sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Dançando no Escuro (Dancer in the Dark)

Selma (Björk) é uma jovem imigrante da Checoslováquia que se mudou para os EUA com o propósito de criar seu filho Gene (Vladica Kostic). Vivendo uma vida de pobreza, Selma trabalha em uma fábrica junto de sua melhor amiga Kathy (Catherine Deneuve) e vive em uma pequena casa alugada no quintal do policial Bill Houston (David Morse) e de sua esposa Linda (Cara Seymour). Desde pequena, Selma tem uma fascinação por musicais americanos, sendo que diversas vezes enquanto trabalha ela imagina fazer parte de um. No momento, ela se prepara para representar Maria em uma montagem de "A Noviça Rebelde". Infelizmente para Selma, se torna cada vez mais difícil operar as máquinas da fábrica e ensaiar seus passos de dança, pois ela possui uma doença degenerativa hereditária que a torna gradualmente cega. Sua amiga Kathy é a única que sabe deste fato, e faz o possível para ajudá-la. Em um momento de fraqueza, seu vizinho Bill lhe confidencia que está falido e que não tem coragem de contar à esposa. Selma então revela que tem economizado dinheiro durante anos para uma cirurgia que seu filho deve fazer para que não fique cego como ela.
Selma é bem-humorada, inocente e pura, vai até os EUA atrás de possibilidades, corajosa e forte ela guarda todo o dinheiro do seu suado trabalho para poder pagar a operação de seu filho, para que ele não sofra como ela. Ela se culpa por ter tido o garoto sabendo que herdaria sua doença. Mas ela esconde isso das pessoas, porém em um momento de confidências revela para seu vizinho, e este por sua vez, na ânsia de dinheiro e enganar sua mulher de que estava tudo bem, rouba todas as economias de Selma. Daí por diante a vida dela muda, já cega, perde o emprego, e quando descobre o roubo vai até a casa de Bill recuperar o dinheiro, mas o que acontece lá é um espetáculo horroroso do quão vil e nojento pode ser o ser humano. Desesperada ela age instintivamente e o mata. Por esta razão, Selma é julgada e condenada à morte. Enquanto está presa a espera de sua execução, apresenta-se um novo dilema: o dinheiro que seria empregado para pagar a cirurgia de seu filho pode ser utilizado para pagar um advogado que garante conseguir que ela não seja executada. Selma opta por aceitar a execução, assim permitindo que seu filho possa ver durante toda sua vida.
Os musicais, a grande paixão de Selma, é também seu refúgio. Ela sonha, se diverte, e por várias vezes a sua imaginação é exposta a nós. Os números de canto e dança repentinos são inseridos no longa justamente quando menos deveriam. Eles parecem surgir como uma explosão. Selma sentia-se bem sonhando estar em um desses musicais, no silêncio da prisão se deparou com o vazio e a escuridão da qual não queria enfrentar. Temos diversos sentimentos ao ver as reações da personagem, como no julgamento em que ela não revela a verdade, sentimos raiva, depois compaixão, pena, tristeza, e por fim, Selma nos surpreende.

Os musicais conforme o desenrolar do filme se tornam apoteóticos. A personagem não tem fôlego e não tem um final feliz como na maioria dos filmes hollywoodianos, a crítica aos EUA e ao sonho de ter uma vida melhor lá é totalmente nítido.
Björk recebeu o prêmio de melhor atriz em Cannes (2000), mesmo sendo sua estreia no cinema, mas declarou que devido aos seus desentendimentos com Lars von Trier e o cansaço gerado pela produção, jurou nunca mais aparecer em outro filme. Björk também escreveu as canções do filme.
"Dançando no Escuro" é pesado e arrebatador, é daqueles filmes que nos deixam em silêncio por alguns minutos após seu término.

"Dizem que é a última canção, mas eles não nos conhecem, só será a última canção, se deixarmos que seja."

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