quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Taboo (Série)

"Taboo" (2017) série da BBC criada por Tom Hardy junto a seu pai Chips Hardy com apoio de Steven Knight e produzida por Ridley Scott centra-se no ano de 1813, o aventureiro James Keziah Delaney (Tom Hardy) retorna da África trazendo ilegalmente quatorze diamantes. Recusando-se a vender a empresa da família para a East India Company, ele a transforma em um império de comércio e transporte, com o objetivo de vingar a morte do pai. Com isso, Delaney se envolve na guerra que está sendo travada entre o Reino Unido e os EUA.
A história se inicia com James retornando a Londres depois de uma década, o que causa espanto a todos que pensavam que estava morto, quando volta ele se depara com a seguinte situação: o pai está morto, possivelmente envenenado, e tendo que lidar com os poderosos da East India Company que querem obter Nootka Sound, a terra que James herdou do pai e cuja está sendo disputada na guerra entre Reino Unido e Estados Unidos. A narrativa intriga por seus diversos segredos, não há pressa, tudo é nublado e aos poucos as coisas vão sendo reveladas.
Tom Hardy é o CARA, ele sabe de tudo o que se passa, quando a notícia chega a ele já existe um plano em sua mente para tal, a explicação seria que há algo místico em si, tanto em seus genes pela parte da mãe que fazia parte de uma tribo indígena, quanto pelo fato de ter ficado muitos anos em uma aldeia africana aprendendo magias e cometendo atrocidades e perdendo assim, totalmente seus sentimentos.
A série tem uma ambientação grandiosa, nota-se as minúcias de se retratar a sujeira, a lama misturada com fezes dos cavalos, as doenças, como a varíola. Tudo isso contribui para o aspecto misterioso e sombrio, a opulência e a miséria se concentra no mesmo lugar, percebe-se isso ao retratar tanto as pessoas do reino, como o Príncipe Regente com sua figura pitoresca e, de fato, nojenta, como as pessoas comuns, as crianças extremamente encardidas, a falta de asseio das prostitutas, esse é um ponto valioso da série que prende-nos numa atmosfera pesada que mistura intrigas políticas ao misticismo. A estética, sem dúvidas, é um dos fatores primordiais para sua originalidade, assim como seu roteiro redondo, coeso. 

Tom Hardy mexe com nosso psicológico, sua personalidade bruta e analítica ora nos faz adorá-lo, ora odiá-lo, não existe limites para James Delaney, sua astúcia é tão grande quanto sua crueldade, sua fama entre os habitantes é de um sujeito que come as vísceras de quem mata, a aura sobrenatural fascina, mesmo que seja pouco explorada é o que responde a questão dele ser assim tão forte e sempre estar a frente de todos, pois com sua estadia na África aprendeu magias que, como vemos em alguns episódios, através de um pó amarelo, ele tem acesso ao que quer. Delaney demonstra ter cometido atrocidades, além de que roubou os diamantes que trouxe consigo, outra coisa bastante perturbadora é a paixão avassaladora que tem por sua irmã Zilpha (Oona Chaplin).

Alguns personagens mesmo não tendo grande destaque na trama conquistam, como é o caso de Thorne Geary interpretado por Jefferson Hall, o Torstein, de "Vikings", ele no decorrer fica bastante atormentado, principalmente, por sua adorada Zilpha ter um caso com o próprio irmão, suas atitudes são impensadas e sua vulnerabilidade dá chance para os outros o traírem. A cena do duelo com Delaney é o ápice, e daí vem sua derrocada psicológica. O que não acontece com a personagem Zilpha, interpretada por Oona Chaplin - neta de Charles Chaplin, infelizmente, inútil na trama, passa a maioria do tempo com uma expressão de susto e não dá ênfase nenhuma em suas emoções. Outros personagens que ganham nossa atenção é o mordomo Brace (David Hayman), que teme por Delaney ter o mesmo fim do pai, do qual Brace era muito próximo, a prostituta Helga (Franka Potente - Corra Lola, Corra) que tem um bordel num espaço pertencente a Delaney e que com o seu retorno faz pequenos negócios com ele para mantê-lo, Sir Stuart Strange (Jonathan Pryce - Alto Pardal em GOT) é líder da Companhia das Índias e um grande rival de Delaney, ele é extremamente articulador e nocivo, quando aparece ganha a tela e todos os outros acabam ficando menores perto de si, como é o caso de Wilton (Leo Bill). Vale acrescentar ainda Edward Hogg, um escrivão que nas horas vagas se traveste de mulher, Jason Watkins como Soloman Coop, o exímio articulador do Príncipe Regente, Jessie Buckley como a carismática Lorna Bow, Stephen Graham e seu Atticus, e claro, o magistral Tom Hollander e seu químico Cholmondeley, que rouba completamente a cena com seus projetos e seu bom humor.

"Taboo" é uma superprodução de apenas 8 episódios recheada de conflitos e bastante interessante por abordar um lado histórico, no caso, a Companhia das Índias Orientais, a sua importância e também demonstrando seus negócios escusos. A utilização de um protagonista de poucas palavras com ideias avançadas para a época e o grupo que ele junta, pessoas marginalizadas daquela sociedade, é uma sacada bem inteligente. O uso do mistério e da lentidão criando assim uma atmosfera lúgubre junto a aura de feitiçaria também acaba envolvendo. Com a confirmação de uma segunda temporada há esperanças que se desenvolva em muitos aspectos, mas o charme da série é justamente o ar enigmático. Para quem ama séries com ambientações primorosas, temáticas que envolvem jogo de poder, clima sombrio e quer se desviar das tão aclamadas é uma ótima opção!

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