terça-feira, 5 de setembro de 2017

O Mestre dos Gênios (Genius)

"O Mestre dos Gênios" (2016) dirigido por Michael Grandage é um filme interessante que retrata com maestria o amor à literatura, disseca a relação escritor/editor e o quão precioso e estafante era lidar tanto com o trabalho de edição, como os vínculos de amizade que se formavam entre eles, porém, impecáveis obras surgiram dessa época de ouro em que Max Perkins, um dos editores literários mais famosos do mundo apostando em jovens talentos, descobriu nomes fundamentais da literatura, como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Thomas Wolfe. O filme acompanha a vida pessoal de Perkins e sua relação complicada com os escritores, cujas obras foram fortemente influenciadas pelo trabalho do editor.
A editora Charles Scribner’s Sons era uma empresa muito interessada em publicar novos talentos, Max (Colin Firth) muito reconhecido por suas primorosas edições e sucessos, como Fitzgerald, dá vida aos escritos de Thomas Wolfe (Jude Law), um jovem de personalidade irriquieta, cheia de ideias e que escrevia sem cessar, eram páginas e mais páginas que pacientemente Max lia e relia, e claro, deslumbrado por sua escrita impactante que misturava prosa poética com a autobiografia, assim decidiu publicá-lo, daí inicia-se uma amizade bastante intensa, mas que com o que passar dos anos sofre algumas rupturas, devido ao jeito impaciente de Wolfe e pelo receio de Max em sempre se culpar pelos cortes feitos nas obras. Essa relação é exposta em detalhes, a gratidão de Wolfe, a admiração de Max, tudo regado a muitas conversas produtivas, elucubrações e citações, Wolfe era analítico e não parava nunca de escrever, sempre acrescentava páginas e mais páginas, quando chega com o seu "Of Time and the River" com mais de cinco mil páginas, Max tem o monumental trabalho de retirar 60 mil palavras de sua obra, a redução levou anos e foi um trabalho extenuante tanto para Max quanto para Wolfe, a sensibilidade de ambas as partes são delineadas minuciosamente, cada um com seu jeito dotados de uma genialidade ímpar. 
Colin Firth dá vida a um homem contido e muito centrado que dedica o seu tempo a ler, a mergulhar nas histórias de escritores imensamente talentosos e emergir tendo que lapidar tais obras, um trabalho prazeroso ao mesmo tempo que cruel, já que ele teme por ser reconhecido como o homem por trás dos cortes destes livros tão aclamados, a importância de seu trabalho se mistura com a culpa. Jude Law esplendoroso como Wolfe, ansioso e perdido, transforma a suas dores em grandiosos livros, literalmente. É muito curioso observar a amizade entre ele e Perkins, totalmente distintos, mas que se nutriam de palavras, completamente absortos pela magia e sensações.

O filme centra-se nestes dois personagens, na relação profissional, de amizade e o como Wolfe adentra na vida de Perkins, frequentando a casa da família, o que causa ciúme na namorada controladora Aline (Nicole Kidman), um caso bem conturbado entre duas pessoas problemáticas, ele um tanto egoísta, que mantém as pessoas enquanto precisa e depois as deixa de lado sem mais nem menos, essa concepção de Aline não está errada, mas ela também não deixa por menos, sendo excessivamente dramática, pois ela abandonou marido e filhos para morar com Thomas, inclusive o ajudando financeiramente em seu início de carreira. Há uma cena que Aline despeja verdades e diz que Thomas precisa pensar e ficar sozinho para entender a sua vida, ele brinca com as pessoas como se fossem personagens de seus livros e isso ela não poderia mais suportar. "Seres humanos não são ficção". Nicole ganha a cena nesse momento.
Outros que tem pequenas aparições são Fitzgerald (Guy Pearce), que mesmo com todo o sucesso de suas obras estava em decadência tendo que escrever roteiros para Hollywood, além de que era alcoólatra e lidava com a loucura de sua mulher Zelda, e Hemingway (Dominic West), pescando, claro, alertando Perkins sobre a instabilidade de Wolfe. 

"Não somos os personagens que queremos ser. Somos os personagens que somos."

"O Mestre dos Gênios" tem uma ambientação detalhista, desde trajes, objetos e locais, uma volta ao início do século XX em tom melancólico, e é eficaz em demonstrar as emoções de seus personagens, a humanidade por trás dessas mentes brilhantes, os defeitos, as turbulências emocionais, todo o processo antes da publicação, a difícil decisão dos cortes, Perkins sabia identificar a qualidade em novos escritores e tinha experiência e sensibilidade para cortar o demasiado, como na cena em que ele sintetiza o momento do despertar de uma paixão, o simples, o poético; o essencial. Essa sua habilidade lhe rendeu ótima reputação e consagrou escritores que permanecem até hoje imprescindíveis.

Um comentário:

  1. A histórias e os personagens são interessantes, mas tem algumas falhas.

    As passagens de anos são mal explicadas e em alguns momentos os diálogos sobre trechos de livros cansam um pouco.

    Abraço

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