quinta-feira, 4 de julho de 2013

E Buda Desabou de Vergonha (Buda as Sharm Foru Rikht)

"E Buda Desabou de Vergonha" (2007) dirigido pela iraniana Hana Makhmalbaf conta a história de Baktay, uma menina de seis anos que vive com sua família em Bamian, cidade em que tesouros da cultura local, como as estátuas de Buda, foram destruídas pelos talibãs. Instigada por seus vizinhos que já sabem ler, ela faz de tudo para poder estudar em uma escola para meninas que abre do outro lado do rio. Quando segue para a escola, no caminho encontra um grupo de garotos acostumados a brincadeiras de guerra, que resolvem fazê-la de prisioneira.
O filme é singelo e inocente, apesar de tratar de um tema tão forte e pesado como a guerra e um sistema que aprisiona, tortura e mata. A cena inicial mostra o Buda sendo derrubado pelos talibãs, e é justamente neste local que os garotos em forma de brincadeira pegam a menina e começam a agir exatamente como os talibãs, questionando para onde vai, o porquê, o que está carregando, e tudo é motivo para tortura e apedrejamento, a falta do véu, um batom, ou um caderno já é o suficiente.
A cena é medonha, os meninos imitam a violência da qual estão acostumados e que pensam ser normal. Será que essas brincadeiras os influenciarão no futuro? Essa é uma das questões que o filme traz. O mundo da mulher é alheio, elas não sabem o que é liberdade e vivem de acordo com o meio. Tudo o que a pequena Baktay quer é um caderno e um lápis, seu amiguinho Abbas a incentiva, assim ela vai em busca da mãe para pedir dinheiro e comprar o caderno, mas ela não a encontra e seu amigo dá a ideia dela vender quatro ovos no mercado e comprar o caderno e o lápis, na ida ela quebra dois ovos, então troca o restante por pão, que vende a um homem que lhe dá dinheiro, mas infelizmente só dá para comprar o caderno, aí ela pega um batom da mãe para poder escrever e parte para a escola. Chegando lá, o professor castiga Abbas por chegar atrasado e expulsa Baktay, pois é uma escola para meninos. Ao tentar encontrar a escola para meninas, os garotos a encurralam, a revistam e acham o batom, motivo suficiente para o apedrejamento, mesmo que brincando é assustador.
A narrativa é simples e não há trilha sonora, as pessoas moram em cavernas numa região muito árida e bem pobre, as crianças por vezes nos dá a sensação de estar vendo um documentário, a brincadeira parece séria em dado momento e nos choca. Os pequenos imitam os adultos, e no filme mostra que essa nova geração já está pendendo pro lado da violência, restrição política e religiosa. Também prima em retratar a situação das mulheres nessa sociedade controlada. A cena final é uma das mais lindas, juntamente com a frase que resume o filme: "Morra se quiser se libertar".

Tudo é uma brincadeira de criança, os meninos apenas imitam o que veem. Baktay só deseja aprender ler e ouvir histórias bonitas, sua chegada na escola revela o quanto é difícil encontrar um lugar para si. Poucas mulheres têm essa chance de estudar e poucos permitem a ida delas à escola.
"E Buda Desabou de Vergonha" é um filme sobre inocência em meio a violência, é sobre crianças com poucas alternativas ou quase nenhuma. É uma joia rara do cinema!

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