quinta-feira, 16 de junho de 2016

Liza, a Fada Raposa (Liza, a Rókatündér)

"Liza, A Fada Raposa" (2015) é o primeiro longa-metragem do realizador húngaro Károly Ujj Mészáros e conta a história de Liza, uma enfermeira em busca do amor que, por ciúme, se vê transformada numa fada raposa (figura mitológica oriental), o que faz com que todos os homens que por ela se apaixonam acabem por morrer. O filme é uma mistura de comédia romântica e fantasia, Liza (Monika Balsai) é uma inocente e solitária trintona à procura do amor. Cuidando de Marta (Piroska Molnár) pelos últimos 12 anos, tem como único companheiro Tomy Tani (David Sakurai), o fantasma de um pop star japonês dos anos 50. Quando Márta morre e Liza é culpada pelos parentes da falecida de tê-la assassinado para herdar seu apartamento, o sargento Zoltan (Szabolcs Bede Fazekas) começa a investigar o caso. Liza ganha confiança lendo dicas de revistas femininas, mas todos os seus possíveis namorados acabam morrendo. O sargento Zoltan, mesmo encarregado de investigá-la, se apaixona por Liza, esta começa a crer que, num acesso de ciúmes de seu amigo Tomy, foi transformada numa fada raposa.
Interessante que "Liza, a Fada Raposa" pode facilmente se passar por um filme doce e terno, mas o diretor soube usar o tom de humor num estilo mais amargo, perceba que sempre há tristeza, solidão e medo envolvidos. 
Após a morte de Márta, Liza tem tempo para procurar o seu amor inspirada por um livro de romance japonês, mas isso desperta a ira do cantor fantasma que é apaixonado por ela, que a amaldiçoa e a impedirá que se relacione, pois os homens logo morrem ao se interessar por ela. O filme é dividido em capítulos, com o nome de quem irá morrer, são situações surreais, muito criativas e originais. O sargento Zoltan, acaba se instalando na casa de Liza, a que herdou de Márta, ela alugou um quarto devido a sua situação financeira, ele vive a anotar sobre Liza e acredita na sua história sobre a maldição. Zoltan se apaixona, mas de maneira altruísta, e segundo a lenda só um amor desinteressado seria capaz de quebrar essa maldição, mas mesmo assim ele não se livra de sofrer acidentes.
Os elementos utilizados são surpreendentes e muitos deles convidam à reflexão, como quando Liza começa a seguir dicas de uma revista feminina sobre como ficar bonita e conquistar um homem. O humor negro está sempre presente, desde ao retratar o gênero comédia romântica, a rede de fast-food chamada Mekk Burguer, mas ao mesmo tempo é melancólico e ingênuo. Difícil classificar esse filme, é uma comédia mordaz com momentos de musical, de conto de fadas, de suspense, de delicadeza e tristeza.

Pode-se associar o estilo a Jean-Pierre Jeunet, mas acrescentaria também um pouco de Roy Andersson e Anders Thomas Jensen. É um filme de ambiguidades emocionais, no humor há um fundo de tristeza e na tristeza há um fundo de humor. 
Monika Balsai encanta interpretando Liza, ela é inocente e possui baixa auto-estima, o filme é peculiar, assim como seus personagens com costumes estranhos, Liza adora o Japão, Zoltan as músicas tradicionais da Finlândia, há um personagem que é louco por comidas que misturam ingredientes dos mais variados, e daí por diante...
A trilha sonora é outro ponto de destaque, em especial "Doki Doki", "Dance Dance Have A Good Time" e "Geronimo", tema do personagem Zoltan. A quem se interessar pela trilha sonora clique aqui.

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