quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão (San Qiang Pai An Jing Qi)

Remake é coisa de americano, quando falta criatividade lá vão eles copiar filmes asiáticos, latinos e europeus, mas dessa vez quem se rendeu a uma refilmagem foi a China com o diretor Zhang Yimou, conhecido por filmes épicos de grande beleza. Já de primeira vista o que chama a atenção é o título "Uma Arma, uma Mulher e uma Loja de Macarrão" que nada se assemelha ao original, "Gosto de Sangue", primeiro longa dos cultuados irmãos Coen.
Na história o velho Sr. Wang é o proprietário de uma loja de macarrão no árido deserto da província de Gansu, na China. Sua esposa, que mantém um caso com Li, empregado tímido e amedrontado da loja compra uma arma de um mercador persa com o intuito de matar o tirano marido. Mas Wang é um homem perspicaz e ao saber da traição da esposa com seu funcionário faz um trato com o chefe de polícia Zhang, para que este elimine o casal de adúlteros, porém Zhang tem seus próprios planos. Planejando arrombar o cofre de Wang localizado no gabinete deste, Zhang volta noite após noite com novas maneiras de abrir o cadeado que tranca o cofre. Enquanto isso outros dois funcionários do restaurante tem a mesma ideia. A esposa de Wang e seu amante atrapalhado Li, na verdade, não foram mortos pelo chefe de polícia e retornam ao estabelecimento. A partir daí a confusão está armada, com cada personagem tirando suas próprias conclusões sobre o que aconteceu com os outros personagens da história. O resultado disso tudo é muito engraçado, o uso das cores fortes contrasta com o cenário do deserto. Todas as cenas do original estão lá, porém com uma dose extra de ironia e humor.
O início do filme é sensacional e já dá a prévia do que está por vir, o teor sombrio de "Gosto de Sangue" se desfaz ante as cenas hilárias, mas sem deixar de serem trágicas ao mesmo nível. No começo no restaurante, a mulher recebe a visita de um excêntrico persa que está de passagem para vender alguns objetos. Se trata de uma arma de fogo, artefato ainda inédito para a China desse tempo remoto. Os demais funcionários da loja, incluindo o amante da protagonista ficam pasmos diante a eficiência daquela arma que provoca morte tão rápida, e não imaginam que aquele instrumento vai guiar todo o curso da trama em uma série de engraçadas reviravoltas. As interpretações nos lembram histórias em quadrinhos, todos os personagens são exagerados e coloridos demais. O que torna tudo tão abstrato. A cena mais impressionante e que fica gravada na memória é a da preparação da massa do macarrão. A habilidade com que jogam a massa para lá e para cá acaba por se tornar uma espécie de dança em frente aos nossos olhos.

"Uma Mulher, uma Arma e uma Loja de Macarrão" é bizarro, mas nos mostra que a mesma história pode ser contada de várias maneiras, mesmo que não se altere nada nela. Zhang Yimou nos coloca diante a um filme muito original. O cenário no meio do nada torna tudo muito interessante, os personagens esquisitos e abobalhados dão o tom perfeito. Para quem já viu "Gosto de Sangue" aqui não vai encontrar o clima sombrio e a tensão tão marcada.
O filme só confirma a magnanimidade do diretor que sempre nos presenteia com visuais deslumbrantes e originalidade em suas histórias.

Só para lembrar alguns dos filmes de Zhang Yimou "Herói" (2002), "O Clã das Adagas Voadoras" (2004), "A Maldição da Flor Dourada" (2006), "Flores do Oriente" (2011). Com o longa "Uma Mulher, uma Arma e uma Loja de Macarrão" (2009), só reafirma seu estilo de uma estética sempre apurada retratando a sociedade chinesa. A versão espadachim foi super elogiada e bem aceita, inclusive pelos irmãos Coen, donos da história original.

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