quarta-feira, 20 de março de 2013

As Sessões (The Sessions)

Baseado em uma história real do jornalista e poeta Mark O'Brien, "As Sessões" aborda um assunto pouco explorado no cinema, a deficiência junto com a sexualidade. No filme o tema é tratado com bom humor, mas com muita inteligência e delicadeza. Mark ficou paralisado do pescoço pra baixo quando teve poliomelite na infância, e na época em que escreveu a matéria que mudaria sua vida, precisava passar horas em um "pulmão de aço", para lhe ajudar a respirar fora dele.
No filme Mark (John Hawkes) tem 38 anos e ainda é virgem, seu único amigo é um padre, que faz as vezes de conselheiro, decidido a explorar sua sexualidade ele vai em busca de uma terapeuta que indica Cheryl (Helen Hunt), uma "substituta" que tem como trabalho a iniciação de deficientes para as descobertas da vida sexual. O primeiro a saber sobre sua empreitada rumo ao sexo é o padre, as confissões de Mark mesclam um drama bem sutil com boas doses de humor. Ele precisa da benção para que comecem as sessões com a "substituta", pois é muito religioso, o padre mesmo sabendo que o sexo é considerado impuro pela igreja antes do casamento, acaba o incentivando a novas experiências.
Mark é cativante, bem humorado e charmoso mesmo estando paralisado do pescoço pra baixo, perceba que o marido de Cheryl é mais atrofiado que Mark, que consegue se locomover apenas com uma espécie de maca, com ajuda da cuidadora Vera (Moon Bloodgood), esta que o limpa, o veste e o leva para as sessões e compreende perfeitamente os seus anseios.
Mark consegue mexer com vários corações ao desenrolar da trama, um deles é o da Cheryl, que aos poucos vai se rendendo ao seu romantismo. A terapeuta sexual primeiro o ensina a conhecer e aceitar o seu corpo, perceber os pontos que dão prazer, estimulá-los, controlá-los e assim realizar o ato sexual. Isso demora muito, pois Mark não consegue ter o controle de seu corpo.
Helen Hunt faz de sua personagem ao mesmo tempo independente com mente aberta e sem nenhum tipo de dogmas, porém quando acompanhamos a sua vida particular percebemos que falta afeto, e Mark vem dar isso a ela, mas sua postura profissional continua intacta na frente dele. O poema que ele escreve e intitula: um poema de amor a ninguém em particular, retrata sua alma romântica, sua delicadeza e o bom humor.

"As Sessões" é um filme livre de clichês e melodramas baratos para comover o público, é singelo e nos faz lembrar que os deficientes são mais eficientes do que muitas pessoas com tudo perfeito, mas cujas mentes são atrofiadas. As cenas das descobertas são dotadas de pureza diante ao desconhecido, que para Mark inicialmente se revela como medo, acompanhamos desde seus olhinhos assustados até sua evolução, em que compreende o que seu corpo pede.
Geralmente quando as pessoas veem um deficiente já anulam a possibilidade de haver vida sexual, ou pelo menos têm a dúvida de que ela possa existir, mas enquanto houver coragem e desejo, as possibilidades existirão, não se pode atrofiar desejos, ideias e sentimentos, Mark nos mostra isso da maneira mais linda possível, e que apesar de sua condição é capaz de muito mais do que qualquer um.
"As Sessões" lida com o assunto de maneira natural sem transformar o deficiente em coitado ou em um super-herói, é genuíno e uma bela amostra do cinema americano.

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