segunda-feira, 4 de março de 2013

Em Nome de Deus (The Magdalene Sisters)

"Em Nome de Deus" (2002) dirigido por Peter Mullan é baseado em fatos reais, a história se passa em um asilo, onde meninas eram enviadas para "lavar" seus pecados. Todo mundo conhece a história de Maria Madalena, aquela prostituta que se redimiu e foi pro céu, o nome do lugar era por conta disso. Os motivos de as meninas serem enviadas para lá variavam entre terem perdido a virgindade, terem filhos antes do casamento, ou mesmo aquela que chamava mais atenção dos garotos por ser bonita também era jogada no antro católico.
O filme é contado sob o ponto de vista dessas jovens, que de repente encontram-se num pesadelo interminável. São apresentadas três jovens mulheres que foram internadas numa destas casas no ano de 1964: Margaret (Anne-Marie Duff), Bernadette (Nora-Jane Noone) e Rose (Dorothy Duffy). Na introdução do filme descobrimos os crimes cometidos por elas: Margaret foi condenada por ter sido estuprada pelo primo e não guardar o fato dos pais e da sociedade, Bernadette, uma moça muito bonita que atrai os olhares masculinos, não se preocupou em esconder sua beleza e sensualidade; Rose contrariou os costumes conservadores e engravidou antes do casamento, sendo obrigada a entregar seu filho para adoção. A irmã Bridget punia as meninas por tudo, se falassem com alguém de fora, se tentassem fugir, se desobedecessem as irmãs e se conversassem entre si. Trabalhavam o dia inteiro e comiam uma comida bem inferior a das irmãs. Em uma tentativa de fuga, uma garota é submetida a maus tratos e raspam completamente a cabeça dela a fim de que sua vaidade suma e não tenha mais vontade de ir embora.

Observe, a igreja não tinha poder legal para trancafiar as meninas, mas os próprios pais as levavam lá, a sociedade fingia não ver e tão pouco desafiava a igreja. Outro ponto é o tanto de dinheiro que entrava, pois elas trabalhavam escravizadas, em uma cena vemos a freira guardando o dinheiro que arrecadava. O filme traz a visão de que a igreja católica sempre foi cruel e fundamentalista, escondendo fatos, mas a sociedade se acostumou a isso e nunca protestava. Muitas coisas se fazem em nome de Deus sem ao menos serem questionadas. O longa abre os olhos para aqueles que confiam cegamente em uma religião, seja ela o catolicismo ou não. 
Bernadette era a mais desafiadora, a cena em que decide fugir demonstra isso, ela leva Rose junto de si, as duas escapam daquele lugar e conseguem refazer suas vidas anos mais tarde, mas sempre com o fantasma desse passado cruel em suas mentes. Margaret, a que sofreu abuso do primo foi resgatada pelo irmão, que sempre acreditou nela, mas não podia fazer nada, pois era uma criança quando aconteceu, anos depois já adulto buscou-a. Uma outra personagem de grande valia é Crispina, aparentemente retardada, com o passar do tempo seu comportamento foi piorando, e acabou sendo enviada para um sanatório.

Os lares Madalena, na Irlanda, eram de responsabilidade das Irmãs da Misericórdia, em nome da Igreja Católica. Jovens mulheres eram mandadas por suas famílias ou pelos orfanatos e, uma vez lá, ficavam confinadas e obrigadas a trabalhar na lavagem de roupas, onde poderiam expiar seus pecados. Os pecados variavam entre ser mãe solteira, ser bonita ou feia demais, ter problemas psicológicos, ser ignorantes ou inteligentes, ou vítimas de estupro. E por seus pecados, elas trabalhavam 365 dias por ano, sem remuneração. Eram mal alimentadas, surradas, humilhadas, estupradas, e seus filhos levados à força. A sentença dessas moças era indefinida. Milhares de mulheres viveram e morreram nesses lares. O último Asilo Madalena na Irlanda foi fechado em 1996.
O longa foi criticado pelo Vaticano como "provocação cheia de ressentimento", o filme feito com orçamento pequeno foi premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2002.
A igreja católica tem diversos fatos escondidos e quando alguém decide retratá-los, ela vem alegando calúnia e provocação. Somos livres, escolhemos no que acreditar e como devemos viver a nossa vida, ninguém tem o direito de nos prostrar, religião nenhuma pode enclausurar-nos numa única forma de pensar.

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