quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Fidelio - A Odisseia de Alice (Fidelio - L'Odyssée d'Alice)

"Fidelio - A Odisseia de Alice" (2014) dirigido por Lucie Borleteau é um filme que transgride a questão de gêneros, a imagem que se tem sobre o homem e a mulher, Alice é uma mulher bela e natural que trabalha em um ambiente povoado por homens, ela vive de acordo com as suas vontades e o seu comportamento poderia ser atribuído ao universo masculino, e várias vezes o comportamento dos homens no navio atribuídos ao universo feminino, esse é o ponto que o filme quer tocar, os padrões e as expectativas esperadas por conta do pensamento fechado do que é ser homem e ser mulher.
Alice (Ariane Labed) tem 30 anos e é marinheira. Ela deixa Félix (Anders Danielsen Lie), seu homem, em terra firme e embarca como mecânica em um velho navio de carga, o Fidelio. A bordo, ela descobre que está substituindo um homem que acaba de morrer, e que Gaël (Melvile Poupaud), seu primeiro grande amor, comanda o navio. Em seu camarote, Alice encontra um diário que pertencia a seu predecessor. Lendo suas notas, entre os problemas mecânicos, conquistas sexuais e melancolia amorosa, vê que tudo estranhamente ressoa no que se passa em sua vida.
Alice embarca no velho Fidelio, o primeiro que navegou em sua vida, deixa pra trás o namorado, uma paixão avassaladora, mas ao ver o comandante que foi o seu grande amor se sente atraída, mas essa não é uma narrativa comum sobre triângulos amorosos, a vida no mar é o foco, a solidão e o encantamento diante da imensidão azul e também o trabalho pesado, quando Alice começa a ler os relatos do marinheiro que faleceu sente uma espécie de cumplicidade, ao passo que lida com problemas e insatisfações no seu dia a dia, além dos desejos e a melancolia.
Alice é a única mulher na equipe e é respeitada profissionalmente, quando surge algo que a desmereça enfrenta, por exemplo, quando na noite em que um dos colegas tenta abusar sexualmente dela, a sua reação é firme. Ao longo observamos que ela é uma mulher que não tem receios, já que escolheu uma profissão que a deixa longe de casa quase o ano todo e basicamente composta por homens, é a liberdade de escolher o que lhe faz bem independente do que a família e os demais irão pensar, inclusive, os companheiros de trabalho. Quando em terra firme não se limita, também vai se divertir em festas e joga conversa fora sobre qualquer assunto. 

"Fidelio - A Odisseia de Alice" é repleto de metáforas sutis, é uma obra linda que retrata uma mulher forte, independente e ao mesmo tempo delicada, triste, e principalmente, livre para realizar a procura de si mesma, está aí o mar simbolizando o seu ser: belo, imenso e também solitário e impreciso. A interpretação de Ariane Labed é sensível, está completamente à vontade com o seu corpo e o espaço do qual faz parte. 
O sexo, o amor, a infidelidade são temas tratados com naturalidade e sinceridade, os desejos fazem parte do ser humano seja ele de qualquer gênero, o longa transgride com simplicidade os papéis que se associam aos homens e as mulheres.

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