quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dear Zachary: Um Caso Chocante (Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father)

"Dear Zachary" (2008) é um documentário de uma força extraordinária capaz de nos tirar do eixo e mudar muitos de nossos pensamentos.
Dirigido por Kurt Kuenne, o filme retrata a história de seu amigo Andrew Bagby, assassinado pela namorada Shirley, que descobriu estar grávida após o crime. O documentário foi especialmente produzido para esse filho que iria nascer. Então, Kurt visita várias pessoas que eram próximas a Andrew e pede para que elas compartilhem seus sentimentos e lembranças. Porém, durante as filmagens novos acontecimentos mudam o foco de Kurt.
O início parece apenas uma homenagem de um grande amigo, e emociona pelo fato do cara ser muito amado, ter muitos amigos, uma família incrível e uma liberdade única com seus pais. Várias cenas mostram Andrew e Kurt na infância brincando de fazer filme. O documentário é um enorme desabafo, principalmente de seus pais sobre a justiça, pelo fato desta não ter dado a guarda da criança a eles e deixando à solta uma psicopata.
O Andrew retratado é um ser humano cativante, de boa índole, inteligente, próspero e com grandes pessoas ao seu lado. Shirley, a assassina se livra da cadeia por diversas vezes, e inclusive permanece com a guarda de Zachary. Os avós fazem grande esforço para conseguir visitá-lo e lhe dar amor e carinho. Nesta parte a indignação surge, pois a justiça não existe, ela simplesmente beneficiou uma pessoa perturbada e ainda lhe deu uma criança.
O documentário pode ser dividido em duas partes, sendo o foco da primeira em mostrar a declaração de amor e também o sofrimento dos pais pela perda do filho, a alegria em saber que um pedacinho dele irá nascer e que assim poderão de alguma forma amenizar a dor. Quando acontece a batalha judicial pela guarda de Zachary e a oscilação da justiça na prisão de Shirley, o sentimento de revolta e desgosto é imenso, nos colocamos na pele daquelas pessoas, a dor salta da tela, e consequentemente lágrimas escorrem de nossos olhos.

A segunda parte foi um fator surpresa que aconteceu no meio da produção do documentário, que intensifica ainda mais essa dor e mostra o quanto David e Kathleen Bagby (pais de Andrew) são pessoas especiais, que tiveram forças para continuar e lutar por seus direitos, transformando a tristeza em energia para brigar e combater as leis que tiraram parte de suas vidas. A impunidade é extrema nessa segunda parte, mas o final deixa uma mensagem muito importante, que mesmo que as leis sejam atrasadas e oscilem na condenação de um criminoso ainda que esteja na cara que é um alguém perturbado, calculista, egoísta e tantas outras características pertencentes a um psicopata, existem outras formas de buscar justiça. Os pais de Andrew exemplificaram isso, tiveram voz ativa, se rebelaram contra as leis, questionaram e clamaram pela verdadeira justiça. Infelizmente, as mudanças ocorrem de fato apenas quando algo pior acontece.

A sensação que esse documentário passa é a falta de sentido em tudo, não tem cabimento um casal de idosos lutar pela guarda do neto com uma criminosa, que como em vários outros casos a lei não optou pelo conforto da criança. O filme apesar de triste não tem intuito de ser melodramático, é direto e coloca o dedo na ferida.
Em certas cenas o ritmo frenético enfatiza o quanto foi ridícula as decisões tomadas pela justiça. É um peso que nenhum ser humano pode suportar. Há muitas coisas que não dá para entender, é pura maldade em destruir a alegria e a vida de alguém. Os depoimentos das pessoas próximas da família Bagby é um dos grandes pontos do filme, são palavras que permanecem conosco por um bom tempo. Por fim, "Dear Zachary" é um documentário intenso e triste, mas necessário e que transmite uma enorme força.

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