segunda-feira, 8 de julho de 2013

A Qualquer Momento (Any Day Now)

"Any Day Now" dirigido por Travis Fine é um filme baseado em fatos reais e ambientado no final dos anos 70, a história é sobre um advogado enrustido que se apaixona por uma Drag queen, interpretada pelo maravilhoso Alan Cumming. O advogado Paul é todo certinho, contido nos seus gestos, recém-separado ele acaba indo parar numa boate, na qual Rudy se apresenta, basta alguns olhares para a paixão acontecer, eles momentaneamente se envolvem. Isso já seria um grande fator para o preconceito, mas ainda aparece na vida de Rudy um garoto portador da Síndrome de Down, que é abandonado pela mãe drogada. O menino vive de maneira horrorosa, apenas comendo rosquinhas de chocolate, sem qualquer higiene, educação e carinho. Tocado pela situação do menino, Rudy tenta pedir ajuda ao advogado que acabara de conhecer, mas este espantado ao vê-lo no ambiente de seu trabalho o trata de forma fria. É impossível não se encantar pela personalidade de Rudy, ele tem em si uma grandeza humana inesgotável.
Mais tarde, Paul arrependido promete ajudar Rudy com o garoto, daí por diante eles tentam obter a guarda, inicialmente tendo a permissão da mãe de Marco, que está presa. Logo acontece a batalha judicial que teima em não visar as melhorias e o bem-estar de Marco, dando ênfase apenas no casal, que julgavam promíscuos. É completamente injusto a maneira que as autoridades julgaram o caso. A verdade é que Marco começou evoluir em todos os quesitos, e ele não era atrasado por conta da Síndrome de Down, mas sim pelo tratamento que estava recebendo de sua mãe drogada.
O filme transborda amor, um amor diferente do que vemos por aí, é de uma sensibilidade incrível e realmente muito bonito ver o quanto o ser humano pode se doar ao outro. O que assusta é pensar que, apesar de estarmos vendo um caso que aconteceu no final dos anos 70, essas mesmas leis ainda funcionam e frequentemente nos deparamos do como é desgastante para um casal gay adotar uma criança, mesmo eles mostrando estabilidade em todos os sentidos.
É preciso que todos saibam que família é algo além de convenções sociais e laços biológicos, família não é só feita de pai, mãe e irmãos, mas também feita de amigos, pessoas que encontramos e simplesmente nos apaixonamos, que nos dão a liberdade de viver e amar. Pessoas são pessoas e amamos quem nos faz bem, aliás amamos a pessoa pelo que ela é e não só pelo aspecto sexual.

O filme nos faz pensar nas diferenças e nos esteriótipos que se criam, caráter independe de gênero. Paul em dado momento diz: "Ninguém quer adotar um baixinho gordo com deficiência mental. Ninguém no mundo inteiro o quer! Exceto nós. Nós o queremos. Nós o amamos. Vamos cuidar dele e educá-lo. Mantê-lo seguro e torná-lo um bom homem. Não é o que ele merece? Não é o que toda criança merece?" Essa parte gera muita indignação, pois a verdade está estampada para todo mundo ver, e a justiça permanece ignorante e preconceituosa.

"Any Day Now" fala sobre o amor, e poucas vezes o vi de uma forma tão natural. O filme não é apelativo, nem manipulador com intuito de nos arrancar lágrimas, ele segue uma linha realista que reflete bem a nossa sociedade, veja que dos anos 70 para cá pouca coisa mudou, principalmente as leis, e o preconceito continua latente.
Vale ressaltar a maravilhosa trilha sonora, Alan Cumming interpreta várias canções ao longo do filme. É uma boa sugestão, pois é um assunto atualíssimo do qual mostra, infelizmente, que muitas vezes a justiça não está do lado certo.

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