sábado, 8 de dezembro de 2012

Cosmópolis

Robert Pattinson talvez se livre do carma de ser ídolo teen daqui a algum tempo, isso se ele escolher bem os filmes que irá atuar, falo isso porque simpatizo com sua figura excêntrica e vejo que ele ao contrário de Kristen Stewart se esforça para se diferenciar de algo tão marcante como foi a tal saga vampiresca.
"Cosmopolis" é o retorno de Cronenberg as suas origens e aos seus filmes mais experimentais. É um longa difícil, confuso e de imediato a única sensação que gera é a de cansaço psicológico para tentar entender a história.
É um dia decisivo na vida de Eric Packer (Robert Pattinson), o menino de ouro das especulações monetárias que fez fortuna analisando projeções do mercado financeiro e administrando-as com especial aptidão. Agora, aos 28 anos, Packer esbanja uma estabilidade desconcertante numa Nova Iorque assolada pelo caos e mastigada pelo capitalismo. O jovem empresário decide cortar o cabelo. Apesar de poder resolver a questão sem precisar de nada mais do que um telefonema, decide atravessar os dez quarteirões que separam seu apartamento da barbearia, em Manhattan, a bordo de sua luxuosa limusine, acompanhado do chefe de sua segurança, Torval (Kevin Durand), e do seu motorista, Imbrahim (Abdul Ayoola).
Essa escolha terá implicações das mais sérias na vida de Packer. Devido a uma visita do presidente dos EUA e da morte de um famoso rapper, o trânsito da cidade está caótico. Não bastasse, ainda por conta da visita do presidente, um grupo de anarquistas toma as ruas em protestos agressivos. Por tudo isso, o protagonista gasta um dia inteiro para fazer o percurso pretendido. A limusine é o cenário principal, o filme é marcado por longos diálogos filosóficos que às vezes nem tem a ver com os personagens. Nesse ambiente, por causa de uma manobra mal projetada, vemos ruir o império do jovem bilionário. Ele fez uma aposta contra o yuan, tudo lhe diz que a moeda chinesa não deve ultrapassar um dado patamar. Ele apostou tudo o que tinha e o que não tinha, e parece indiferente ao risco. Afinal, o que significa o dinheiro para quem já o tem? Poder, e quando se tem o poder a única coisa que resta é conseguir mais e mais poder. Packer não sente, não compreende o significado das coisas, ele é capaz de tudo, pois nada tem importância. A última sequência do filme é o melhor momento, um embate entre Packer e Benno Levi (Paul Giamatti), um antigo funcionário de Eric que por não conseguir acompanhar os avanços que o jovem incorporou ao mercado financeiro, foi relegado à mais profunda miséria, fazendo do desejo de matar o ex-patrão o mote de sua desnecessária vida.

O longa não anda agradando muito o público e tem criado opiniões diversas entre os críticos, de fato é inclassificável e perturbador. Esse é o tipo de filme que daqui algum tempo será adorado e intitulado como cult.
As cenas do filme por vezes são sem sentido, impossível querer entendê-lo sem dar um nó na cabeça e queimar uns neurônios. "Cosmopolis" é uma adaptação feita por Cronenberg do romance do dramaturgo norte-americano Don DeLillo. O capitalismo, o excesso e a acumulação de riquezas são tratados de maneira filosófica pelos personagens, o que torna um pouco enfadonho para quem o assiste, mas não se pode negar a originalidade da obra.

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