quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ethel & Ernest

"Ethel e Ernest" (2016) dirigido por Roger Mainwood apesar de ter como pano de fundo a II Guerra é um filme muito singelo e leve, o retrato de um doce e real casal vivendo as incertezas e novidades de sua época. Uma terna homenagem de Raymond Briggs aos seus pais, desenhado à mão, com base na sua premiada graphic novel, é uma descrição íntima e carinhosa da vida e dos tempos dos seus pais, dois londrinos comuns que vivem repletos de acontecimentos extraordinários.
1928. Em Londres, o leiteiro Ernest Briggs casa-se com Ethel, dando origem ao pequeno Raymond, em 1934. Quando a Segunda Guerra eclode, o menino, agora com cinco anos, é evacuado junto às tias em Dorset, enquanto Ernest junta-se ao serviço de bombeiros, chocado com a carnificina que vê. Com o retorno de Raymond, eles celebram a entrada dele para a escola de gramática e o nascimento do Estado-Providência. Raymond forma-se na faculdade de arte e obtém um lugar de professor. Pai e filho consolam-se quando Ethel morre, mas logo após Raymond estará de luto por causa do pai dele também.
É um filme meigo, o traços do desenho passam essa sensação e nos apegamos aos personagens, desde quando Ethel e Ernest se conhecem, o primeiro encontro, o casamento, a casa que escolhem morar, o nascimento do filho, as tantas novidades que surgem, como o fogão a gás, e neste aspecto o longa é bastante informativo e acompanhamos junto dos personagens uma série de acontecimentos que a guerra provocou, a pacata vida do casal se modifica, Ernest de leiteiro é obrigado a servir o corpo de bombeiros e assim presencia muita violência e dor, por outro lado, é muito agradável vê-lo ligar o rádio e ouvir as notícias perto de sua amada, que é alheia e pouco entende e que também se incomoda com as modernidades. Enquanto Ethel e Ernest enfrentam as consequências da guerra e vivem em meio a tantas incertezas, o pequeno Raymond aproveita a vida no campo com as tias, quando o tormento da guerra termina e ele volta, tudo o que os pais desejam é que estude num bom colégio, porém Raymond decepciona-os escolhendo estudar artes, mas, claro, que com o tempo teriam muito orgulho do filho, que se torna um incrível professor e um ilustrador de sucesso.
Toda a trajetória de Ethel e Ernest nos é mostrada com suavidade, desde a juventude à velhice, as modificações não só externas, mas também físicas. Uma graça Ernest jovem entregando leite de porta em porta e sua alegria ao mostrar para Ethel as novas utilidades domésticas que estavam surgindo. 

A narrativa segue de maneira muito interessante, praticamente didática ao que se refere ao contexto da guerra, as mudanças conforme os anos e o como esse casal conseguiu superar todas as adversidades sem deixar que nada estragasse a relação. A personalidade durona, mas amável de Ethel, a felicidade e empolgação de Ernest, tudo isso retratado com bastante credibilidade e muito carinho, isso se deve as vozes de Jim Broadbent e Brenda Blethyn que imprimiram todas essas características aos personagens.

"Ethel e Ernest" é um filme afável, o delicado traço de Briggs traz as suas memórias, seus pais ganham vida novamente, eis a magia. Uma animação singular cheia de detalhes importantes e com uma aura emotiva e nostálgica. Outra beleza é a canção "In the Blink of an Eye", composta por Paul McCartney especialmente para o longa. 

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