nostalgia pela forma que é narrado. Algumas cenas não tem lógica ou nem precisam ter mesmo, pois na vida comum ocorrem coisas que não carecem de significados, improvisos acontecem. Completamente despretensioso, vale muito a pena assisti-lo, tem momentos reflexivos, é leve e interessante por suas coincidências e acasos.
"Hahaha" é a risada que damos quando contamos a um amigo algo tragicômico, um evento aparentemente ruim, mas sob um olhar mais ameno, aquele que ri de si mesmo e de seus arrependimentos. É uma comédia particular, repleta de diálogos e de encontros e desencontros.

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