terça-feira, 4 de junho de 2013

Capitão Abu Raed (Captain Abu Raed)

 
Abu Raed é um solitário porteiro do aeroporto de Amã. Nunca conseguiu realizar seu sonho de conhecer o mundo. Seu conhecimento se dá de forma indireta, por meio de livros e breves encontros com viajantes. Um dia, em seu trabalho, ele encontra um quepe de capitão jogado no lixo, chegando em seu vilarejo um garoto pensa que Abu é um grande piloto e começa a fazer diversas perguntas. Na manhã seguinte, ele acorda com um grupo de crianças em sua porta, acreditando que ele é piloto de uma companhia aérea. E a partir daí eles iniciam uma amizade muito bonita, feliz por ter companhia e atenção, ele leva as crianças para lugares coloridos do mundo por meio de suas histórias fictícias, inspirando-os a acreditar em seus próprios desejos. Enquanto isso, a amizade de Abu Raed com Nour, uma piloto de verdade, faz com que ele cresça como pessoa e ela divida com ele seu ajuste às pressões da vida moderna em Amã.
Uma história de pessoas que cruzam os limites sociais e de sonhos, amizade, perdão e sacrifício. "Capitão Abu Raed" (2008) é um filme jordano muito belo que contém uma mensagem significativa seja em qualquer parte do mundo. Cultivar sonhos dentro de si e repassá-los.
A história é simples, mas carregada de sentimentos, principalmente a felicidade dos meninos em sonhar com que o homem conta a eles, porém um garoto um pouco mais "esperto" ou mais calejado em aspectos da vida, acaba por denunciar Abu a seus amigos, dizendo que ele está mentindo, pois como poderia um velho nascido naquele lugar ser piloto. O fato é que mais tarde a verdade aparece, mas Abu não fica bravo ou mesmo humilhado ao ser descoberto limpando o chão do aeroporto. Abu tenta fazer com que aquelas crianças tenham um futuro, só que ele não tem como ajudá-las, ele não tem nada a oferecer, faz o que pode, como comprar biscoitos de um menino para que ele possa ir à escola.
Murad, o garoto que denunciou Abu aos outros, foi ajudado pelo velho carinhoso e Nour, uma mulher independente em um país que ainda oscila entre deveres e direitos. É um filme terno que envolve amizade, sonhos, dignidade e sacrifício. Há dramas sociais, como maus-tratos, abuso, desprezo pela educação, casamentos arranjados e pobreza. Abu dá a Murad a capacidade de sonhar novamente, a possibilidade de um futuro, lhe mostrando que há novos horizontes e que há pessoas capazes de amar, diferentemente como era na sua casa. A naturalidade é o que mais cativa, seja nos personagens dotados de olhares singelos, ou na fotografia que passeia no bairro pobre e poeirento de Abu, cujo terraço de sua casa é possível contemplar Amã.

É um filme precioso que revela amizades improváveis aparentemente, mas que são semelhantes em seus conflitos internos, mesmo que esses não sejam iguais. Nada apelativo, nem melodramático, ele se sustenta em uma história simples, repleta de limitações, mas que é capaz de renovar sonhos adormecidos.

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