segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Barato de Grace (Saving Grace)

Grace (Brenda Blethyn) após o suicídio de seu marido, descobre que além das muitas dívidas que ele lhe deixou, poderá também perder a casa que já pertence a sua família a muitas gerações. Suas habilidades são com plantas, é uma excelente jardineira. Desesperada para arranjar alguma alternativa que a livre do sufoco financeiro, decide fazer o que sabe de melhor, mexer com plantas. No caso, a Cannabis Sativa. Seu empregado, Matthew (Craig Ferguson) também tem problemas: mesmo sem emprego ou salário, prometeu se casar com a namorada. Desesperados, os dois se perguntam: por que não usar as famosas habilidades de Grace para ganhar dinheiro? Ele lhe dá a ideia, e um dia pede para que Grace veja o porquê uma de suas plantinhas está doente. Matthew as mantém escondidas no terreno dos fundos da igreja. Mesmo sabendo que se trata de mudas de maconha, ela resolve levar para a estufa em sua casa. No dia seguinte, Matthew fica admirado com a recuperação da planta. E Grace ainda lhe mostra umas flores que estava brotando.
Assim Matthew propõe uma sociedade. Grace sem pestanejar aceita, pois a casa já estava posta à leilão. Entusiasmados, Grace e Matthew transformam a estufa de orquídeas no paraíso dos maconheiros. Mas, os dois percebem que, para ganhar dinheiro, terão que vendê-las, e é aí que encontram a grande dificuldade. Já com posse de uma boa quantidade de erva irão tentar vendê-la em Londres. De um traficante menor, um maior fica interessado, pela erva ser de primeira qualidade. Eles sabem que é crime e estão cientes dos riscos. Com certeza as tentativas de Grace vender a erva é das cenas mais engraçadas, ou não! Ver uma senhora inglesa, que toma seu chá das cinco com a retidão britânica vendendo maconha em Londres pode ser vista de várias maneiras, pode ser engraçado, mas pode ser desesperador também.
Um dos maiores pontos positivos do filme é sem dúvida o lugar, o paraíso na Terra. O clima é ótimo, as interpretações simpaticíssimas e envolventes, o tema é inserido sem soar patético, como na maioria dos filmes em que mostra pessoas bobonas, chapadas, e todo o clichê possível dos filmes americanos. O roteiro, co-escrito pelo ator Craig Ferguson, que interpreta Matthew, o ajudante-sócio de Grace, em momento algum faz apologia à maconha, ele acerta em cheio no tom. Uma curiosidade do filme é que ele foi o primeiro a receber uma autorização do governo britânico para utilizar plantas reais de maconha, a gravação foi vigiada para que não fossem consumidas pelo elenco, e ao todo foram utilizadas 150 plantas. 

Uma mulher inteligente, mas que dependia totalmente de seu marido, de repente buscou uma alternativa, digamos assim, politicamente incorreta. A curiosidade de Grace ao querer saber o efeito que causa ao fumar maconha acontece, e parece que naquele momento ela se liberta da tristeza/raiva que o marido causou ao morrer deixando ela submersa em dívidas.
É uma comédia leve, descontraída que leva o tema ainda tão cheio de tabu, de mistérios e preconceitos de forma natural, e além disso tem Brenda Blethyn, uma atriz magnífica. Ela esbanja graciosidade, o nome não poderia ser melhor, Grace!
Os personagens lidam super bem com a plantação e até o policial é camarada e não vê nada demais. E é sempre bom ver os britânicos saírem da linha, ainda mais um bando de velhinhas, como acontece em uma das cenas finais. Vale muito a pena ver "O Barato de Grace" e se deixar levar pelo humor inglês.

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