quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Dalida

"Dalida" (2016) dirigido por Lisa Azuelos (Um Reencontro - 2014) é um filme biográfico que foca na personalidade da mais importante cantora francesa do século XX, Dalida não fez sucesso apenas na França, ela conseguiu ser amada pelo seu talento em várias partes do mundo, como Áustria, Alemanha, Holanda, Grécia, Líbano, Rússia, Japão e ainda conquistou o difícil mercado estadunidense. A vida desta mulher foi marcada por ilusões, perdas, tristezas e momentos sublimes, a história discorre sobre sua personalidade complexa e uma vida repleta de desespero, beleza e brilho.
A vida, obra e trajetória da cantora Dalida (Sveva Alviti) que nasceu no Cairo e se tornou um ícone da música francesa e mundial. Cantando em diversas línguas diferentes, uma mulher nascida para uma vida de sucessos e de fama, atuando em filmes famosos e vendendo milhões de discos no mundo inteiro até sua trágica morte.
A vida de Dalida foi um turbilhão de emoções, ainda no Cairo modelou e atuava em filmes, aconselhada a fazer carreira de atriz na França, o que de início não aconteceu, sua estrela brilhou de fato quando se apresentou em um show de calouros, onde Bruno Coquatrix, Eddy Barclay e Lucien Morisse se encantaram pela figura misteriosa dela e a colocaram num patamar de diva rapidamente, as canções atingiam o público em cheio e ganhou enorme prestígio entre outros artistas. Dalida mantinha um romance com Lucien (Jean-Paul Rouve), ele a admirava intensamente e às vezes esquecia de olhá-la como mulher, isso a afetava demais, pois queria ter um filho e uma vida comum, só que ele estava decidido a cada vez mais deixá-la entre as mais requisitadas artistas, quando casaram ela já não sentia o mesmo e não demorou para encontrar um amante, a inconstância na vida amorosa sempre a deixava frágil e terminava de maneiras trágicas, também não era fácil estar do lado de alguém como ela, tudo se confundia, mas ela continuava a sonhar e a amar. A primeira tragédia se deu quando se relacionou com Luigi Tenco (Alessandro Borghi), um artista maravilhoso, porém perturbado, ele havia trabalhado por anos em uma canção chamada "Ciao amore ciao", para se apresentar junto de Dalida em um importante festival de música, mas os jurados não gostaram e os desclassificaram, Tenco revoltado não compareceu ao jantar e Dalida ao voltar para o hotel o encontrou morto com um bilhete escrito que se matara como forma de protesto contra os jurados. Esse episódio destruiu Dalida que tempos depois tentou o suicídio, mas foi salva por uma camareira. Graças ao apoio do irmão e do público se reergueu e encontrou nos aplausos a força para continuar.

Dalida cruzou fronteiras com sua música, cantou em diversos idiomas, passou por diversos estilos, na sua vida pessoal enfrentou lutas internas e tragédias, o suicídio a rondava e a cada perda suas forças iam se exaurindo, nestas partes o sentido da vida acaba sendo bastante questionado e estamos ali com a protagonista sentindo suas dores e incertezas. Impressionante a entrega da atriz Sveva Alviti, além da ótima caracterização é maravilhosa em cena, emociona tanto em suas apresentações, como quando a conhecemos fora dos palcos, as tristezas amorosas a acompanharam a vida toda, enquanto o brilho de seu talento era cada vez mais intenso. Sua personalidade misteriosa, uma mulher com traços fortes, altiva e talentosa, fascinante toda a sua história. Todos os atores estão excelentes, Riccardo Scamarcio (O Primeiro que Disse - 2010) como Orlando, o irmão cuidadoso e empresário visionário, Nicolas Duvauchelle como o apresentador Richard Chanfray, que teve um relacionamento conturbado com Dalida, Alessandro Borghi como o intenso Luigi Tenco e Jean-Paul Rouve como Lucien Morisse, ex-marido de Dalida e um dos principais a contribuir com sua carreira. Tenco, Richard e Lucien se suicidaram, sendo que Richard e Lucien já não estavam mais com Dalida, esta que em 1987 encerrou com sua vida tomando elevada dose de barbitúricos.

"Dalida" é uma biografia cheia de momentos belíssimos, a vemos fascinar o público com sua presença e potente voz resplandecendo durante décadas, Dalida deixou um legado, canções imortalizadas e que são cultuadas geração após geração, a história de toda a sua trajetória de dor e desespero pessoal e sua glória nos palcos envolve e nos faz admirá-la ainda mais, a obra é uma boa chance para aqueles que não conhecem Dalida e mergulhar em suas inspiradas canções através de sua trágica história. 
A trilha sonora conduz a trama, cada música representa um momento, e é incrível a quantidade de hits, como "Bambino", "Paroles, Paroles", "Je Suis Malade", "Le Temps des Fleurs", "Bang Bang", "Laissez Moi Danser", entre tantas outras.

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