sexta-feira, 19 de abril de 2013

Atrás da Porta (The Door)

Dirigido pelo húngaro Istvan Szabó, cultuado por alguns de seus filmes, como "Mephisto" (1981), "Coronel Redl" (1985) e "Adorável Júlia" (2004), nos apresenta "Atrás da Porta" (2012), um drama adaptado do livro homônimo de Magda Szabó.
A personagem Emerenc vivida por Helen Mirren é de uma personalidade notável, aparentemente durona, porém dotada de um coração enorme. O filme dá um mergulho profundo nessa mulher e nós consequentemente aplaudimos de pé mais uma belíssima atuação de Helen Mirren. Às vezes os personagens se sobressaem mais que as histórias em si, e este é um exemplo. O filme ficou devendo na composição e no desenvolvimento, mas com uma grande interpretação, Helen Mirren conseguiu segurar todo o filme. Na trama, Magda (Martina Gedeck) é uma escritora que está envolvida em seu novo livro e precisa de uma doméstica para desempenhar as funções básicas de sua casa, onde mora com o marido Tibor (Károly Eperjes). Magda conhece a vizinha Emerenc, uma mulher solitária e rabugenta que se dispõe a prestar seus serviços. A partir daí, surge uma amizade controversa. Enquanto Magda tenta lidar com o temperamento de Emerenc, esta guarda segredos em sua residência, local completamente proibido de ser frequentado.
Emerenc é uma mulher misteriosa, fechada, sisuda, mas mesmo assim todos da vizinhança a respeita e a ama. Ela é contratada para arrumar a casa de Magda, mas é Emerenc que dita as regras, que decide o que fazer, quando ir, como organizar e inclusive acrescenta seus próprios objetos na casa, considerados Kitsch. Magda de início fica assustada com o comportamento da empregada, mas com o tempo ela desenvolve uma certa simpatia pela mulher e vice-versa. Emerenc acaba se tornando objeto de observação para Magda. O roteiro não desenvolve de maneira clara e confunde um pouco ou nos afasta bastante da história, mas em certo momento descobrimos o porquê de Emerenc ser daquele jeito, cheia de manias e tão durona.

Através de flashbacks contados pela própria personagem vemos que, em diversos momentos de sua vida, tudo que ela amava com muita intensidade lhe era tirado, ela tinha medo de amar novamente, confiar, mas pode-se notar que mesmo transparecendo ser carrancuda, esta mulher tem afeto por Magda, seu marido e o cachorro Viola (nome do qual Emerenc escolheu por um motivo do seu passado). Na verdade pouco nos interessamos pelo que existe atrás da porta da casa de Emerenc, esse mistério acaba se desfazendo diante a uma personagem grandiosa, e não é à toa que o final soa arrastado, já que ela não está tão presente nas cenas. Magda e Emerenc são duas mulheres vulneráveis que se apegam, porém a maneira como a história se desenvolve acaba não dando a profundidade exata para esta relação. São duas pessoas que se destoam, mas que o destino tratou de juntá-las. Relações humanas, este filme trata disso, esqueça o Thriller psicológico que a premissa aparenta ter. É um drama de fortes perdas e do encontro entre duas pessoas diferentes que percebem serem capazes de amar uma à outra.

O filme passeia por diálogos interessantes em que Emerenc diz sobre o que acha da morte ou religião. "O máximo que se pode fazer por alguém é evitar que sofra", em dado momento ela diz essa frase porque sua vizinha e amiga se suicida por não suportar mais o fardo que é viver. Emerenc sabia que ela cometeria o suicídio e não a convenceu em nenhum instante do contrário, pois sabia de sua dor, e a morte era um alívio para sua alma. Todas as palavras que essa mulher fala nos fascina, mas é uma pena que o filme não dê ênfase a essas passagens. O ritmo é uma coisa que incomoda, mas mesmo assim vale muito a pena ver Helen Mirren mais uma vez arrasando com uma personagem dotada de uma personalidade encantadora e única. O filme deveria se chamar Emerenc.

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