terça-feira, 2 de abril de 2013

Hitchcock

Hitchcock, o mestre do suspense é um dos maiores expoentes do cinema, todo cinéfilo que se preze necessita assistir pelo menos alguns de seus filmes. "Psicose" (1960) é um dos filmes mais cultuados de todos os tempos, e a cena do cinema mais lembrada é a do chuveiro com Janet Leigh sendo esfaqueada ao som de Bernard Hermann. Alfred Hitchcock tinha 60 anos quando teve a ideia de fazer este filme. Ele ganhou reconhecimento num programa de TV, onde aparecia introduzindo suas histórias de suspense. Sua produção como diretor em Hollywood já era extensa e bem-sucedida. Filmes como "Rebecca, a Mulher Inesquecível" (1940), "Festim Diabólico" (1948), "O Homem que Sabia Demais" (1956), "Um Corpo que Cai" (1958), "Intriga Internacional" (1959), colocaram ele entre os diretores mais bem pagos daquela época.
Em "Hitchcock" (2012), filme dirigido por Sacha Gervasie e roteirizado por John J. McLaughlin, acompanha de maneira ficcional os bastidores de sua obra, também as angústias e obsessões do diretor naquele conturbado período de sua carreira, e o relacionamento dele com a esposa Alma Reville, que foi uma peça fundamental para o êxito profissional de seu marido. A história do assassino que colecionava crânios e os usava como tigelas de sopa e mantinha o corpo da mãe morta e outras coisas arrepiantes revelaram-se apetitosas para o intelecto do lendário cineasta, que viu no livro "Psicose" de Robert Block o resumo perfeito de sua ópera assustadora.
O filme é baseado no livro "Alfred Hitchcock and the Making of Psycho", de Stephen Rabello, e revela como, mesmo no auge de sua carreira, Hitchcock não conseguiu apoio para a realização da obra, porque os estúdios não queriam investir em um pequeno filme de terror. O resultado foi uma produção independente, de baixo orçamento, que encontrou grandes dificuldades para enfrentar a censura. Além disso, obstáculos surgiram durante as filmagens, como as constantes brigas entre Mr. Alfred e sua esposa Alma.
O filme todo é certinho, não há exageros e nem soa grandioso, mas vale muito a pena, é uma boa homenagem a Hitchcock, que nunca chegou a ganhar um Oscar, mas deixou seu nome registrado na cinematografia mundial.
O longa retrata a persona de Hitchcock, mas sem se aprofundar, sua maneira difícil de trabalhar, a obsessão pelas atrizes, em especial as loiras, seu humor típico, o hábito de falar com a câmera. Há também a subtrama envolvendo a suposta paixão da esposa com um tal escritor que desejava ter seu livro adaptado por Hitchcock, e encontrou na mulher dele um meio de chegar a isso. O interessante mesmo é os problemas que envolveram a produção de Psicose, que após pronta teve até um manual de instruções para os cinemas.

Para quem já conhece o universo do mestre do suspense não há muita novidade, mas se faz um belo atrativo para quem deseja assistir seus filmes. Um aspecto muito bom é ter uma noção de como se fazia filmes naquela época, como eram os estúdios ou como funcionava a censura, e também as cenas em que ele próprio conversa com os personagens de suas histórias e com o espectador.
O longa dá uma prévia desse diretor fenomenal, sua paixão em criar e se entregar à sua arte. E claro, tudo com a ajuda de sua talentosa mulher, que sem ela, talvez ele nem conseguisse.
O filme é didático e uma homenagem contida, não abrange a mente de Hitchcock, o roteiro carece de densidade nesse quesito, mas mesmo assim é válido.

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