sexta-feira, 12 de julho de 2013

Deus Abençoe a América (God Bless America)

"Eu estou cansado. Realmente. Tudo é tão cruel. Eu só queria que tudo isso terminasse."

"God Bless America" (2011) é um filme de humor negro realizado por Bobcat Goldthwait, ator e comediante. A história é sobre Frank (Joel Murray), um quarentão sem família, sem emprego e em estágio terminal devido a um tumor no cérebro, inconformado com a estupidez da sociedade e o rumo que sua vida está tomando decide se suicidar, porém o pensamento de que pode fazer mais aparece, e então resolve matar todos os idiotas acéfalos existentes em solo americano.
Muitos o consideraram um filme violento, críticas surgiram dizendo que é vazio de sentido, mas o que o roteiro faz é satirizar o estúpido, e venhamos e convenhamos que a ideia é boa, apesar de ser demasiadamente escrachada, mas analisando-o não poderia ser de outra forma. Os diálogos e pensamentos do filme geram momentos de puro êxtase, pois quem nunca quis dizer verdades na cara de um retardado manipulado pela massa que o rodeia, que tem preguiça de raciocinar, e que vomita frases prontas?
Frank deseja meter bala nos seus vizinhos desrespeitosos que acham que valem mais do que qualquer outro, ele diz que já não há vergonha, senso comum, tudo é superficial. O pensamento suicida desaparece após ver uma patricinha gritando com os pais por não ter ganhado o modelo de carro que ela queria em um programa de TV, Frank decide matá-la como último gesto de bondade para o mundo. Durante o processo de aniquilação da patricinha ele acaba se esbarrando em Roxy (Tara Lynne Barr), uma garota de 16 anos que compartilha do mesmo pensamento de Frank sobre a estupidez humana. A garota confessa a sua vida difícil com uma mãe drogada e um padrasto que a molesta, e assim os dois se tornam cúmplices de um plano para matar as pessoas que merecem.
O filme em certo ponto se distancia da crítica social, então não dá para analisar como um todo. Os diálogos elucidam o caminho estranho que as coisas vão tomando, ele abrange tão amplamente o consumismo, a relação pais e filhos, vizinhos escrotos, trabalho, o desrespeito pelo outro, a superficialidade televisiva, a supervalorização das celebridades sem nenhum talento, a violência, e a revolta gerada a partir disso.

"Viu, ninguém fala mais sobre nada. Apenas regurgitam o que veem na TV, ouvem no rádio ou veem na web. Quando foi a última vez que você realmente conversou com alguém, sem que ficasse mandando mensagens ou olhando para uma tela ou monitor? Uma conversa sobre algo que não fosse celebridades, fofocas, esportes ou política? Sobre algo importante. Algo pessoal?"

Ao matar as pessoas que merecem, eles na verdade estão matando a inutilidade que reina na sociedade. O intuito do filme é cutucar mesmo, que as pessoas que assistam sintam vergonha se elas fazem algo parecido com que é mostrado, é para desestruturar, chocar e esmagar a pobreza que veicula na TV, como os reality shows, o excesso de propaganda que faz você pensar que necessita daquilo, e que te faz menor por não querer o que lhe vendem.
Não espere uma comédia barata, é humor inteligente e sem escrúpulos. E dentro desse contexto de futilidades dá para pensar no quanto Hollywood por ser tão "grandiosa" manipula o público, claro que nem tudo é ruim, mas permitam-se ver além dos efeitos especiais e roteiros feitos a partir de uma fórmula repetida diversas vezes, cujo único intuito é puramente bilheteria. Aproveitem o cinema na sua mais bela essência e não como um produto. 

Exagerado em sua execução, mas perfeito em suas críticas, "God Bless America" merece ser visto por todos!

"Meu nome é Frank. Mas isso não é importante. O que importa é: quem são vocês? A América se tornou um lugar cruel e corrompido. Nós recompensamos o que há de mais superficial, mais estúpido e mais barulhento. Não temos mais senso de decência, de vergonha, de certo ou errado. As piores qualidades nas pessoas é o que nos chama atenção e atrai. Mentir e espalhar o medo é bom. Contanto que se ganhe dinheiro. Nos tornamos um país de traficantes de ódio e injustiça. Nós perdemos a nossa bondade. Nós perdemos a nossa alma. O que nos tornamos? Pegamos os mais fracos da nossa sociedade, ridicularizamos e rimos deles por puro entretenimento. Rimos deles até o ponto em que prefiram se matar do que continuar vivendo conosco." 

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