segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Datilógrafa (Populaire)

"A Datilógrafa" (2012) é um filme francês que esbanja graciosidade. O charme todo é por conta do ritmo e jeito de filme dos anos 50/60, inclusive a atriz Déborah François, que interpreta Rose, por muitas vezes lembra Audrey Hepburn. Ser secretária no final dos anos 50 era super popular e representava modernidade. Dessa forma, Rose Pamphyle resolve sair de sua cidade, enfrenta seu pai, recusa-se a casar com seu pretendente local e se apresenta a uma entrevista para o cargo de secretária em uma empresa de seguros. O chefe é Louis Echard, jovem solteiro de 36 anos, um ex-atleta de coração endurecido. Mesmo que suas habilidades como secretária não sejam lá aquelas coisas, o homem fica impressionado com a velocidade com a qual Rose consegue digitar. Logo o espírito competidor de Louis desperta: ele decide aceitar Rose como sua secretária, contanto que ela treine para participar da competição de datilógrafa mais rápida do país.
Apesar de Rose ser rápida, não é o suficiente, especialmente porque não usa todos os dedos, então Louis começa a treiná-la para que use todos. Ele presenteia ela com uma máquina que contém teclas coloridas, e para memorizar melhor Rose pinta as unhas de acordo com as teclas. No início, o relacionamento entre os dois não é muito agradável, Rose é dona de uma personalidade singular, ao mesmo tempo que é doce também é decidida e impetuosa. Já Louis é egoísta, só pensa em ganhar a competição e para isso faz com que Rose execute uma tour de force. Louis também pede a melhor amiga que lhe dê aulas de piano para ajudar na flexibilidade das mãos. E tudo isso dá muito certo, Rose começa a ganhar os concursos, o que faz com que se aproximem cada vez mais, apesar de Louis não admitir sua paixão.
Dirigido por Régis Roinsard que também assina o roteiro, "A Datilógrafa" é um filme leve, engraçado e muito charmoso. Nos faz voltar no tempo, e isso se deve a fotografia maravilhosa, os figurinos e a trilha sonora. O ritmo é ágil, portanto, não se torna cansativo, é daqueles filmes que nos deixa felizes quando termina. É uma ótima opção para aqueles que assim como eu não suporta comédias românticas bobas que utilizam sempre os mesmos elementos e enredo. E para quem quer curtir um filme francês também é super válido.
A máquina de escrever é a personagem principal, sendo apresentada em closes e ângulos diversos. A cena em que Rose bate nas teclas duras da máquina sem parar apenas com os dois dedos, e Louis nervoso entra na sala e diz: "A máquina foi feita para mulheres e não para elefantes", é uma das tantas cenas que enfeitam a trama.

"A Datilógrafa" é visualmente muito bonito e é interessante também notar a maneira que lidam com a sensualidade mesclando com a inocência, e esse jeito é muito eficaz, já que a paixão dos dois se desenvolve aos poucos. Rose fica muito popular ao ganhar os concursos e logo vira garota propaganda de uma empresa de máquinas de escrever, que aproveita seu nome e lança uma máquina rosa, que é desejada por todos. Há uma crítica muito sutil ao mercado e a guerra cultural entre França e EUA.
É um filme encantador e recomendável, é simples, leve e muito delicioso. Uma curiosidade é que Déborah François não utilizou dublê em nenhuma cena, são sempre as suas mãos que aparecem, e para isso ela teve três meses de treino. Incrível!

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