sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Som do Ruído (Sound of Noise)

"O Som do Ruído" (2010) dirigido por Johannes Stjärne Nilsson e Ola Simonsson é um filme sueco singular que utiliza o som, a música que a cidade produz para protestar os padrões musicais, as imposições da indústria e irritar a sociedade. Os números musicais são o ponto forte do longa que prima por uma criatividade genial. 
Amadeus Warnebring (Bengt Nilsson), um policial sem o menor ouvido musical, vem de uma família respeitada no mundo da música clássica. Ele terá que perseguir e pegar um grupo de anarquistas que espalham o terror na cidade usando tons musicais. Sem um pingo de talento musical, Amadeus segue sua pacata vida como policial até que ele começa a ficar perturbado após encontrar um metrônomo em uma vã e logo descobrir que um bando de agitadores está dando concertos em meio a cidade de forma ilegal, utilizando, por exemplo, um hospital, um banco e até mesmo usando torres de alta tensão. 
A obra foi concebida por Magnus (Magnus Börjeson - o segundo compositor das músicas para o filme) e chama-se "Música para uma Cidade e Seis Bateristas", Sanna (Sanna Persson) dá vida às intervenções, os dois vão atrás de mais músicos, escolhem a dedo os bateristas, e claro, eles aceitam de imediato sem se incomodarem com as propostas, começam então a se apresentarem e Amadeus fica incumbido de prendê-los, mas conforme acontecem as apresentações ele se envolve com Sanna. O seu drama de ser o único da família a não desenvolver o ouvido musical o atormenta tanto que seu único desejo é o silêncio, ele odeia música. 
As partes em que esses músicos dão seguimento ao tirar som de absolutamente qualquer coisa são sensacionais, a música realmente pertence a todos os espaços, a música está em toda parte, basta ouvi-la. O que o filme propõe é repensar esse padrão que a indústria do entretenimento impõe como sendo música, o que acaba dando a sensação de conformismo e estreitando o ouvido diante do todo. 

A peça é composta por quatro criativos e inusitados movimentos, "Doctor, doctor, gimme gas in my ass", onde tiram ritmos de instrumentos cirúrgicos, além do próprio corpo de um homem que estava prestes a ser operado. "Money 4 U Honey", que consiste em invadir um banco e fazer os reféns de plateia e fazer música com moedas, carimbos e calculadoras. "Fuck the Music", neste britadeiras e escavadeiras dão o show em frente ao teatro em que Oscar (Sven Ahlström), o irmão de Amadeus, rege a sua orquestra. E, por último, "Eletric Love", que transformam torres de alta tensão em uma partitura musical, com certeza uma das passagens mais belas e estonteantes do filme.

Especialmente para os músicos é um deleite, pois traz a sensação de querer explorar novos sons, se libertar e procurar ritmos e harmonias no cotidiano, construir a sua própria música para além daquela imposta, e nisto o silêncio tem papel fundamental, pois só através dele pode-se ter a possibilidade de perceber esta música que emana do dia a dia. "O Som do Ruído" é um filme que desconstrói conceitos musicais e que expande a percepção diante do espaço urbano e o som que ele produz. Uma pérola cinematográfica que enaltece e entorpece por sua criatividade e por sua declaração de amor à musica.

Um comentário:

  1. Extremamente criativa a história.

    Mais um filme que eu não conhecia.

    Abraço

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