sexta-feira, 30 de março de 2018

Fantasma de Buenos Aires

"O Fantasma de Buenos Aires" (2008) dirigido por Guillermo Grillo é um filme pitoresco e por vezes exagerado, a sua mescla de gêneros garante originalidade e no todo satisfaz o espectador. O sobrenatural está de mãos dadas com um humor irônico e nostálgico, o sombrio e afetuoso, as duas dimensões conversam inteligentemente e por fim além de garantir um gostoso sorriso no rosto aproveita para nos deixar grandes reflexões sobre vida e morte. 
Uma história sobre a relação entre um jovem de hoje e um fantasma mal-intencionado assassinado em 1920. Numa noite qualquer, três amigos fazem o "jogo do copo". Para surpresa deles, a sessão de espiritismo funciona e um fantasma passa a habitar a casa, manifestando-se como uma sombra que canta tango. Apenas um dos rapazes, marcado pela morte de sua mãe quando criança, se interessa por este fenômeno. Ele faz tudo que precisa para se reconectar com o espírito e consegue fazer um pacto com ele: o fantasma irá contar tudo o que há depois da morte e o garoto vai viver um dia em seu corpo. Assim, esse fantasma encontra a Buenos Aires dos dias atuais, enfrentando coisas que não entende. Desta forma, existem situações loucas, emotivas, de risco e, lentamente, uma amizade entre eles. Uma história de suspense, ironia, emoção e reflexão sobre as mudanças trazidas pelos anos. É como um tango vagabundo, que de alguma forma combina o humor, tristeza, amor e violência.
De início a história segue uma linha narrativa comum entre os filmes de terror, onde três jovens entediados decidem se aventurar no jogo do copo, mas as circunstâncias do ato são totalmente diferentes, quando um deles quebra o copo diz que o espírito ficará na casa e com medo saem do local, o único a se interessar pelo assunto é Tomás (Estanislao Silveyra) que perdeu a mãe muito pequeno e não se lembra de nada, ele necessita saber se é verdade que o espírito está lá para entender então o que há depois da morte, sozinho pega as chaves do amigo e de repente se depara com uma sombra cantando tango, ao se comunicar com ele desmaia e o fantasma lhe diz o que deseja. A história intercala momentos do passado vivido por Canaveri (interpretado pelo charmoso Ivan Espeche), um boêmio morto nos anos 20, este que propõe um pacto a Tomás, ele contará tudo o que quiser saber sobre o além se o garoto emprestar o corpo para poder resolver assuntos pendentes. Simples assim!

Tomás mesmo com receio acredita que o espírito deixará seu corpo quando tudo estiver esclarecido e a sua curiosidade em saber as coisas que acontecem depois da morte dão coragem para aceitar o pacto. A partir daí somos conduzidos por ótimos momentos de humor, o fantasma se assusta com a Buenos Aires atual e Tomás precisa saber lidar com a divisão de si mesmo, mas Canaveri acaba sendo digno e até respeita as vontades de seu anfitrião. Os passeios pela cidade, o espanto em ver como tudo mudou denotam muita nostalgia ao longa, sentimentos que vão surgindo para alguém que há muito estava afastado da realidade palpável.  

"O Fantasma de Buenos Aires" traz uma narrativa criativa e charmosa, que ora é sombria, ora iluminada, instiga e emociona e possui belos momentos afetuosos. Passional assim como a alma de um tango!

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